quinta-feira, 5 de março de 2026

Destroços de guerra são atração turística

O devastador ataque que Donald Trump e o seu parceiro Benjamin Netanyahu desencadearam contra o Irão é uma violação do direito internacional, sem a cobertura das Nações Unidas e sem justificação, mesmo considerando a extrema violência do regime iraniano sobre a sua população. É um confronto de regimes cujos dirigentes são fanáticos que excluem qualquer negociação para as suas divergências e que tudo querem resolver através das bombas, da morte e da destruição. Como mostram todas as sondagens conhecidas, a maioria dos americanos está contra a guerra. Na Europa, embora não se conheçam sondagens sobre essa questão, certamente que a maioria também não quer a guerra. Porém, os seus líderes calam-se, encolhem-se, amedrontam-se e deixam-se humilhar por essa parelha de fanáticos, com a honrosa excepção de Pedro Sánchez que, corajosamente, afirmou que “não vamos ser cúmplices de algo que é mau para o mundo e contrário aos nossos interesses, simplesmente por medo de represálias de alguém”.
Quanto ao que se passa no terreno, apenas sabemos aquilo que as partes querem que se saiba. É sempre assim. A guerra da propaganda é tão intensa como a guerra das bombas, dos mísseis e dos drones, mas não há dúvidas que os pontos estratégicos iranianos estão a ser massacrados e que os iranianos estão a tentar atingir Israel e as bases americanas da região com os seus mísseis.
Hoje o jornal holandês AD - Algemeen Dagblad, que se publica em Roterdão, destacou na sua primeira página a fotografia de um míssil iraniano que errou o alvo junto do aeroporto de Qamishli, no Curdistão sírio, que não explodiu. Esse míssil tornou-se uma quase atracção turística e foi muito fotografado, tendo servido de ilustração de primeira página a muitos jornais americanos e europeus. 
Vai ser, certamente, uma fotografia que ficará para a história desta guerra,

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