Como aqui se
referiu recentemente, as alterações climáticas já não são uma ameaça distante,
porque são uma evidência do nosso tempo. Essa realidade está hoje patente em
Espanha, sobretudo nas regiões de Madrid e Ávila, onde estão a acontecer alguns
dos maiores fogos florestais que alguma vez ali ocorreram, o que levou o
governo espanhol a declarar, pela primeira vez em democracia, a situação de
emergência nacional.
Estão
contabilizadas mais de 63 mil pessoas desalojadas ou evacuadas das zonas mais
críticas, mas também há alguns milhares de pessoas que estão confinadas nas
suas povoações. A preocupante situação levou o governo espanhol a acionar o Mecanismo
Europeu de Proteção Civil, pelo que alguns aviões de combate a incêndios gregos
e italianos já estão a reforçar as operações de combate.
Toda a imprensa
espanhola destaca a gravidade da situação por que passa o país e, na sua edição
de hoje, o diário La Razón publica uma expressiva fotografia dos incêndios e,
como manchete, escolheu a frase “el fuego nos está comiendo”.
Apesar de estar a
ser combatido por muitos meios, o fogo não tem sido travado e configura uma
situação de “tempestade perfeita”, porque está a ser alimentado por uma
combinação de temperaturas muito altas, ventos fortes e variáveis e, também,
por uma vegetação abundante e muito seca.
Há sete anos, a
revista TIME escolheu António
Guterres, o secretário-geral das Nações Unidas, para capa da sua edição de 24
de junho de 2019, vestido de fato e gravata e água pelos joelhos, a alertar
para as consequências das alterações climáticas. Disse então que o combate
contra as alterações climáticas era “a batalha das nossas vidas” e essa tem
sido uma das bandeiras do seu mandato. O mundo não lhe deu ouvidos, mas ele
tinha razão.
Definitivamente
parece ser a altura de todos darmos mais atenção a este problema das alterações
climáticas e sermos mais exigentes com quem nos governa.

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