Mostrar mensagens com a etiqueta Cartoon. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cartoon. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Socos e pontapés no aniversário do Donald

Donald Trump completou 80 anos de idade no dia 14 de junho e decidiu celebrar o acontecimento de uma forma peculiar. Podia ter organizado um jantar familiar, um comício com apoiantes, ou um grande concerto, mas decidiu associar-se ao Ultimate Fighting Championship (UFC) para receber sete combates de artes marciais mistas (MMA) no relvado da Casa Branca. Foi uma escolha que mostra o nível deste homem que os americanos elegeram para seu presidente, uma coisa “outrora inimaginável”. 
Para concretizar esta ideia foi instalada uma plataforma cercada de rede – o octógono – uma jaula onde os lutadores enclausurados trocam socos e pontapés, num chocante espectáculo de “vale tudo” e numa exibição de violência e de brutalidade que ofende a condição humana. Para agravar ainda mais esta insólita celebração, este deprimente espectáculo faz parte das comemorações do 250º aniversário da independência dos Estados Unidos, o que certamente deixou perplexos, tanto George Washington como Thomas Jefferson. 
A famosíssima e centenária revista The New Yorker tratou de ridicularizar esta iniciativa presidencial e, na sua última edição, fez capa com o “octógono” de Trump, onde sob seu olhar estão a lutar J.D.Vance e Marco Rubio, considerados os seus delfins.  
No dia seguinte a esta grotesca forma de celebrar aniversários, Donald Trump estava em Evian na cimeira do G7 e as televisões mostraram o servilismo com que foi tratado pelos líderes europeus, talvez incomodados por não terem sido convidados para o 80º aniversário do Donald.
Vi e só me ocorreu o Fado da Tristeza, uma inspirada canção de José Mário Branco.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

A tristeza de George Washington

A revista semanal The New Yorker tem 101 anos de idade e tem sido uma publicação de referência nos Estados Unidos pela sua diversidade temática, pois inclui jornalismo, comentário, crítica, ensaio, ficção, poesia e sátira, mas também pelo seu posicionamento político, tendo apoiado os candidatos presidenciais do Partido Democrata, incluindo John Kerry, Barack Obama, Hillary Clinton, Joe Biden e Kamala Harris. Segundo os estudos de opinião conhecidos, é a revista da classe média e média alta, do centro-esquerda e dos liberais americanos, daí resultando que assuma posições muito críticas em relação à administração de Donald Trump.
Na sua mais recente edição a revista escolheu George Washington para ilustrar a sua capa e, se “uma imagem vale mais que mil palavras”, a capa do The New Yorker é bem elucidativa e o editor não precisou de quaisquer palavras para a completar. A imagem fala por si mesma.
George Washington é “um dos pais fundadores dos Estados Unidos”, pois comandou as tropas americanas na guerra da independência contra a Grã-Bretanha, presidiu à convenção que elaborou a Constituição e foi o primeiro presidente dos Estados Unidos. Agora, ao olhar para o que vai fazendo Donald Trump e os seus seguidores, George Washington evidencia a sua mágoa e a sua tristeza expressas no seu olhar melancólico, refugia-se em copos e cigarros como se vê na ilustração e pensa nas voltas que o mundo dá, designadamente nos Estados Unidos, onde os eleitores escolheram um homem que tem sido caracterizado com adjectivos como controverso, arrogante, populista, narcisista, impulsivo, autoritário, provocador, incompetente, imprevisível e fanfarrão.
Com uma taxa de desaprovação de 62%, a impopularidade do presidente Donald Trump atinge actualmente o valor mais alto de sempre, porque tem semeado ventos por todo o lado e muitos americanos temem que possam vir a colher tempestades.

