sábado, 23 de setembro de 2017

Os Antónios de Lisboa a brilhar na ONU

António Guterres e António Costa encontraram-se na sede das Nações Unidas durante o debate geral da 72ª sessão anual da Assembleia Geral que se iniciou no passado dia 19 de Setembro e o Diário de Notícias publicou na sua primeira página a fotografia destes dois políticos portugueses, ambos naturais de Lisboa e ambos com o mesmo nome.
António Costa é o Primeiro-ministro de Portugal desde o dia 26 de Novembro de 2015 e António Guterres é o Secretário-geral das Nações Unidas desde o dia 1 de Janeiro de 2017.
São ambos militantes do Partido Socialista desde há muitos anos e, entre 1995 e 2002, ambos participaram no XIII e no XIV Governos Constitucionais de Portugal que foram pesididos por António Guterres. Tal como sucede com todos os políticos, uns gostam e outros não gostam deles, embora ambos sejam credores do respeito dos seus concidadãos pelos serviços que já prestaram à democracia e ao serviço público em diversos cargos e funções nacionais e internacionais.
Os seus discursos nas Nações Unidas impressionaram e deixaram marcas. António Guterres apelou à paz, ao apoio aos refugiados e à negociação política como forma de resolução dos conflitos que preocupam o mundo. António Costa cumpriu com a tradicional reivindicação portuguesa junto das Nações Unidas, isto é, que o português seja declarado como uma das suas línguas oficiais e que o Brasil e a Índia tenham assento permanente no seu Conselho de Segurança.
A fotografia publicada pelo Diário de Notícias tem, por isso, um significado histórico para os portugueses porque regista o primeiro encontro de um Secretário-geral das Nações Unidas português com um Primeiro-ministro português. 

May recua e já pede adiamento do Brexit

Theresa May discursou ontem em Florença para anunciar aos seus ainda parceiros europeus os pontos de vista britânicos sobre o Brexit que deverá concretizar-se até ao dia 29 de Março de 2019, isto é, dois anos depois de ter sido accionado o famoso artigo 50 do Tratado de Lisboa que prevê de forma explícita a possibilidade de qualquer Estado-membro sair de forma voluntária e unilateral da União Europeia.
Portanto, nesse dia o Reino Unido deixará de ser membro da União Europeia.
Porém, as negociações não estão a ser fáceis e Theresa May deixou muitas coisas por esclarecer no seu discurso, embora tivesse sido clara num ponto: o Reino Unido precisa de um acordo comercial que permita que as empresas britânicas se adaptem às realidades dos seus novos mercados alternativos ao mercado único. Significa, portanto, que Theresa May recuou e pediu uma pausa de dois anos no Brexit, como titula The Guardian. O problema e as dificuldades são enormes, porque não é nada fácil retirar o Reino Unido da União Europeia e, simultaneamente, permitir-lhe que permaneça no mercado único e na União Aduaneira, aceitando também que os britânicos que residem por essa Europa fora mantenham o estatuto comunitário e não passem a ser estrangeiros.
O discurso de May também esclareceu muito pouco, quer em relação a outros aspectos da negociação do Brexit, quer em relação à natureza do futuro relacionamento britânico com a União Europeia.
Relativamente ao Brexit, aceitou que o Reino Unido deva pagar uma indemnização à União Europeia devido a compromissos assumidos no passado, mas a dúvida permanece quanto ao futuro dos três milhões de europeus que vivem e trabalham no Reino Unido. Quanto ao futuro pós-Brexit, Theresa May sublinhou a vontade britânica em manter uma cooperação muito próxima com a União Europeia nas áreas da segurança interna e da política externa e da defesa, pois reconhece que britânicos e europeus enfrentam ameaças comuns, como o terrorismo e a instabilidade geopolítica nas regiões fronteiras da Europa.
A resolução desta complexa equação é muito difícil e há cada vez mais gente a duvidar quanto à exequabilidade deste divórcio, até porque no referendo de Junho de 2016 o Brexit ganhou apenas com 51,89%, enquanto a Escócia e a Irlanda do Norte votaram contra, o que significa que também existe uma grande dificuldade política interna. E há as fronteiras com a Irlanda e com a Espanha em Gibraltar...

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Macau organiza o Festival da Lusofonia

Embora se realize entre os dias 20 e 22 de Outubro e, portanto, ainda falte um mês para a sua realização, o Festival da Lusofonia de Macau já hoje é destacado pelo jornal Tribuna de Macau, que salienta que o mesmo vai ter edição reforçada este ano. Será a 20ª edição de uma iniciativa que tem tido grande sucesso, que se tem realizado em Outubro de cada ano e que envolve gente de várias origens geográficas que têm em comum a língua portuguesa.
A primeira edição do Festival da Lusofonia de Macau aconteceu em 1998, quando o território ainda estava sob administração portuguesa, tendo sido integrado no programa de actividades comemorativas do 10 de Junho, isto é, o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, com o objectivo de homenagear as comunidades lusófonas residentes em Macau pelo seu contributo para o desenvolvimento do território. O sucesso foi grande e as autoridades chinesas apreciaram-na, pelo que a iniciativa continuou depois do dia 20 de Dezembro de 1999, quando cessou a administração portuguesa e Macau se tornou a Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China.
Ao longo das 19 edições já realizadas, o Festival da Lusofonia tornou-se uma das grandes festividades anuais do calendário cultural macaense, sendo reconhecido como um factor de promoção turística pelo seu contributo para a oferta e para a diversidade cultural do território, ao atrair a participação de muitos residentes de Macau, de naturais dos países de língua portuguesa, de Hong Kong e de outras regiões da China.
Embora o programa do 20º Festival da Lusofonia ainda não tenha sido divulgado pelo Instituto Cultural de Macau, que é a instituição que organiza o evento, a Casa o Brasil em Macau já prepara a sua participação que este ano será essencialmente um tributo à poesia brasileira. Espera-se agora o anúncio das iniciativas que serão apresentadas por portugueses, angolanos, moçambicanos, cabo-verdeanos, timorenses, guineenses, são-tomenses e outros falantes de português.

Angola e a memória do Cuito Cuanavale

A poucos dias de deixar a presidência de Angola, José Eduardo dos Santos inaugurou ontem o Memorial à Vitória do Cuito Cuanavale, um monumento que vai ficar a assinalar o maior confronto militar da guerra civil angolana e a homenagear os protagonistas dessa batalha que acabou por decidir o futuro da guerra e por influenciar o fim do regime do apartheid sul-africano e a independência da Namíbia.
O Jornal de Angola dedica toda a sua primeira página à inauguração deste monumento localizado exactamente no Cuito Cuanavale, que coincide com as homenagens que têm sido prestadas a Agostinho Neto, considerado o fundador da República e pai da Independência angolana.
Nessa batalha que ocorreu no sul de Angola entre 15 de Novembro de 1987 e 23 de Março de 1988, considerada a maior batalha travada em África por dois exércitos regulares desde a segunda guerra mundial, confrontaram-se o exército angolano (FAPLA) e as Forças Armadas Revolucionárias de Cuba (FAR), assessorados por conselheiros militares da antiga União Soviética e, do outro lado, as forças da UNITA e o poderoso exército sul-africano. Embora a vitória tivesse sido reivindicada por ambas as partes, o facto é que esta dura batalha conduziu à assinatura dos Acordos de Nova Iorque, que levaram à retirada de tropas estrangeiras do território angolano, à independência da Namíbia, à libertação de Nelson Mandela e ao fim do apartheid na África do Sul.
O monumento ontem inaugurado tem uma concepção desajustada das correntes escultóricas mais modernas, mas tem um simbolismo histórico muito importante para Angola, pois enriquece o lugar de reflexão e memória que são os 3,5 hectares de extensão da praça memorial onde se encontram outros monumentos e "eterniza" a memória dessa grande epopeia militar angolana. Assim, Angola alimenta as memórias que fazem a sua História.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Até o Donald elogia António Guterres

