sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

André Mountbatten-Windsor e a imprensa

André Mountbatten-Windsor foi o filho favorito da Rainha Isabel II e é irmão do Rei Carlos III, ocupando a oitava posição na linha de sucessão ao trono britânico. Serviu na Royal Navy durante cerca de vinte anos e durante a guerra das Falklands em 1982, foi copiloto de helicópteros Sea King a bordo do porta-aviões Invencible
Nos últimos meses foram divulgadas as suas relações com Jeffrey Epstein e alguns escândalos sexuais pelo que lhe foram retirados todos os títulos nobiliárquicos. Ontem foi detido por suspeita de “irregularidades enquanto titular de um cargo público” e a comunicação social de todo o mundo “não falou de outra coisa”, tendo havido cadeias de televisão portuguesas que, propositadamente, mandaram repórteres a correr para Londres para noticiar o acontecimento. Um exagero mundial e um exagero nacional.
A detenção do cidadão André Mountbatten-Windsor ocupou a primeira página da edição de hoje do jornal The Times, mas também de muitos jornais de todo o mundo, reproduzindo a fotografia do detido na viatura em que foi conduzido aos calabouços da Polícia para ser interrogado. Embora o André não seja um cidadão qualquer, não se percebe a razão por que em Portugal, na Espanha, no Reino Unido, na França, na Suiça, na Irlanda, nos Estados Unidos, na Alemanha, na Austrália, na Argentina, na Áustria, na Itália, na Grécia e certamente em muitos outros países, esse seja o tema central do interesse jornalístico. Não é aceitável tanta conversa sobre o André e haja um quase silêncio sobre o que está acontecer com o embargo americano a Cuba que, tendo sido iniciado em 1962, assumiu nas últimas semanas o carácter de um assassinato generalizado ao povo cubano, nem se fale na pressão israelo-americana para atacar o Irão, nem se fale do sofrimento dos palestinianos em Gaza e na Cisjordânia, nem em muitos outros problemas com que o mundo se debate. Não parece ser jornalismo sério. Até parece que o problema do mundo é o André…  

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Donald Trump e o afundamento de Cuba

Desde que no dia 1 de janeiro de 1959 o ditador Fulgencio Batista fugiu de Havana para a Republica Dominicana e os guerrilheiros barbudos de Fidel de Castro tomaram o poder em Cuba – já passaram 67 anos – que o país tem vivido no fio da navalha, devido à hostilidade americana em relação ao seu alinhamento com o bloco soviético. Com a implosão da União Soviética ocorrida em 1991, a situação agravou-se, embora se pensasse que o fim de Fidel Castro, que aconteceu em 2016, levasse a um progressivo afastamento cubano dos seus aliados tradicionais, sobretudo a Rússia e a Venezuela.
Embora os Estados Unidos mantenham sanções económicas muito duras contra o regime cubano desde há muitos anos, a administração Trump decidiu subir a parada, depois da captura do presidente Nicolás Maduro no passado dia 3 de janeiro. Com esse golpe foi interrompida a entrega de 27.000 barris diários de petróleo que o regime chavista fazia a Cuba e, paralelamente, foi anunciada a ameaça de imposição de sanções comerciais a quem venda petróleo a Cuba, pelo que os países amigos de Cuba e os fornecedores alternativos estão hesitantes. A economia de Cuba começa a estar asfixiada e próximo do colapso, o turismo caiu, enquanto é relatada uma gravíssima crise social. Não há electricidade, não há água, não há comida e a fome ameaça os 11 milhões de cubanos. O jornal espanhol El País escreveu que é “el hundimiento de Cuba”.
A crise humanitária cubana é muito grave e a Espanha decidiu enviar ajuda alimentar e de produtos sanitários de primeira necessidade, tal como fez o México que enviou mais de 800 toneladas de alimentos, mas ninguém se atreve a enviar o petróleo de que Cuba necessita.
Entretanto, na sua edição de hoje, o jornal Granma, o “órgano oficial del Comité Central del Partido Comunista de Cuba”, destaca em primeira página que “Cuba resiste y resistirá esta agresón inhumana”, embora seja cada vez mais evidente que o regime e o povo cubano estão cada vez mais afastados. Porém, o que Trump está a fazer é uma condenação à morte do povo cubano.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Brasil ganha ouro em Cortina d’Ampezzo

