O Estado da
Palestina já foi reconhecido por 157 dos 193 estados membros das Nações Unidas
e o seu território actual, depois das anexações que se seguiram às diversas guerras
de expansão territorial em que os israelitas se envolveram, está reduzido à Cisjordânia
e à Faixa de Gaza, recentemente destruída com mais de setenta mil mortos, numa
acção de brutal violência que foi classificado como genocídio.
A política
expansionista e agressiva de Israel não se limitou à destruição de Gaza e, como
hoje denuncia o jornal francês Libération, os actos de violência multiplicam-se, não só em Gaza onde continua a haver bombardeamentos, mas agora
de forma continuada na Cisjordânia, onde a violência é encorajada por Netanyahu
e por vários dos seus ministros, enquanto a comunidade internacional aceita
passiva e cobardemente, a autêntica anexação dos territórios palestinianos
pelos colonos judeus. É uma “annexation de fait” diz o jornal Libération
que, em manchete, escreve que “a Cisjordânia está entregue ao terror dos
colonos”, pois a anexação progride a um ritmo sem precedentes e multiplicam-se
os ataques às aldeias palestinianas, com total impunidade dos colonos judeus,
que têm a protecção de soldados israelitas.
A Cisjordânia tem
cerca de 5.000 quilómetros quadrados, que é uma área semelhante ao Algarve, aí
vivendo três milhões de palestinianos. Os colonos têm actuado no sentido de fragmentar o
território e isolar as aldeias que ficam cercadas, para depois serem atacadas
com violência, numa ação de verdadeira “limpeza étnica”.
Tudo isto é
sabido e não é novo, mas a Europa da Liberdade, da Democracia e dos Direitos Humanos
parece aceitar tudo isto passivamente e sem um grito de revolta. Nunca pensei
que o presidente do Conselho Europeu pudesse ser cúmplice desta situação.

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