quarta-feira, 11 de outubro de 2017

O caos económico ameaça a Catalunha

Os acontecimentos na Catalunha têm-se sucedido com enorme rapidez, sobretudo depois do dia 1 de Outubro, com avanços e recuos a fazerem lembrar-nos o Verão Quente de 1975 em Portugal.
O referendo realizado nesse dia foi um acto meramente simbólico e sem credibilidade, mas efectuou-se apesar das tentativas da polícia para o bloquear. O governo da Catalunha tratou de anunciar vitória e acusou a polícia nacional de acções desproporcionadas e violentas de que resultaram muitas centenas de feridos, mas esses anúncios não passaram de acções de propaganda. Entretanto, as forças apoiantes da unidade da Espanha reagiram e vieram para as ruas de Barcelona numa grande manifestação, comparável às que tinham apoiado a realização do referendo e a independência da Catalunha. A Catalunha ficou mais dividida. Os defensores da unidade da Espanha ganharam um novo fôlego, enquanto os independentistas perderam uma parte do seu fulgor. Ao mesmo tempo surgiram os anúncios da retirada da Catalunha das sedes de muitas empresas, enquanto chegavam de diversas capitais europeias muitos avisos de que a independência da Catalunha significaria a saída da União Europeia. A ideologia começou a ceder à economia e alguns jornais começaram a falar em caos, como sucede hoje com El País. O cerco às teses de Carles Puigdemont e Oriol Junqueras acentuou-se, interna e internacionalmente. O seu aventureirismo e os seus saltos no escuro foram desmascarados. O recuo parecia ser a atitude mais sensata e mais prudente para evitar o agravamento da crise económica e social que já se anuncia na Catalunha, mas havia o compromisso de declarar a DUI (Declaração Unilateral de Independência).
Ontem, Carles Puigdemont falou no Parlamento da Catalunha e não foi capaz de desenrolar o novelo em que se envolveu. Acusou o governo de Mariano Rajoy, vitimizou-se e não deixou claro se declarou ou não a independência, voltando a pedir uma mediação internacional para negociar, embora saiba que o governo espanhol a rejeita. Os seus apoiantes independentistas da CUP ficaram decepcionados e ameaçam abandoná-lo. O seu recuo para ganhar tempo mostra que já foi engolido pelos acontecimentos. Esta manhã o governo espanhol encostou-o à parede e perguntou-lhe se declarou ou não a independência da Catalunha. Puigdemont ficou encurralado "entre a espada e a parede", vai ser "preso por ter cão e preso por não o ter" e vai ter um triste fim político.
Como aqui escrevemos no dia 29 de Setembro, o futuro da Catalunha terá de ser conduzido por gente mais capaz que os Puigdemont e os Oriol Junqueras, que já perderam esta batalha pela independência da Catalunha.

As alegrias únicas que o futebol nos dá

A selecção nacional de futebol venceu ontem a selecção suiça no estádio da Luz e apurou-se para o Campeonato do Mundo de Futebol que, no próximo ano, se vai disputar na Rússia.
A noite de ontem, serviu não só para assegurar esse apuramento, mas também para elevar o orgulho nacional e a auto-estima dos portugueses. Com esse festejado triunfo, Portugal ingressou no restrito grupo de países que estará no Mundial, o que o torna sujeito num dos temas dominantes da actualidade, porque a partir de agora, através dos meios de comunicação social, o mundo vai falar das selecções e dos países que vão estar presentes na Rússia.
As imagens televisivas foram esclarecedoras quanto ao entusiasmo ou mesmo à euforia dos portugueses. De resto, quase tudo parece correr bem nesta terra, desde a paz social até ao bom desempenho da economia, passando pela estabilidade política, pela multidão de turistas que nos visitam e pelo futebol. Só a prolongada seca, a persistência dos incêndios, o aumento da dívida externa e a demagogia de certas figuras políticas nos contrariam o nosso contentamento.
A imprensa destacou, naturalmente, o apuramento português e o jornal A Bola escolheu o sugestivo título de Nação Valente, retirado do texto do Hino Nacional que milhares de espectadores cantaram no final do jogo, num inesperado momento de grande emoção.
Infelizmente, este momento de euforia vai ser efémero nas nossas televisões. Vão voltar rapidamente os longos espaços televisivos com enjoativos debates sobre o futebol caseiro e com a exibição de um doentio fanatismo clubístico, apoiado no discurso injurioso dos dirigentes, nas vicissitudes das arbitragens ou na enfadonha discussão sobre se numa determinada jogada houve mão na bola ou bola na mão.
É uma pena que as televisões, sobretudo o serviço público de televisão, dê guarida a tantos fanáticos investidos em comentadores de televisão.