No dia 23 de
junho de 2016 realizou-se no Reino Unido um referendo sobre a permanência do país na
União Europeia, em que votaram cerca de 33 milhões de eleitores, depois de uma
intensa campanha. Apurados os resultados, verificou-se que 48,11% dos eleitores
votaram na permanência (remain) mas
que 51,89% escolheram sair (leave),
isto é, o Brexit venceu e, depois de demoradas negociações, o Reino Unido
abandonou a União Europeia.
Dez anos depois, os britânicos estão muito
insatisfeitos e há uma progressiva onda de apoio ao regresso à União Europeia,
como se vai verificando na imprensa diária, o que também foi revelado por um
estudo feito pelo European Council on Foreign Relations (ECFR), que agora foi divulgado,
que mostra que dois terços dos britânicos considera que o Brexit foi um erro e
um fracasso e que a decisão teve consequências negativas para o país, tanto a
nível económico como social. Os britânicos associam a sua saída da União Europeia
ao agravamento de diversos problemas considerados centrais para o país, incluindo
o aumento do custo de vida, o abrandamento económico, a redução de
oportunidades para os mais jovens, as dificuldades comerciais e uma gestão
menos eficaz da imigração ilegal. Além disso, também defendem uma maior aproximação
económica à União Europeia e, até no domínio da segurança e defesa, só 18% dos
britânicos considera os Estados Unidos como o seu principal aliado.
Na sua
edição de hoje, o jornal The Independent diz que “uma geração
inteira foi traída” e exibe em primeira página as fotografias de Boris Johnson
e de Nigel Farage, que continuam no activo e são os grandes responsáveis pelo
Brexit e por outras maldades, incluindo o incentivo para que não houvesse
acordo no conflito da Ucrânia.
