quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Um novo ano de 2026 com paz e progresso

Hoje é o último dia do ano de 2025, mas enquanto muitos jornais fazem balanços dos últimos doze meses, uma coisa que nos faz lembrar algumas guerras, várias tragédias e muita crueldade, há outros jornais que optam por simplesmente desejar um Bom Ano novo aos seus leitores. É o caso do Diario de Burgos, o principal jornal da histórica cidade de Burgos, que pertence à Comunidade Autónoma de Castilla y Léon, cuja capital é Valladolid e que é a maior das 17 comunidades espanholas em área territorial, isto é, maior do que Portugal.
O jornal publica uma fotografia da imponente catedral de Burgos e do casario da cidade, cobertas de neve numa imagem de serenidade, desejando Feliz 2026 aos seus leitores.
Também aqui, neste pequeno espaço da blogosfera que é a Rua dos Navegantes, se deseja que o mundo retome os caminhos da paz entre as nações e da harmonia entre os povos, que combata a pobreza, a doença e a desigualdade, que proteja os direitos de todos os seres humanos e que encontre soluções para se proteger das alterações climáticas que nos ameaçam. A vertigem belicista, que as televisões alimentam pouco responsavelmente e que reina um pouco por todo o mundo, conduz ao sofrimento, à destruição e não tem sentido, devendo dar lugar ao apaziguamento e à cooperação.
Nesta aldeia global em que todos vivemos e em que todos dependemos do outro, são os valores da paz, da liberdade, da democracia, da igualdade, da justiça social e da solidariedade que devem prevalecer sobre as pequenas questiúnculas do quotidiano, tanto nacional como mundial.
O povo simples tem razão quando, com a sua sabedoria, diz que “a falar é que a gente se entende” e, por isso, é preciso que aqueles que governam, tratem de falar para se entenderem e se deixem de egoísmos e de vaidades.
Aos meus leitores, aqui deixo votos de um feliz ano de 2026!

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

É o futebol que anima e dá alegria ao povo

O futebol é um dos fenómenos mais entusiasmantes do nosso tempo e mobiliza milhões de pessoas por todo o mundo, apesar de ter associadas inúmeras práticas que o transformaram num negócio pouco recomendável que envolve muito dinheiro, por vezes de origem duvidosa, que inclui muitos e poderosos interesses de natureza comercial e, mais recentemente, que serve de suporte para muitas actividades políticas. O fenómeno do futebol tende a ultrapassar tudo o que possa interessar a nossa comunidade e os políticos aproveitam essa oportunidade, como se o interesse público não fosse a saúde, a educação ou a justiça, mas tão só o futebol. Daí que vejamos o nosso primeiro-ministro, lamentavelmente, a incitar os portugueses a terem a mentalidade de CR7… A televisão é uma das máquinas que sustenta o negócio do futebol e, através das transmissões televisivas e do comentário, funciona como uma vacina que anestesia o povo, que ignora as negociatas da bola e que vai vibrando com os ídolos fabricados pelos chamados empresários e pelos treinadores.
Porém, como em tudo na vida, o homem é um ser cheio de contradições e eu que não gosto dessa face do futebol, gosto muito da sua outra face, isto é, a arte exposta “dentro das quatro linhas”, durante 90 minutos com o "esférico a rolar", com talentosos dribles e golos fantásticos, que muito nos animam.
Apesar de não ser essa a opinião da revista The Economist, nos últimos anos Portugal não se destacou no progresso económico e social, nem no funcionamento da justiça ou dos serviços de saúde, nem na qualidade de vida da população, nem na redução da pobreza, mas destacou-se no futebol. Foi campeão da Europa da UEFA em 2016, foi campeão do mundo da FIFA de sub-17 em 2025 e venceu duas das quatro edições da Liga das Nações da UEFA (2018-2019 e 2024-2025). É obra!
Na sua edição de hoje, o jornal Katowicki Sport que se publica na cidade polaca de Katovice, destaca que Portugal domina o futebol europeu e, em balanço do ano, apresenta uma fotografia da vitória portuguesa na Liga das Nações da UEFA de 2024-2025. 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

A Índia e o radicalismo de Narendra Modi

Poucas horas depois de aqui ter sido publicado um texto com o título A “dinastia Nehru” e a política na Índia, no qual se referia que a liderança do Partido do Congresso Nacional Indiano (INC) decidira, com o apoio de Sonia e de Rahul Gandhi, iniciar um movimento nacional de contestação à possível revogação de uma lei que apoia as camadas mais pobres e vulneráveis das comunidades rurais, mas que também visa a revitalização do INC e opor resistência ao radicalismo político e religioso do Partido do Povo Indiano (BJP), que vem governando a Índia desde 2014.
Na sua edição de hoje, o jornal The New York Times destaca na sua primeira página um texto intitulado ”Das Sombras ao Poder: como a Direita Hindu remodelou a Índia”, acompanhado de uma fotografia do primeiro-ministro Narendra Modi e de uma outra fotografia a três colunas de uma marcha de nacionalistas voluntários filiados no movimento Rashtriya Swayamsevak Sangh, ou RSS, fardados, equipados com um varapau e com postura militar. 
Este movimento é uma organização paramilitar radical de extrema-direita e representa a vertente mais extremista do nacionalismo hindu, perseguindo e matando muçulmanos e católicos e destruindo mesquitas e igrejas, pelo que é cada vez mais temido pelas minorias da Índia. 
Criado em 1925, o RSS procurou sem sucesso fazer da Índia uma nação hindu e sempre combateu o secularismo político e religioso herdado dos ingleses. Porém, na última década e sob o governo de Narendra Modi, que é um activo militante do RSS, muitos dos membros da organização passaram a ocupar o círculo do poder e a RSS atingiu uma enorme popularidade. A democracia indiana está em sério risco e os seus 200 milhões de muçulmanos e de católicos temem pelo futuro. 

