quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Airbus e Boeing: Europa vence a América

Num período em que a França tem estado sob grande tensão social, quer pela acção dos coletes amarelos, quer pelas greves patrocinadas pelos sindicatos que contestam o plano para unificar o sistema de pensões, os franceses tiveram agora uma notícia que lhe alimenta a auto-estima e o orgulho nacional: a Airbus entregou 863 aviões em 2019 e tornou-se o principal fabricante de aeronaves do mundo, muito à frente da sua rival Boeing, que está a sofrer os efeitos da crise desencadeada pelo Boeing 737MAX, que está proibido de voar e tem a sua produção interrompida. A dimensão do resultado obtido pela Airbus assume maior expressão quando comparada com a Boeing que, de Janeiro a Novembro de 2019, entregou “apenas” 345 aviões.
A produtividade da Airbus aumentou 7,9% em relação a 2018 mas, apesar do esforço feito, a construtora europeia não conseguiu atingir o seu ambicioso objectivo de fazer entre 880 e 890 entregas em 2019. Entretanto, na sua carteira de encomendas estão registados cerca de seis mil pedidos de unidades para satisfazer, o que é um recorde sem precedentes na história da indústria aeronáutica.
Porém, este sucesso da Airbus não resulta apenas da crise por que passa o seu rival mas é, também, uma consequência da sua acertada gestão que descentralizou a produção de Toulouse para Mobile nos Estados Unidos, passando por Tianjin na China e por Hamburgo na Alemanha.
O jornal La Dépêche que se publica em Toulouse, a cidade onde estão os cérebros europeus que enfrentaram (e parece terem vencido) a indústria aeronáutica americana, dedica hoje a sua primeira página a este nº1 mundial. No domínio da tecnologia aeronáutica, a Europa vence a América e, para o Donald, esta notícia deve ser aterradora, até porque é mais uma realidade que mostra que o seu slogan make America great again não está a resultar.

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