terça-feira, 23 de dezembro de 2025

França vai mostrar mais músculo em 2038

A França é o maior país da União Europeia em área e o terceiro maior do continente europeu, só superado pela Rússia e pela Ucrânia, sendo também a segunda maior economia da União Europeia e a sétima do mundo, destacando-se nos sectores da agricultura, aeroespacial, moda e turismo. O país costuma ser considerado o berço da moderna cultura europeia e a cidade de Paris continua a ser a classificada como a Cidade-Luz, pelo seu património, pela sua história e pelo seu luxo, daí resultando que os quase 70 milhões de franceses continuem com o seu chauvinismo de origem napoleónica, ou com um exagerado nacionalismo, considerando-se superiores aos outros europeus.
Porém, a França acumulou muitas derrotas nos últimos dois séculos nas suas guerras com os ingleses, os russos, os alemães, os vietnamitas, os argelinos e outros, mas através de Emmanuel Macron – que não tem o prestígio de Charles de Gaulle, nem de François Mitterrand – tudo faz para ter um estatuto de liderança europeia, o que os alemães e os ingleses não lhe facilitam.
No actual contexto mundial de quase-guerra-fria, o presidente Emmanuel Macron afirmou que “nesta era de predadores precisamos de ser fortes para sermos temidos” e tomou a decisão de mandar construir um porta-aviões “para a França mostrar os seus músculos” e para substituir o porta-aviões Charles de Gaulle, que está ao serviço desde 1994. O novo porta-aviões estará pronto em 2038 e custará 10 mil milhões de euros, o que está a causar muita controvérsia, segundo anuncia a edição de hoje do jornal La Dépêche du Midi.

sábado, 20 de dezembro de 2025

Conversar é preciso, morrer não é preciso

Na sua edição de hoje o jornal The Irish Times, que se publica em Dublin e é considerado o mais influente diário irlandês, insere na sua primeira página um interessante texto de opinião assinado pelo jornalista Jack Power, o correspondente do jornal em Bruxelas. Nesse texto intitulado “Europe may seek direct talks with Russia”. Power escreveu que “os líderes europeus estão a considerar a reabertura de uma linha directa de diálogo com a Rússia, acabando com o efectivo silêncio diplomático de quatro anos, numa tentativa de evitar a sua marginalização nas negociações para acabar com a guerra na Ucrânia”. A ser assim, finalmente, ficaria aberta uma porta que nunca deveria ter sido fechada pela cegueira política de alguns dirigentes europeus míopes e incultos, como Boris Johnson, Ursula von der Leyen e Mark Rutte que, cada um deles à sua maneira, convenceram Zelensky que podia ganhar a guerra e que teria ajuda “o tempo que for preciso”.
Actualmente, as propagandas não nos permitem conhecer a realidade no terreno, nem o andamento das negociações entre Trump e Putin, nem o envolvimento de Zelensky, mas parece evidente que os líderes europeus deixaram de ser ouvidos e respeitados. Apesar disso, na recente cimeira de Bruxelas conseguiram disfarçar as suas diferenças de opinião e concordar com um empréstimo de 90 mil milhões de euros para apoiar a guerra da Ucrânia contra a Rússia, no qual não participarão a Hungria, a Eslováquia e a Chéquia. Uma vez que nem a União Europeia nem os seus estados-membros têm esse volume de capital disponível, a Comissão Europeia irá endividar-se nos mercados financeiros e emitirá obrigações de curto e longo prazo. Ninguém sabe se é possível ou não angariar esse volume de capital, nem quem o vai pagar porque, disse António Costa, “a Ucrânia apenas vai pagar este empréstimo quando a Rússia pagar as reparações de guerra”. Foi uma fuga para a frente...
O melhor é mesmo seguir o conselho de Jack Power e do jornal The Irish Times, ou seja, é preciso conversar porque morrer não é preciso!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

DT, VP, a Ucrânia e o "ataque à Europa"

