sábado, 9 de maio de 2026

O separatismo também ameaça o Canadá

Alberta é uma das dez províncias do Canadá, tem 661.848 km² de extensão (sete vezes maior que Portugal) e, com quase cinco milhões de habitantes, é a quarta província mais populosa do país depois de Ontário, Quebec e Colúmbia Britânica. É a região mais rica do Canadá, com abundantes recursos naturais, designadamente carvão, petróleo e gás, mas há quem queira torná-la independente, conforme revela a edição de hoje do jornal National Post, que se publica em Toronto.
Embora as reivindicações independentistas sejam correntes na Europa, por exemplo na Catalunha, na Escócia, na Flandres, na Córsega ou no País Basco, são uma verdadeira surpresa no Canadá, mas o facto é que o jornal alerta os seus leitores com a manchete “why Canadians need to take Alberta’s Separatist Movement seriously”.
Segundo o jornal, há razões históricas para alimentar o movimento separatista, pois os albertenses acusam as províncias ocidentais e os Liberais que têm governado o país, de “alienação ocidental”, isto é, de uma contínua sabotagem ao seu desenvolvimento e de aproveitamento dos seus recursos naturais, que serão mais dirigidos para a economia nacional do que para a economia local. Daí que o movimento separatista Stay Free Alberta, dirigido por Mitch Sylvestre, tenha apresentado uma petição formal para a realização de um plebiscito pela independência de Alberta, que deverá ser realizado ainda no corrente ano. Era necessário recolher 178 mil assinaturas para o efeito (10% dos eleitores de Alberta), mas os organizadores da petição terão recolhido mais de 300 mil. Porém, também há movimentos activos que resistem à ameaça de ser separados do Canadá, ou de se tornarem no 51º estado americano, que afirmam “chegou a hora de defender o Canadá e dizer 'não' ao separatismo”. Um desses movimentos é o Forever Canadian que já recolheu 404.293 assinaturas dos que querem manter-se no Canadá.
O tema está na ordem do dia e justifica-se a manchete do jornal, isto é, o separatismo no Canadá deve ser olhado seriously

A Roménia quer o regresso da Monarquia?

A Roménia é uma república situada no leste europeu que ocupa uma área de cerca de 238 mil quilómetros quadrados com cerca de 20 milhões de habitantes e que tem fronteira com a Hungria, Sérvia, Ucrânia, Moldávia e Bulgária. Faz parte da NATO desde 2004 e da União Europeia desde 2007. O seu território integrou o Império Otomano que “por cerca de 600 anos se expandiu por três continentes” e governou territórios que actualmente constituem a Roménia, mas também a Turquia, o Egipto, a Bulgária, a Grécia, a Hungria, a Jordânia, o Líbano, a Síria, Israel, Albânia, Chipre, Sérvia, Iraque e alguns outros.
Em meados do século XIX o Império Otomano estava em declínio e havia várias guerras no leste europeu. Nesse quadro de conflito, no dia 10 de maio de 1866 as tropas prussianas de Carlos de Hohenzollern-Sigmaringen entraram em Bucareste pela Ponte Mogoșoaiei e, no mesmo dia, na Colina Mitropoliean, ele prestou juramento, afirmando a sua "devoção ilimitada à minha nova pátria e o respeito inabalável pela lei, que absorvi no exemplo do meu povo. Cidadão hoje, amanhã, se necessário, soldado, compartilharei convosco a boa e a má sorte". 
O jovem príncipe, que era irmão da rainha D. Estefânia que casou com o rei D. Pedro V de Portugal, “era três quartos prussiano, da família Hohenzollern, e um quarto francês, por parte de sua avó materna”, tendo-se tornado governante dos Principados Unidos da Moldávia e Valáquia e, mais tarde, em 1881, rei da Roménia, sob o nome de Carlos ou Carol I. Desde então e até 1947, o dia 10 de maio foi comemorado como o Dia Nacional da Roménia, como nos informa a edição de ontem do diário romeno Adevarul que se publica em Bucareste e que o Google Tradutor nos ajuda a ler.
O jornal explica como Carlos I “conseguiu transformar a Roménia de ‘problema oriental’ em ‘potência regional’, elogia o seu longo reinado de 48 anos, defende o regresso do dia 10 de maio como Dia Nacional da Roménia e, até certo ponto, sugere o regresso da Monarquia que foi extinta em 1947, quando Miguel I (1921-2017), que reinou de 1940 a 1947, foi forçado a abdicar pelo regime comunista apoiado pela União Soviética e a Roménia se tornou uma república.
A edição de fim-de-semana do Adevarul não só “ressuscita” Carlos I e lembra “os tempos gloriosos da monarquia”, como mostra que “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” e que “todo o mundo é composto de mudança”, como escreveu o nosso Luís de Camões.