Foi inaugurado em
Luanda o Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos, que representa o culminar
de um longo processo de perdão e pacificação da sociedade angolana que, depois
de 13 anos de luta de libertação nacional, passou por conflitos políticos e
militares entre 11 de novembro de 1975, a data da proclamação da independência
nacional, e o dia 4 de abril de 2002, a data em que os comandantes militares do
MPLA e da UNITA assinaram um Memorando de Entendimento como adenda ao Protocolo
de Lusaka, abrindo o caminho para o fim da guerra civil e para a paz definitiva.
Com esta iniciativa, o governo angolano escolhe o caminho da reconciliação
nacional, da compreensão e do perdão, mostrando aos angolanos que o progresso
do país tem que ser feito em união e solidariedade, daí resultando que
Agostinho Neto, Holden Roberto, Jonas Savimbi e muitos outros angolanos sejam
homenageados, mas sem a ideia da vitória de qualquer um sobre qualquer outro.
O Memorial resultou
de um concurso público lançado em 2019 pela Comissão para a Implementação do
Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP),
que escolheu o projecto apresentado pela artista plástica angolana Fineza Teta.
A edição de ontem
do Jornal
de Angola destaca em primeira página a inauguração do Memorial, uma peça
arquitetónica de elevada estética que tem cerca de 35 metros de altura e é
constituído por três elementos principais: a Aliança Eterna, a Mulembeira da
Reconciliação e o Hall da Memória, sendo formado por dois blocos articulados
cuja configuração reproduz visualmente um abraço, isto é, o símbolo máximo do
perdão, da união, da fraternidade e do reencontro entre angolanos. Como anuncia a manchete do jornal, o memorial transforma a dor em cura e o passado em história.

Sem comentários:
Enviar um comentário