Estão quase a completar-se quatro anos desde que começou a guerra na Ucrânia, embora haja muita gente que entende que esse conflito começou em 2014, ou mesmo em 1990. As primeiras tentativas de cessar-fogo aconteceram em Março e Abril de 2022, menos de um mês após o início da invasão russa, em que os representantes dos dois países se reuniram em Istambul pelo menos sete vezes, para negociar o cessar-fogo e a paz. Nessa altura, os russos não exigiam territórios, mas apenas garantias de segurança nas suas fronteiras, a neutralidade permanente da Ucrânia e a sua não-entrada na NATO, a recusa de tropas estrangeiras no seu território e a possibilidade de adesão ucraniana à União Europeia, se o país o desejasse. Então, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson foi a Kiev no dia 9 de Abril de 2022 para persuadir Zelensky a prosseguir a sua luta “até à derrota da Rússia” e impedindo-o de assinar o acordo de paz com a Rússia. Estava escolhido o caminho da guerra e a escalada belicista, com muitos milhares de mortos, milhões de refugiados, muitas cidades destruídas e a crescente militarização da Europa.
A partir de então, a guerra intensificou-se, os mass media colocaram-na nas suas agendas e surgiram os inúmeros comentadores televisivos alinhados com a ideia de guerra, enquanto aqueles que defendiam a paz passaram a ser considerados putinistas. As notícias da guerra, verdadeiras ou falsas, passaram a inundar o nosso quotidiano, agora amplificadas pelas posições belicosas de Emmanuel Macron, Mark Rutte, Ursula von der Leyen, Kaja Kallas e outros estrategas. A histeria instalou-se e só falta ressuscitar a famosa comédia "vêm aí os russos". Enquanto isto, apareceu Donald Trump, que tem hostilizado todos esses líderes europeus e que, movido por interesses económicos e outros, se mostra em sintonia com Putin que, naturalmente, quer agora muito mais do que queria em 2022.

Na sua mais recente edição, a capa da revista Der Spiegel mostra “dois vilões e um objectivo [de atacar a Europa]”, isto é, mostra Putin a retalhar a União Europeia com o apoio e o sorriso de Trump.

É evidente que ninguém pensa no povo ucraniano e que cada uma das personalidades que, no ocidente e no oriente, dizem defender a Ucrânia, apenas pensam nos seus próprios interesses. Pobres ucranianos!

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

A tragédia australiana de Bondi Beach

Em Bondi Beach, a praia mais conhecida de Sydney, dois homens armados com espingardas atiraram de forma indiscriminada sobre a multidão de várias centenas de pessoas que participava numa das mais importantes celebrações judaicas. Era domingo, a praia estava cheia e, naturalmente, gerou-se o pânico e aconteceram actos de terror, como anunciou a edição de ontem do jornal The Camberra Times. Naquelas dramáticas circunstâncias, um homem chamado Ahmed al Ahmed, de 43 anos de idade e dono de uma frutaria em Caringbah South, aproximou-se de um dos atiradores e, com notável sangue-frio e muita coragem, conseguiu imobilizá-lo e desarmá-lo, evitando dessa forma que houvessem muito mais vítimas, para além dos 16 mortos e 40 feridos que a tragédia provocou. Esta acção de Ahmed al Ahmed foi filmada por vários moradores e isso fez com que fosse considerado um “herói genuino”. 
O trágico incidente emocionou a Austrália e, embora tenha acontecido a cerca de 18.000 quilómetros de distância, também foi notícia em Portugal, por se tratar de mais um acto de extrema barbaridade, como muitos outros que parecem estar a aumentar no mundo, pelas mais diversas razões.
Neste caso de Sydney há duas singularidades: a primeira foi o facto de ter sido a atitude corajosa de um árabe, emigrante sírio, que poupou muitas vidas de elementos da comunidade judaica de Sydney, enquanto a segunda mostra que “quem semeia ventos colhe tempestades”, ou que há muita gente no mundo que não esquece a violência e a crueldade do regime extremista de Netanyahu, que destruiu Gaza, que matou milhares de palestinianos inocentes e que atacou os árabes do Líbano e da Síria.
A tragédia de Bondi Beach deve ser repudiada universalmente, embora a retaliação seja uma arma que todos usam.

domingo, 14 de dezembro de 2025

Será possível “the end of the alliance”?