R.I.P. Brigitte Bardot

Brigitte Bardot morreu ontem em Paris com 91 anos de idade e muitas dezenas de títulos da imprensa francesa e mundial escolheram a sua fotografia e frases de homenagem à famosa actriz francesa para manchete das suas edições de hoje. O jornal Le Parisien é apenas um desses jornais e classifica a actriz como a “éternelle BB”, mas as frases com que é homenageada pelos seus compatriotas são, por exemplo, “ícone rebelde”, “imortal”, “ícone do cinema”, “um mito para a eternidade”, “a musa do cinema francês” ou “a exportação mais sedutora da França”, mostrando o enorme apreço que os franceses tinham pela artista que foi um sex symbol dos anos 1960 e que quebrou convenções sociais, mas que também foi uma das marcas da luta pela emancipação da mulher e que, através do cinema, também muito contribuiu para a projecção da imagem da França no mundo. A morte de Brigitte Bardot também teve ampla repercussão na imprensa mundial, porque era um símbolo de uma época e de um país, tendo o jornal The Washington Times, que também noticiou a sua morte em primeira página, feito referência à “French femme fatale” que, como acertadamente salienta, foi um “fenómeno cultural”.
Em Março de 1960 a artista visitou Lisboa e eu recordo como muitas dezenas de alunos do meu liceu faltaram às aulas e foram ao aeroporto para ver ao vivo esse ícone da beleza e da juventude. Não se falava noutra coisa e vivia-se uma verdadeira BB-mania.
O último filme de Brigitte Bardot foi apresentado em 1973, quando tinha 39 anos de idade, tendo a partir de então passado a dedicar-se integralmente à defesa dos direitos dos animais.

A "dinastia Nehru" e a política na Índia

A Índia é o país mais populoso do mundo e a quinta potência económica mundial, sendo constituída por 28 estados federados e oito Union Territories
É considerada a maior democracia do mundo e, depois da sua independência que foi proclamada em 1947, passou a ser governada pelo Partido do Congresso Nacional Indiano (INC), sozinho ou em coligação. O mundo conheceu então “a dinastia de Nehru” que dominou a política indiana durante muitos anos, com os primeiros-ministros Jawaharlal Nehru, a sua filha Indira Gandhi e o seu neto Rajiv Gandhi.
Em 1980 foi criado o Partido do Povo Indiano (BJP), um partido de direita radical baseado no comunalismo e no nacionalismo hindus, com íntima ligação ao Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS), uma organização paramilitar com características fascistas. O BJP cresceu rapidamente, ganhou as eleições em vários estados e em 1996 chegou ao governo da Índia através de Atal Vajpayee.
Actualmente, o BJP governa 15 dos 28 estados indianos, o INC governa três e há ainda dez estados governados por coligações diversas, mas o BJP também tem a maioria no Parlamento (Lok Sabha) e tem Narendra Modi, seu militante e membro do RSS, como primeiro-ministro desde 2014. Muita gente na Índia, sobretudo muçulmanos e católicos, temem cada vez mais o radicalismo religioso e sentem-se ameaçados pelo BJP e pelo RSS.
Uma das mais recentes medidas de Narendra Modi é a tentativa de revogação da Lei Nacional de Garantia de Emprego Rural Mahatma Gandhi (MGNREGA), que apoia as camadas mais pobres e vulneráveis ​​das comunidades rurais. Segundo informa a imprensa indiana de hoje, nomeadamente o jornal The New Sunday Express, o Partido do Congresso vai lançar o movimento nacional “Salve o MGNREGA” a partir do próximo dia 5 de Janeiro, numa tentativa de sair da sua irrelevância política actual. Na cerimónia de apresentação desse movimento, estiveram Sonia Gandhi, a viúva de Rajiv Gandhi, e o seu filho Rahul Gandhi que é deputado no Lok Sabha. 
É a “a dinastia de Nehru” a reaparecer e a dar esperanças aos milhões de indianos que confiam na democracia secular instituída em 1947 por Jawaharlal Nehru.

