segunda-feira, 15 de junho de 2026

Acordo de paz entre o Irão e os EUA

Foi anunciado o imediato cessar-fogo e a reabertura do estreito de Ormuz para pôr fim ao conflito entre o Irão e os Estados Unidos que se prolongava há vários meses e essa grande notícia faz a manchete da edição de hoje do jornal espanhol El País, curiosamente com maior destaque do que fazem as edições do The New York Times e do The Washington Post, o que pode ter algum significado.
Se houve um acordo, quer dizer que essa foi a vontade das partes e que não há vencedores nem vencidos, que a dignidade das partes foi acautelada e que pode estar aberto um ciclo de desanuviamento na região. 
Porém, o regime extremista de Netanyahu não deve ter gostado nada deste acordo, pois não mostra sinais de contenção nem de respeito pela soberania dos vizinhos, o que pode configurar a continuação da sua agressão ao Líbano com o apoio dos americanos. Só o tempo dirá se este acordo entre o Irão e os Estados Unidos “tem pernas para andar”, ou se é apenas uma manobra para Donald Trump se exibir internamente e para menorizar os líderes que vão estar com ele na reunião do G7.
A credibilidade de Donald Trump está muito baixa e muitos têm dúvidas sobre este acordo. Há poucos dias, um canal televisivo referiu-se às “palavras vazias de Trump” e avançava com o conteúdo das suas declarações sobre a guerra no Irão: “acordo iminente (38 vezes), Irão derrotado (55 vezes), Irão destruído (35 vezes) e estreito de Ormuz aberto (25 vezes)”. Com tão intensa e tão mentirosa propaganda, muita gente desconfia. Porém, se o acordo vingar como desejam os amantes da paz, representará um passo importante para a redução das tensões no Médio Oriente, embora continuem por resolver questões relacionadas com o programa nuclear iraniano e outros pontos estratégicos, que deverão ser discutidos numa nova fase de negociações, dos quais Israel será certamente o mais importante.

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