domingo, 12 de abril de 2026

O estreito de Ormuz e Afonso Albuquerque

O mundo tem estado suspenso pelo que se passa no Irão e, sobretudo, pelo que se passa no estreito de Ormuz, que é dominado pela ilha de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, destinado principalmente à China, à Índia, ao Japão e à Coreia do Sul.
O estreito liga o golfo Pérsico ao mar Arábico e tem uma largura média inferior a 40 quilómetros mas, no seu ponto mais estreito, que é um corredor por onde os navios podem navegar, tem apenas 3,2 quilómetros de extensão em cada direção, o que o torna facilmente congestionável e perigoso para a segurança da navegação.
O tráfego marítimo no estreito de Ormuz é controlado pelo Irão e, como diz o jornal francês Libération na sua edição de ontem - que publica na capa uma expressiva fotografia do estreito captada por satélite - Ormuz é a “carte maîtresse de l’Iran”, ou o cartão de crédito do Irão. Perante a agressão israelo-americana, as autoridades iranianas tomaram a decisão de “fechar o estreito” para combater os países que acolhem bases militares americanas no golfo Pérsico, o que também introduziu uma grave perturbação na economia mundial.
Há 500 anos este estreito era controlado pelos portugueses, o que significa que “D. Manuel I chegou antes de Trump”, como escreveu a revista Sábado, com base nas crónicas coevas de João de Barros e de Fernão Lopes de Castanheda. O terribil Afonso de Albuquerque ocupou Ormuz em 1507 e iniciou a construção de uma fortaleza, mas teve que abandonar a ilha. Depois conquistou Goa e Malaca e, em 1515, regressou a Ormuz, que dominou e onde fez concluir o forte de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz que, embora em ruinas, ainda existe.
O estreito de Ormuz está hoje no centro das atenções mundiais, mas entre 1515 e 1622 foi dominado pelos portugueses. Agora é para dominar o estratégico jogo do petróleo, antes era para dominar o negócio das pérolas do Bahrein e dos cavalos persas.
O que a História nos ensina…

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