No passado sábado,
faleceu com 94 anos de idade o cidadão Narana Sinai Coissoró, que foi advogado
e professor universitário, mas que teve uma actividade política relevante como
deputado na Assembleia da República em oito legislaturas, tendo sido seu
vice-presidente durante seis anos e líder parlamentar do seu partido durante
treze anos.
Era natural de
Goa, mas com 18 anos de idade veio estudar para a Faculdade de Direito da
Universidade de Coimbra, onde se licenciou, tendo mais tarde valorizado a sua carreira
académica ao doutorar-se em Ciência Política na Universidade de Londres.
Em junho de 1976
foi eleito, pela primeira vez, deputado à Assembleia da República pelo Centro
Democrático Social (CDS), quando esse partido existia e era representado por
deputados democratas cristãos, antes da recente deriva intelectual e ética daqueles
que agora usam o nome do partido e vivem à custa do PSD.
Narana Coissoró era
um democrata cristão muito respeitado por todos os partidos parlamentares,
coerente, inteligente e de bom humor e, seguramente, não era apoiante de melos nem
de núncios, “um incapaz de pensar e outro capaz de pensar o pior”, como alguém
escreveu nas redes sociais.
Originário de uma
família brâmane hindu de Goa, o professor Narana Coissoró visitava regularmente o
território onde nascera e foi aí que, depois de ter sido meu professor no
ISCSP, tive a oportunidade de o conhecer mais de perto e beneficiar da
cordialidade com que ele me distinguia, apesar de saber que eu navegava em
águas políticas diferentes das suas. Depois, enquanto presidente da Casa de
Goa, a que presidiu e de que sou um sócio interessado, nunca deixou de me distinguir com a sua
atenção e a sua amizade.
Aqui lhe presto a minha homenagem e afirmo que homens como Narana Coissoró fazem falta à
nossa democracia!

Sem comentários:
Enviar um comentário