O presidente Donald J. Trump assinou, em data muito recente, um documento de 33 páginas intitulado National Security Strategy of the United States of America, que refere explicitamente que se trata de uma estratégia concreta, que combina ends and means, ou objectivos e recursos, como costumamos dizer em português.
Começando com um elogio a si próprio e à sua política MAGA (Make America Great Again), Donald Trump afirma que nenhuma administração na história dos Estados Unidos conseguiu uma reviravolta tão dramática em tão pouco tempo, criticando a Europa e dando vantagens diplomáticas à Rússia. Segundo aquele documento relativo à segurança nacional dos Estados Unidos, caso as tendências actuais se mantenham, a Europa será “irreconhecível em 20 anos ou menos” e, em declarações posteriores, classificou os países europeus como “fracos” e “decadentes”, criticando duramente os governos europeus pelo seu apoio à Ucrânia, culpando as "autoridades europeias que mantêm expectativas irrealistas sobre a guerra" e por obstaculizarem um acordo de paz.
Muitos comentadores têm salientado um progressivo afastamento dos Estados Unidos da Europa, embora Donald Trump afirme que quer “ajudar a Europa a corrigir a sua actual trajectória” e que o seu país “está sentimentalmente ligado à Europa, sobretudo à Grã-Bretanha e à Irlanda”.
Na sua edição mais recente, a revista The Week que se publica em Nova Iorque, destaca na sua primeira página uma significativa ilustração em que Donald Trump dá substância ao MAGA, com uma manchete em que questiona se estamos no “end of the alliance?” e com um abraço à bandeira da Rússia, deixando para segundo plano as bandeiras da NATO e da União Europeia, mas também a Torre Eiffel, o palácio de Westminster com o Big Ben e o Coliseu de Roma, isto é, alguns dos símbolos da Europa.
São coisas muito difíceis de entender...

sábado, 13 de dezembro de 2025

Portugal será a economia do ano de 2025?

A mais recente edição da prestigiada revista inglesa The Economist tem sido muito citada em Portugal porque o nosso país foi considerado como “a economia do ano de 2025” num artigo intitulado Which economy did best in 2025?.
Diz o texto que podia ter sido muito pior, porque foi em Abril que Donald Trump começou a sua trade war e temeu-se então por uma recessão global que não aconteceu. O crescimento global da economia foi de cerca de 3%, semelhante ao do ano anterior, o desemprego continuou baixo, o mercado acionista esteve em alta e só a inflação suscitou alguma preocupação. O método utilizado para a escolha combina cinco indicadores de 36 mostly rich countries – inflação, amplitude da inflação, produto, emprego e mercado acionista.
A revista faz a escolha da “economia do ano” pelo quinto ano consecutivo e os vencedores foram a Grécia em 2022 e 2023, a Espanha em 2024 e agora Portugal, o que não deixa de ser estranho, até porque dessa lista fazem parte, entre outros, o Canadá, a Noruega, a Suécia, o Reino Unido, a Áustria e a Nova Zelândia. A escolha de Portugal que a revista considera as sweet as a pastel de nata, baseia-se nos indicadores indicados e nos efeitos do turismo e na fixação de estrangeiros devido à baixa fiscalidade. Portugal será mesmo a economia do ano de 2025? Os meus olhos dizem que não... enquanto The Economist diz que sim.
A mesma revista inclui uma reportagem sobre Europe’s Populist Right – Can they be stopped?, tendo escolhido para ilustrar a capa desta edição uma montagem fotográfica com as imagens de alguns dos principais símbolos da direita populista europeia, tais como Jordan Bardella, Nigel Farage, Marine Le Pen, Giorgia Meloni e Alice Weidel.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Um holandês que é o “palerma do ano”

