Há uma parte da
Europa que está preocupada com o seu reequipamento militar para fazer face à “ameaça
que vem do leste”, pelo que vai gastar 5% do PIB em despesa militar, mas há
outra parte que sofre com os efeitos das alterações climáticas, que parecem não
ser uma prioridade para as autoridades europeias.
De facto, há uma
emergência climática que está abalar a Europa, com elevadas temperaturas, extensas
áreas devastadas por fogos florestais, a falta de chuva e elevados níveis de
seca e, mais recentemente, com a brutal redução do caudal dos rios. Todos estes
fenómenos estão a causar mortes, a afetar as populações e a ter um grande
impacto económico em muitos países europeus.
O diário alemão Frankfurter Rundschau
que se publica na cidade alemã de Frankfurt am Main escolheu como
manchete da sua edição de hoje uma frase relativa ao reduzido caudal do Reno e
escreveu “a economia está em crise, a seleção nacional de futebol enfrenta
dificuldades e, agora, o Reno também está a secar”. Hoje, também o diário Die Tageszeitung que se publica em Berlim, salienta os níveis muito baixos do caudal dos
rios Reno, Elba e Danúbio, escrevendo em manchete que “o nível de água alemão baixa para o
nível de [Friedich] Merz”, o chanceler alemão. No caso do rio Reno, que é uma das principais vias
fluviais no centro da Europa, no último fim-de-semana registou o nível de água
mais baixo de sempre.
Porém, não é só na Alemanha
que o problema é grave. Os incêndios em Espanha, França, Escócia, Itália e
Grécia têm sido devastadores. Na Roménia, na Hungria, na Itália, na Eslováquia e
na Croácia, a falta de chuva e o calor extremo já perturbam a economia e o
abastecimento de água já tem restrições. As autoridades romenas e húngaras foram
obrigadas a parar o funcionamento dos seus reatores nucleares por não haver
água no Danúbio para os refrigerar.
A
emergência climática e a “grande seca europeia” estão a levar a mínimos
históricos os caudais do Danúbio, do Reno e de outros rios, afetando a
produção das centrais nucleares, o abastecimento público de água, o transporte
de mercadorias e o importante turismo fluvial europeu, vendo-se muitas áreas
que normalmente estão submersas a emergir devido aos níveis muito baixos dos
caudais.
Como
é evidente, estes são alguns dos verdadeiros perigos que ameaçam a Europa.

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