sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Uma “tempestade perfeita” na Venezuela

A Venezuela é governada desde 2012 por Nicolás Maduro Moros, um homem de elevada estatura, elevada arrogância e elevado autoritarismo. Começou por assumir a presidência interina do país após a vitória eleitoral de Hugo Chávez, devido à grave doença do presidente eleito que veio a falecer em março de 2013. No mês seguinte, Maduro conseguiu vencer as eleições presidenciais e tornar-se o 57º presidente da República Bolivariana da Venezuela. Cinco anos depois Maduro foi reeleito, embora o resultado das eleições de 2018 não tivesse sido reconhecido, tanto pela oposição, como pela generalidade da comunidade internacional que, desde então, o têm considerado um presidente ilegítimo e o consideram um ditador.
O país vive atrofiado pelo autoritarismo e pela repressão praticados pelo regime e, segundo é regularmente noticiado nos media, a Venezuela está em declínio socioeconómico, com aumento dos problemas políticos e sociais, incluindo o aumento da pobreza, da inflação, da criminalidade e da fome, mas também o crescimento descontrolado do narcotráfico. O ataque ao narcotráfico foi o pretexto que levou Donald Trump a restaurar a Doutrina Monroe, que tendo sido enunciada em 1823, tinha por lema “a América para os americanos”. Assim, há uma escalada na tensão entre os Estados Unidos e a Venezuela, estando a acontecer uma intensa movimentação militar americana para aquela região, tendo Donald Trump já anunciado que vai haver “ataques americanos contra alvos no interior da Venezuela”, o que é muito preocupante, sobretudo para os venezuelanos.
Perante este quadro, o jornal Diario 2001, que se publica em Caracas, dedica toda a manchete da sua edição de hoje à jovem Clara Vegas Goetz, que foi eleita Miss Venezuela em representação do estado de Miranda e que é “un orgullo para su mamá la también Miss Venezuela 1990 Andreina Goetz”.
Clara estará em Porto Rico no próximo ano e espera-se que seja “la octava corona universal para Venezuela”. 
Quando a situação venezuelana parece configurar uma “tempestade perfeita” que ameaça desabar sobre o país, os venezuelanos e a sua imprensa pensam nas misses 

domingo, 30 de novembro de 2025

Memória de um dia trágico em Hong Kong

Quatro dias depois do trágico incêndio no bairro social Wang Fuk Cour, na zona de Tai Po, nos Novos Territórios de Hong Kong, estão contabilizados 128 mortos e mais de duzentos desaparecidos, segundo anuncia o jornal hojemacau, que publica na sua capa uma impressionante fotografia das torres calcinadas.
Hong Kong e Macau são territórios separados por cerca de 60 quilómetros de distância e ambas são Regiões Administrativas Especiais da República Popular da China, pelo que tudo o que acontece numa delas interessa à outra e daí que o incêndio de Tai Po tenha ocupado as manchetes da imprensa macaense durante alguns dias.
O bairro social Wang Fuk Cour foi construído nos anos 80 do século passado, é constituído por oito torres com cerca de 30 andares com um total de 1.984 apartamentos, nele vivendo cerca de quatro mil pessoas. Estava em trabalhos de manutenção e terá sido por negligência das equipas que nele trabalhavam que deflagrou o pavoroso incêndio que foi possível ver em directo pela televisão, com os bombeiros a procurar extinguir o fogo e a tentar resgatar muitos residentes que estavam retidos nos seus apartamentos.
Certamente que as autoridades de Macau mas também das cidades de todo o mundo onde existem este tipo de torres residenciais, aprenderão a lição desta tragédia para reforçar as necessárias medidas de segurança.