É costume no mês de Dezembro de cada ano que algumas instituições atribuam prémios e distinções a personalidades que se distingam e daí que no mundo sejam conhecidos os prémios Nobel, os Óscares de Hollywood ou os The Best da FIFA, enquanto em Portugal é atribuído o prémio Pessoa, o Prémio Leya e dezenas de outros prémios artísticos e literários. Porém, há muitos outros prémios que distinguem os melhores nisto e naquilo que, nesta época do ano, enchem os noticiários internacionais.
Porém, se houvesse um prémio internacional para “o palerma do ano” ele seria certamente para Mark Rutte, o holandês que é o secretário-geral da NATO, pelas afirmações incendiárias que tem feito desde o dia em que, miseravelmente, se sabujou a Donald Trump, ao desfazer-se em elogios pela exigência de aumento da despesa militar e dizendo-lhe: “a Europa vai pagar à grande e será uma vitória tua”. O palerma do Mark atribui-se a si próprio uma importância que não tem e não se cansa de misturar a NATO com a UE, quando há dez países que pertencem à NATO mas que não pertencem à UE.
Em declarações recentes o Mark veio dizer que “nunca a ameaça de guerra foi tão sombria como agora”, que “a Europa é o próximo alvo da Rússia” e que já estamos em perigo, embora não seja essa a posição dos Estados Unidos que pretendem que a Rússia seja reintegrada na economia mundial e volte a fazer parte do G8.
Na sua edição de hoje o jornal inglês The Independent destaca em título de primeira página uma frase-propaganda de Mark Rutte – “devemos estar preparados para a guerra como os nossos avós suportaram” – sem que tenha qualquer base sólida para fazer essa afirmação que, naturalmente, está alinhada com os interesses das indústrias do armamento que ele objectivamente representa e em oposição aos interesses dos europeus que querem a paz, como tem revelado o Eurobarómetro.
Mark Rutte quer a guerra e, por isso, é mesmo o palerma do ano.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

A paz na Ucrânia está difícil de atingir

A situação que se vive na Ucrânia é muito complexa e a tragédia da guerra iniciada em 24 de fevereiro de 2022 continua – já lá vão 1.384 dias e muitos milhares de mortos –sem que se vislumbre um cessar-fogo, apesar dos planos de paz apresentados pelos americanos que as partes ucraniana e russa quase aceitam, mas que os líderes europeus sempre rejeitam.
O primeiro plano de paz de Donald Trump para a Ucrânia que foi conhecido no dia 21 de novembro constava de 28 pontos, sendo reconhecido que favorecia largamente os propósitos de Putin. No seu ponto 3, esse plano dizia: “Espera-se que a Rússia não invada os países vizinhos e que a NATO não proceda a mais alargamentos”.
Este ponto parece ser um dos “ossos mais difíceis de roer” e as dezenas de comentadores que nos entram em casa todos os dias nunca o mencionam, isto é, quando os russos de Gorbachov aceitaram “a perda da RDA e a reunificação alemã” em 1990, tiveram a garantia de que a NATO não se alargaria para oriente. Porém, isso não aconteceu e, desde então, a NATO passou de 16 para 32 membros, pelo que a Rússia se considerou humilhada.
Com a chegada de Donald Trump à Casa Branca os dados do problema alteraram-se e os Estados Unidos parecem comportar-se como aliados da Rússia e adversários da Europa. A pressão de Trump sobre Zelensky é enorme mas, como ontem salientava o jornal The Guardian, estamos num “momento crítico”, pois “os líderes europeus unem-se em apoio à Ucrânia”, numa altura em que a National Security Strategy of the United States, recentemente enunciada em apenas 33 páginas, é bem clara ao enunciar o “declínio económico e o apagamento civilizacional da Europa” e ao colocar a Europa e a NATO em segundo plano, para além de avisar que “em poucas décadas alguns membros da NATO serão maioritariamente não-europeus e terão outras alianças diferentes daquelas que tinham quando aderiram à NATO.
Portanto, o braço de ferro na Ucrânia está a acontecer, mais entre americanos e europeus e menos entre russos e ucranianos. As voltas que estas coisas dão...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