Todos nos lembramos do dia 6 de Outubro de 2016, quando o Conselho de Segurança das Nações Unidas votou por unanimidade e aclamação a resolução que recomendou à Assembleia Geral a designação de António Guterres como o 9º secretário-geral das Nações Unidas, cargo que vem exercendo, num mandato de cinco anos, desde o dia 1 de Janeiro de 2017. Guterres está no cargo há pouco mais de oito meses e a sua acção tem sido marcada pela discrição, pelo que não tem sido alvo de críticas, nem de elogios significativos.
A lista de conflitos e de problemas com que o mundo se confronta é muito extensa, indo desde a guerra na Síria aos milhões de refugiados que fogem da guerra ou da fome, passando pelas atitudes bélicas da Coreia do Norte, as alterações climáticas e a implementação dos acordos de Paris, a instabilidade política na Venezuela ou a perseguição às minorias rohingya do Myanmar que têm procurado refúgio no Bangladesh. Imaginamos António Guterres preocupado e a trabalhar em todas estas áreas com a determinação e a inteligência que o mundo lhe reconheceu quando lhe atribuiu este cargo, mas nestes casos é necessária uma acção persistente e não se podem esperar resultados imediatos.
Ontem, Guterres encontrou-se com Donald Trump numa sessão das Nações Unidas em Nova Iorque. O Donald foi muito crítico em relação à “burocracia e má gestão” das Nações Unidas que desde o ano de 2000, segundo afirmou, aumentou o seu orçamento em 140% e duplicou os seus custos com pessoal. Depois, tendo António Guterres sentado à sua direita, disse: “Mas sei que isso está a mudar com o secretário-geral — e está a mudar rápido”, acrescentando que “encorajamos o secretário-geral a usar plenamente a sua autoridade para cortar a burocracia, reformar sistemas antiquados e tomar decisões firmes”.
A imprensa americana destacou o discurso do Donald nas Nações Unidas e o The New York Times salientou o seu elogio a Guterres: "He praised Secretary General António Guterres for tackling mismanagement and bureaucracy”.
“You have been fantastic” foi o que Trump disse a Guterres na abertura da reunião, acrescentando “I applaud the secretary general for laying out a vision to reform the United Nations so that it better serves the people we all represente".
Porém, não é caso para admirar porque no programa da sua candidatura, Guterres inscrevera a reforma das Nações Unidas como uma prioridade. É o que parece estar a fazer. 

sábado, 16 de setembro de 2017

Uma grande vitória dos portugueses

A agência de notação financeira Standard and Poor's decidiu ontem tirar Portugal do lixo, revendo em alta o rating atribuído à dívida soberana portuguesa. O Público foi um dos poucos jornais portugueses que destacaram esta notícia, talvez porque a generalidade da imprensa e dos jornalistas andem distraídos.
Com esta decisão surpreendente, Portugal liberta-se de um longo período de cerca de seis anos em que passou por uma enorme humilhação financeira, durante o qual Wolfgang Schäuble e Christine Lagarde foram apenas alguns dos rostos da arrogância com que foi tratado o nosso país e que o pretenderam colocar no anedotário financeiro internacional. Alguns políticos portugueses, como Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque, deixaram-se enredar na armadilha que os credores internacionais montaram e foram, demasiadas vezes, o rosto da submissão à arrogância dos credores. 
Esta notícia tem tantos reflexos positivos no campo financeiro e na nossa auto-estima, que nem se justifica que aqui se enumerem. Porém, apesar do crescimento económico que se tem verificado nos últimos anos, a dívida portuguesa continua a aumentar e os esforços para que seja reduzida têm que continuar, através de uma consolidação orçamental adequada e de uma gestão da economia que reforce o potencial de crescimento nacional.
Não têm faltado elogios ao desempenho económico do governo, mas também muitos avisos para que não se deixe deslumbrar por este resultado, cujo mérito é uma grande vitória dos portugueses e dos agentes económicos em geral – Estado, Empresas e Famílias – mas que acontece quando António Costa e Mário Centeno e não outros, estão ao leme. Foram eles que meteram o golo e são os marcadores dos golos que ficam na história. Este resultado também acontece na vigência de uma solução governativa inovadora, que tem apresentado resultados muito encorajadores e que acabou com aquela ideia sem sentido que era o  “arco da governação”. Até as agências financeiras estão a reconhecer essa realidade.
Porém, embora o que aconteceu tenha sido muito importante, o governo tem que estar atento à economia e à sociedade e não querer agradar a gregos e a troianos, baixando impostos e aumentando salários de uma forma desajustada às realidades. Só assim evitará resvalar outra vez para o lixo.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Paris recebe Olimpíadas e prepara festa

O Comité Internacional Olímpico que se reuniu ontem na cidade peruana de Lima decidiu atribuir a realização dos Jogos Olímpicos de 2024 à cidade de Paris e os Jogos de 2028 à cidade americana de Los Angeles. Apesar de não se tratar de uma surpresa, toda a imprensa francesa destacou essa notícia e Le Parisien, por exemplo, dedicou-lhe toda a sua primeira página.
A cidade de Paris já organizou os Jogos Olímpicos de 1900 e de 1924, pelo que em 2024 se perfazem 100 anos sobre a realização dos Jogos de 1924 e, essa circunstância vai impulsionar a França e os franceses para uma grande realização que projecte a modernidade da tecnologia e da cultura francesas no mundo. A acrescentar a essa efeméride, certamente será associada a passagem do 1º centenário dos Jogos Olímpicos de Inverno, realizados em 1924 em Chamonix.
O mundo segue atentamente os Jogos através da televisão, sobretudo o ritual das cerimónias de abertura e de encerramento, da entrega das medalhas e do hastear das bandeiras dos vencedores. Porém, os Jogos Olímpicos já não são apenas a maior competição desportiva do planeta, mas são também um acontecimento que alavanca o progresso das cidades onde se realizam, que dinamiza o empreendedorismo e a actividade económica, que estimula a criatividade na arquitectura e nas artes em geral.
Porém, a sua realização exige um elevadíssimo montante de recursos e os casos de Atenas (2004), Londres (2012) ou Rio de Janeiro (2016) são apenas alguns exemplos de verdadeiras catástrofes financeiras, que uns podem e outros não podem suportar. Parece que a França e a cidade de Paris estão atentas a esse problema e que alguns estudos apontam para um impacto positivo de 8,1 mil milhões de euros na economia francesa.
Nestas coisas de grande dimensão, há sempre números para todos os gostos, mas como os Jogos Olimpícos são uma festa, é preciso é andar para a frente, porque o dinheiro acaba por aparecer ou não, até porque as facturas a pagar só chegam depois…