sábado, 29 de novembro de 2025

A Ásia a avançar e a Europa a regredir

A edição de hoje do jornal The Times of India destaca na sua primeira página duas importantes notícias que deveriam ser lidas por todos os líderes europeus: uma refere-se ao crescimento de 8,2% da economia indiana no 2º trimestre de 2025 (Q2), o mais elevado dos últimos seis trimestres e, a outra, destaca o próximo encontro entre Modi e Putin que se vai realizar em Nova Delhi nos próximos dias 4 e 5 de Dezembro.
Relativamente à economia, a recente divulgação das 244 páginas do European Economic Forecast - Autumn 2025, dizem-nos quase tudo. As estimativas para o crescimento económico em 2025 são bem modestas, com 1,4 % para a União Europeia, 1,8% para os Estados Unidos, 0,8% para a Federação Russa, 0,2% para a Alemanha, 0,7% para a França, 1,4% para o Reino Unido e 1,9% para Portugal, enquanto para a China são 4,8% e para a Índia 6,8%. É caso para dizer “palavras para quê”, se estes números evidenciam um dinamismo e um progresso asiático bem diferentes do declínio ocidental.
A outra notícia anuncia o encontro de dois dias entre Vladimir Putin e Narendra Modi para a cimeira anual Rússia-Índia e, entre outros memorandum of understanding (MoU) a negociar, encontram-se o possível fornecimento do sistema de defesa antiaéreo russo de longo alcance S-400 e de aviões furtivos Su-57, o que significa que não é só na economia que este mundo se está a desequilibrar. 
Porém, os líderes europeus continuam a visitar-se mutuamente e a fazer cimeiras presenciais, ou em videoconferência, envolvidos naquela “vaidade a quem chamamos fama”, ignorando que o mundo já mudou e que a nossa Europa é cada vez mais irrelevante.
A Ásia a avançar e a Europa a regredir. Esta parece ser a nova realidade geopolítica.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Portugal é campeão do mundo de futebol

Ontem foi um dia de grande festa e de regozijo nacional porque a selecção portuguesa de futebol triunfou no FIFA U-17 World Cup, isto é, o Campeonato do Mundo de Futebol Sub-17 da FIFA disputado no Qatar e tornou-se campeão do mundo de futebol, que é uma coisa que acontece poucas vezes e a muito poucos países.
Os portugueses que assistiram à final com a equipa austríaca ficaram eufóricos com o espectáculo a que assistiram e com o desempenho dos jovens futebolistas portugueses. A imprensa portuguesa refletiu essa euforia nas suas edições de hoje, publicando manchetes alusivas a esse “feito” desportivo e à “arte” dos atletas, designadamente na chamada “bíblia” do futebol, ou seja, o jornal A Bola.
Eram 48 equipas em competição e a selecção nacional portuguesa ultrapassou a Nova Caledónia (6-1), Marrocos (6-0), Japão (1-2), México (5-0), Bélgica (2-1) e Suiça (2-0). Chegou às meias-finais e encontrou-se com o Brasil (0-0), mas a lotaria dos penaltis foi-lhe favorável e chegou à final, que foi disputada ontem. O adversário era a equipa da Áustria, mas a equipa portuguesa triunfou por 1-0 e tornou-se campeã do mundo, como muito merecimento – digo eu que vi.
Uma vitória deste tipo no futebol tem um valor relativo, mas num país com tantos problemas na saúde, na educação, na habitação e na justiça, mas também com dificuldades em muitas outras áreas da nossa vida colectiva, este triunfo futebolístico e a forma como os jovens jogadores portugueses jogaram, cantaram o hino e empunharam a bandeira nacional, é um forte contributo para aumentar a nossa auto-estima e para reforçar a coesão nacional, mas também para que alguns países estrangeiros nos olhem com um olhar mais atento e menos sobranceiro.
Aqui fica o justo aplauso aos nossos campeões do mundo!

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Uma grande catástrofe em Hong Kong

Um incêndio de enormes proporções, considerado o mais mortífero na história de Hong Kong, deflagrou ontem no bairro social Wang Fuk Court, construído nos anos 80 do século passado, que é constituído por oito torres com cerca de trinta andares, com 1.984 apartamentos onde se estima que viviam cerca de 4.000 pessoas. 
O jornal South China Morning Post, que é o principal jornal da antiga colónia inglesa, dedicou toda a primeira página da sua edição de hoje ao catastrófico incêndio, informando que havia “36 mortos e 279 desaparecidos”, mas as notícias mais recentes já referem “94 mortos e quase 300 desaparecidos”.
Embora ainda não se conheçam as causas do trágico incêndio, tudo aponta para uma grosseira negligência de alguns trabalhadores que vinham realizando trabalhos de manutenção em algumas daquelas torres, pois foram descobertos materiais inflamáveis e esponjosos que arderam rapidamente, que libertaram fumos tóxicos e que propagaram o fogo pelos sucessivos andaimes em estruturas de bambu, que apoiavam os trabalhos de manutenção que estavam a ser realizados. O fogo propagou-se rapidamente às outras torres e a acção dos bombeiros revelou-se ineficaz.
Segundo foi declarado, tudo correu mal, pois não foram audíveis quaisquer sinais de alarme e não terão sido atendidas as reclamações de muitos moradores contra os trabalhos que decorriam nos prédios que alegaram falta de segurança.
As imagens televisivas desta catástrofe foram impressionantes e lembraram os ataques às torres gémeas de Nova Iorque, acontecidos no dia 11 de setembro de 2001.

