Há menos de 48
horas aconteceu o render da guarda em Belém, isto é, aconteceu a mudança do titular do
mais alto cargo da nação portuguesa, deixado pelo presidente Marcelo Rebelo de Sousa após ter cumprido dois mandatos entre 2016 e 2026, substituído pelo novo presidente António José Seguro, depois de ter jurado defender, cumprir
e fazer cumprir a Constituição da República.
A
presidência de Marcelo Rebelo de Sousa foi globalmente positiva e foi dominada
por uma íntima ligação afetiva aos portugueses, acompanhando-os nos momentos
em que foram vítimas das tragédias naturais que nos aconteceram, mas também nos
momentos de grande euforia nacional e de celebração de vitórias desportivas.
Muitas vezes, o presidente Marcelo pareceu um de nós, na sua simplicidade, irreverência
e proximidade mas, quando necessário, também soube afirmar-se como um homem de
cultura erudita, um académico e um cosmopolita. Ele soube defender a Liberdade
e a Democracia, esteve sempre e sem equívocos ao lado dos valores do 25 de
Abril, o que nem sempre aconteceu no seio da sua família política. Não foi
perfeito e demasiadas vezes falou demais e nunca ficou esclarecido o seu papel
em algumas “conspirações”, como foi a queda do governo de António Costa.
Porém,
a presidência de Marcelo merece a nossa gratidão.
António
José Seguro chega a Belém como o presidente que conseguiu a maior vitória
presidencial de sempre, com um discurso de serenidade e de moderação, com
palavras mobilizadoras e agregadoras, livre, independente e “atento às
desigualdades e comprometido com a justiça social e a dignidade humana”.
Leva consigo para Belém uma diversificada carreira política, um singular
conhecimento dos nossos desequilíbrios regionais e de um “interior abandonado e
esquecido” e, last but not the least,
leva consigo para Belém o espírito e os valores de Abril, tendo saudado “os
Capitães de Abril, homens de coragem que abriram as portas da esperança a
Portugal e devolveram a liberdade ao povo português”.
A
presidência de Seguro merece a nossa confiança.

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