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

O presidente é um incontinente verbal

Expresso, 21 de Outubro de 2022
O cartoonista António, nome artístico de António Moreira Antunes é reconhecido como um talentoso caricaturista político português, cujo nome artístico é apenas António e que tem uma extensa obra publicada regularmente na nossa imprensa. Porém, em 2012 foi convidado para desenhar as caricaturas de mais de cinquenta personalidades da vida portuguesa destinadas à decoração da estação do Metropolitano de Lisboa no Aeroporto e esse trabalho é, porventura, a sua obra mais apreciada.
Na última edição do semanário Expresso foi publicado um cartoon com a sua assinatura e que se intitula “O incontinente”. Nesse cartoon, o presidente Marcelo Rebelo de Sousa vomita letras e palavras, mostrando-se um incontinente que tudo comenta e a qualquer hora, tanto em Portugal como no estrangeiro. Comenta a política e o futebol, a meteorologia e os festivais, a economia e os casos judiciais, os acidentes e a política internacional. Tanta opinião cansa. Fala do que não devia. Viaja demais e nunca se esquece de levar consigo microfones e cornetas. Com tantas aparições, quase sempre diz vulgaridades ou banalidades, como “ninguém está acima da lei”, ou comenta taxas de juro, estratégia militar, incêndios florestais e orçamento do Estado, quando este ainda está em discussão no lugar próprio que é o Parlamento. É um exagero. É um protagonismo desproporcionado e até ilegítimo. Os seus serviços anunciam os locais e as horas onde Sua Excelência aparece e, ao ver microfones ou câmaras, não resiste. Se vê telemóveis aproveita para se expor ou para tirar as suas próprias selfies. Antigamente, era comentador num só canal televisivo, mas agora comenta em todos os canais, jornais e redes sociais. É um caso extremo de incontinência comunicacional como escreveu Eduardo Cintra Torres, ou como caricaturou António. Sem dúvida.

sábado, 2 de abril de 2022

A desejável neutralidade para a Ucrânia

A guerra da Ucrânia ocupa a informação portuguesa desde há mais de um mês, através da presença de muitos enviados especiais no terreno e de inúmeros comentadores e comentadoras nos estúdios, cujas notícias, opiniões e comentários são repetidos demasiadas vezes, como se fizessem parte de um programa de propaganda organizada.
Apesar disso, hoje sabe-se pouco sobre o que realmente se passa no terreno, embora possamos ver cenários de grande tragédia humana e de grande destruição patrimonial, que as televisões nos mostram durante horas e horas. O cessar-fogo já deveria ter acontecido, mas há quem não esteja interessado nele, apesar das negociações estarem a dar alguns bons passos, segundo tem sido divulgado, designadamente quanto a uma futura neutralidade ucraniana e à sua não integração na NATO.
A questão russo-ucraniana tornou-se um problema mundial. Na Eslováquia, um dos sete países que tem fronteiras com a Ucrânia e que é um pequeno país que pertence à União Europeia e à NATO, o jornal Denník N que se publica em Bratislava, deu hoje espaço de primeira página a um curioso cartoon com as cores ucranianas e com um guarda-chuva que protege o país dos bombardeamentos, russos ou outros, escrevendo Akú neutralitu by brali Ukrajinci que, em tradução feita pelo google significa, que neutralidade aceitariam os ucranianos. O cartoon é inteligente e insinua uma Ucrânia neutral, em que o guarda-chuva da neutralidade protege o país de todas bombas, venham elas de onde vierem.
Para além da questão da neutralidade ucraniana e da integração na União Europeia, há as questões mais complexas das autonomias ou das independências no Donbass, da ocupação russa da Crimeia, do estatuto da cidade autónoma de Sebastopol, dos acessos ucranianos ao mar Negro e da compatibilização no mesmo país de duas línguas, duas culturas e duas religiões, para além das feridas que irão persistir durante muito tempo na sociedade ucraniana em relação às suas próprias comunidades e à Rússia.
É mesmo um desafio muito difícil, mas não pode deixar de ser procurada uma rápida solução para a Ucrânia com a ajuda da comunidade internacional. A neutralidade como tem a Áustria ou a Finlândia pode ser uma solução.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Um cartoon inteligente ajuda a esclarecer

Democratic Funeral (In www.cartoonmovement.com)
A situação por que passa o Reino Unido em relação ao Brexit é realmente lastimável e perigosa. Já está quase tudo dito sobre o assunto e já ninguém consegue prever o que vai acontecer, nem como ou quando vai acontecer.
Hoje é sabido que o referendo promovido por David Cameron foi precipitado e que poucos sabiam no que estavam a votar, pelo que em função do inesperado resultado que deu a vitória ao leave, se demitiu.
Depois sucedeu-lhe Theresa May que tratou de conduzir negociações em Londres e em Bruxelas, para conseguir um acordo de saída da União Europeia, mas que não levaram a lado nenhum, pelo que também se demitiu.
Apareceu depois Boris Johnson, com o seu ar de adolescente extravagante e estarola, que incitado pelo radical Donald e apesar de não ter mais apoios do que tivera May, decidiu avançar e perdeu... mas sem se demitir. No sentido de ganhar tempo e com todo o aspecto de golpe, Boris Johnson decidiu neutralizar durante algumas semanas o Parlamento que o contrariou, pelo que precisou e teve o apoio institucional da Rainha. Porém, o Supremo Tribunal da Escócia veio acusar o Boris de “ter enganado a Rainha” e já considerou a decisão contrária à lei, pelo que deve ficar sem efeito. Estamos, portanto, em mais um dos muitos imbróglios em que o Brexit tem sido fértil.
Tudo isto tem um teor de gravidade tão grande que preocupa meio mundo, embora o outro meio mundo aproveite para caricaturar e ridicularizar esta situação. Foi o que fez  o cartoonista português Vasco Gargalo no seu trabalho “Democratic funeral”, com muita inteligência e perspicácia. Aqui lhe deixo as minhas felicitações. 