sábado, 27 de dezembro de 2025

O Natal que se celebra no mundo islâmico

Um pouco por todo o mundo, a festa do Natal já ultrapassou o seu significado religioso há muito tempo e foi capturada pela lógica economicista e pelo consumismo, inclusive nos países e regiões dominadas pela religião muçulmana.
Assim acontece na Malásia, um país do sueste asiático que ocupa uma parte da península da Malásia e uma parte da ilha de Bornéu, com cerca de 36 milhões de habitantes e que, na sua quase totalidade, professam a religião muçulmana e cuja bandeira nacional inclui a lua crescente, o símbolo do Islão. 
Na sua história há muitas referências europeias, porque os portugueses ocuparam Malaca entre 1511 e 1641, depois os holandeses expulsaram os portugueses da região e, em finais do século XVIII, foram os ingleses que ali se estabeleceram, pelo que o país tem influências culturais malaias, europeias, chinesas e indianas. Porém, a Malásia tornou-se mais conhecida dos europeus através da literatura e do cinema de ficção, tratados nas aventuras do mais famoso pirata dos mares – Sandokan, o Tigre da Malásia – uma personagem criada em finais do século XIX por Emilio Salgari e que foi objecto de uma séria televisiva italiana que foi estreada em 1976, com grande sucesso pelos valores que promovia.
Hoje a Malásia é um país próspero. A sua capital é a cidade de Kuala Lumpur, localizada a cerca de 150 km para norte da antiga cidade portuguesa de Malaca, onde em paralelo com os edifícios coloniais se encontram modernos arranha-céus, o mais conhecido dos quais são as Petronas Twin Towers que, com 451 metros de altura, foram até há pouco tempo as torres mais altas do planeta.
Neste país publica-se diariamente um jornal em língua inglesa chamado The Star, a partir da cidade de Petaling Jaya. Na sua edição de ontem o jornal The Star – people’s paper, dedicou toda a sua primeira página ao Natal com a mensagem Merry Christmas & Happy New Year, o que num país marcadamente muçulmano é bem curioso e um quase paradoxo. 
Porém, os tempos que vivemos estão cheios de paradoxos…

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Leão XIV e o seu apelo à paz e à justiça

Ontem, a partir do balcão central da Basílica Vaticana, o Papa Leão XIV leu a primeira benção urbi et orbi do seu pontificado para desejar um feliz e santo Natal a todos e o jornal espanhol ABC publicou em manchete a fotografia do Papa e destacou as suas palavras a favor da paz, com a frase “haverá paz quando aprendermos a colocar-nos no lugar daqueles que sofrem”.
Leão XIV foi claro e disse que “se cada um de nós, a todos os níveis, em vez de acusar os outros, reconhecesse em primeiro lugar as próprias falhas, pedisse perdão a Deus e, ao mesmo tempo, se colocasse no lugar dos que sofrem, mostrando-se solidário com os mais fracos e oprimidos, então o mundo mudaria”. De facto, a actual geração de líderes mundiais e, especialmente os europeus, pode saber muito de Política, de Economia, de Finanças, de Direito, de Estratégia, de Tecnologias da Comunicação e de muitos outros saberes, podem fazer muitas cimeiras, deixar fotografar-se muito sorridentes, exibir as suas vaidades e narcisismos, mas poucos conhecerão as dificuldades quotidianas de muitos milhões de seres humanos que sofrem, como se tem visto com a infâmia que tem sido a indiferença europeia perante a crueldade israelita contra os palestinianos, bem como a fome, o sofrimento e a pobreza do povo de Gaza. 
Por isso, o Papa pediu para que a Europa não perca o seu “espírito colaborativo, fiel às suas raízes cristãs e à sua história, solidário e acolhedor” e tenha invocado “justiça, paz e estabilidade para o Líbano, a Palestina, Israel e a Síria”. De modo especial referiu o povo ucraniano que tão massacrado tem sido e apelou para que “o barulho das armas acabe e que as partes envolvidas, apoiadas pelo empenho da comunidade internacional, encontrem a coragem de dialogar de modo sincero, directo e respeitoso”, recordando também os que sofrem por causa da injustiça, da instabilidade política, da perseguição religiosa e do terrorismo no Sudão, no Sudão do Sul, no Mali, no Burquina Faso e na República Democrática do Congo, mas também no Myanmar, na Tailândia e no Camboja. O Papa dirigiu-se, ainda, aos povos da Oceania e da América Latina, mas também àqueles “que fogem da própria terra em busca de um futuro noutro lugar” e àqueles “que perderam o trabalho e aos que o procuram”.
O Papa retomou o pensamento do Papa Francisco e exortou a que “abramos o nosso coração aos irmãos e irmãs que passam necessidades e sofrem”. 
Habemus Papam!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Restauro dos murais de Almada Negreiros

