quarta-feira, 24 de junho de 2026

Dez anos de Brexit: cansaço e fracasso

No dia 23 de junho de 2016 realizou-se no Reino Unido um referendo sobre a permanência do país na União Europeia, em que votaram cerca de 33 milhões de eleitores, depois de uma intensa campanha. Apurados os resultados, verificou-se que 48,11% dos eleitores votaram na permanência (remain) mas que 51,89% escolheram sair (leave), isto é, o Brexit venceu e, depois de demoradas negociações, o Reino Unido abandonou a União Europeia. 
Dez anos depois, os britânicos estão muito insatisfeitos e há uma progressiva onda de apoio ao regresso à União Europeia, como se vai verificando na imprensa diária, o que também foi revelado por um estudo feito pelo European Council on Foreign Relations (ECFR), que agora foi divulgado, que mostra que dois terços dos britânicos considera que o Brexit foi um erro e um fracasso e que a decisão teve consequências negativas para o país, tanto a nível económico como social. Os britânicos associam a sua saída da União Europeia ao agravamento de diversos problemas considerados centrais para o país, incluindo o aumento do custo de vida, o abrandamento económico, a redução de oportunidades para os mais jovens, as dificuldades comerciais e uma gestão menos eficaz da imigração ilegal. Além disso, também defendem uma maior aproximação económica à União Europeia e, até no domínio da segurança e defesa, só 18% dos britânicos considera os Estados Unidos como o seu principal aliado. 
Na sua edição de hoje, o jornal The Independent diz que “uma geração inteira foi traída” e exibe em primeira página as fotografias de Boris Johnson e de Nigel Farage, que continuam no activo e são os grandes responsáveis pelo Brexit e por outras maldades, incluindo o incentivo para que não houvesse acordo no conflito da Ucrânia.