quinta-feira, 15 de outubro de 2026

A aliança TAP + Lufthansa e o futuro

O governo português anunciou a venda da TAP ao grupo alemão Lufthansa e, dessa forma, o nosso país perdeu o controlo de mais uma das suas empresas estratégicas que, neste caso, é quase um símbolo de soberania nacional, mas que também é uma alavanca e um importante pilar estruturante da economia nacional.
A TAP é uma das maiores empresas exportadoras do país (através da venda de bilhetes a não residentes), somando uma receita de quase quatro mil milhões de euros anuais que vale cerca de 1,5% do PIB nacional, mas a empresa também emprega, direta e indiretamente, milhares de pessoas e adquire bens e serviços a mais de 1.200 empresas nacionais. Porém, o peso da TAP na nossa economia estende-se muito para além da aviação comercial, pois atrai investimento e dinamiza o turismo.
O governo selecionou a Lufthansa para a aquisição de 44,9% do capital social da companhia, ao qual acresce até 5%, caso os trabalhadores não exerçam o seu direito de aquisição. O Estado mantém 50,1% do capital, preservando o controlo da companhia e a potencial valorização futura da sua participação. Dessa forma, o grupo Air France-KLM saiu derrotado, o que foi destacado na edição de hoje do jornal financeiro francês Les Échos. O valor total da operação corresponde a 1.201 milhões de euros, que é cerca de 16% superior ao que foi apresentada pelo outro concorrente.
Segundo foi informado pelo governo, a integração da TAP no Grupo Lufthansa salvaguarda os interesses estratégicos nacionais e garante as condições necessárias para o crescimento sustentável da TAP, a manutenção da marca TAP, a sede e o robustecimento do hub em Lisboa, o reforço das operações no Aeroporto Francisco Sá Carneiro e salvaguarda as ligações às Regiões Autónomas. Assim seja! Ainda, segundo o governo, essa integração coloca a TAP numa plataforma global que, em termos de receitas, é o maior grupo europeu e o 4.º maior a nível global, em número de aviões é o maior grupo europeu e o 6.º maior a nível global e, em número de passageiros, é o 2.º maior a nível europeu e o 6.º maior a nível global. 
Assim, parece que vamos ter uma TAP com gestão alemã, com mais dinheiro, com mais aviões, com mais investimento, mais contrapartidas e, espera-se, com mais futuro.

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