As manchetes da imprensa portuguesa e não só, tendem a satisfazer o princípio AIDA - chamar a Atenção, suscitar o Interesse, provocar o Desejo e levar à Aquisição – pelo que recorrem ao sensacionalismo e ao fait divers, sobretudo nas áreas da Sociedade, da Política, da Economia e do Desporto. Os seus títulos e os temas dominantes raramente são da área da Cultura e, por isso, aqui se destaca a capa da edição de ontem do jornal Público, que foi dedicada ao restauro em curso dos murais de Almada Negreiros existentes em Lisboa, junto ao Tejo, nas gares marítimas de Alcântara e da Rocha do Conde d’Óbidos, dois edifícios desenhados pelo arquitecto Pardal Monteiro que foram construídos na década de 1940.
Os murais foram encomendados pelo Estado Novo e foram pintados nos anos 1940. O seu conteúdo é dedicado ao mar, à vida ribeirinha e ao povo anónimo, aos marinheiros, às varinas e aos pescadores, ignorando as figuras históricas que o regime promovia, bem como a “gesta heróica da difusão da fé e do império”. Nessa linha, os murais ignoram os grandes navegadores e as grandes navegações quinhentistas e inspiram-se no quotidiano das fainas marítimas, sobretudo do porto de Lisboa, bem como em algumas lendas, como a lenda da Nau Catrineta e a lenda de D. Fuas Roupinho e o milagre da Nazaré.
Os murais estão sujeitos a um ambiente agressivo de humidade e salinidade, pelo que careciam de restauro que, no caso dos murais da Rocha do Conde d’Óbidos já está concluído após doze meses de trabalho. A intervenção nos murais da Gare Marítima de Alcântara vai iniciar-se em Janeiro e “deverá superar o meio milhão de euros que custou o restauro dos murais da Rocha do Conde d’Óbidos”, mas é caso para dizer que é um dinheiro bem gasto, porque os murais de Almada Negreiros são um património artístico fundamental a cidade de Lisboa e representam o maior conjunto de pintura mural do século XX em Portugal.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

O Natal é sempre que um homem quiser.

Hoje vai celebrar-se a noite de Natal que, embora continue a ser um símbolo de religiosidade muito forte para os cristãos, também se tornou numa grande operação de carácter comercial, embora seja, sob todas as perspectivas, uma data festiva para as famílias de raiz cristã.
Na época natalícia as famílias, mais restritas ou mais alargadas, convivem e participam em actos religiosos, reúnem em consoada, consomem as iguarias mais tradicionais, trocam presentes e fazem votos de saúde e de prosperidade para o novo ano que se aproxima. O Natal é, por isso, um ritual de convívio, de paz, de harmonia e de solidariedade.
As casas são decoradas de forma apropriada com símbolos natalícios, tanto religiosos como profanos, destacando-se essa anomalia do marketing comercial que são as imagens simbólicas da neve, das renas e dos trenós que trazem o Pai Natal desde a Lapónia, bem como as árvores de Natal que vandalizam a floresta, enquanto os presépios parecem despertar menos interesse como símbolos ou objectos decorativos.  
Com o desenvolvimento das telecomunicações e a movimentação internacional da força do trabalho e das populações das áreas desfavorecidas para as áreas mais prósperas, o Natal passou a ser também uma monumental operação de correio – postal, telefónico e electrónico – em que cada pessoa emite e recebe dezenas de mensagens para e de todo o mundo, constituindo um elo que nos revela que o nosso planeta é, cada vez mais, a aldeia global de que falou Marshall McLuhan. Essa aldeia e o sentido de que "estamos todos no mesmo barco" exigem-nos que acabem as guerras e haja paz, harmonia, solidariedade, democracia, respeito pelos direitos humanos, luta contra a pobreza, protecção do ambiente e da paisagem e amizade entre os povos.
Da minha parte, aproveito a manchete da edição de hoje do jornal Le Télégramme, que se publica na cidade bretã de Brest, para desejar um Joyeux Noël aos meus leitores, embora o Natal seja sempre que um homem quiser.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

França vai mostrar mais músculo em 2038

A França é o maior país da União Europeia em área e o terceiro maior do continente europeu, só superado pela Rússia e pela Ucrânia, sendo também a segunda maior economia da União Europeia e a sétima do mundo, destacando-se nos sectores da agricultura, aeroespacial, moda e turismo. O país costuma ser considerado o berço da moderna cultura europeia e a cidade de Paris continua a ser a classificada como a Cidade-Luz, pelo seu património, pela sua história e pelo seu luxo, daí resultando que os quase 70 milhões de franceses continuem com o seu chauvinismo de origem napoleónica, ou com um exagerado nacionalismo, considerando-se superiores aos outros europeus.
Porém, a França acumulou muitas derrotas nos últimos dois séculos nas suas guerras com os ingleses, os russos, os alemães, os vietnamitas, os argelinos e outros, mas através de Emmanuel Macron – que não tem o prestígio de Charles de Gaulle, nem de François Mitterrand – tudo faz para ter um estatuto de liderança europeia, o que os alemães e os ingleses não lhe facilitam.
No actual contexto mundial de quase-guerra-fria, o presidente Emmanuel Macron afirmou que “nesta era de predadores precisamos de ser fortes para sermos temidos” e tomou a decisão de mandar construir um porta-aviões “para a França mostrar os seus músculos” e para substituir o porta-aviões Charles de Gaulle, que está ao serviço desde 1994. O novo porta-aviões estará pronto em 2038 e custará 10 mil milhões de euros, o que está a causar muita controvérsia, segundo anuncia a edição de hoje do jornal La Dépêche du Midi.