A evocação dos 84 anos de Pearl Harbor

Desde o fim da 2ª Guerra Mundial que os Estados Unidos são a maior potência mundial, um estatuto que resultou da sua participação vitoriosa nesse conflito, em que morreram cerca de 405 mil militares americanos.
Para os Estados Unidos a guerra começou às primeiras horas da manhã do dia 7 de dezembro de 1941, quando a aviação da Marinha Imperial japonesa atacou de surpresa a Base Naval de Pearl Harbor, nas ilhas Hawai, onde se encontravam cerca de 87 mil militares, dos quais morreram 2.400. 
Foi há 84 anos e ontem, em Honolulu, durante o 84th Pearl Harbor Remembrance Day Ceremony, esse dia foi evocado com solenidade e nessa evocação estiveram presentes três veteranos de guerra centenários, cuja fotografia foi hoje publicada na primeira página do jornal The Wall Street Journal.
Porém, nenhum dos doze sobreviventes do ataque de 1941 compareceu à cerimónia, pois nenhum deles conseguiu deslocar-se ao Hawai. Todos os anos, à excepção do ano de 2020 por causa da covid-19, os sobreviventes desse dia trágico deslocavam-se a Honolulu para tomar parte nas cerimónias evocativas, inclusive no ano passado, em que dois deles ainda estiveram em Honolulu apesar da sua muito avançada idade.
Este ano estiveram presentes mais de três mil pessoas nas cerimónias evocativas realizadas, incluindo familiares de alguns dos militares que morreram nesse dia, mas também alguns cidadãos japoneses sobreviventes da bomba atómica lançada sobre Nagasaki, que estavam de visita à ilha de Oahu.
O tempo tem a virtude de apagar muitas feridas, mesmo quando são muito dolorosas. Assim aconteceu com americanos e japoneses, com alemães e franceses e, terá de acontecer com russos e ucranianos.

sábado, 6 de dezembro de 2025

A cooperação Índia-Rússia está em alta

Os presidentes Vladimir Putin e Narendra Modi, encontraram-se durante dois dias em Nova Delhi e de acordo com o título da edição de hoje do jornal The New Indian Express, a Índia e a Rússia “avançam rapidamente”, tendo concordado em expandir e ampliar o comércio e fortalecer a amizade entre os dois países.
O líder russo teve um primeiro momento de glória com a recepção que teve à chegada à capital indiana, com “uma cavalgada, salvas de canhões e uma sala do trono de mármore”, o que mostrou que não têm resultado os esforços europeus para transformar Putin num perigoso pária por ter invadido a Ucrânia, tal como não tinham resultado nas visitas que fez a Pequim e a Anchorage.
Foi a primeira visita de Putin à Índia desde a invasão da Ucrânia em Fevereiro de 2022, com o fim de reforçar a sua aliança comercial e de defesa com a Índia e, segundo relatou a imprensa, foram assinados múltiplos acordos, de que resultarão o fornecimento ininterrupto de combustível, a cooperação nuclear e um ambicioso plano de cooperação económica e de trocas comerciais.
A Índia é a maior compradora de armamento russo, mas nada foi dito sobre os aviões furtivos Su-57, nem sobre o sistema de defesa antiaéreo russo de longo alcance S-400, o que não quer dizer que não tenha havido acordos.
Vladimir Putin sentiu-se entre amigos e tratou de afirmar que irá anexar todo o Donbass “pela força das armas” ou pelo abandono das tropas ucranianas. Quando souberam destas declarações, os amigos europeus de Zelensky devem ter ficado petrificados, enquanto os esforços de Donald Trump para encontrar uma solução para o conflito terão ficado perturbados por este desafio de Putin. O facto é que, como aqui se tem dito, os povos asiáticos estão a emergir em todos os domínios na comunidade das nações.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Uma “tempestade perfeita” na Venezuela