domingo, 23 de novembro de 2025

A bandeira de Ceuta é memória lusitana

A edição de ontem do jornal El Faro de Ceuta publica na sua primeira página uma fotografia em que Pedro Sánchez, o presidente do governo de Espanha, abraça Juan Jesús Vivas, o prefeito-presidente da Cidade Autónoma de Ceuta, durante a sua quarta visita oficial àquele território, destacando-se nessa fotografia as bandeiras de Espanha e da Cidade Autónoma.
A bandeira da Cidade Autónoma de Ceuta tem uma forte ligação emocional a Portugal, porque o seu desenho gironado de oito peças de negro e prata é igual ao da cidade de Lisboa. Essa ligação é ainda mais evidente no brasão colocado no centro da bandeira, que representa as armas portuguesas, tal como eram representadas no século XV.
A história desta bandeira “nasceu” no dia 22 de agosto de 1415, durante a conquista de Ceuta pelos portugueses, quando foi pedido a João Vasques de Almada que hasteasse a bandeira no ponto mais alto da cidade como símbolo da vitória alcançada.
Depois, com a cidade a depender do rei de Portugal, a cidade continuou a hastear aquela bandeira, inclusive no período filipino da União Ibérica (1580-1640). Quando em 1640 aconteceu a restauração da independência de Portugal, a cidade de Ceuta optou por não regressar à soberania do novo rei de Portugal e jurou fidelidade a Filipe IV, mas manteve a sua bandeira e o seu brasão, que chegaram até à actualidade. Esses símbolos constituem um curioso sinal da história da expansão marítima portuguesa, iniciada exactamente com a tomada de Ceuta em 1415, quando o reino de Granada ou Emirado Nacérida de Granada, localizado do outro lado do estreito, ainda era dominado pelos muçulmanos do rei Maomé XII.

sábado, 22 de novembro de 2025

O plano de Trump para a paz na Ucrânia

Na sua actual fase, o conflito da Ucrânia já dura desde o dia 24 de fevereiro de 2022, isto é, há 1344 dias, mas durante todo este tempo falou-se mais da guerra do que da paz, ficando muitas vezes no ar a ideia de que há muita gente mais interessada nos negócios de armamento do que no fim das hostilidades. Muita gente já morreu, muitas cidades e infraestruturas foram destruídas e milhões de ucranianos ficaram com as suas vidas arruinadas. Todos assistimos ao corrupio de dirigentes europeus, com destaque para essa figura menor que é Ursula von der Leyen, que foram a Kiev para ser vistos e para empurrar Zelensky para o abismo, ao convencerem-no que não lhe faltaria apoio e que ganharia uma guerra em que do outro lado está uma potência nuclear.
Agora, provavelmente entusiasmado com a sua obsessão pelo prémio Nobel, o presidente Donald Trump preparou um plano de paz em 28 pontos que é um verdadeiro ultimato a Zelensky, como refere o jornal londrino The Independent: se aceita o plano será uma traição face aos seus compromissos que assumiu perante os seus concidadãos, mas se o rejeita perderá o apoio do armamento do seu aliado americano que tem sido o seu principal instrumento nas operações militares. É um grande dilema para Zelensky.
O plano de paz de Trump é muito duro e até humilhante para a Ucrânia e para a Europa, pois prevê que a Ucrânia faça a cedência de cerca de 20% do seu território à Rússia, incluindo a Crimeia, que não aderirá à NATO, que as suas forças armadas terão um limite máximo de 600 mil efectivos, que não haverá tropas da NATO no seu território e que deverão ser realizadas eleições dentro de 100 dias, o que parece mostrar que os americanos se querem ver livres de Zelensky, bem como das teimosias e das utopias que os líderes europeus lhe têm metido na cabeça, sem olharem à diversidade e natureza cultural, religiosa e étnica da população ucraniana.
Entre os 28 pontos do plano está inscrito um ponto que diz que “espera-se que a Rússia não invada os países vizinhos e que a NATO não se expanda ainda mais” e esta simples frase parece sintetizar a razão desta guerra.
Ninguém sabe se a Ucrânia aceita ou não aceita o plano de Trump, com alterações ou sem alterações, mas é tempo de acabar com esta guerra e com o crescente belicismo que anda por aí.