sábado, 20 de dezembro de 2025

Conversar é preciso, morrer não é preciso

Na sua edição de hoje o jornal The Irish Times, que se publica em Dublin e é considerado o mais influente diário irlandês, insere na sua primeira página um interessante texto de opinião assinado pelo jornalista Jack Power, o correspondente do jornal em Bruxelas. Nesse texto intitulado “Europe may seek direct talks with Russia”. Power escreveu que “os líderes europeus estão a considerar a reabertura de uma linha directa de diálogo com a Rússia, acabando com o efectivo silêncio diplomático de quatro anos, numa tentativa de evitar a sua marginalização nas negociações para acabar com a guerra na Ucrânia”. A ser assim, finalmente, ficaria aberta uma porta que nunca deveria ter sido fechada pela cegueira política de alguns dirigentes europeus míopes e incultos, como Boris Johnson, Ursula von der Leyen e Mark Rutte que, cada um deles à sua maneira, convenceram Zelensky que podia ganhar a guerra e que teria ajuda “o tempo que for preciso”.
Actualmente, as propagandas não nos permitem conhecer a realidade no terreno, nem o andamento das negociações entre Trump e Putin, nem o envolvimento de Zelensky, mas parece evidente que os líderes europeus deixaram de ser ouvidos e respeitados. Apesar disso, na recente cimeira de Bruxelas conseguiram disfarçar as suas diferenças de opinião e concordar com um empréstimo de 90 mil milhões de euros para apoiar a guerra da Ucrânia contra a Rússia, no qual não participarão a Hungria, a Eslováquia e a Chéquia. Uma vez que nem a União Europeia nem os seus estados-membros têm esse volume de capital disponível, a Comissão Europeia irá endividar-se nos mercados financeiros e emitirá obrigações de curto e longo prazo. Ninguém sabe se é possível ou não angariar esse volume de capital, nem quem o vai pagar porque, disse António Costa, “a Ucrânia apenas vai pagar este empréstimo quando a Rússia pagar as reparações de guerra”. Foi uma fuga para a frente...
O melhor é mesmo seguir o conselho de Jack Power e do jornal The Irish Times, ou seja, é preciso conversar porque morrer não é preciso!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

DT, VP, a Ucrânia e o "ataque à Europa"

Estão quase a completar-se quatro anos desde que começou a guerra na Ucrânia, embora haja muita gente que entende que esse conflito começou em 2014, ou mesmo em 1990. As primeiras tentativas de cessar-fogo aconteceram em Março e Abril de 2022, menos de um mês após o início da invasão russa, em que os representantes dos dois países se reuniram em Istambul pelo menos sete vezes, para negociar o cessar-fogo e a paz. Nessa altura, os russos não exigiam territórios, mas apenas garantias de segurança nas suas fronteiras, a neutralidade permanente da Ucrânia e a sua não-entrada na NATO, a recusa de tropas estrangeiras no seu território e a possibilidade de adesão ucraniana à União Europeia, se o país o desejasse. Então, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson foi a Kiev no dia 9 de Abril de 2022 para persuadir Zelensky a prosseguir a sua luta “até à derrota da Rússia” e impedindo-o de assinar o acordo de paz com a Rússia. Estava escolhido o caminho da guerra e a escalada belicista, com muitos milhares de mortos, milhões de refugiados, muitas cidades destruídas e a crescente militarização da Europa.
A partir de então, a guerra intensificou-se, os mass media colocaram-na nas suas agendas e surgiram os inúmeros comentadores televisivos alinhados com a ideia de guerra, enquanto aqueles que defendiam a paz passaram a ser considerados putinistas. As notícias da guerra, verdadeiras ou falsas, passaram a inundar o nosso quotidiano, agora amplificadas pelas posições belicosas de Emmanuel Macron, Mark Rutte, Ursula von der Leyen, Kaja Kallas e outros estrategas. A histeria instalou-se e só falta ressuscitar a famosa comédia "vêm aí os russos". Enquanto isto, apareceu Donald Trump, que tem hostilizado todos esses líderes europeus e que, movido por interesses económicos e outros, se mostra em sintonia com Putin que, naturalmente, quer agora muito mais do que queria em 2022.

Na sua mais recente edição, a capa da revista Der Spiegel mostra “dois vilões e um objectivo [de atacar a Europa]”, isto é, mostra Putin a retalhar a União Europeia com o apoio e o sorriso de Trump.

É evidente que ninguém pensa no povo ucraniano e que cada uma das personalidades que, no ocidente e no oriente, dizem defender a Ucrânia, apenas pensam nos seus próprios interesses. Pobres ucranianos!