A Venezuela é governada desde 2012 por Nicolás Maduro Moros, um homem de elevada estatura, elevada arrogância e elevado autoritarismo. Começou por assumir a presidência interina do país após a vitória eleitoral de Hugo Chávez, devido à grave doença do presidente eleito que veio a falecer em março de 2013. No mês seguinte, Maduro conseguiu vencer as eleições presidenciais e tornar-se o 57º presidente da República Bolivariana da Venezuela. Cinco anos depois Maduro foi reeleito, embora o resultado das eleições de 2018 não tivesse sido reconhecido, tanto pela oposição, como pela generalidade da comunidade internacional que, desde então, o têm considerado um presidente ilegítimo e o consideram um ditador.
O país vive atrofiado pelo autoritarismo e pela repressão praticados pelo regime e, segundo é regularmente noticiado nos media, a Venezuela está em declínio socioeconómico, com aumento dos problemas políticos e sociais, incluindo o aumento da pobreza, da inflação, da criminalidade e da fome, mas também o crescimento descontrolado do narcotráfico. O ataque ao narcotráfico foi o pretexto que levou Donald Trump a restaurar a Doutrina Monroe, que tendo sido enunciada em 1823, tinha por lema “a América para os americanos”. Assim, há uma escalada na tensão entre os Estados Unidos e a Venezuela, estando a acontecer uma intensa movimentação militar americana para aquela região, tendo Donald Trump já anunciado que vai haver “ataques americanos contra alvos no interior da Venezuela”, o que é muito preocupante, sobretudo para os venezuelanos.
Perante este quadro, o jornal Diario 2001, que se publica em Caracas, dedica toda a manchete da sua edição de hoje à jovem Clara Vegas Goetz, que foi eleita Miss Venezuela em representação do estado de Miranda e que é “un orgullo para su mamá la también Miss Venezuela 1990 Andreina Goetz”.
Clara estará em Porto Rico no próximo ano e espera-se que seja “la octava corona universal para Venezuela”. 
Quando a situação venezuelana parece configurar uma “tempestade perfeita” que ameaça desabar sobre o país, os venezuelanos e a sua imprensa pensam nas misses 

domingo, 30 de novembro de 2025

Memória de um dia trágico em Hong Kong

Quatro dias depois do trágico incêndio no bairro social Wang Fuk Cour, na zona de Tai Po, nos Novos Territórios de Hong Kong, estão contabilizados 128 mortos e mais de duzentos desaparecidos, segundo anuncia o jornal hojemacau, que publica na sua capa uma impressionante fotografia das torres calcinadas.
Hong Kong e Macau são territórios separados por cerca de 60 quilómetros de distância e ambas são Regiões Administrativas Especiais da República Popular da China, pelo que tudo o que acontece numa delas interessa à outra e daí que o incêndio de Tai Po tenha ocupado as manchetes da imprensa macaense durante alguns dias.
O bairro social Wang Fuk Cour foi construído nos anos 80 do século passado, é constituído por oito torres com cerca de 30 andares com um total de 1.984 apartamentos, nele vivendo cerca de quatro mil pessoas. Estava em trabalhos de manutenção e terá sido por negligência das equipas que nele trabalhavam que deflagrou o pavoroso incêndio que foi possível ver em directo pela televisão, com os bombeiros a procurar extinguir o fogo e a tentar resgatar muitos residentes que estavam retidos nos seus apartamentos.
Certamente que as autoridades de Macau mas também das cidades de todo o mundo onde existem este tipo de torres residenciais, aprenderão a lição desta tragédia para reforçar as necessárias medidas de segurança.

sábado, 29 de novembro de 2025

A Ásia a avançar e a Europa a regredir

A edição de hoje do jornal The Times of India destaca na sua primeira página duas importantes notícias que deveriam ser lidas por todos os líderes europeus: uma refere-se ao crescimento de 8,2% da economia indiana no 2º trimestre de 2025 (Q2), o mais elevado dos últimos seis trimestres e, a outra, destaca o próximo encontro entre Modi e Putin que se vai realizar em Nova Delhi nos próximos dias 4 e 5 de Dezembro.
Relativamente à economia, a recente divulgação das 244 páginas do European Economic Forecast - Autumn 2025, dizem-nos quase tudo. As estimativas para o crescimento económico em 2025 são bem modestas, com 1,4 % para a União Europeia, 1,8% para os Estados Unidos, 0,8% para a Federação Russa, 0,2% para a Alemanha, 0,7% para a França, 1,4% para o Reino Unido e 1,9% para Portugal, enquanto para a China são 4,8% e para a Índia 6,8%. É caso para dizer “palavras para quê”, se estes números evidenciam um dinamismo e um progresso asiático bem diferentes do declínio ocidental.
A outra notícia anuncia o encontro de dois dias entre Vladimir Putin e Narendra Modi para a cimeira anual Rússia-Índia e, entre outros memorandum of understanding (MoU) a negociar, encontram-se o possível fornecimento do sistema de defesa antiaéreo russo de longo alcance S-400 e de aviões furtivos Su-57, o que significa que não é só na economia que este mundo se está a desequilibrar. 
Porém, os líderes europeus continuam a visitar-se mutuamente e a fazer cimeiras presenciais, ou em videoconferência, envolvidos naquela “vaidade a quem chamamos fama”, ignorando que o mundo já mudou e que a nossa Europa é cada vez mais irrelevante.
A Ásia a avançar e a Europa a regredir. Esta parece ser a nova realidade geopolítica.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Portugal é campeão do mundo de futebol

