quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Os milhões de lucro da banca são extorsão

A banca portuguesa está em festa porque os seus lucros continuam num nível muito elevado, como se a sua actividade decorresse num país economicamente rico e socialmente equilibrado, com recursos abundantes e sustentáveis, com uma boa base tecnológica e industrial, com grande capacidade exportadora e com empresários empreendedores e com mão-de-obra qualificada.
Hoje, toda a imprensa portuguesa de referência anunciou esse sucesso: o Jornal de Notícias informou em manchete que “maiores bancos cobram aos clientes sete milhões por dia em comissões”, o Diário de Notícias destacou em primeira página que “cinco maiores bancos lucram meio milhão de euros por hora” e o Público anunciou que os “bancos lucram mais de dois mil milhões semestrais pelo quarto ano consecutivo”. É muito dinheiro e não há milagres.
Estes resultados são escandalosos e obscenos, porque como escreve o Jornal de Notícias as “comissões salvam lucros dos bancos e clientes pagam a conta”. Não está em causa a legitimidade da banca para cobrar taxas e comissões pelos serviços que presta, mas não é aceitável a autêntica extorsão que é a cobrança de comissões, sobretudo as chamadas despesas de manutenção de conta e as anuidades dos cartões de crédito a que não temos alternativa, que penalizam o pequeno depositante e fazem inchar os lucros da banca. Dizem os banqueiros que os preços destas comissões não sobem, mas o facto é que também não descem, depois de terem sido aumentadas durante anos consecutivos.
Os pequenos depositantes conhecem bem a injustiça que é o diferencial entre juros passivos (que o cliente paga ao banco pelos empréstimos que contraiu) e os juros activos (que o cliente recebe pelo dinheiro que empresta ou deposita no banco), porque é a imagem mais fiel das práticas de extorsão bancária em Portugal.
Por isso, eu digo ao gestor Macedo a mesma coisa que diz a publicidade do Continente: "Assim também eu!".
Nestas circunstâncias, ocorre-nos O Canto e as Armas de Manuel Alegre, publicado em novembro de 1967 que, no belo Poemarma, diz: 
Que o poema […] chegue ao banco e grite: abaixo a pança!"

1 comentário:

  1. Será por acaso ou distração dos governantes portugueses? Talvez não, se considerarmos (com recurso à IA) que nos bancos portugueses, em que mais de 50% do capital é detido por entidades portuguesas (públicas ou privadas), atualmente existem três:

    Caixa Geral de Depósitos – 100% detida pelo Estado português.
    Crédito Agrícola – pertencente ao sistema cooperativo português.
    Banco Montepio – controlado pela Associação Mutualista Montepio.

    Os restantes bancos de maior dimensão têm controlo maioritário estrangeiro, por exemplo:

    Banco BPI – controlado pelo grupo espanhol CaixaBank.
    Santander Totta – controlado pelo grupo espanhol Santander.
    Novobanco – desde 2026, controlado pelo grupo francês BPCE.
    Millennium bcp – embora seja um banco português, o capital está disperso e os maiores acionistas são estrangeiros (como a chinesa Fosun), pelo que já não pode ser considerado de capital maioritariamente português.

    No conjunto do sistema bancário, o peso do capital estrangeiro tornou-se dominante. Em 2026, estimava-se que cerca de 69% dos ativos da banca portuguesa estavam sob controlo de capital estrangeiro.

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