segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Donald Trump recupera doutrina Monroe

Na madrugada do dia 3 de janeiro os Estados Unidos atacaram a Venezuela, conforme foi abundantemente repetido pelos mass media internacionais, nomeadamente a imprensa do dia 4 de Janeiro, tendo capturado o presidente Nicolás Maduro e a sua mulher Cília Flores. O ataque foi violento e foi dirigido a instalações militares e ao palácio presidencial, tendo provocado muitas explosões em Caracas e em outros locais, causando cerca de 80 mortes. Na sua edição de ontem o jornal Newsday foi um dos poucos diários que acentuaram o “ataque à Venezuela”, pois a maioria da imprensa preferiu dar destaque à captura de Maduro.
A aparente facilidade com que decorreu a operação militar, que muita gente já esperava, aparentemente sem qualquer resistência do regime chavista, suscita dúvidas quanto ao envolvimento de infiltrações da Central Intelligence Agency no círculo mais próximo de Nicolás Maduro, que terá sido traído. Segundo foi anunciado, o ditador venezuelano já está em Nova Iorque e vai responder por acusações de uma suposta ligação ao tráfico internacional de drogas. Donald Trump não cabe em si de euforia e dispara ameaças em todas as direcções por estar, segundo ele e os seus correligionários, a concretizar a sua ambição - Make America Great Again – tendo para isso ressuscitado a doutrina Monroe, de 1823, que reclamava “a América para os americanos”.
As reacções internacionais não foram unânimes, pois enquanto alguns países apoiaram esta acção e se regozijaram com a captura de Nicolás Maduro, outros países condenaram abertamente a intervenção ordenada por Donald Trump por violar a soberania da Venezuela e atentar contra as regras do direito internacional, para além de abrir um precedente de intervenção militar na América Latina que nunca acontecera.   
A triste Europa calou-se, encolheu-se, acobardou-se e aprofundou a sua insignificância, apoiando implicitamente as aventuras de Donald Trump, com a honrosa excepção da Espanha.

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