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

A festa dos apurados para a World Cup

Muito se enganam os que pensam que o fenómeno futebolístico, enquanto espectáculo, manifestação de arte e negócio de muitos milhões de cores diversas, tem uma geografia restrita aos países da Europa Ocidental e da America do Sul, mas o entusiasmo pelo jogo da bola já é um acontecimento universal e não tem fronteiras. Agora que se estão a definir as 48 selecções nacionais que, no próximo Verão, irão disputar nos três países da América do Norte o 2026 FIFA World Cup, é bem curioso observar como alguma imprensa festeja o apuramento da equipa dos seus países.
Ontem, em Viena, com a arbitragem do referee português João Pinheiro, as selecções da Áustria e da Bósnia Herzegovina lutaram por uma vitória que levaria uma delas à América do Norte. Nesse grupo de apuramento, que também incluia as selecções da Roménia, Chipre e San Marino, aquele jogo da fase europeia das eliminatórias para o campeonato – um só jogo – tudo iria decidir. O jogo foi muito disputado e parece que o árbitro esteve à altura das circunstâncias. O resultado foi um empate por 1-1, que deu o apuramento à Áustria.
Na sua edição de hoje, o jornal generalista Österreich, que é um diário tablóide que se publica em Viena, destaca o entusiasmo austríaco pelo apuramento da sua selecção com uma fotografia que “vale mais que mil palavras”. De facto, não é costume em lado nenhum que um jornal enfatize desta forma este tipo de notícia.

terça-feira, 18 de novembro de 2025

Gripens e Rafales a caminho da Ucrânia?

Há menos de um mês foi anunciado que o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e o primeiro-ministro sueco Ulf Kristersson tinham assinado uma carta de intenções para a venda de 150 aviões de combate Saab Gripen-E destinados à Força Aérea da Ucrânia, faltando definir os termos exactos quanto a custos e data de entrega, embora o valor do contrato possa oscilar entre 12 e 18.000 milhões de euros. Entretanto, Zelensky foi a Paris e, como hoje anuncia a edição do jornal La Dépêche du Midi, assinou com o presidente Emmanuel Macron uma outra carta de intenções para a aquisição de 100 aviões Rafale F-4, num valor estimado entre 10 e 15.000 milhões de euros.
Qualquer destas notícias foi adjectivada como histórica, tanto pelos construtores suecos como pelos construtores franceses, mas Donald Trump deve estar furioso por esta “deslealdade ucraniana” e por estarem a ser ignorados os seus Lockheed Martin F-35.
Porém, há muita gente que deve estar boquiaberta com estas operações e com os colossais valores que estão em jogo, porque se levanta a questão do financiamento destas aquisições num país em guerra e que é altamente dependente da ajuda de vários países europeus, onde as opiniões públicas estão perplexas com as notícias sobre a corrupção no país de Zelensky.
É sabido que nem a Saab nem a Dassault Aviation têm capacidade de produção para satisfazer estas “encomendas” de aviões, pelo que os ucranianos “não os terão tão cedo”, até porque é necessário formar mecânicos e pilotos.
Parece, portanto, que há uma indústria do armamento que está interessada em continuar a guerra da Ucrânia, mesmo quando alguns dirigentes políticos dizem o contrário.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Portugal no 2026 FIFA World Cup

Hoje não se fala de outra coisa em Portugal, porque a seleção nacional de futebol ganhou à seleção da Arménia num jogo emocionante disputado na cidade do Porto. Tudo correu bem e os portugueses lembram-se dos golos de João Neves, de Bruno Fernandes e de outros jogadores, esquecendo a Ucrânia e Gaza, as eleições presidenciais e o mau tempo provocado pela depressão Cláudia.
A vitória por 9-1 garantiu a presença num Campeonato do Mundo de Futebol pela 9ª vez. Foram nove golos como salienta a manchete da edição de hoje do jornal A Bola e foi também a 9ª vez que a selecção portuguesa foi apurada para um Mundial de futebol.
Assim, a 23ª edição do 2026 FIFA World Cup que se realizará em 16 cidades dos Estados Unidos, México e Canadá, vai incluir Portugal entre as 48 equipas participantes, incluindo 16 seleções são europeias, das quais já estão apuradas a França, Portugal, Noruega, Inglaterra e Croácia.
A competição vai decorrer a partir de 11 de junho até 19 de julho de 2026 e vai entusiasmar meio mundo, nomeadamente em Portugal. Ainda bem que assim é, porque se a participação portuguesa tiver a qualidade que se espera, ganha a auto-estima lusitana, ganha a economia portuguesa e ganha o prestígio internacional de Portugal.
Portanto, é preciso que se conserve o entusiasmo proporcionado por esta vitória sobre a Arménia, mas também é necessário que não haja euforias desproporcionadas, como são as declarações de algumas personalidades que até já pensam numa vitória portuguesa no 2026 FIFA World Cup.

