A questão da
Gronelândia está agora no topo da agenda de Donald Trump, como antes estiveram
outras questões como a sua vontade de baptizar o golfo do México como golfo da
América, ou a sua proposta para fazer do Canadá o 51º estado americano, ou a
sua obsessão pelo petróleo venezuelano. Agora assistimos, incrédulos e até
angustiados, ao ataque que Donald Trump está a fazer à soberania e à
integridade territorial de um país que é membro da União Europeia e da NATO.
A Europa que é
uma miscelânea de interesses, de vaidades e de bem instalados, não foi capaz de
arbitrar, moderar ou resolver os problemas da Ucrânia, nem teve a dignidade de
condenar os massacres e a destruição de Gaza pelo regime de Netanyahu, está
agora com um problema eventualmente mais sério entre mãos e bem pode anunciar
que vai ser firme, pois poucos acreditam nisso. Afinal os abraços com que
Macron, Merz e Starmer têm repetidamente saudado Donald Trump são simples
exercícios de hipocrisia política, ou são elementares afirmações de submissão.
Porém, nem tudo é
assim e, como noutro contexto escreveu o poeta Manuel Alegre na “Trova do vento
que passa”, “há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não”. A
pequena Dinamarca e a sua região autónoma da Gronelândia têm reagido sem
tibiezas e têm suscitado alguma solidariedade europeia. Hoje o jornal Ekstra
Bladet, que se publica em Copenhaga desde 1904, é bem a imagem do
repúdio dinamarquês pela agressividade de Donald Trump e publica a sua
fotografia com o título Gangster-Trump,
acrescentando que ele é um “especialista que utiliza
métodos da mafia” e que “exige o controlo total da Gronelândia”.
Estamos mesmo
perante um verdadeiro imbróglio.

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