Estão a decorrer os XXV Jogos Olímpicos de Inverno que se disputam nas cidades italianas de Milão e Cortina d’Ampezzo, que são vulgarmente conhecidos por Milão-Cortina 2026. Desde o dia 6 de fevereiro e até ao dia 22, estarão em prova 2.871 atletas representando 96 países, a maioria dos quais com uma presença simbólica, como acontece com a Guiné-Bissau, o Benim, a Eritreia, a Colômbia, o Quénia e até mesmo com Portugal, porque os desportos de inverno só acontecem onde há neve e gelo. Daí que os Jogos Milão-Cortina 2026 interessem pouco os portugueses e que a maioria das medalhas até agora disputadas tenha sido conquistada por noruegueses, italianos, americanos, suecos, holandeses, franceses, alemães e austríacos.
Porém, por vezes acontecem imprevistos e até o tropical Brasil, que escalda em tempo de Carnaval, teve uma medalha olímpica de ouro!
Aconteceu no dia 14 de fevereiro, quando a prova de Sky Alpino Slalom Gigante Masculino foi ganha por Lucas Pinheiro Braathen, que bateu os suíços Marco Odermatt e Loic Meillard. 
Lucas nasceu em Oslo, é filho de mãe brasileira e tem 25 anos de idade. A sua dupla nacionalidade brasilo-norueguesa permitiu-lhe representar o Brasil e ser o primeiro brasileiro e latino-americano a conquistar uma medalha olímpica nos Jogos de Inverno (na mesma prova o português Emeric Guerillot foi o 38º classificado).
Quando da subida ao pódio para receber a sua medalha de ouro, o medalhado Lucas Pinheiro não aguentou a sua euforia e deu um salto de satisfação, pouco habitual nestas cerimónias mas muito compreensível, tendo essa fotografia ilustrado a edição d’O Estado de S. Paulo, mas também de outros jornais brasileiros e estrangeiros. Essa fotografia vai certamente figurar na galeria das mais expressivas fotografias dos Jogos Milão-Cortina 2026.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

O comboio de tempestades que cá passou

A depressão Kristin chegou a Portugal na noite de 28 de janeiro e entrou pela zona centro do país, com ventos ciclonicos de extrema violência, tendo sido registada uma rajada de 209 km/hora na estação de Soure. A destruição provocada foi muito severa, com postes eléctricos partidos, telhados destruídos, árvores arrancadas e muitas infraestruturas públicas e empresariais danificadas, com chuvas torrenciais que provocaram cheias e inundações. No dia seguinte, o governo aprovou uma resolução declarando a situação de calamidade até ao fim do dia 1 de fevereiro nos concelhos mais afetados, mas depressa corrigiu e prolongou essa situação até ao dia 8. Porém, a chuva não deu tréguas e no dia 4, com a chegada da depressão Leonardo, a situação agravou-se com forte agitação marítima, neve nas terras altas e com chuva “equivalente a três dias em apenas 24 horas”. As inundações intensificaram-se, algumas povoações ficaram isoladas, houve estradas submersas, algumas populações foram desalojadas e o pânico chegou às margens de diversos rios, sobretudo do Sado, do Tejo e do Mondego. O governo, uma vez mais prolongou o estado de calamidade até ao dia 15. Porém, no sábado que foi dia 8, surgiu a depressão Marta, com mais chuva, neve, vento, agitação marítima e, sobretudo, uma nova subida dos caudais dos rios e ribeiras da zona centro do país. Num quadro tão desolador, temeu-se que nas eleições presidenciais do dia 9 muitos eleitores se abstivessem, mas isso não aconteceu e os portugueses rejeitaram aventuras.
A situação de calamidade continuou com mais chuvas e com as barragens a atingirem os seus níveis máximos, obrigando a descargas que alimentaram as inundações, mas no dia 12 começaram a aparecer os primeiros sinais de acalmia da situação. A depressão Oriana ainda passou por perto, mas sem agravar a situação, enquanto os especialistas informaram que tinha sido a 15ª tempestade do corrente outono/inverno e sugeriram que foi “a última depressão do comboio de tempestades que afectou o continente português”.
Hoje o jornal Público mostra uma estrada rural destruída e alerta para os prejuízos milionários na agricultura, embora a calamidade tivesse afetado todos os sectores da sociedade e da economia. Agora há que ajudar quem precisa, reerguer o que caíu e aprender todas as lições que esta calamidade nos trouxe.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Democrata Seguro será Presidente seguro