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

A tragédia australiana de Bondi Beach

Em Bondi Beach, a praia mais conhecida de Sydney, dois homens armados com espingardas atiraram de forma indiscriminada sobre a multidão de várias centenas de pessoas que participava numa das mais importantes celebrações judaicas. Era domingo, a praia estava cheia e, naturalmente, gerou-se o pânico e aconteceram actos de terror, como anunciou a edição de ontem do jornal The Camberra Times. Naquelas dramáticas circunstâncias, um homem chamado Ahmed al Ahmed, de 43 anos de idade e dono de uma frutaria em Caringbah South, aproximou-se de um dos atiradores e, com notável sangue-frio e muita coragem, conseguiu imobilizá-lo e desarmá-lo, evitando dessa forma que houvessem muito mais vítimas, para além dos 16 mortos e 40 feridos que a tragédia provocou. Esta acção de Ahmed al Ahmed foi filmada por vários moradores e isso fez com que fosse considerado um “herói genuino”. 
O trágico incidente emocionou a Austrália e, embora tenha acontecido a cerca de 18.000 quilómetros de distância, também foi notícia em Portugal, por se tratar de mais um acto de extrema barbaridade, como muitos outros que parecem estar a aumentar no mundo, pelas mais diversas razões.
Neste caso de Sydney há duas singularidades: a primeira foi o facto de ter sido a atitude corajosa de um árabe, emigrante sírio, que poupou muitas vidas de elementos da comunidade judaica de Sydney, enquanto a segunda mostra que “quem semeia ventos colhe tempestades”, ou que há muita gente no mundo que não esquece a violência e a crueldade do regime extremista de Netanyahu, que destruiu Gaza, que matou milhares de palestinianos inocentes e que atacou os árabes do Líbano e da Síria.
A tragédia de Bondi Beach deve ser repudiada universalmente, embora a retaliação seja uma arma que todos usam.

domingo, 14 de dezembro de 2025

Será possível “the end of the alliance”?

O presidente Donald J. Trump assinou, em data muito recente, um documento de 33 páginas intitulado National Security Strategy of the United States of America, que refere explicitamente que se trata de uma estratégia concreta, que combina ends and means, ou objectivos e recursos, como costumamos dizer em português.
Começando com um elogio a si próprio e à sua política MAGA (Make America Great Again), Donald Trump afirma que nenhuma administração na história dos Estados Unidos conseguiu uma reviravolta tão dramática em tão pouco tempo, criticando a Europa e dando vantagens diplomáticas à Rússia. Segundo aquele documento relativo à segurança nacional dos Estados Unidos, caso as tendências actuais se mantenham, a Europa será “irreconhecível em 20 anos ou menos” e, em declarações posteriores, classificou os países europeus como “fracos” e “decadentes”, criticando duramente os governos europeus pelo seu apoio à Ucrânia, culpando as "autoridades europeias que mantêm expectativas irrealistas sobre a guerra" e por obstaculizarem um acordo de paz.
Muitos comentadores têm salientado um progressivo afastamento dos Estados Unidos da Europa, embora Donald Trump afirme que quer “ajudar a Europa a corrigir a sua actual trajectória” e que o seu país “está sentimentalmente ligado à Europa, sobretudo à Grã-Bretanha e à Irlanda”.
Na sua edição mais recente, a revista The Week que se publica em Nova Iorque, destaca na sua primeira página uma significativa ilustração em que Donald Trump dá substância ao MAGA, com uma manchete em que questiona se estamos no “end of the alliance?” e com um abraço à bandeira da Rússia, deixando para segundo plano as bandeiras da NATO e da União Europeia, mas também a Torre Eiffel, o palácio de Westminster com o Big Ben e o Coliseu de Roma, isto é, alguns dos símbolos da Europa.
São coisas muito difíceis de entender...

sábado, 13 de dezembro de 2025

Portugal será a economia do ano de 2025?

A mais recente edição da prestigiada revista inglesa The Economist tem sido muito citada em Portugal porque o nosso país foi considerado como “a economia do ano de 2025” num artigo intitulado Which economy did best in 2025?.
Diz o texto que podia ter sido muito pior, porque foi em Abril que Donald Trump começou a sua trade war e temeu-se então por uma recessão global que não aconteceu. O crescimento global da economia foi de cerca de 3%, semelhante ao do ano anterior, o desemprego continuou baixo, o mercado acionista esteve em alta e só a inflação suscitou alguma preocupação. O método utilizado para a escolha combina cinco indicadores de 36 mostly rich countries – inflação, amplitude da inflação, produto, emprego e mercado acionista.
A revista faz a escolha da “economia do ano” pelo quinto ano consecutivo e os vencedores foram a Grécia em 2022 e 2023, a Espanha em 2024 e agora Portugal, o que não deixa de ser estranho, até porque dessa lista fazem parte, entre outros, o Canadá, a Noruega, a Suécia, o Reino Unido, a Áustria e a Nova Zelândia. A escolha de Portugal que a revista considera as sweet as a pastel de nata, baseia-se nos indicadores indicados e nos efeitos do turismo e na fixação de estrangeiros devido à baixa fiscalidade. Portugal será mesmo a economia do ano de 2025? Os meus olhos dizem que não... enquanto The Economist diz que sim.
A mesma revista inclui uma reportagem sobre Europe’s Populist Right – Can they be stopped?, tendo escolhido para ilustrar a capa desta edição uma montagem fotográfica com as imagens de alguns dos principais símbolos da direita populista europeia, tais como Jordan Bardella, Nigel Farage, Marine Le Pen, Giorgia Meloni e Alice Weidel.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Um holandês que é o “palerma do ano”

