Como os
portugueses sabem, sobretudo os mais velhos, desde que em 1999 se concretizou a
transferência da administração portuguesa de Macau para a República Popular da
China, que muitos dirigentes portugueses visitaram aquele território e trataram
de fazer afirmações sobre a “plataforma privilegiada para negócios com a
China”, ou para a “entrada de empresas portuguesas na Ásia e em particular na
China” ou, ainda, assinalando o papel de Macau como “ponte económica e
financeira estratégica entre a China e Portugal”. Alguns até utilizaram a expressão "porta giratória". Para esses dirigentes – e
foram muitos – o território de Macau não era um espaço de memória cultural
portuguesa mas, sobretudo, era um espaço de oportunidade e de privilégio
comercial para a economia portuguesa, mas esses visionários esqueceram que a
economia portuguesa não tem dimensão, nem escala, para “entrar na China”. Porém,
poderia acontecer que a China utilizasse essa "ponte" ou essa "porta" para potenciar os seus
negócios na Europa através de Portugal, mas não temos sido diligentes nem
competentes e, assim, isso não tem acontecido.
A notícia que o
jornal Negócios hoje divulga é demolidora, ao anunciar que “gigantes
chineses avançam em força para fábricas de carros em Espanha”. De facto, a
Espanha já conta com cinco fábricas chinesas de produção automóvel, em operação
ou em projecto, localizadas ou a localizar, no Ferrol, Barcelona, Valência,
Saragoça e Linares (Jaén). A economia espanhola agradece.
Qual será a razão
por que os nossos “amigos” chineses escolhem a Espanha e ignoram Portugal? Há que concluir que o sacrifício de Tomé Pires, o boticário que em 1516 chefiou a primeira embaixada
portuguesa ao imperador da China, de pouco valeu. Contudo, ainda
há alguns construtores automóveis chineses em vias de decidir aumentar o seu
investimento na Europa, designadamente a BYD que já produz os seus apreciados
veículos eléctricos na Hungria e na Turquia...
Como nota final e
segundo anuncia o jornal Negócios, actualmente a produção
automóvel espanhola é de 2,3 milhões de unidades anuais, enquanto Portugal
fabrica cerca de 300.000 automóveis por ano.

Sem comentários:
Enviar um comentário