O L'Osservatore Romano que é propriedade da Santa Sé mas que não é o
seu jornal oficial, anunciou na sua edição de 26 de maio que o Papa Leáo XIV
apresentara a sua primeira Carta Encíclica, a que deu o título Magnifica Humanitas, “sobre a salvaguarda
da pessoa humana na era da inteligência artificial”.
O texto oficial da
encíclica foi divulgado pela Santa Sé, ocupa 48 páginas, distribui-se por 245
pontos e merece uma leitura atenta e reflexiva, sobretudo por quem se preocupe
com o que se vai passando no mundo.
Logo no início o
Papa Leão XIV diz que há 135 anos o Papa Leão XIII publicou a Encíclica Rerum Novarum que constituiu uma
“reflexão sobre a sociedade, a economia e política a que hoje chamamos Doutrina
social da Igreja”. Depois, acrescenta que hoje a Doutrina Social da Igreja é um
património de sabedoria que nos ajuda “a ler os desafios do presente com
lucidez, identificando caminhos adequados para viver, com alegria”. Tal como
acontecia em finais do século XIX, também agora a tecnologia disponibiliza um
poder sem precedentes, sobre a natureza, sobre a informação e até mesmo sobre a
vida humana, numa lógica que se manifesta também na persistência da guerra como
instrumento de afirmação política e de humilhação dos mais fracos. Nunca a
Humanidade dispôs de tantos meios para controlar, vigiar, influenciar, dominar ou
destruir.
O Papa Leão
XIII enfrentou os desafios sociais e humanos da Revolução Industrial através da
Encíclica Rerum Novarum. Agora, o Papa Leão
XIV parece ter visto um paralelismo histórico entre o passado e o presente, pois
à Revolução Industrial do século XIX está a suceder a Revolução Digital do século XXI e o Papa parte dessa realidade
para “interpretar as grandes tendências do nosso tempo, em particular os
progressos da técnica, a digitalização, a inteligência artificial (IA) e a robótica
que estão a transformar o mundo” e a criar uma nova cultura do poder.
O Papa Leão XIV defende a civilização do amor, não como utopia
sentimental mas como alternativa antropológica, política e cultural à cultura do poder.

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