terça-feira, 12 de setembro de 2017

A fúria do “Irma” abalou a Florida

Depois de ter deixado atrás de si um rasto de destruição sem precedentes nas Caraíbas, o furacão Irma atravessou o estado da Florida e a sua fúria causou estragos materiais de grande monta, embora a profecia do director nacional de emergências de que o Irma iria “devastar os Estados Unidos” não se concretizasse.
Os jornais relataram o que aconteceu no estado da Florida, com destaque para a retirada de cerca de seis milhões de pessoas das suas casas, o que constituiu a maior evacuação da história dos Estados Unidos e para o facto de mais de quatro milhões de pessoas terem ficado privadas de energia eléctrica.
Alguns relatos referem que, enquanto fenómeno meteorológico, o Irma ultrapassou todos os recordes em apenas 11 dias de actividade e deixou o estado da Florida irreconhecível, apontando-se que o valor dos prejuízos pode atingir os 240 mil milhões de dólares, que é sensivelmente o valor anual do PIB português.
Ontem, muitos dos moradores que se tinham retirado das suas casas começaram a regressar, até porque terão começado a verificar-lhe pilhagens em larga escala, apesar da situação ainda não estar normalizada e ainda haver muitas localidades a suportar cheias. Porém, é notável o espírito exibido por muita gente a "arregaçar as mangas" para começar a limpeza e a reconstrução das suas casas, bem ao contrário do que se passou em Portugal com a tragédia dos incêndios, em que toda a gente ficou à espera e a exigir a ajuda do Estado, ficando naturalmente à mercê daqueles que se aproveitam politicamente destas catástrofes.
Donald Trump tinha advertido de que o Irma seria um furacão de “proporções épicas” quando pediu à população que se afastasse do seu caminho. Agora que o Irma já passou, o Donald bem precisará de ir à Florida para ver que é melhor não arranjar sarilhos na Coreia do Norte ou na Venezuela, até porque a natureza tem maior poder destruidor do que as bombas americanas.

sábado, 9 de setembro de 2017

O imbróglio que está criado na Catalunha

As aspirações separatistas da Catalunha não são um problema recente, mas acentuaram-se nos últimos anos com os movimentos independentistas a reclamar um referendo sobre a independência da Catalunha. Os desafios ao poder de Madrid têm sido constantes e as duas posições têm-se extremado sem que haja diálogo.
Na passada quarta-feira o parlamento catalão aprovou a realização de um referendo sobre a independência da Catalunha no próximo dia 1 de Outubro, numa sessão a que não compareceram os deputados dos maiores partidos nacionais, caso do PP, do PSOE e dos Cyudadanos. Nessa mesma noite a Generalitat da Catalunha assinou o decreto que convoca o referendo independentista na comunidade autónoma da Catalunha. O governo espanhol chefiado por Mariano Rajoy declarou esta decisão inconstitucional e recorreu para o Tribunal Constitucional para que todas as decisões tomadas pelo parlamento e pelo governo regional da Catalunha relativamente ao referendo fossem anuladas. No dia seguinte, o Tribunal Constitucional espanhol suspendeu a lei aprovada pelo parlamento da Catalunha que permitia a realização do referendo independentista, ou seja, declarou o referendo ilegal. Entretanto, o Ministério Público espanhol já ameaçou com processos judiciais contra a Generalitat e os seus membros. Hoje, através de um dos seus ministros, a Generalitat da Catalunha anunciou que não será respeitada a decisão do Tribunal Constitucional espanhol de suspender a lei do referendo e, dessa forma, anular o referendo marcado para o dia 1 de Outubro, acrescentando que, se for essa a vontade popular, a Catalunha declarará a sua independência unilateralmente. Dizem as sondagens que tem diminuído o número de catalães que defende a independência, mas o governo espanhol garante que o referendo não se realizará. Porém, o diário catalão el Periódico destacou no seu título de primeira página a palavra desobediência, certamente a apontar um caminho aos independentistas.
Estamos, portanto, perante um grande imbróglio na Catalunha.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

A catastrófica acção do furacão “Irma”

A tempestade tropical ou furacão Irma que foi classificado como categoria 5, a mais elevada na escala de Saffir-Simpson, pode já ser considerado o mais perigoso furacão que nos últimos anos se formou no Atlântico Ocidental. Na sua rota no mar das Caraíbas, o Irma tem devastado algumas das ilhas das Pequenas Antilhas, provocado algumas mortes e uma enorme destruição de bens. A imprensa francesa classifica como catastrófica a destruição causada pelo Irma em algumas ilhas francesas das Caraíbas e as imagens que nos chegam pela televisão mostram cenários de completa destruição. A imagem publicada pelo Daily News é expressiva e o título que substitui a palavra hurricane por horrorcane dá a exacta medida daquilo que está a acontecer.
O furacão aproxima-se agora da costa dos Estados Unidos e, segundo anunciaram as autoridades americanas, pode atingir a Florida durante o próximo fim-de-semana. Está a afectar uma área superior à superfície da França, o seu “olho” tem cerca de 50 quilómetros de diâmetro e, ocasionalmente, já terão sido registadas rajadas de vento de 360 quilómetros por hora. Na Florida todos estão alerta. É, verdadeiramente, uma onda catastrófica em movimento.
O Atlântico Oriental e às costas europeias e africanas estão livres desta catástrofe que todos os anos afecta e destrói as ilhas das Caraíbas e o sul dos Estados Unidos. Nesse aspecto, Portugal é um verdadeiro oásis, embora não esteja livre de outras catástrofes naturais.
 

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Angola escolheu um novo Presidente

Foram ontem anunciados pela Comissão Nacional Eleitoral, os resultados das eleições gerais angolanas realizadas no passado dia 23 de Agosto e o vencedor foi o MPLA e o seu candidato João Manuel Gonçalves Lourenço, que será o próximo Presidente da República, sucedendo a José Eduardo dos Santos.
O MPLA e o seu cabeça de lista João Lourenço obtiveram 4.164.157 votos (61,07%) elegendo 151 dos 220 deputados à Assembleia Nacional de Angola, enquanto a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) se afirmou como a segunda força política ao conseguir 1.818.903 votos (26,67%), ao eleger 51 deputados. Isaías Samakuva é, portanto, o líder da oposição angolana e terá pela frente uma tarefa política muito exigente.
Além daqueles dois partidos, ainda conseguiram representação na Assembleia Nacional a Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE) que obteve 9,44% dos votos e elegeu 16 deputados, o Partido de Renovação Social (PRS) que conseguiu 1,35% dos votos e a Frente Nacional de Libertação Nacional (FNLA) que obteve 0,93% dos votos, que elegeram um deputado. O futuro Presidente de Angola declarou-se aberto ao diálogo permanente com a oposição para incentivar um ambiente de concórdia, o que é indispensável para o desenvolvimento da democracia e para o progresso do país. Muitas práticas de corrupção e muitos comportamentos reprováveis terão que ser abolidos. O mundo espera que, com o ocaso de um dos mais antigos regimes pessoais do mundo, o povo de Angola possa prosperar.
No entanto, depois de 38 anos de poder de José Eduardo dos Santos, a tarefa de João Lourenço é realmente ciclópica e parece assemelhar-se ao que aconteceu em Portugal em 1969 quando AOS caiu da cadeira e Caetano não conseguiu libertar-se da herança recebida. Os tempos e as circunstâncias são outros, mas será que Lourenço conseguirá sobreviver à teia de interesses e às malhas de corrupção que se instalaram na nomenclatura angolana e de que ele próprio parece ser um símbolo?
Continuidade, evolução na continuidade ou ruptura? É fácil perceber o que aí vem. Os portugueses amigos de Angola esperam que a nova presidência reforce os seus laços com Portugal e que seja capaz de construir um país para todos os angolanos. 

