terça-feira, 16 de abril de 2013

Alemanha: dois pesos e duas medidas



Segundo revelou o jornal i na sua edição de ontem, o governo grego vai recorrer aos tribunais internacionais para exigir à Alemanha que pague o que ainda lhe deve, a título de reparações de guerra, pela ocupação do seu território pelas tropas nazis entre 1941 e 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, e que se estima tenha causado cerca de 300 mil mortes. O jornal informa que “69 anos depois da saída das tropas de Hitler do país”, a Grécia mostra-se disposta a ir até às últimas consequências para reaver a indemnização de guerra a que tem direito e que nunca foi paga na totalidade, acrescida de juros de mora. Essa indemnização, que a Alemanha ainda deve à Grécia, está calculada em mais de 162 mil milhões de euros.
O todo poderoso Ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, já avisou os gregos da inconveniência de trazerem esse assunto à discussão pública, mas o ministro dos Negócios Estrangeiros grego, também já avisou que os gregos não vão esquecer o passado e que serão, em última instância, os tribunais internacionais a decidir. Ora, o ministro Schauble – que parece ser o tutor do nosso gaspar - foi o tal que disse que as críticas à Alemanha se deviam à inveja, o que originou que o acusassem de acordar fantasmas.
Este caso é uma curiosidade pouco conhecida da História da Europa, mas mostra claramente a forma como a Alemanha tem procurado impor-se no espaço europeu, em clara violação do princípio da igualdade dos Estados-membros, da prosperidade partilhada e da solidariedade comunitária, usando dois pesos e duas medidas, isto é, não cumpre as suas obrigações para com alguns países e, sem qualquer contemplação, exige aos outros que cumpram rigorosamente as suas dívidas com juros especulativos.

A monarquia espanhola sob contestação



No ano passado, quando a Espanha já estava mergulhada numa crise económica de enorme dimensão, a sua opinião pública soube que o Rei Juan Carlos tinha viajado para o Botsuana para participar numa dispendiosa caçada aos elefantes, durante a qual partiu uma anca, pelo que veio mais tarde a pedir desculpa aos espanhóis. Porém, os problemas de saúde do Rei continuaram e isso fez cair a sua popularidade nos últimos meses, que se acentuou à medida que se iam conhecendo os pormenores do processo judicial que envolve o seu genro Iñaki Urdangarin e, mais recentemente, também a infanta Cristina, sua filha. Com todos estes casos e a divulgação de alguns escândalos na Família Real, verdadeiros ou falsos, a popularidade do Rei tem caído continuamente e, de acordo com uma sondagem publicada recentemente pelo El País, verifica-se que 53% dos inquiridos desaprovam a forma como o Rei exerce as suas funções. 
Neste contexto, as celebrações do 14 de Abril tiveram este ano uma participação mais significativa do que antes. Todos os anos, nesse dia, os republicanos celebram o início da Segunda República em 1931, que terminou oito anos mais tarde com a vitória do general Franco na guerra civil espanhola. No passado domingo, mais de oito mil manifestantes desfilaram no centro de Madrid agitando centenas de bandeiras republicanas, para comemorar os 82 anos da II República e para exigir o advento da terceira, num país em que o regime monárquico está cada dia mais manchado por escândalos e a perder popularidade. Daí a crescente contestação dos nostálgicos, como lhes chama o jornal madrileno La Gaceta.