A guerra na
Ucrânia já dura há 4 anos e 7 meses, mas se considerarmos a anexação russa da
Crimeia e os combates ucranianos contra os independentistas do Donbass, já
estamos com mais de 12 anos de guerra. Tem sido uma grande tragédia e os
europeus pouco fizeram para conciliar as partes, optando por alinhar com uma
delas sem procurar uma pacificação duradoura. De acordo com as informações que
nos chegam, a linha da frente está estabilizada desde há muitos meses e os russos
ocupam cerca de 20% do território ucraniano, mas todos os dias há centenas de
mísseis e drones que cruzam a fronteira nos dois sentidos, aumentando as
destruições nos dois lados do conflito e o sofrimento de ucranianos e russos.
Nos últimos dias
Donald Trump zangou-se com Volodymyr Zelensky, sugeriu que devia abandonar o
poder e convocar eleições, ao mesmo tempo que deixou com os europeus a tarefa
de ajudar a Ucrânia. Porém, a Europa está a viver tempos de grande
instabilidade e, de acordo com o Eurobarómetro
da primavera de 2026, há nove dos 27 membros da União Europeia onde mais de 50%
da população discorda do apoio financeiro à Ucrânia para a compra de material
militar. Portanto, parece que os europeus não querem guerra e que os seus
líderes têm atuado à margem dos interesses das suas populações, continuando a
ignorar os sinais de recusa da guerra, que são evidenciados no Eurobarómetro.
No mesmo sentido está a edição de hoje
do diário Die Tageszeitung, que é editado em Berlim, que publica um mapa da República
Federal da Alemanha onde se destaca o estado da Saxónia-Anhalt, um dos seus 16
estados regionais, com a seguinte manchete: “Putin conquista primeiro
território da NATO”. Depois, em subtítulo, escreveu que “a nova maioria do
parlamento estadual da Saxónia-Anhalt, composta por membros do AfD e do BSW, exige
o levantamento das sanções contra a Rússia e a suspensão de todas as entregas
de armas à Ucrânia”.
Embora se trate de
uma aliança entre a extrema-direita populista e a extrema-esquerda, é mais um
aviso para que os líderes europeus, que são demasiado medíocres, ignorantes e
incompetentes, leiam os crescentes sinais de oposição à guerra e pensem nas
populações a que deveriam proporcionar progresso e bem-estar.