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

As novas tropelias do imprudente Donald

As peripécias sucedem-se na polémica carreira presidencial do imprudente Donald Trump, não só na política externa, mas também na política interna. Ontem fez mais uma das suas tropelias e ordenou o fim do programa DACA (Deferred Action for Childhood Arrivals), criado em 2012 por Barack Obama e que impedia que os jovens imigrantes trazidos ilegalmente para os Estados Unidos quando ainda eram crianças, pudessem ser deportados. A notícia saltou para a primeira página dos jornais americanos, como aconteceu por exemplo no Chicago Tribune.
Estima-se que cerca de 800 mil jovens beneficiaram da protecção da lei DACA e puderam começar novas vidas, mas também estudar, trabalhar, integrar as Forças Armadas e realizar o sonho de ser americano. Porém, o Donald está em vias de acabar com esse sonho e estará a preparar um cenário de deportações em massa, embora ainda não estejam definidos os pormenores relativos à aplicação desta decisão, para a qual o Congresso parece ir reagir.
A incerteza é enorme em muitas comunidades americanas, sobretudo as de origem mexicana. Barack Obama reagiu e classificou esta decisão do Donald como uma crueldade “contra patriotas que juram fidelidade à nossa bandeira”. Da mesma forma Rahm Emanuel, o mayor de Chicago, afirmou que o DACA continuará a existir em Chigago, enquanto Andrew Cuomo, o governador de Nova Iorque, declarou que “a medida é cruel, gratuita e devastadora para centenas de milhares de nova-iorquinos”. Ainda que o número concreto de possíveis afectados e as suas nacionalidades não sejam comhecidas, várias organizações que prestam apoio a imigrantes portugueses nos Estados Unidos afirmaram que algumas centenas de portugueses poderão ser afetacdos pelo fim do DACA.
Realmente, é caso para se dizer que com o Donald, cada cavadela cada minhoca.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Os portugueses nos 500 anos do Havre

A cidade portuária francesa de Le Havre tem festejado este ano os seus 500 anos e, por isso, preparou um extenso programa comemorativo.
Acontece que durante a 2ª Guerra Mundial a cidade foi ocupada pelos alemães e que na sequência do desembarque da Normandia de Junho de 1944 sofreu danos catastróficos e ficou praticamente destruída. Ainda antes do fim da guerra o arquitecto Auguste Perret foi designado para planear a reconstrução do centro da cidade. Cerca de 60 anos depois, no ano de 2005, Le Havre, a cidade reconstruída por Auguste Perret, foi inscrita na lista do património mundial da UNESCO.
No âmbito das comemorações dos 500 anos da cidade, a Rendez-Vous 2017 Tall Ships Regatta (RDV2017) organizada pela Sail Training International decidiu escalar o porto do Havre. Cerca de três dezenas de grandes veleiros, entre os quais se destacaram o Kruzenshtern, Mir, Sagres, Cisne Branco, Shabab Oman II, Alexander Von Humboldt, Shtandart, Jolie Brise e Santa Maria Manuela, entre outros, visitaram o porto e a cidade durante quatro dias para participar nas festividades comemorativas.
Como curiosidade regista-se a participação portuguesa através da barca Sagres e do lugre Santa Maria Manuela, assim como do Rancho Folclórico Orgulho Português do Havre, cuja participação também visou homenagear os 80 anos do navio-escola português. O diário Le Havre libre publicou uma desenvolvida reportagem sobre a RDV2017 e dedicou-lhe a sua capa com uma expressiva fotografia.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

A ameaça norte-coreana está a agravar-se

A Coreia do Norte testou com sucesso uma bomba de hidrogénio desenvolvida para ser instalada num míssil balístico intercontinental. O anúncio foi feito pela televisão estatal norte-coreana mas, algumas horas antes, os sismógrafos japoneses e sul-coreanos já tinham detectado uma explosão de grande magnitude que provocou um sismo artificial. Julga-se ter sido o sexto teste nuclear norte-coreano e foi o mais potente de quantos já tinham sido realizados, o último dos quais em Setembro de 2016.
Com este teste, o regime de Kim Jong-un elevou o seu nível de ameaça e, um pouco por todo o mundo, os alarmes dispararam. Diversos países e organizações condenaram este teste nuclear com uma bomba de tão elevada potência que viola várias resoluções da ONU, ao mesmo tempo que exigem o fim dos programas balísticos e nucleares norte-coreanos.
A imprensa internacional destaca hoje esta notícia que está a causar justificado alarme em todo o mundo e o Libération utiliza a expressão “une bombe a retardement”, insinuando que o conflito tende a agudizar-se.
De facto, a corda já está demasiado esticada e todas as linhas vermelhas foram ultrapassadas. O regime de Kim Jong-un sabe que o confronto bélico significará a destruição do seu país e uma catástrofe para o povo norte-coreano, mas os Estados Unidos, o Japão e a Coreia do Sul sabem que não ficarão à margem de pesadas perdas e de avultados custos. O mundo sabe que a situação pode gerar uma crise mundial nunca vista antes ou uma catástrofe global. A China é a charneira entre as duas partes deste conflito, mas tem-se mantido afastada desta crise. Sabe-se lá porquê. O que se sabe é que o clima de confrontação se acentua todos os dias e o mundo está alarmado.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

A arte e a técnica de Cristiano Ronaldo

O prestígio e a popularidade de Cristiano Ronaldo são um fenómeno muito raro no mundo do desporto, conforme se verifica uma vez mais na edição de hoje do diário desportivo espanhol as, que destaca na sua primeira página a fotografia de Ronaldo a marcar o primeiro golo da sua equipa no encontro de futebol entre as selecções nacionais de futebol de Portugal e das Ilhas Faroé, a contar para o apuramento para os Mundiais de 2018.
Esse jogo disputou-se ontem no Porto e terminou com a vitória portuguesa por 5-1, tendo Ronaldo marcado três golos. Quando eram decorridos apenas três minutos de jogo, o capitão da equipa portuguesa fez um remate acrobático, cheio de arte e técnica futebolística, marcando o seu primeiro golo. Não admira que um jornal português tivesse destacado essa imagem de grande espectacularidade que define a qualidade de qualquer futebolista, mas quando essa fotografia é destacada num jornal espanhol, exactamente no dia em que a Espanha e a Itália se vão encontrar em jogo decisivo para o mesmo Mundial de 2018, é mesmo um motivo de admiração e confirma o prestígio internacional do jogador português.
O festejado golo de Ronaldo foi marcado com um pontapé de bicicleta ou gol de chilena, como dizem os espanhóis, o que parece que nunca tinha acontecido na sua carreira: o jogador inclina o corpo para trás e levanta uma perna para rematar, o que faz quando tem o corpo suspenso no ar e paralelo ao solo.
Embora não tenhamos a intenção de futebolizar este espaço de actualidades que é a Rua dos Navegantes, o facto é que Cristiano Ronaldo a isso nos obriga.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Os furacões e as alterações climáticas

