O mundo tem
estado suspenso pelo que se passa no Irão e, sobretudo, pelo que se passa no
estreito de Ormuz, que é dominado pela ilha de Ormuz, por onde transita cerca
de 20% do petróleo mundial, destinado principalmente à China, à Índia, ao Japão
e à Coreia do Sul.
O estreito liga o
golfo Pérsico ao mar Arábico e tem uma largura média inferior a 40 quilómetros
mas, no seu ponto mais estreito, que é um corredor por onde os navios podem
navegar, tem apenas 3,2 quilómetros de extensão em cada direção, o que o torna
facilmente congestionável e perigoso para a segurança da navegação.
O tráfego
marítimo no estreito de Ormuz é controlado pelo Irão e, como diz o jornal
francês Libération na sua edição de ontem - que publica na capa uma
expressiva fotografia do estreito captada por satélite - Ormuz é a “carte
maîtresse de l’Iran”, ou o cartão de crédito do Irão. Perante a agressão israelo-americana,
as autoridades iranianas tomaram a decisão de “fechar o estreito” para combater
os países que acolhem bases militares americanas no golfo Pérsico, o que também
introduziu uma grave perturbação na economia mundial.
Há 500 anos este estreito
era controlado pelos portugueses, o que significa que “D. Manuel I chegou antes
de Trump”, como escreveu a revista Sábado,
com base nas crónicas coevas de João de Barros e de Fernão Lopes de Castanheda.
O terribil Afonso de Albuquerque ocupou
Ormuz em 1507 e iniciou a construção de uma fortaleza, mas teve que abandonar a
ilha. Depois conquistou Goa e Malaca e, em 1515, regressou a Ormuz, que dominou
e onde fez concluir o forte de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz que, embora em
ruinas, ainda existe.
O estreito de Ormuz
está hoje no centro das atenções mundiais, mas entre 1515 e 1622 foi dominado pelos
portugueses. Agora é para dominar o estratégico jogo do petróleo, antes era para
dominar o negócio das pérolas do Bahrein e dos cavalos persas.
O que a História nos
ensina…

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