É costume no mês de Dezembro de cada ano que algumas instituições atribuam prémios e distinções a personalidades que se distingam e daí que no mundo sejam conhecidos os prémios Nobel, os Óscares de Hollywood ou os The Best da FIFA, enquanto em Portugal é atribuído o prémio Pessoa, o Prémio Leya e dezenas de outros prémios artísticos e literários. Porém, há muitos outros prémios que distinguem os melhores nisto e naquilo que, nesta época do ano, enchem os noticiários internacionais.
Porém, se houvesse um prémio internacional para “o palerma do ano” ele seria certamente para Mark Rutte, o holandês que é o secretário-geral da NATO, pelas afirmações incendiárias que tem feito desde o dia em que, miseravelmente, se sabujou a Donald Trump, ao desfazer-se em elogios pela exigência de aumento da despesa militar e dizendo-lhe: “a Europa vai pagar à grande e será uma vitória tua”. O palerma do Mark atribui-se a si próprio uma importância que não tem e não se cansa de misturar a NATO com a UE, quando há dez países que pertencem à NATO mas que não pertencem à UE.
Em declarações recentes o Mark veio dizer que “nunca a ameaça de guerra foi tão sombria como agora”, que “a Europa é o próximo alvo da Rússia” e que já estamos em perigo, embora não seja essa a posição dos Estados Unidos que pretendem que a Rússia seja reintegrada na economia mundial e volte a fazer parte do G8.
Na sua edição de hoje o jornal inglês The Independent destaca em título de primeira página uma frase-propaganda de Mark Rutte – “devemos estar preparados para a guerra como os nossos avós suportaram” – sem que tenha qualquer base sólida para fazer essa afirmação que, naturalmente, está alinhada com os interesses das indústrias do armamento que ele objectivamente representa e em oposição aos interesses dos europeus que querem a paz, como tem revelado o Eurobarómetro.
Mark Rutte quer a guerra e, por isso, é mesmo o palerma do ano.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

A paz na Ucrânia está difícil de atingir

A situação que se vive na Ucrânia é muito complexa e a tragédia da guerra iniciada em 24 de fevereiro de 2022 continua – já lá vão 1.384 dias e muitos milhares de mortos –sem que se vislumbre um cessar-fogo, apesar dos planos de paz apresentados pelos americanos que as partes ucraniana e russa quase aceitam, mas que os líderes europeus sempre rejeitam.
O primeiro plano de paz de Donald Trump para a Ucrânia que foi conhecido no dia 21 de novembro constava de 28 pontos, sendo reconhecido que favorecia largamente os propósitos de Putin. No seu ponto 3, esse plano dizia: “Espera-se que a Rússia não invada os países vizinhos e que a NATO não proceda a mais alargamentos”.
Este ponto parece ser um dos “ossos mais difíceis de roer” e as dezenas de comentadores que nos entram em casa todos os dias nunca o mencionam, isto é, quando os russos de Gorbachov aceitaram “a perda da RDA e a reunificação alemã” em 1990, tiveram a garantia de que a NATO não se alargaria para oriente. Porém, isso não aconteceu e, desde então, a NATO passou de 16 para 32 membros, pelo que a Rússia se considerou humilhada.
Com a chegada de Donald Trump à Casa Branca os dados do problema alteraram-se e os Estados Unidos parecem comportar-se como aliados da Rússia e adversários da Europa. A pressão de Trump sobre Zelensky é enorme mas, como ontem salientava o jornal The Guardian, estamos num “momento crítico”, pois “os líderes europeus unem-se em apoio à Ucrânia”, numa altura em que a National Security Strategy of the United States, recentemente enunciada em apenas 33 páginas, é bem clara ao enunciar o “declínio económico e o apagamento civilizacional da Europa” e ao colocar a Europa e a NATO em segundo plano, para além de avisar que “em poucas décadas alguns membros da NATO serão maioritariamente não-europeus e terão outras alianças diferentes daquelas que tinham quando aderiram à NATO.
Portanto, o braço de ferro na Ucrânia está a acontecer, mais entre americanos e europeus e menos entre russos e ucranianos. As voltas que estas coisas dão...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