Os estados americanos do Texas e da Louisiana têm estado sob os efeitos devastadores da passagem do ciclone tropical Harvey e, segundo mostram as imagens que nos chegam pelas televisões, há extensas zonas inundadas e muitas habitações destruídas. A cidade de Houston, que é a cidade mais populosa do Texas e a quarta cidade mais populosa dos Estados Unidos suportou ventos ciclónicos e em quatro dias fortes chuvadas que atingiram 127 centímetros de altura e inundaram extensas áreas da cidade.
A imprensa americana, nomeadamente o diário Houston Chronicle, tem considerado esta crise como uma calamidade impiedosa, pela destruição material provocada e pelas mais de duas dezenas de mortes que provocou.
Os furacões gerados no golfo do México que historicamente atingem o território americano, não resultam de circunstâncias meteorológicas novas, mas a sua ocorrência não pode ser separada da problemática das alterações climáticas ou, pelo menos, será essa a percepção de muita gente que não entende de meteorologia. Por isso, não deixa de ser curioso que os Acordos de Paris assinados em Dezembro de 2015 para travar as emissões de gases com efeito de estufa, responsáveis pelo aquecimento global e por muitas alterações ambientais, tivessem sido denunciados por Donald Trump, quando decidiu unilateralmente  abandonar os compromissos de Barack Obama assumidos nos Acordos de Paris.
Perante a calamidade provocada pelo Harvey, muitos americanos até vão pensar que tudo resultou da decisão do Donald.

A tristíssima ressureição do Cavaco

Como se fosse uma múmia ressuscitada, ele deixou por umas horas o conforto da sua mansão na Quinta da Coelha e voltou à intervenção política.
Sem ter a noção de que seu tempo passou e que nada tem de interesse para dizer, não percebeu que o convite que lhe fizeram para falar na Universidade de Verão do PSD foi uma mera deferência e decidiu aceitá-la. As televisões mostraram-no mais rancoroso e mais vingativo que nunca.
Não vimos um antigo Presidente da República confiante, experiente, conselheiro e sábio, mas apenas um indivíduo ressabiado e ridículo, sem um comentário sobre a incerteza do mundo ou sobre a evolução do nosso país, sem uma palavra de incentivo e de confiança dirigida aos jovens que o ouviam. Aquela figura não foi capaz de sair da sua pequenez de Boliqueime, nem dos seus complexos culturais profundos, não conseguindo libertar-se da sua esfera de antigo contabilista. Não realçou o crescimento económico nem a paz social, não mostrou contentamento pela redução do desemprego, não salientou a confiança dos agentes económicos. Limitou-se a criticar muita gente e chamou a atenção para a "verborreia frenética" da maioria dos políticos e para as relações entre a política e o jornalismo, numa lamentável e pindérica referência ao actual Presidente da República que tanto tem agradado aos portugueses, mesmo daqueles que não votaram nele.
Numa tirada de grande recorte intelectual de raiz rural com origem em Boliqueime, apontou para os governos socialistas que se confrontam com uma realidade que se "projecta de tal forma que eles acabam por perder o pio, ou fingem que piam". "Mas são pios que não têm qualquer credibilidade e reflectem apenas jogadas partidárias", referindo-se à França de François Hollande, à Grécia de Alexis Tsipras e, certamente, ao Portugal de António Costa.
Foi lamentável ver um antigo Presidente da República fazer uma figura destas, num papel em que a ignorância e a mesquinhez se fundem na mesma pessoa. Porque razão nos veio incomodar e não se ficou pelas praias algarvias a apanhar conquilhas?

terça-feira, 29 de agosto de 2017

A Catalunha desliga ou não da Espanha?

Os trágicos acontecimentos ocorridos no passado dia 17 de Agosto em Barcelona e as manifestações de unidade contra o terrorismo que se seguiram, parece que não tiveram qualquer efeito sobre os separatistas catalães que já retomaram o seu discurso independentista.
Ontem, os dois principais movimentos separatistas – a coligação Junts per Sí e a CUP ou Candidatura de Unidade Popular – registaram no Parlamento da Catalunha uma proposta de lei intitulada Ley de Transitoriedad Jurídica y Fundacional de la República, que é uma lei de ruptura com a Constituição espanhola e que os separatistas querem aprovar antes do referendo que marcaram e esperam seja realizado no próximo dia 1 de Outubro, mas que é considerado ilegal pelas autoridades judiciais.
A proposta de lei inclui 89 artigos e está pensada para entrar em vigor se o sim vencer o referendo, nem que seja por um voto de diferença. Segundo o texto, o governo catalão passará a controlar o poder judicial e tomará as propriedades do Estado espanhol, mas não define como seria paga a parte catalã da dívida do Reino de Espanha. Como novidade, o texto indica o catalão, o castelhano e o aragonês como línguas oficiais da nova república e introduz o conceito de dupla nacionalidade catalã e espanhola.
Este documento visa a mobilização do eleitorado e a sua sensibilização para a credibilidade da proposta independentista, embora a oposição a acuse de barbaridade jurídica e golpe de estado.
De qualquer forma, se esta lei vier a entrar em vigor terá apenas um ano de validade, pois será o tempo necessário para a redacção de uma Constituição da república catalã, que seria depois ratificada em referendo.  
Hoje o diário ABC ilustra a situação por que passa a população catalã com uma tomada eléctrica com as cores da Espanha e uma ficha com as cores da Catalunha. Liga-se ou desliga-se? Os eleitores vão decidir se houver referendo, mas do que não há dúvidas é que os catalães têm um complexo processo pela frente.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Um campeão do mundo de Ponte de Lima

O desporto é um dos fenómenos sociais mais importantes do mundo contemporâneo e tornou-se um instrumento de afirmação dos países no contexto internacional, enquanto os grandes desportistas tendem, cada vez mais, a tornar-se verdadeiros símbolos nacionais. Porém, na história do desporto português os êxitos internacionais ainda são uma raridade e são muito poucos os desportistas portugueses que conseguiram sagrar-se campeões do mundo, pelo que o resultado ontem obtido pelo canoísta Fernando Pimenta justifica o destaque que lhe foi dado hoje pelo Diário de Notícias, já que a generalidade da imprensa generalista e até a imprensa desportiva portuguesa ignoraram o acontecimento.
Depois de já ter conquistado a medalha de prata na prova de K1 - 1.000, Fernando Pimenta venceu a medalha de ouro na prova de K1 - 5.000 nos Mundiais de canoagem que estão a decorrer em Racice, na República Checa. Em termos desportivos, o resultado conseguido por Fernando Pimenta é notável, resulta de um trabalho muito intenso e é um motivo de orgulho para os portugueses que gostam do desporto.
Embora alguns desportos colectivos como o futebol júnior e o hóquei em patins já tenham trazido títulos mundiais para Portugal, os títulos individuais são ainda mais raros. O atletismo já dera ao país alguns campeões do mundo, mas por serem mais imprevistos, os títulos individuais do ciclista Rui Costa em 2013 e agora do canoísta Fernando Pimenta são duas excepções.
Em 2013 foi a Póvoa de Varzim a celebrar.
Em 2017 é Ponte de Lima a festejar.
Aqui fica expresso o meu aplauso a Fernando Pimenta.

