No dia 29 de
Setembro escrevemos aqui que a independência da Catalunha ficava adiada e que nenhum país
europeu apoiava a Catalunha porque,” em maior ou menor grau, todos têm as suas
próprias catalunhas na Escócia, na Flandres, na Córsega, na Sardenha e em
tantos outras regiões americanas, russas ou chinesas”.
De facto, assim está a acontecer,
sucedendo-se as declarações de apoio à unidade da Espanha. Hoje, os jornais
espanhóis, como por exemplo o elPeriódico, destacam as declarações
de Jean Claude Juncker, o presidente da Comissão Europeia, que veio agora tomar
posição e afirmar que não quer “uma União Europeia de 98 países dentro de 15
anos”, que não apoia a pretensão da Catalunha e quer evitar o contágio
independentista.
Um dos principais objectivos da União
Europeia é a coesão económica, social e territorial, assim como a solidariedade
entre os seus Estados-membros para promover o seu desenvolvimento harmonioso, a
redução das disparidades e o atraso das regiões menos favorecidas. Por isso, no
caso da Catalunha, a par de uma legítima aspiração histórica, está a uma vontade
egoista de pagar menos e de ser menos solidária, o que contraria o espírito da
União Europeia.
Porém, essa falta de solidariedade não
é apenas catalã. Todos nos lembramos das declarações de Jeroen Dijsselbloem, o presidente do Eurogrupo, quando
criticava os países do sul e, hoje mesmo, a imprensa refere a
realização no próximo dia 22 de Outubro de referendos na Lombardia (região de
Milão) e no Véneto (região de Veneza), que são as mais ricas regiões de Itália,
alegadamente para conseguirem maior autonomia financeira em relação ao governo
de Roma, mas o facto é que o virus independentista no norte da Itália apenas
está adormecido.
Quanto à Catalunha, a incerteza
continua. Desde o dia 1 de Outubro, houve mais de cinco centenas de empresas que
já mudaram a sua sede para fora da Catalunha, mas as linhas mais radicais de
apoio à independência continuam activas e a pressionar Carles Puigdemont.
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