sábado, 15 de novembro de 2025

Cartagena e o Desfile de la Independencia

A cidade de Cartagena de Indias, ou simplesmente Cartagena, é a quinta cidade da Colômbia e o seu historial atesta que foi a sede do governo e a residência dos vice-reis durante o período colonial espanhol até 1811, quando a cidade declarou a sua independência. Situada na orla marítima do mar das Caraíbas, a cidade de Cartagena de Indias conserva as suas fortificações e a sua estrutura arquitectónica militar colonial, que em 1984 foram declaradas Património Mundial pela Unesco.
Todos os anos a histórica cidade comemora o 11 de novembro de 1811 com as Fiestas de Independencia, mas no corrente ano em que se festejavam 214 anos desse dia libertador, as autoridades locais decidiram investir fortemente no sentido de promover a internacionalização do evento e fazer de Cartagena um destino turístico e cultural ainda mais apetecido. O ponto principal das festas foi o Desfile de la Independencia de Cartagena em que participaram “más de 10.000 artistas, 200 comparsas y 28 carrozas elaboradas por 40 artistas plásticos locales”, a que assistiram mais de cem mil pessoas, entre cartageneros e visitantes.
O mais importante jornal da cidade é o El Universal que, na sua última edição, dedicou um alargado espaço ao Gran Desfile de la Independencia de Cartagena 2025 e salientou que num cenário tão especial como a avenida Santander, entre o mar das Caraíbas e o Centro Histórico da cidade, houve tradição e cultura, música, dança, arte e cor, lembrando os famosos desfiles carnavalescos brasileiros.
Satisfeito com a festa, el alcalde Mayor de Cartagena agradeceu aos cartageneros e disse-lhes: “Viva Cartagena de Indias!”.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

O fim de uma moeda com 232 anos

A United States Mint, ou Casa da Moeda dos Estados Unidos, que se localiza em Filadélfia e é a entidade responsável pela produção da moeda americana, cunhou ontem a última moeda de um centavo (penny) enquanto moeda corrente, seis meses depois de Donald Trump ter anunciado que essas moedas deixariam de ser produzidas porque o seu custo é 3,7 vezes superior ao seu valor.
Porém, a moeda de cobre que exibe a face de Abraham Lincoln continuará a circular, pois estima-se que ainda existam 300 mil milhões dessas moedas em circulação, que continuarão a poder ser utilizadas. Esta decisão representa uma enorme poupança para o Tesouro americano e uma progressiva redução nas operações de caixa das transacções comerciais, sendo uma medida que alguns países já tomaram, designadamente o Canadá, que em 2012 deixou de cunhar a sua moeda de de um centavo.
Hoje, a notícia da cunhagem da última moeda de um penny com a face de Abraham Lincoln teve honras de primeira página na edição do The Wall Street Journal, que lembra que essa moeda era produzida desde 1793, isto é, que circula desde há 232 anos. No entanto, é possível que no futuro a Casa da Moeda venha cunhar moedas de um centavo em quantidades muito limitadas, especialmente para colecionadores e sem que entrem em circulação.

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Angola celebrou 50 anos de independência

