segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Donald Trump não tem limites: vale tudo

Poder, dinheiro e petróleo são conceitos que se articulam entre si e que bem definem o ambicioso perfil de Donald Trump, que desobedece a todos os princípios internacionais para se apoderar do petróleo venezuelano. A ansiedade domina a América Latina com esta “guerra por el crudo” como anuncia o jornal Expreso, que se publica em Lima.Foi há quase um mês que Trump classificou o governo de Nicolás Maduro como uma “organização terrorista estrangeira”, acusando-o de “terrorismo, tráfico de drogas e tráfico de pessoas” e decretando o bloqueio “total e completo” de todos os petroleiros que entrassem ou saissem da Venezuela. A partir de então o pretexto para intervir na Venezuela já não foi “o tráfico de drogas para os Estados Unidos”, supostamente encabeçado por Nicolás Maduro, mas apenas o petróleo. Petróleo, petróleo, petróleo, como cantaria Liza Minnelli, numa qualquer versão moderna do filme musical Cabaret.Tanto a ONU como a americana Drug Enforcement Administration (DEA) já tinham afirmado que o papel da Venezuela na entrada de drogas nos Estados Unidos era insignificante e, por isso, a frase “devolvam o petróleo que nos roubaram” denunciou toda a ambição e falta de princípios de Donald Trump.No dia 10 de dezembro já tinha sido abordado e apreendido o petroleiro Skipper no mar das Caraíbas e, no dia 20, foi apresado o petroleiro Centuries, de bandeira panamiana, ambos pertencentes à chamada “frota fantasma”. No dia 7 de janeiro foi apresado o petroleiro Marinera (ex.Bella 1) que exibia bandeira russa e navegava no Atlântico Norte. No dia 9 foi interceptado no mar das Caraíbas o petroleiro Olina, que envergava a bandeira de Timor-Leste e, no mesmo dia, os americanos disseram ter apreendido um petroleiro chamado Sophia, sem nacionalidade, que também se encontrava em águas internacionais no mar das Caraíbas.Skipper, Centuries, Marinera, Olina ou Sophia são apenas nomes, verdadeiros ou falsos de petroleiros da chamada “frota fantasma” e cujo apresamento constitui violação do direitointernacional e da Carta das Nações Unidas. Para Donald Trump vale tudo e, como de costume, os líderes europeus assobiam para o lado. Uma tristeza.

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