domingo, 27 de janeiro de 2019

O muro de Trump na fronteira mexicana

O cartoon é uma expressão artística muito apreciada porque de uma forma inteligente e compreensível, explica, analisa e critica uma dada situação, ridicularizando por vezes os seus protagonistas. Por isso, a generalidade dos jornais não o dispensa.  
Nos últimos tempos, a vida política americana tem sido agitada pela obcessão de Donald Trump para que seja construído um muro na fronteira dos Estados Unidos com o México, conforme prometeu na sua campanha eleitoral e que, na sua opinião, ajudaria a conter a imigração ilegal e o tráfico de drogas vindas do sul.
A fronteira americana com o México tem cerca de 3.200 km e o custo previsto para a construção desse muro cobrindo apenas metade da sua extensão ainda está por saber, estimando-se que se situa entre os 12 e os 70 mil milhões de dólares. Os Democratas, que têm a maioria na Câmara dos Representantes, consideram que se trata de um desperdício do dinheiro dos contribuintes e não concordam com a construção desse muro, pelo que daí tem resultado a paralização do governo federal.
O muro de Trump tem estado no centro da política americana e tem dado origem ao aparecimento de muitos cartoons na imprensa mundial. De entre todos, destacamos aqui um dos mais expressivos de quantos conhecemos sobre este controverso assunto da política americana.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Marcelo multifunções

Fonte: http://www.antoniojorgegoncalves.com
O cartoon é uma forma de comunicação gráfica humorística, que retrata de uma forma crítica, simples e compreensível alguns factos, situações ou pessoas que fazem parte dos nossos quotidianos.
Um bom cartoonista tem que ter bom traço e bom desenho gráfico mas, sobretudo, tem que ser muito inteligente para captar os aspectos dominantes do objecto do cartoon e para depois os transmitir de uma forma simples, atraente e compreensível para o maior número possível de pessoas.
Há dias cruzei-me na blogosfera com António Jorge Gonçalves e com o seu excelente cartoon que intitulou Marcelo multifunções, inspirado nas funções de um canivete suíço.  É um exemplo de perspicácia, de humor e de inteligência, que traduz a diversidade de aptidões e de interesses do nosso Presidente da República, que está em toda a parte e que comenta, explica, prevê, fala, lê, reza, festeja, participa, visita, critica, abraça, chora e beija e ainda tem tempo e espaço para despachar selfies ao gosto do freguês. 
É mesmo um Marcelo multifunções.
Parabéns António Jorge Gonçalves!

sábado, 19 de maio de 2018

Donald está a incendiar o Médio Oriente

A decisão do presidente americano de retirar os Estados Unidos do acordo sobre o nuclear iraniano e de transferir a embaixada americana de Tel-Aviv para Jerusalém, acelerou a espiral de confrontação no Médio Oriente, deteriorou a relação transatlântica e está a pôr em causa a anunciada cimeira com Kim Jong-un.
Na edição agora posta a circular, o Courrier International analisa a situação criada e dedica a capa ao Donald que classifica como le dynamiteur. De resto, são cada vez mais as grandes revistas internacionais que caricaturam o Donald e as suas constantes ameaças à paz, por paranóica obcessão ou por entender que o seu slogan America first se cumpre com os incêndios que vai ateando.
A política externa de Barack Obama é posta em causa todos os dias e agora, certamente por pressão de Israel, o Donald decidiu virar-se para o Irão e para o seu expansionismo regional, mas também para o Hezbollah e o Hamas, os históricos inimigos de Israel. Por agora, o Donald ainda não se envolveu directamente, mas já tratou de apoiar os falcões de Israel, inclusive usando o seu direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
A situação é preocupante e o que se espera, como aqui já foi escrito, é que os políticos europeus se saibam distanciar do Donald e façam tudo para evitar o agravamento da tensão no Médio Oriente.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Stop fire in Syria

