sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

A coragem curda e a traição do Ocidente

O Curdistão é uma região do Médio Oriente que constitui “a maior nação sem Estado do mundo” e que se estende por uma área semelhante à da Espanha, distribuindo-se por territórios que pertencem à Turquia, ao Irão, à Síria e ao Iraque. Nessa área vivem mais de 30 milhões de seres humanos, étnica e culturalmente curdos, mas com nacionalidades turca, iraniana, síria ou iraquiana.
O Curdistão era uma região dominada pelo Império Otomano mas com o desmembramento que se verificou depois da Primeira Grande Guerra, a “terra dos curdos” foi dividida entre os quatro países que ainda a ocupam.
A partir de meados do século XX, têm-se sucedido rebeliões curdas “nos seus territórios”, reclamando a autonomia e a liberdade cultural, mas também a independência política, mas essa reivindicação de criação de um Estado curdo tem tido forte oposição dos governos da região que reprimem os separatistas com violência, mas também a indiferença da comunidade internacional e das grandes potências.
A título de exemplo, refira-se o que aconteceu com o regime iraquiano de Saddam Hussein que lançou um ataque de armas químicas sobre uma cidade curda, com o que aconteceu com a guerra santa que o ayatollah Khomeini declarou aos curdos e o que tem acontecido regularmente com a violenta repressão aos curdos feita pelo regime turco de Recep Erdoğan. No caso da guerra da Síria e da luta contra o Daesh, todos reconhecem que foi o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) e as famosas e corajosas YPJ (Unidades de Protecção Feminina) que mais apoiaram as forças dos Estados Unidos.
A mais recente edição da revista francesa Le Point trata do problema dos curdos e, para título dessa reportagem escolheu, e muito bem, "a traição do Ocidente".

Sem comentários:

Enviar um comentário