domingo, 27 de agosto de 2017

O protesto antiterrorista de Barcelona

Uma multidão calculada em meio milhão de pessoas tomou parte numa grandiosa manifestação ontem realizada em Barcelona em protesto contra o terrorismo e, em especial, contra as acções terroristas do passado dia 17 de Agosto. A fotografia que o jornal La Vanguardia publicou na sua capa é expressiva.
No desfile tomou parte o rei Felipe VI, tendo sido a primeira vez que um chefe de Estado espanhol participou numa manifestação, na qual participou também o primeiro-ministro Mariano Rajoy, numa demonstração de solidariedade para com as vítimas, mas também num acto de confiança na unidade do país perante qualquer ameaça jihadista.
No momento tão grave por que passa a sociedade espanhola em que o seu modelo de vida é posto em causa pelo terrorismo internacional, a unidade é um elemento essencial para afastar o medo e para recuperar a confiança nas instituições responsáveis pela segurança nacional. Por isso, a manifestação de Barcelona teve o apoio do Rei e das instituições centrais e autonómicas. No entanto, tanto o rei como o primeiro-ministro foram vaiados por alguns movimentos independentistas catalães que conseguiram aproximar-se da frente da manifestação, o que foi condenado por muitos órgãos da comunicação social. Nestas situações de gravidade extrema, sejam actos terroristas ou incêndios florestais, não pode valer tudo. Há que respeitar as vítimas e não é tempo para aproveitamentos políticos. Os independentistas catalães foram longe de mais e mostraram como estão radicalizados.
A manifestação procurou mostrar que a cidade não tem medo porque está protegida pelas forças de segurança, sentindo-se orgulhosa pela rápida resposta das equipas de emergência, sobretudo do pessoal médico e dos hospitais. No manifesto lido na Praça da Catalunha, foi afirmado que “não conseguirão dividir-nos porque não estamos sozinhos, pois somos muitos milhões de pessoas que condenam a violência e defendem a convivência em Manchester e em Nairobi, em Paris ou Bagdade, em Bruxelas e Nova Iorque, em Berlim ou Cabul”. Associemo-nos, portanto, à manifestação de Barcelona.

Aste Nagusia, a grande festa basca

Terminam hoje em Bilbau as famosas festas Aste Nagusia Bilbao 2017 que, muitas vezes, são consideradas a maior mostra da cultura do País Basco (ou Euskal Herria), a região histórico-cultural do extremo norte da Espanha onde vive o povo basco.
Ao longo de oito dias, o Ayuntamiento de Bilbao promoveu um extenso programa de actividades que incluiu mais de quatro centenas de iniciativas como as corridas de touros, o teatro de rua, inúmeros concertos desde o lírico ao pop-rock, fogos de artifício e, sobretudo, muitas actividades características da cultura basca. De entre estas, destacaram-se as bilbainadas, um género musical típico da região da Biscaia e os jogos e as danças tradicionais bascas.
Este ano a Aste Nagusia teve como particular atracção uma exibição levantamento de pedras, uma tradição rural basca, que foi aproveitada para homenagear a família Izeta da povoação de Aia, que tem mantido esta prática ao longo de sucessivas gerações. Então, Hodei Izeta levantou uma pedra de 178 kg, o dobro do seu peso corporal, fazendo-o por 4 vezes; Jesús Mari levantou uma pedra cúbica de 113 kg durante 3 minutos; Hodei e José Ramón levantaram uma pedra de 100 kg apenas com uma mão e fizeram-no 80 vezes. Os pequenos Izeta Jakes (9 anos) e Unax (7 anos) também participaram e levantaram pedras de 25 kg.
Porém, o momento alto desta iniciativa do desporto rural basco foi o “ataque” à “mitica piedra de Mungia” que pesa 4.300 kg e que foi protagonizado por sete indivíduos bascos de superior compleição física e treino nesta arte. Sete forzudos, cinco por detrás e dois pela frente, dizia o Deia, o jornal nacionalista basco que se publica em Bilbao. A pedra foi movida durante 20 minutos ao longo de 68 metros! A multidão incitou e aplaudiu. Desde há quase 50 anos que a pedra não era movida e, por isso, o jornal dizia que “este dia quedará en la historia de todos los bilbainos”.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Ronaldo é o campeão dos campeões

O indivíduo que aos 32 anos de idade é o mais português famoso de sempre, esteve ontem no Mónaco onde foi eleito o Jogador do Ano da UEFA de 2016/17, por votação de um júri composto por 80 treinadores dos clubes que participaram na fase de grupos da Liga dos Campeões de 2016/17 e por 55 jornalistas que representavam cada uma das federações-membro da UEFA. Cristiano Ronaldo (Real Madrid) recebeu 482 votos, enquanto Lionel Messi (Barcelona) ficou em segundo lugar com 141 votos e Gianluigi Buffon (Juventus) ficou em terceiro lugar com 109 votos. Já é um lugar comum ver Ronaldo a receber os principais prémios do futebol internacional e, por isso, não causou qualquer surpresa vê-lo ontem a receber mais dois prémios correspondentes à sua eleição como o melhor avançado e o melhor jogador da UEFA de 2016/17.
Cristiano Ronaldo é realmente um fenómeno futebolístico e marca golos como ninguém. É o maior goleador de sempre da história do Real Madrid com 407 golos em 396 jogos, é o maior goleador de sempre da Liga dos Campeões com 101 golos e, ainda, é o maior goleador da selecção portuguesa com 73 golos em 139 jogos. Na última edição da Liga dos Campeões foi o melhor marcador com 12 golos, incluindo dois em Cardiff no jogo da final com a Juventus.
Desde 2004 que vem acumulando recordes e troféus, entre eles duas Bolas de Ouro e duas Botas de Ouro. Com tantos prémios e com a veia comercial que também tem, em 2013 inaugurou um museu no Funchal para exibir todos os seus troféus. É caso para dizermos, como hoje diz o diário desportivo espanhol as, que Cristiano é o “rey de la Champions” ou que é o campeão dos campeões.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Um veleiro num porto é sempre uma festa

O navio-escola argentino Libertad está de visita ao porto de Santa Cruz de Tenerife e o jornal El Dia dedicou-lhe uma fotografia na capa a quatro colunas, escolhendo uma sugestiva legenda:
“Canarias recibe um ‘pedacito’ de Argentina”.
Nas ilhas atlânticas, como nos portos históricos da navegação à vela, a presença de um veleiro é sempre assinalada com grande destaque pelas autoridades, pela população e pela comunicação social, porque evoca muitas memórias de outros tempos. É assim em Tenerife, como no Mindelo, na Horta ou no Funchal.
No caso do Libertad, um veleiro de três mastros que está ao serviço da Marinha da Argentina desde 1963 e que já não visitava aquele porto desde 2009, o jornal noticiou a sua chegada com o título “Argentina llega por mar”.
Em Outubro de 2012 o navio foi protagonista de um episódio muito caricato, quando um tribunal do Ghana decidiu o seu embargo no porto de Tema, perto de Accra, por causa de uma acção interposta por um fundo financeiro especulativo, que reivindicava à Argentina o pagamento de uma dívida. As autoridades do Ghana aproveitaram a oportunidade e exigiram um fiança de 20 milhões de dólares para libertar o navio, o que foi recusado pela Argentina. Só a intervenção do Tribunal Internacional do Direito do Mar, que por unanimidade deu razão à Argentina, desbloqueou a situação. Mas foram quase três meses “de castigo” no porto de Tema. Agora em Tenerife será bem diferente e será certamente uma festa, como esperam os 20 mil argentinos que vivem nas ilhas Canárias.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Águas residuais ameaçam as Canárias