António José Martins Seguro foi ontem eleito como o novo presidente da República Portuguesa, tendo recebido cerca de três milhões e meio de votos que correspondem a 66,82% do total dos votos expressos nas urnas. A sua expressiva vitória inspirou o jornal Público que, na sua edição de hoje, escolheu a palavra seguríssimo como manchete. 
O presidente eleito tem 63 anos de idade, vive nas Caldas da Rainha e tem como principais credenciais políticas o facto de ter sido eurodeputado, ministro do governo de António Guterres e secretário-geral do Partido Socialista. A sua expressiva vitória, foi também a vitória da Democracia e da Liberdade, dos valores do 25 de Abril e da moderação e do equilíbrio, mas também foi uma pesada derrota para os extremistas, para os saudosistas do antigo regime e para os populistas que não olham a meios para atingir os seus fins.
Sobre o presidente eleito pesam agora grandes responsabilidades como inspirador da sociedade portuguesa e moderador das lutas políticas, pois é necessário ultrapassar a situação em que o nosso país se encontra, sobretudo depois das recentes calamidades meteorológicas, mas também levar o país a ser internacionalmente menos subserviente e a ser mais consequente no combate à pobreza e à corrupção. Embora não vá governar, espera-se que o novo presidente não siga os caminhos do seu antecessor, que aparecia por todo o lado, que falava demais e que viajava demasiado sem se saber para quê. 
António José Seguro tem o nosso aplauso e vai ser um Presidente seguro e firme na defesa da Liberdade e da Democracia, da Paz e da Justiça Social. 
Seguro sucede a Soares, a Sampaio, a Silva e a Sousa, isto é, parece que para se ser Presidente da República tem que se ter um apelido começado na letra S

Honi soit qui mal y pense!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Kristin e Leonardo: a fúria da tempestade

Portugal está a viver tempos muito difíceis, com uma sucessão de fenómenos meteorológicos pouco comuns que têm afetado o país com ventos ciclónicos e destruições, mas também com chuvas diluvianas e inundações, que causaram algumas mortes, muitos desalojados e incalculáveis prejuízos materiais. As tempestades e o enorme desespero que provocaram, foram devidas à passagem das depressões Kristin e Leonardo, que têm sido classificadas como ciclones, sem que haja cuidados na utilização do termo científico mais adequado a cada uma das situações.
A depressão Kristin foi uma ocorrência que atingiu a região centro do país com ventos de grande violência, que destruíram habitações e telhados, edifícios, muitas infraestruturas empresariais, que arrancaram árvores e partiram postes eléctricos, deixando milhares de pessoas sem abrigo, sem energia e sem trabalho.
Inicialmente poucos imaginaram a dimensão da destruição, inclusive o próprio governo e essa coisa que é a Proteção Civil, o que contribuiu para a angústia e para o sofrimento de milhares de pessoas. Escreveu-se que foi “a força da natureza associada à incompetência e irresponsabilidade”. Diz o povo que “uma desgraça nunca vem só” e logo apareceu a depressão Leonardo, que embora não tenha tido a fúria destruidora da depressão Kristin, deixou o país novamente em sobressalto, com muita chuva, inundações, desabamentos de terras e isolamento de algumas povoações ribeirinhas, como não havia memória de antes ter acontecido.
Hoje, com destaque, o Jornal de Notícias publica uma fotografia de Ereira, uma aldeia do concelho de Montemor-o-Velho, que está absolutamente isolada pela cheia do rio Mondego. É apenas um exemplo das dificuldades que se atravessam e que revelam duas realidades bem diferentes em Portugal: de um lado o povo que sofre e aqueles que, voluntários e solidários o ajudam, enquanto do outro lado andam figurões com títulos diversos, que não sabem nem percebem o que se passa, mas que insistem em aparecer na televisão.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Djokovic e Alcaraz: rei morto, rei posto!

