terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Donald Trump e o afundamento de Cuba

Desde que no dia 1 de janeiro de 1959 o ditador Fulgencio Batista fugiu de Havana para a Republica Dominicana e os guerrilheiros barbudos de Fidel de Castro tomaram o poder em Cuba – já passaram 67 anos – que o país tem vivido no fio da navalha, devido à hostilidade americana em relação ao seu alinhamento com o bloco soviético. Com a implosão da União Soviética ocorrida em 1991, a situação agravou-se, embora se pensasse que o fim de Fidel Castro, que aconteceu em 2016, levasse a um progressivo afastamento cubano dos seus aliados tradicionais, sobretudo a Rússia e a Venezuela.
Embora os Estados Unidos mantenham sanções económicas muito duras contra o regime cubano desde há muitos anos, a administração Trump decidiu subir a parada, depois da captura do presidente Nicolás Maduro no passado dia 3 de janeiro. Com esse golpe foi interrompida a entrega de 27.000 barris diários de petróleo que o regime chavista fazia a Cuba e, paralelamente, foi anunciada a ameaça de imposição de sanções comerciais a quem venda petróleo a Cuba, pelo que os países amigos de Cuba e os fornecedores alternativos estão hesitantes. A economia de Cuba começa a estar asfixiada e próximo do colapso, o turismo caiu, enquanto é relatada uma gravíssima crise social. Não há electricidade, não há água, não há comida e a fome ameaça os 11 milhões de cubanos. O jornal espanhol El País escreveu que é “el hundimiento de Cuba”.
A crise humanitária cubana é muito grave e a Espanha decidiu enviar ajuda alimentar e de produtos sanitários de primeira necessidade, tal como fez o México que enviou mais de 800 toneladas de alimentos, mas ninguém se atreve a enviar o petróleo de que Cuba necessita.
Entretanto, na sua edição de hoje, o jornal Granma, o “órgano oficial del Comité Central del Partido Comunista de Cuba”, destaca em primeira página que “Cuba resiste y resistirá esta agresón inhumana”, embora seja cada vez mais evidente que o regime e o povo cubano estão cada vez mais afastados. Porém, o que Trump está a fazer é uma condenação à morte do povo cubano.

1 comentário:

  1. Que direito têm os dirigentes de um país, condenar lentamente à morte pela fome, por embargo rigoroso de meios de subsistência outro povo, por este persistir em seguir a sua própria ideologia, independentemente de se concordar ou não com ela, chegando mesmo a ameaçar outros países que tentem furar esse bloqueio?

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