quarta-feira, 11 de março de 2026

Mudança em Belém: gratidão e confiança

Há menos de 48 horas aconteceu o render da guarda em Belém, isto é, aconteceu a mudança do titular do mais alto cargo da nação portuguesa, deixado pelo presidente Marcelo Rebelo de Sousa após ter cumprido dois mandatos entre 2016 e 2026, substituído pelo novo presidente António José Seguro, depois de ter jurado defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República.
A presidência de Marcelo Rebelo de Sousa foi globalmente positiva e foi dominada por uma íntima ligação afetiva aos portugueses, acompanhando-os nos momentos em que foram vítimas das tragédias naturais que nos aconteceram, mas também nos momentos de grande euforia nacional e de celebração de vitórias desportivas. Muitas vezes, o presidente Marcelo pareceu um de nós, na sua simplicidade, irreverência e proximidade mas, quando necessário, também soube afirmar-se como um homem de cultura erudita, um académico e um cosmopolita. Ele soube defender a Liberdade e a Democracia, esteve sempre e sem equívocos ao lado dos valores do 25 de Abril, o que nem sempre aconteceu no seio da sua família política. Não foi perfeito e demasiadas vezes falou demais e nunca ficou esclarecido o seu papel em algumas “conspirações”, como foi a queda do governo de António Costa.
Porém, a presidência de Marcelo merece a nossa gratidão.
António José Seguro chega a Belém como o presidente que conseguiu a maior vitória presidencial de sempre, com um discurso de serenidade e de moderação, com palavras mobilizadoras e agregadoras, livre, independente e “atento às desigualdades e comprometido com a justiça social e a dignidade humana”. Leva consigo para Belém uma diversificada carreira política, um singular conhecimento dos nossos desequilíbrios regionais e de um “interior abandonado e esquecido” e, last but not the least, leva consigo para Belém o espírito e os valores de Abril, tendo saudado “os Capitães de Abril, homens de coragem que abriram as portas da esperança a Portugal e devolveram a liberdade ao povo português”.
A presidência de Seguro merece a nossa confiança.

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