Ontem, na cidade australiana de Melbourne, realizou-se a final do Australian Open, em que o tenista espanhol Carlos Alcaraz, de 22 anos de idade, venceu o tenista sérvio Novak Djokovic, de 38 anos de idade. Este resultado desportivo, entre dois atletas de 38 e de 22 anos de idade que se enfrentaram, tem um enorme simbolismo geracional, porque representa um “render da guarda” e significa que tem plena justificação o conhecido provérbio “rei morto, rei posto”. Ninguém é insubstituível e a partir de agora Djokovic tenderá a ser esquecido pelo público, enquanto Alcaraz se vai tornar, ou já é, o novo ídolo do ténis mundial.
Novak Djokovic, com Roger Federer e Rafael Nadal, representou uma era e é, provavelmente, o melhor tenista de todos os tempos, possuindo os recordes como número um do mundo durante 428 semanas e com vitórias em 24 torneios de Grand Slam e em 40 Masters 1000.  
Carlos Alcaraz representa uma nova geração do ténis mundial, já venceu 7 títulos do Grand Slam e oito Masters 1000, sendo o mais jovem tenista que venceu cada um dos quatro torneios do Grand Slam (Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open).
Inúmeros jornais de todo o mundo destacaram nas suas edições de hoje, em primeira página e com fotografia, a vitória de Carlos Alcaraz, assim acontecendo com o diário The Age, que se publica em Melbourne. Naturalmente, os jornais espanhóis não se pouparam nos adjectivos – historico, leyenda, imparable, grande, total, el rey, de ensueño – tratando de transformar Carlos Alcaraz no novo ídolo da Espanha.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Continua a crueldade israelita sobre Gaza

O cessar-fogo em Gaza foi declarado no dia 10 de outubro de 2025 e, teoricamente continua em vigor, embora haja frequentes relatos de violações e de confrontos, em que Netanyahu e o Hamas se acusam mutuamente. 
Porém, o que aconteceu ontem foi mais um exemplo da brutalidade israelita sobre o território de Gaza e sobre a martirizada população palestiniana, pois um violento ataque matou pelo menos 32 pessoas, incluindo uma dezena de mulheres e seis crianças, o que constitui o maior número de mortes num só dia, desde o cessar-fogo. Assim, o número de palestinianos mortos desde a trégua de outubro já soma mais de meio milhar. 
Os governos do Egipto, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Indonésia, Paquistão, Turquia, Arábia Saudita e Catar já condenaram “as reiteradas violações por parte de Israel do cessar-fogo em Gaza, que causaram morte e ferimentos a mais de mil palestinianos". 
Procuramos saber como tinha reagido a imprensa internacional a esta agressão israelita e, com surpresa, apenas encontramos dois jornais que, com destaque de primeira página, mostraram a fotografia da violenta explosão provocada pelo ataque israelita de ontem no território de Gaza: um deles é o diário La Jornada que se publica na cidade do México e o outro é o jornal Rio Negro que é publicado na cidade argentina de General Roca, na Patagónia. Como diria o Papa Francisco foram os jornais do “fim do mundo” que estiveram atentos à desumanidade e mostraram que continua a crueldade em Gaza, enquanto a imprensa ocidental continua a mostrar-se indiferente ao genocídio de Netanyahu, ou alinhada com os seus falcões extremistas.
Naturalmente, a Europa também continua sem nada fazer, nem nada dizer...