A edição de ontem do Diario de Avisos, um jornal centenário que se publica em Santa Cruz de Tenerife e que é o mais antigo periódico das ilhas Canárias, dedicou a sua capa de ontem à ”vergonha que não se pode ignorar”, isto é, à descarga no mar da maioria das águas residuais ou esgotos das ilhas Canárias, que é feito sem o tratamento a que obrigam as leis espanholas e europeias.
Esta realidade foi conhecida na sequência da aparição de enormes manchas de cianobactérias conhecidas por algas azuis que, segundo nos informa o amigo Google, são microalgas que provocam a morte dos peixes e podem afectar a saúde dos banhistas e de quem consumir o peixe capturado naquela zona. Os efeitos sobre a saúde dos banhistas pode ir desde um simples caso de alergia até a problemas mais graves com incidência no fígado. Trata-se, portanto, de uma ameaça, pelo que as autoridades podem vir a proibir a pesca e os banhos de mar nessas zonas, o que a acontecer, afectaria enormemente o turismo nas ilhas Canárias.
Segundo informa o jornal, existe a convicção generalizada que este problema está relacionado com o facto de 74% dos locais de descarga de águas residuais das ilhas Canárias serem ilegais, o que corresponde a 378 condutas ou saídas que descarregam no mar as suas águas residuais sem o devido tratamento. São demasiados esgotos a poluir o ambiente marinho e a contribuir para que o mar das ilhas Canárias tenda a ser uma lixeira e uma ameaça à saúde pública. Como diz o Diario de Avisos, as Canárias estão ”rodeadas de vertidos” e isso é “ la vergüenza del paraíso turístico”. A imagem da capa do jornal é esclarecedora e até pode alarmar os residentes e os turistas quanto à limpeza das águas das sete ilhas canárias. A agravar a situação e segundo foi apurado, tem-se verificado um aumento considerável das descargas de origem urbana, sobretudo domésticas, embora com uma ligeira diminuição das descargas de origem industrial.
Como será na costa portuguesa? Aqui está um bom tema para ser investigado.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

O Donald deve ter contagiado a US Navy

Nos últimos meses a Marinha americana tem enfrentado demasiadas ocorrências o que, naturalmente, enerva Donald Trump que tanto elogiara a sua US Navy durante a sua campanha eleitoral. A hipótese das asneiras do Donald terem contagiado a US Navy tem todo o sentido.
Ontem, no estreito de Malaca e nas proximidades de Singapura, o destroyer USS John S. McCain (DDG-56), que integra a 7ª Esquadra dos Estados Unidos e tem a sua base em Yokosuka, esteve envolvido numa colisão com o petroleiro Alnic MC de bandeira liberiana, daí resultando 10 desaparecidos e 5 feridos no navio americano. O incidente vem hoje relatado com grande destaque no diário The Straits Times de Singapura, mas também em alguns jornais dos países do sueste da Ásia, exibindo a foto do navio nas primeiras páginas.
Donald Trump reagiu a este acidente visivelmente incomodado e limitou-se a dizer que “era muito mau”. De facto, a US Navy vem acumulando incidentes nas águas da Ásia Oriental e, desde Janeiro, já se verificaram quatro ocorrências graves com navios americanos.
Dois meses antes da colisão do USS John S. McCain, também o USS Fitzgerald (DDG-62) colidiu no dia 17 de Junho nas costas do Japão com o porta-contentores filipino ACX Crystal, daí resultando 7 mortes e 3 feridos entre os tripulantes do destroyer americano.
No dia 9 de Maio foi um pesqueiro sul-coreano que colidiu em águas internacionais com o cruzador USS Lake Champlain (CG-54), embora não se tivessem verificado quaisquer baixas. Finalmente, nesta preocupante sequência, quando estava fundeado na baía de Tóquio, no dia 31 de Janeiro, o cruzador USS Antietam (CG-54) não aguentou os ventos de 30 nós, garrou e foi embater em alguns rochedos submersos e quase encalhou, acabando por se safar, embora com graves danos nos seus hélices e com o derrame de grande quantidade de óleos lubrificantes.
Não era habitual que a US Navy tivesse tantas ocorrências destas. Será que a incompetência do Donald, que é o seu comandante-chefe, contagiou a US Navy?

As nossas televisões são irresponsáveis?

As nossas televisões estão no mercado e em acesa concorrência entre si, independentemente do seu estatuto empresarial ser público ou privado. Lutam por audiências para comerem uma fatia maior do bolo publicitário e usam o sensacionalismo noticioso de uma forma pouco jornalística. Não informam com serenidade e rigor. Usam linguagens e imagens panfletárias para despertar a atenção como se tratasse de um produto comercial. Não distinguem informação de entretenimento. E insistem “não mude de canal”, “fique por aí”, não perca”.
As nossas televisões estão ao nível do que pior se vê nas televisões que nos chegam por assinatura. São uma lástima e um atentado à inteligência das pessoas, com as manhãs cheias de conversas populistas e desinteressantes, com as tardes ocupadas com uma pimbalhada que assusta e com as noites preenchidas por intermináveis debates sobre futebol.
O serviço público de televisão não existe ou parece uma caricatura. Nas nossas televisões dominam os profissionais de segunda categoria, os entertainers e o serviço noticioso está entregue a estagiários, muitas vezes sem qualificação. O direito constitucional a ser informado é subalternizado pela lógica da repetição continuada de peças apresentada por correspondentes locais pouco preparados. Chegou-se ao paradoxo e ao ridículo do canal público anunciar e apresentar uma entrevista a um presumível assassino, em que a jornalista quis fazer espectáculo e branquear o entrevistado, sem que nada lhe acontecesse.
A obrigação de formar e de informar o público é ultrapassada sem escrúpulos e, no caso dos incêndios florestais, tal como nas operações contra o terrorismo, as televisões e os seus responsáveis editoriais parecem tomar o partido dos incendiários e dos terroristas, porque objectivamente promovem as suas acções através das imagens que divulgam e da repetição com que as transmitem. O que tem sido feito nas nossas televisões não é jornalismo. A irresponsabilidade desta gente é mesmo muito grande!  
Hoje o jornal i recuperou na sua primeira página uma declaração da antiga primeira-ministra britânica Margareth Thatcher sobre esse assunto, que mantém a sua actualidade e que bem poderia servir para iluminar a inteligência de quem faz notícias, de quem as edita e até de quem as apresenta como se fosse um espectáculo.

