Um dos princípios
básicos dos regimes democráticos é a subordinação do poder militar ao poder
político civil legitimado pelo voto popular, daí resultando que os militares aconselham
tecnicamente a esfera política e actuam operacionalmente no sentido de executar
as suas decisões, dentro da lei. Portanto, a autoridade final sobre o emprego
das Forças Armadas pertence ao poder político civil constitucionalmente
competente, mas os políticos não devem interferir na condução das operações
militares.
Nas actuais
circunstâncias da guerra entre os Estados Unidos e o Irão, assiste-se quase
diariamente a uma intervenção do “comandante supremo das Forças Armadas” dos
Estados Unidos que, muitas vezes, parece querer comandar operacionalmente as
suas forças. Porém, há indícios de que algumas coisas não correm bem, como
mostrou a recente demissão de Dan Driscill, o seu Secretário do Exército, que
não suportou mais as fanfarronices de Trump e de Hegseth, bem como a anunciada
falta de mísseis e outras armas e, ainda, o verdadeiro desterro a que foi
sujeito o porta-aviões USS Abraham Lincoln
e os 5.000 homens e mulheres que tem a bordo.
Segundo o jornal The
San Diego Union-Tribune esta unidade naval, esteve 286 dias em missão no
Médio Oriente e chegou a Laem Chabang, na Tailândia, para “um merecido período
de descanso e lazer”, sendo acompanhada pelo destroyer USS Frank E.
Oetersen Jr mas, segundo a Reuters, “ambas as embarcações apresentavam
manchas de ferrugem e pintura irregular ao longo da linha d'água”.
Também o jornal canadiano
The
Globe and Mail deu notícia da chegada do USS Lincoln à Tailândia, com uma
fotografia que mostra muita ferrugem no costado e com o título “finalmente em
terra”, referindo em subtítulo as “crescentes preocupações com a saúde mental
da tripulação”.
Uma permanência
de 286 dias no mar até compara com as epopeias marítimas de Vasco da Gama, de Fernão
de Magalhães, de Francis Drake, de James Cook, ou de Jean-François de La
Pérouse.
Donald Trump e a sua dócil entourage
devem-se ter esquecido do USS Abraham
Lincoln e das pessoas que tinha a bordo, o que mostra que não basta mandar,
pois é preciso saber mandar.

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