A evocação dos 84 anos de Pearl Harbor

Desde o fim da 2ª Guerra Mundial que os Estados Unidos são a maior potência mundial, um estatuto que resultou da sua participação vitoriosa nesse conflito, em que morreram cerca de 405 mil militares americanos.
Para os Estados Unidos a guerra começou às primeiras horas da manhã do dia 7 de dezembro de 1941, quando a aviação da Marinha Imperial japonesa atacou de surpresa a Base Naval de Pearl Harbor, nas ilhas Hawai, onde se encontravam cerca de 87 mil militares, dos quais morreram 2.400. 
Foi há 84 anos e ontem, em Honolulu, durante o 84th Pearl Harbor Remembrance Day Ceremony, esse dia foi evocado com solenidade e nessa evocação estiveram presentes três veteranos de guerra centenários, cuja fotografia foi hoje publicada na primeira página do jornal The Wall Street Journal.
Porém, nenhum dos doze sobreviventes do ataque de 1941 compareceu à cerimónia, pois nenhum deles conseguiu deslocar-se ao Hawai. Todos os anos, à excepção do ano de 2020 por causa da covid-19, os sobreviventes desse dia trágico deslocavam-se a Honolulu para tomar parte nas cerimónias evocativas, inclusive no ano passado, em que dois deles ainda estiveram em Honolulu apesar da sua muito avançada idade.
Este ano estiveram presentes mais de três mil pessoas nas cerimónias evocativas realizadas, incluindo familiares de alguns dos militares que morreram nesse dia, mas também alguns cidadãos japoneses sobreviventes da bomba atómica lançada sobre Nagasaki, que estavam de visita à ilha de Oahu.
O tempo tem a virtude de apagar muitas feridas, mesmo quando são muito dolorosas. Assim aconteceu com americanos e japoneses, com alemães e franceses e, terá de acontecer com russos e ucranianos.

sábado, 6 de dezembro de 2025

A cooperação Índia-Rússia está em alta

Os presidentes Vladimir Putin e Narendra Modi, encontraram-se durante dois dias em Nova Delhi e de acordo com o título da edição de hoje do jornal The New Indian Express, a Índia e a Rússia “avançam rapidamente”, tendo concordado em expandir e ampliar o comércio e fortalecer a amizade entre os dois países.
O líder russo teve um primeiro momento de glória com a recepção que teve à chegada à capital indiana, com “uma cavalgada, salvas de canhões e uma sala do trono de mármore”, o que mostrou que não têm resultado os esforços europeus para transformar Putin num perigoso pária por ter invadido a Ucrânia, tal como não tinham resultado nas visitas que fez a Pequim e a Anchorage.
Foi a primeira visita de Putin à Índia desde a invasão da Ucrânia em Fevereiro de 2022, com o fim de reforçar a sua aliança comercial e de defesa com a Índia e, segundo relatou a imprensa, foram assinados múltiplos acordos, de que resultarão o fornecimento ininterrupto de combustível, a cooperação nuclear e um ambicioso plano de cooperação económica e de trocas comerciais.
A Índia é a maior compradora de armamento russo, mas nada foi dito sobre os aviões furtivos Su-57, nem sobre o sistema de defesa antiaéreo russo de longo alcance S-400, o que não quer dizer que não tenha havido acordos.
Vladimir Putin sentiu-se entre amigos e tratou de afirmar que irá anexar todo o Donbass “pela força das armas” ou pelo abandono das tropas ucranianas. Quando souberam destas declarações, os amigos europeus de Zelensky devem ter ficado petrificados, enquanto os esforços de Donald Trump para encontrar uma solução para o conflito terão ficado perturbados por este desafio de Putin. O facto é que, como aqui se tem dito, os povos asiáticos estão a emergir em todos os domínios na comunidade das nações.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Uma “tempestade perfeita” na Venezuela

A Venezuela é governada desde 2012 por Nicolás Maduro Moros, um homem de elevada estatura, elevada arrogância e elevado autoritarismo. Começou por assumir a presidência interina do país após a vitória eleitoral de Hugo Chávez, devido à grave doença do presidente eleito que veio a falecer em março de 2013. No mês seguinte, Maduro conseguiu vencer as eleições presidenciais e tornar-se o 57º presidente da República Bolivariana da Venezuela. Cinco anos depois Maduro foi reeleito, embora o resultado das eleições de 2018 não tivesse sido reconhecido, tanto pela oposição, como pela generalidade da comunidade internacional que, desde então, o têm considerado um presidente ilegítimo e o consideram um ditador.
O país vive atrofiado pelo autoritarismo e pela repressão praticados pelo regime e, segundo é regularmente noticiado nos media, a Venezuela está em declínio socioeconómico, com aumento dos problemas políticos e sociais, incluindo o aumento da pobreza, da inflação, da criminalidade e da fome, mas também o crescimento descontrolado do narcotráfico. O ataque ao narcotráfico foi o pretexto que levou Donald Trump a restaurar a Doutrina Monroe, que tendo sido enunciada em 1823, tinha por lema “a América para os americanos”. Assim, há uma escalada na tensão entre os Estados Unidos e a Venezuela, estando a acontecer uma intensa movimentação militar americana para aquela região, tendo Donald Trump já anunciado que vai haver “ataques americanos contra alvos no interior da Venezuela”, o que é muito preocupante, sobretudo para os venezuelanos.
Perante este quadro, o jornal Diario 2001, que se publica em Caracas, dedica toda a manchete da sua edição de hoje à jovem Clara Vegas Goetz, que foi eleita Miss Venezuela em representação do estado de Miranda e que é “un orgullo para su mamá la también Miss Venezuela 1990 Andreina Goetz”.
Clara estará em Porto Rico no próximo ano e espera-se que seja “la octava corona universal para Venezuela”. 
Quando a situação venezuelana parece configurar uma “tempestade perfeita” que ameaça desabar sobre o país, os venezuelanos e a sua imprensa pensam nas misses