As eleições
brasileiras que se realizaram no passado dia 4 de outubro prenunciaram, ou já
concretizaram, uma mudança política no país, embora ainda haja alguma coisa por
decidir na 2ª volta que se realizará no dia 25 de outubro. Mais de 158 milhões
de eleitores brasileiros foram chamados às urnas para as eleições gerais, para
escolher o Presidente da República, o Congresso Nacional (Câmara dos Deputados
e Senado Federal) e, ainda, os 26 Governadores estaduais.
Aparentemente, o
grande vencedor destas eleições foi o ex-presidente Jair
Bolsonaro, embora esteja preso e seja inelegível, enquanto o grande derrotado
foi o actual presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O jornal Folha
de S. Paulo chamou-lhe “avalanche da direita” e é caso para nos
interrogarmos sobre as voltas que o mundo dá…
Na Eleição
Presidencial nenhum dos candidatos conseguiu 50% dos votos, com o candidato
Flávio Bolsonaro (Partido Liberal - PL) a conseguir 47,03% e o actual
presidente Lula da Silva (Partidos dos Trabalhadores - PT) a obter 45,16%, pelo
que irão disputar a 2ª volta que se vai realizar no dia 25 de outubro.
O Congresso
Nacional é um órgão bicameral que é constituído pela Câmara dos Deputados com
513 deputados e pelo Senado Federal com 81 senadores, tendo ambos reforçado a
maioria de centro-direita e direita, com destaque para o PL que elegeu 121
deputados (22,79%) e 28 senadores (28,11%), enquanto o PT elegeu 88 deputados
(14,81%) e 9 senadores (13,16%). Significa que, tanto a Câmara dos Deputados
como o Senado Federal já estão perfilados para apoiar a eventual e muito
provável presidência de Flávio Bolsonaro, que será o regresso da boçalidade ao
Palácio do Planalto.
No que respeita
aos 26 estados brasileiros já foram eleitos 20 governadores estaduais, tendo
ficado adiada para o dia 25 de outubro a decisão sobre 6 estados e sobre o
Distrito Federal, mas também no plano estadual avançou o bolsonarismo.
Como curiosidade,
regista-se que em Lisboa o resultado foi de 53,51% para Lula da Silva e de
37,76% para Bolsonaro, enquanto no Porto também Lula da Silva esteve à frente
com 52,49% e Bolsonaro conseguiu 38,32% dos votos.
E agora? Há que esperar pelo dia 25 de
outubro para saber o que escolhem os brasileiros, mas não se espera nada de
bom. Em Palm Beach, no seu luxuoso resort de Mar-a-Lago, o padrinho político
dos Bolsonaros sorri, face às escolhas eleitorais do Brasil.

Estou convencido de que só a vivência das coisas, salvo algumas e embora numerosas excepções, nos faz delas tomar verdadeira consciência.
ResponderEliminarSó assim consigo explicar esta onda de viragem à direita pelo mundo fora, pelos muitos dos votantes que escolhem esse caminho e que não se apercebem, porque não os sentiram, dos valores que comandam essa direita. Quando se aperceberem, é capaz de já ser tarde…