Ontem foi um dia de grande festa e de regozijo nacional porque a selecção portuguesa de futebol triunfou no FIFA U-17 World Cup, isto é, o Campeonato do Mundo de Futebol Sub-17 da FIFA disputado no Qatar e tornou-se campeão do mundo de futebol, que é uma coisa que acontece poucas vezes e a muito poucos países.
Os portugueses que assistiram à final com a equipa austríaca ficaram eufóricos com o espectáculo a que assistiram e com o desempenho dos jovens futebolistas portugueses. A imprensa portuguesa refletiu essa euforia nas suas edições de hoje, publicando manchetes alusivas a esse “feito” desportivo e à “arte” dos atletas, designadamente na chamada “bíblia” do futebol, ou seja, o jornal A Bola.
Eram 48 equipas em competição e a selecção nacional portuguesa ultrapassou a Nova Caledónia (6-1), Marrocos (6-0), Japão (1-2), México (5-0), Bélgica (2-1) e Suiça (2-0). Chegou às meias-finais e encontrou-se com o Brasil (0-0), mas a lotaria dos penaltis foi-lhe favorável e chegou à final, que foi disputada ontem. O adversário era a equipa da Áustria, mas a equipa portuguesa triunfou por 1-0 e tornou-se campeã do mundo, como muito merecimento – digo eu que vi.
Uma vitória deste tipo no futebol tem um valor relativo, mas num país com tantos problemas na saúde, na educação, na habitação e na justiça, mas também com dificuldades em muitas outras áreas da nossa vida colectiva, este triunfo futebolístico e a forma como os jovens jogadores portugueses jogaram, cantaram o hino e empunharam a bandeira nacional, é um forte contributo para aumentar a nossa auto-estima e para reforçar a coesão nacional, mas também para que alguns países estrangeiros nos olhem com um olhar mais atento e menos sobranceiro.
Aqui fica o justo aplauso aos nossos campeões do mundo!

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Uma grande catástrofe em Hong Kong

Um incêndio de enormes proporções, considerado o mais mortífero na história de Hong Kong, deflagrou ontem no bairro social Wang Fuk Court, construído nos anos 80 do século passado, que é constituído por oito torres com cerca de trinta andares, com 1.984 apartamentos onde se estima que viviam cerca de 4.000 pessoas. 
O jornal South China Morning Post, que é o principal jornal da antiga colónia inglesa, dedicou toda a primeira página da sua edição de hoje ao catastrófico incêndio, informando que havia “36 mortos e 279 desaparecidos”, mas as notícias mais recentes já referem “94 mortos e quase 300 desaparecidos”.
Embora ainda não se conheçam as causas do trágico incêndio, tudo aponta para uma grosseira negligência de alguns trabalhadores que vinham realizando trabalhos de manutenção em algumas daquelas torres, pois foram descobertos materiais inflamáveis e esponjosos que arderam rapidamente, que libertaram fumos tóxicos e que propagaram o fogo pelos sucessivos andaimes em estruturas de bambu, que apoiavam os trabalhos de manutenção que estavam a ser realizados. O fogo propagou-se rapidamente às outras torres e a acção dos bombeiros revelou-se ineficaz.
Segundo foi declarado, tudo correu mal, pois não foram audíveis quaisquer sinais de alarme e não terão sido atendidas as reclamações de muitos moradores contra os trabalhos que decorriam nos prédios que alegaram falta de segurança.
As imagens televisivas desta catástrofe foram impressionantes e lembraram os ataques às torres gémeas de Nova Iorque, acontecidos no dia 11 de setembro de 2001.