Donald Trump
completou 80 anos de idade no dia 14 de junho e decidiu celebrar o
acontecimento de uma forma peculiar. Podia ter organizado um jantar familiar,
um comício com apoiantes, ou um grande concerto, mas decidiu associar-se ao
Ultimate Fighting Championship (UFC) para
receber sete combates de artes marciais mistas (MMA) no relvado da Casa Branca.
Foi uma escolha que mostra o nível deste homem que os americanos elegeram para
seu presidente, uma coisa “outrora inimaginável”.
Para concretizar esta ideia
foi instalada uma plataforma cercada de rede – o octógono – uma jaula onde os
lutadores enclausurados trocam socos e pontapés, num chocante espectáculo de “vale
tudo” e numa exibição de violência e de brutalidade que ofende a condição
humana. Para agravar ainda mais esta insólita celebração, este deprimente
espectáculo faz parte das comemorações do 250º aniversário da independência dos
Estados Unidos, o que certamente deixou perplexos, tanto George Washington como
Thomas Jefferson.
A famosíssima e
centenária revista The New Yorker tratou de ridicularizar esta iniciativa
presidencial e, na sua última edição, fez capa com o “octógono” de Trump, onde sob
seu olhar estão a lutar J.D.Vance e Marco Rubio, considerados os seus delfins.
No dia seguinte a
esta grotesca forma de celebrar aniversários, Donald Trump estava em Evian na
cimeira do G7 e as televisões mostraram o servilismo com que foi tratado pelos
líderes europeus, talvez incomodados por não terem sido convidados para o 80º
aniversário do Donald.
Vi e só me
ocorreu o Fado da Tristeza, uma
inspirada canção de José Mário Branco.
