sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Um novo rumo para as Nações Unidas

No próximo dia 1 de janeiro de 2027 iniciará o seu mandato o novo secretário-geral das Nações Unidas, que substituirá António Guterres que exerce o cargo desde 2017.
A corrida para a sucessão já começou há muito tempo e nela estão envolvidos os seguintes candidatos: Rebeca Grynspan (Costa Rica), Carolyn Rodrigues-Birkett (Guiana), Michelle Bachelet (Chile), María Fernanda Espinosa (Equador), Rafael Grossi (Argentina), Macky Sall (Senegal) e Olara Otunnu (Uganda). Existe a expectativa de, pela primeira vez, ser uma mulher a ocupar aquele cargo e que seja respeitada a rotação geográfica que, depois de Kofi Annan (Gana), Bab Ki-moon (Coreia do Sul) e António Guterres (Portugal), deverá favorecer a América Latina e Caraíbas.
As candidaturas foram apresentadas pelos governos dos estados membros e são apreciadas e votadas pelos 15 membros do Conselho de Segurança, onde prevalece a capacidade de veto dos seus cinco membros permanentes. Dessa forma, o consenso é difícil, mas é dele que resulta a escolha e a proposta, com um só nome, que depois é votada na Assembleia Geral.
Até agora houve nove secretários-gerais das Nações Unidas e António Guterres terá sido um dos que melhor preparados estava para desempenhar o cargo, mas não foi feliz no seu desempenho, tendo sido frequentemente hostilizado por Donald Trump e sem nunca ter tido o apoio claro da União Europeia. Daí que não tenha obtido resultados positivos na questão palestiniana, nem nos conflitos da Ucrânia e do Irão, nem no combate às alterações climáticas, nem no controlo das migrações. Na realidade, as Nações Unidas têm estado paralisadas política e até financeiramente, têm excesso de burocracia e têm perdido autoridade no mundo. Guterres não conseguiu libertar-se dessa complexa teia e embora seja injusto afirmá-lo, a decadência das Nações Unidas tem um rosto: António Guterres.
Por isso, o jornal catalão El Punt Avui, que se publica em Barcelona, não elogia o desempenho de António Guterres e escreve que “a ONU procura um novo rumo”, acentuando que o modelo criado em 1945 já está ultrapassado e que a organização carece de uma profunda reforma.