Vasco Gargalo: Stop fire in Syria (Fonte: cartoonmovement.com)
Estão decorridos sete anos desde que começou a guerra na Síria ou, como por vezes se vai dizendo, as várias guerras da Síria.
No terreno e após sete anos de brutalidade e de tragédia não há vencedores, mas há apenas os sinais da violação dos direitos humanos, da morte e da destruição sistemática de um país, para além de uma consolidação do poder da Rússia na região. Apesar de todos os seus esforços, as Nações Unidas não têm conseguido parar a guerra e abrir o caminho a uma paz duradoura. Não é difícil perceber quem são os principais responsáveis por esta prolongada crueldade, que está a utilizar os sírios para satisfação das suas ambições geopolíticas, mas tem sido mais fácil condenar Bashar el-Assad e ignorar as responsabilidades. dos grandes dirigentes mundiais ou dos líderes dos países vizinhos. A diplomacia internacional tem sido ineficaz, ao contrário das suas agências noticiosas e da sua propaganda que procuram mostrar que, naquela tragédia, há uns protagonistas que são os bons e outros que são os maus, quando na realidade são todos muito maus. Lembremo-nos do que aconteceu em Kobane, Palmyra, Allepo, Racca e, agora, em Afrin e Ghouta, em que a manipulação da informação é feita sempre no mesmo sentido, através da utilização de imagens de forte impacto emocional. A utilização do poder dos mass media prolonga e alimenta todas as guerras através da manipulação das opiniões públicas. Essa é uma realidade que já vem pelo menos desde a 1ª Guerra Mundial. 
O cartoonista Vasco Gorgulho utilizou o seu talento e criou um cartoon bem esclarecedor, em que o secretário-geral das Nações Unidas procura apanhar a multiplicidade de bombas que caem na Síria, estando rodeado por estilhaços das bombas sírias, americanas, sauditas, russas, israelitas, turcas e iranianas, faltando-lhe ainda as bombas dos curdos, dos libaneses do Hezbollah, dos mercenários islâmicos do Daesh e outras mais. São bombas a mais e todas são igualmente devastadoras, quer sejam exibidas ou não nas televisões. Parem com todas elas!

domingo, 22 de outubro de 2017

A nova gestão emocional das calamidades

Afectos (Fonte: ilustragargalo.blogspot.com)
Os incêndios do passado fim-de-semana em Portugal foram uma calamidade e têm gerado reacções muito emocionadas por parte dos agentes políticos, umas mais sentidas e outras cheias de hipocrisia, outras inesperadas e outras tão oportunistas que, em conjunto, bem podem ser consideradas como um case study de uma nova disciplina a designar como Gestão emocional das calamidades públicas.
Os exemplos são muitos, mas basta ver alguns. O presidente da República levou a sua presença e uma palavra de alento às regiões sinistradas, mas rapidamente se deslumbrou e passou dos afectos a uma inoportuna e despropositada campanha de promoção pessoal; o primeiro-ministro esteve no meio de uma tempestade perfeita e viu-se cercado pelos estagiários do microfone e pelos comentadores de serviço, pelo que não reagiu bem à situação e até admitiu que não fez uma boa gestão emocional da tragédia; a deslumbrada jovem que dirige os centristas ainda inconformados com o seu afastamento do arco do poder, quis aproveitar a transição que se vive no PSD para sair da sua insignificância política, tratando de apresentar uma moção de censura ao governo e exigir o corte de cabeças, quando os incêndios ainda não estavam dominados.
Todas estas reacções merecem uma análise profunda que cada cidadão não dispensa de fazer Foi o que fez o cartoonista Vasco Gargalo que criou um cartoon com o título Afectos, dedicado a Marcelo Rebelo de Sousa e que publicou no passado dia 20 de Outubro no seu blogue.
A oportuna intervenção afectiva e solidária de Marcelo Rebelo de Sousa nas regiões sinistradas, rapidamente descambou para uma inoportuna peregrinação de demagogia presidencial, ornamentada por extensas comitivas de fotógrafos e de estagiários, naturalmente convidados pelos serviços da presidência da República para perpetuarem os afectos do presidente em imagem e som. Não está certo e, como diz o povo, no melhor pano cai a nódoa. Parabéns Vasco Gargalo.