A República de Angola e os angolanos festejaram hoje com grande alegria o 50º aniversário da independência nacional e, por razões históricas e culturais, esse acontecimento também foi evocado com alegria em Portugal, como se observou na imprensa portuguesa que evocou a independência angolana, mas também em vários espaços das cadeias televisivas que mostraram os desfiles cívico e militar com que Luanda festejou o acontecimento. De resto, calcula-se que haverá cerca de 100 mil portugueses em Angola, sobretudo empresários, enquanto estão recenseados mais de 92 mil angolanos em Portugal, o que mostra claramente uma íntima relação entre os dois países que vai para além do interesse económico.
Angola é um grande país de 32 milhões de habitantes, sendo o sétimo maior de África e o vigésimo segundo do mundo, estando a assumir cada vez mais o estatuto de potência regional no sul do continente africano e no Atlântico Sul. Porém, ninguém esquece que o país viveu 27 dos seus 50 anos de independência em guerra civil, com muitas mortes e muita destruição, mas os tempos de paz e de reconciliação que os angolanos vivem desde 2002 têm trazido progressos assinaláveis. O presidente João Lourenço falou aos angolanos e disse, num exercício de retórica adequado à efeméride que se celebrava, que “em 50 anos fizemos mais que o regime colonial português em 500 anos”, mas também salientou que estão a ser dados “passos firmes para romper o ciclo de subdesenvolvimento” do país.
É isso exactamente o que se deseja para os angolanos, a partir do estimulante sinal de confiança no futuro que representou a festa dos 50 anos da independência de Angola.

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Brasil, alterações climáticas e a COP30

As alterações climáticas são uma realidade e os seus efeitos são sentidos sob diversas formas, devido ao fenómeno do aquecimento global que, nos últimos dez anos, fez com que a temperatura anual do planeta tivesse subido cerca de 0,46 graus Celsius. Para lutar contra este problema e encontrar soluções realizam-se desde 1995 as conferências sobre as mudanças climáticas.
Hoje, na cidade de Belém, a capital do estado brasileiro do Pará e porta de entrada para o Baixo Amazonas, começa a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, ou 30th Conference Of the Parties, ou ainda e abreviadamente, COP30.A escolha de Belém para receber a COP30 tem entusiasmado a cidade, o Brasil e o presidente Lula da Silva e, para além de um grande investimento que foi feito para adaptar e modernizar as suas infraestruturas, até a capital federal brasileira será transferida provisoriamente de Brasília para Belém até ao dia 21 de novembro, para melhorar a ligação das autoridades brasileiras com as delegações estrangeiras e, sobretudo, para afirmar o protagonismo brasileiro nas negociações climáticas.
A edição de hoje do jornal Folha de Pernambuco que se publica na cidade do Recife, destaca o início do debate climático global, no qual os Estados Unidos não participarão porque Donald Trump considera que as alterações climáticas são uma farsa e até já tinha retirado o seu país dos acordos climáticos de Paris de 2015. Na COP30 o destaque vai incidir sobre os povos indígenas, a protecção das florestas e a procura de maneiras de ajustar o Acordo de Paris aos novos tempos, porque “os riscos são maiores do que nunca”, devido ao aquecimento da temperatura da Terra estar a aumentar mais rapidamente do que se pensara e de não estarem a ser substituídos o carvão, o petróleo e o gás ao ritmo necessário.
Ninguém sabe o que vai sair da COP30...

sábado, 8 de novembro de 2025

A China aprontou um novo porta-aviões

A República Popular da China anunciou que o novo porta-aviões Fujian entrou ao serviço e a notícia apareceu na edição de hoje do jornal South China Morning Post, um jornal em língua inglesa de Hong Kong. 
Esse facto ocorreu esta semana no porto de Sanya, no sul da China, numa cerimónia a que assistiu Xi Jinping e, segundo tem sido salientado pelos especialistas, a entrada ao serviço do Fujian é um passo decisivo na modernização militar chinesa.
A China já dispunha dos porta-aviões Liaoning e Shandong, mas com o novo Fujian, que é dotado de propulsão convencional mas que se anuncia ter catapultas electromagnéticas, é um avanço tecnológico importante e “um marco sem precedentes na história da tecnologia de catapultas de porta-aviões”.
A incorporação do Fujian na Marinha do Exército de Libertação Popular simboliza o amadurecimento industrial e militar da China. Com este novo porta-aviões, a China consolida a sua posição entre as maiores potências navais do mundo, ao lado dos Estados Unidos, que também possuem uma dezena de porta-aviões com catapultas eletromagnéticas. 
Porém, mais do que um avanço tecnológico, o Fujian reflecte a ambição chinesa de projetar poder marítimo e proteger os seus interesses estratégicos globais, embora o faça sempre com um discurso de “defesa nacional e de manutenção da estabilidade regional”, conforme repetem as autoridades do país. 
Naturalmente, a questão de Taiwan e o seu regresso à mãe-pátria continua a ser uma questão de soberania nacional para a República Popular da China e, sobretudo,  esse problema foi decisivo para que se equipasse com porta-aviões.