sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Angola: um memorial de união nacional

Foi inaugurado em Luanda o Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos, que representa o culminar de um longo processo de perdão e pacificação da sociedade angolana que, depois de 13 anos de luta de libertação nacional, passou por conflitos políticos e militares entre 11 de novembro de 1975, a data da proclamação da independência nacional, e o dia 4 de abril de 2002, a data em que os comandantes militares do MPLA e da UNITA assinaram um Memorando de Entendimento como adenda ao Protocolo de Lusaka, abrindo o caminho para o fim da guerra civil e para a paz definitiva. 
Com esta iniciativa, o governo angolano escolhe o caminho da reconciliação nacional, da compreensão e do perdão, mostrando aos angolanos que o progresso do país tem que ser feito em união e solidariedade, daí resultando que Agostinho Neto, Holden Roberto, Jonas Savimbi e muitos outros angolanos sejam homenageados, mas sem a ideia da vitória de qualquer um sobre qualquer outro.
O Memorial resultou de um concurso público lançado em 2019 pela Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP), que escolheu o projecto apresentado pela artista plástica angolana Fineza Teta.
A edição de ontem do Jornal de Angola destaca em primeira página a inauguração do Memorial, uma peça arquitetónica de elevada estética que tem cerca de 35 metros de altura e é constituído por três elementos principais: a Aliança Eterna, a Mulembeira da Reconciliação e o Hall da Memória, sendo formado por dois blocos articulados cuja configuração reproduz visualmente um abraço, isto é, o símbolo máximo do perdão, da união, da fraternidade e do reencontro entre angolanos. Como anuncia a manchete do jornal, o memorial transforma a dor em cura e o passado em história.