domingo, 31 de maio de 2026

Leão XIV e a Magnifica Humanitas

O L'Osservatore Romano que é propriedade da Santa Sé mas que não é o seu jornal oficial, anunciou na sua edição de 26 de maio que o Papa Leáo XIV apresentara a sua primeira Carta Encíclica, a que deu o título Magnifica Humanitas, “sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial”.
O texto oficial da encíclica foi divulgado pela Santa Sé, ocupa 48 páginas, distribui-se por 245 pontos e merece uma leitura atenta e reflexiva, sobretudo por quem se preocupe com o que se vai passando no mundo.
Logo no início o Papa Leão XIV diz que há 135 anos o Papa Leão XIII publicou a Encíclica Rerum Novarum que constituiu uma “reflexão sobre a sociedade, a economia e política a que hoje chamamos Doutrina social da Igreja”. Depois, acrescenta que hoje a Doutrina Social da Igreja é um património de sabedoria que nos ajuda “a ler os desafios do presente com lucidez, identificando caminhos adequados para viver, com alegria”. Tal como acontecia em finais do século XIX, também agora a tecnologia disponibiliza um poder sem precedentes, sobre a natureza, sobre a informação e até mesmo sobre a vida humana, numa lógica que se manifesta também na persistência da guerra como instrumento de afirmação política e de humilhação dos mais fracos. Nunca a Humanidade dispôs de tantos meios para controlar, vigiar, influenciar, dominar ou destruir.
O Papa Leão XIII enfrentou os desafios sociais e humanos da Revolução Industrial através da Encíclica Rerum Novarum. Agora, o Papa Leão XIV parece ter visto um paralelismo histórico entre o passado e o presente, pois à Revolução Industrial do século XIX está a suceder a Revolução Digital do século XXI e o Papa parte dessa realidade para “interpretar as grandes tendências do nosso tempo, em particular os progressos da técnica, a digitalização, a inteligência artificial (IA) e a robótica que estão a transformar o mundo” e a criar uma nova cultura do poder.
O Papa Leão XIV defende a civilização do amor, não como utopia sentimental mas como alternativa antropológica, política e cultural à cultura do poder.

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