A América merecia um Presidente melhor

No dia 20 de Janeiro de 2017 Donald Trump tomou posse como o 45º Presidente dos Estados Unidos e, segundo informam diversos registos, é o primeiro cidadão americano que sem qualquer experiência política anterior atingiu a presidência, sendo também o mais velho e o mais rico a assumir tão importante cargo.
A sua inexperiência política, associada às suas peculiares características psicológicas, têm feito do Donald um problema para a política americana, mas também um perigo para o mundo. Nos sete meses de mandato que já cumpriu, o Donald tem acumulado tantos disparates que a sua acção se tornou, interna e internacionalmente, um motivo de chacota. De forma irresponsável meteu na Casa Branca os filhos e os amigos dos filhos, criando um círculo de assessores impreparados, que gera instabilidade e provoca demissões sobre demissões. As ameaças que fez a Kim Jong-un e a Nicolás Maduro cobriram-no de ridículo e colocaram-no ao nível mais baixo da política internacional. A Europa, apesar dos tempos de crise e de incerteza que atravessa, ri-se à gargalhada do Donald. A sua popularidade na sociedade americana desceu a níveis impensáveis e são cada vez menos aqueles que o apoiam até no seu próprio partido. A América merecia melhor. A América merecia alguém que gerasse o respeito do mundo. A América não merece alguém que é motivo de troça universal.
A tolerância dos mass media parece ter terminado e as críticas ao Donald sobem de tom. As grandes revistas internacionais escolheram o Donald como alvo e as suas caricaturas ocupam as primeiras páginas. Agora foi a nova-iorquina Newsweek, considerada a mais liberal das grandes revistas americanas e que está integrada no grupo do Washington Post, que vem ridicularizar o Donald ao perguntar ao leitor se está pronto para a guerra, ao mesmo tempo que também pergunta se os generais americanos podem salvar a América e o mundo deste Trump. A fotomontagem da capa é um bom exemplo da apreciada frase que diz que uma imagem vale mais do que mil palavras.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Las Ramblas reagem ao terror e ao medo

Os acontecimentos do passado dia 17 de Agosto em Barcelona traduziram-se na morte de 14 pessoas, entre as quais duas cidadãs portuguesas, para além de mais de uma centena de feridos. A cidade de Barcelona, toda a Espanha e o mundo civilizado sentiram mais uma vez como a insegurança está a tomar conta do nosso modo de vida e reagiram com rapidez, condenando a barbaridade deste acção terrorista e solidarizando-se com as vítimas. Em Barcelona, a população juntou-se em várias iniciativas públicas e religiosas, tendo reocupado as Ramblas, o simbólico local da cidade onde ocorrera o crime jihadista e por onde passam todos os turistas, como mostra a fotografia que ilustra a edição de hoje do diário ABC. Assim se quis mostrar a toda a gente que não há que ter medo do terrorismo, nem dos terroristas. Numa atitude de grande solidariedade ibérica, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa estiveram pessoalmente em Barcelona, participaram em algumas cerimónias evocativas da tragédia e, simbolicamente, sentaram-se numa esplanada das Ramblas para tomar um café. Um grande exemplo de governantes e de homens de Estado que muito nos deve orgulhar.
Entretanto, já começam a ser conhecidos os contornos da acção desencadeada por uma célula catalã do Daesh, provavelmente a base logística da sua actividade na Europa, que a partir da localidade de Ripoll e do seu imã, estaria a preparar a utilização de carrinhas com explosivos para serem lançadas contra a Basílica da Sagrada Família, o imponente monumento da autoria do arquitecto catalão Antoni Gaudi.

domingo, 20 de agosto de 2017

Alunos de Cabo Verde procuram Portugal

O arquipélago de Cabo Verde é constituído por dez ilhas, tem uma área total um pouco superior a 4 mil quilómetros quadrados e tornou-se independente de Portugal no dia 5 de Julho de 1975 com o nome de República de Cabo Verde. Significa que, até 1975, os seus habitantes eram portugueses e que só a partir de então se tornaram cidadãos cabo-verdianos.
Apesar dessa circunstância política, as relações históricas e culturais e as afinidades afectivas entre Portugal e Cabo Verde mantiveram-se e intensificaram-se, até porque muitos dirigentes e quadros administrativos cabo-verdianos se formaram em Portugal.
O progresso económico e o desenvolvimento social cabo-verdianos exigem cada vez mais quadros devidamente preparados e daí que a procura de estabelecimentos de ensino superior em Portugal seja grande, o que se traduz num benefício cultural para ambos os países. Porém, para os estudantes cabo-verdianos que queiram estudar em Portugal o processo é um “calvário”, como se lhe refere o semanário A Nação, pois os estudantes não só têm que apresentar um processo de candidatura à instituição que desejam frequentar, como também precisam de um visto consular que, entre outras exigências, obriga à apresentação de um termo de responsabilidade assinado por alguém que resida em Portugal o que, no mínimo, é ridículo. Por isso, o jornal afirma que estudar em Portugal se está a transformar numa “miragem” e pergunta se “Portugal quer mesmo formar cabo-verdianos nas suas universidades”.
O problema não é novo, nem tão pouco é exclusivo nas relações entre Portugal e Cabo Verde. Por isso, esta situação dos estudantes que não são emigrantes nem turistas, não pode ficar nas mãos de uns funcionários consulares burocratas e incompetentes, mas tem que ser resolvido ao mais alto nível pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros. Para bem do futuro das relações entre os dois países.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Donald Trump não sabe ser Presidente

No passado sábado aconteceu uma manifestação da extrema-direita na cidade de Charlottesville, no estado americano da Virgínia, que originou violentos confrontos e despertou uma onda de ódio, intolerância e violência, nada habituais no país que, como poucos, simboliza a liberdade. Os manifestantes de extrema-direita que incluiam supremacistas brancos, elementos neo-nazis e membos do Ku Klus Klan, empunhavam bandeiras, tochas, capacetes e escudos e, de forma provocadora, cercaram os contra-manifestantes de vários grupos de esquerda, que contestavam a marcha da extrema-direita racista e anti-semita. Durante os confrontos um automóvel abalroou um grupo de pessoas provocando pelo menos um morto e 19 feridos.
As autoridades estaduais declararam o estado de emergência na cidade e a partir de New Jersey onde se encontrava, pudemos ver o Donald a condenar os incidentes e a criticar a violêrncia “dos dois lados”. Esta declaração de Donald Trump suscitou muita indignação nos Estados Unidos, incluindo a de alguns destacados políticos republicanos, pois o Donald não assumiu uma clara posição contra os grupos de extrema-direita assumidamente fascistas e neo-nazis que, segundo alguns observadores, lhe terão dado grande apoio eleitoral.
Na edição que hoje foi posta a circular, a conceituda revista inglesa The Economist ilustrou a sua capa com uma caricatura do Donald a gritar com um megafone que não é outra coisa que um gorro da Ku Klus Klan e destacou que “Donald Trump não compreende o que significa ser presidente”, perguntando se valerá a pena aos republicanos continuar a apoiar este outsider da política que se tem mostrado tão incapaz de exercer o seu cargo.
Realmente, com este Donald o mundo é mais inseguro e até os Estados Unidos tendem a tornar-se politicamente instáveis. Porque é que ele não vem a Portugal aprender a ser Presidente?