quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Marilyn Monroe é um mito já com 60 anos

Marilyn Monroe foi encontrada morta no dia 4 de Agosto de 1962 na sua casa em Los Angeles, em consequência de uma overdose de barbitúricos, quando tinha 36 anos de idade e era um ícone do cinema americano. 
Nascida em 1926 foi baptizada como Norma Jeane Mortensen, começou por ser cantora e modelo, tendo sido as suas fotografias publicadas por diversas revistas que lhe abriram as portas de Hollywood, onde adoptou o nome artístico de Marilyn Monroe e se tornou conhecida como um sex-symbol, mas também pelo seu cabelo louro platinado e os seus casos amorosos. Na sua carreira cinematográfica destacou-se nos filmes “Os homens preferem as louras” e “Quanto mais quente melhor”.
A sua morte, acontecida em circunstâncias ainda consideradas misteriosas, chocou o mundo da arte cinematográfica e transformou-a numa lenda de Hollywood, muito semelhante às lendas que envolvem outras figuras contemporâneas, como o músico John Lennon ou, noutro plano, o guerrilheiro Che Guevara. Um seu retrato da autoria de Andy Warhol foi vendido em 1964 por 195 milhões de dólares num leilão em Nova Iorque, tornando-se na obra mais cara do século XX, que foi vendida num leilão.
A sua morte aconteceu há sessenta anos, mas os seus muitos fãs homenagearam-na hoje no Passeio da Fama, em Los Angeles. Porém, o Kleine Zeitung que é o segundo jornal de maior audiência na Áustria e se publica na cidade de Graz, deixou para segundo plano a guerra da Ucrânia, a tensão em Taiwan, a pressão inflacionista, a crise energética e os outros grandes problemas do mundo,  para também homenagear Marilyn Monroe, a quem dedicou a capa da sua edição de hoje com uma das suas mais famosas fotografias e o título Mythos Marilyn. 

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Quem semeia ventos, colhe tempestades

Muitos jornais internacionais destacam hoje como principal notícia a visita que Nancy Pelosi, a presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos e terceira figura na hierarquia política americana, iniciou ontem a Taiwan, a ilha do mar da China a que os portugueses chamaram ilha Formosa.
Quando em 1949 os comunistas de Mao Tse-Tung triunfaram na guerra civil chinesa, o antigo governo chinês e o seu presidente general Chiang Kai-shek refugiaram-se na ilha, não aceitando a derrota militar. Porém, a nova República Popular da China também nunca aceitou a situação e sempre perseguiu o objectivo de fazer regressar a ilha rebelde à mãe-pátria. Depois de Hong Kong em 1997 e de Macau em 1999, as autoridades de Pequim têm reivindicado que Taiwan deve regressar à China, pela força se necessário, considerando-a uma província separatista. Todo o mundo sabe desse desígnio de Pequim, daí resultando uma tensão continuada entre os Estados Unidos e a China.
Acontece que no tempo de incerteza em que vivemos já há demasiados conflitos e tensões por todo o planeta, pelo que deverá ser evitado tudo o que possa aumentar a tensão. Apesar deste quadro, Nancy Pelosi decidiu visitar Taiwan e outros países asiáticos para reafirmar o compromisso dos Estados Unidos com os seus amigos e aliados na Ásia Oriental. A China considerou esta visita uma provocação e, numa recente conversa telefónica entre Xi Jinping e Joe Biden, o chinês avisou o americano para não brincar com o fogo.
O jornal USA Today utilizou essa frase para anunciar, ou criticar, essa visita de Pelosi a Taiwan, mas há um ditado português que também ilustra essa visita: quem semeia ventos, colhe tempestades. Será que, com a sua visita, Pelosi foi semear ventos?
A China tinha afirmado que a visita de Pelosi era uma grande provocação e ameaçou os Estados Unidos de retaliação. Os Estados Unidos já disseram estar preparados para uma resposta chinesa. Assim vai o mundo.

terça-feira, 2 de agosto de 2022

Acordo russo-ucraniano é uma esperança

O navio mercante Razoni largou ontem de Odessa com 26.000 toneladas de milho, tornando-se no primeiro navio comercial que saiu daquele porto ucraniano desde o início da guerra. Esta saída e a utilizaçáo de um corredor marítimo de segurança no mar Negro, foram negociados durante vários meses entre os governos russo e ucraniano, sob a mediação da Turquia e das Nações Unidas. Esse acordo abriu caminho para a Ucrânia exportar 22 milhões de toneladas de cereais e outros produtos agrícolas que ficaram retidos nos seus portos do Mar Negro devido à invasão russa, tendo com contrapartidas a possibilidade da Rússia também exportar cereais e fertilizantes. 
O navio mercante Razoni arvora o pavilhão da Serra Leoa e escalará hoje o porto de Istambul onde, nos termos do acordo de 22 de Julho, vai ser inspeccionado no centro de coordenação e controlo criado nos termos do acordo, após o que navegará para o porto de Tripoli, no Líbano. Desta forma, parece estar em curso o início do alívio da crise alimentar mundial que já se desenhava, sobretudo na África e na Ásia. 
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, saudou “calorosamente” a saída deste primeiro navio com cereais ucranianos e elogiou as delegações da Rússia, da Ucrânia e da Turquia que estiveram envolvidas nas negociações do acordo, que permitiu que o primeiro navio mercante tivesse saído de Odessa. António Guterres disse, ainda, que “esta guerra tem de acabar e a paz tem de ser estabelecida, em conformidade com a Carta das Nações Unidas e o Direito Internacional". 
A saída do Razoni, que hoje é destacada pelo jornal El País, é um bom exemplo do que podem fazer a Diplomacia e as negociações, mostrando como essa via é inspiradora e esperançosa, pelo que deve ser seguida para acabar com a tragédia da guerra em que todos perdem. Porém, Guterres parece estar sozinho, pois o que vemos é muita gente a lançar gasolina para a fogueira.

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Futebol feminino em alta de entusiasmo

A fase final do UEFA Women’s Euro, ou Campeonato Europeu de Futebol Feminino, disputou-se na Inglaterra entre os dias 6 e 31 de Julho e teve a participação de 16 equipas, entre as quais Portugal.
Nos doze campeonatos anteriores a Alemanha tinha sido a grande triunfadora com oito vitórias, seguindo-se a Noruega com duas vitórias e a Suécia e os Países Baixos com uma vitória cada. Tal como acontecera em 2017, a grande favorita que era a Alemanha voltou a não ganhar. No jogo da final disputado em Londres, após prolongamento, a Inglaterra bateu a Alemanha por 2-1 e foi o delírio no estádio de Wembley, onde 87.192 pessoas assistiam ao jogo. Nunca uma final masculina ou feminina destes campeonatos tinha tido tantos espectadores e, como reflexo desse enorme entusiasmo, toda a imprensa britânica também se entusiasmou com o êxito desportivo da equipa inglesa e publicou nas suas primeiras páginas a fotografia dos festejos das novas campeãs europeias. O jornal The Guardian é apenas um dos jornais de referência ingleses que hoje se rendeu ao futebol feminino e esqueceu a guerra na Ucrânia, a crise política na Itália, a recessão nos Estados Unidos, a luta pela sucessão de Boris Johnson, o balanço da viagem do Papa ao Canadá, ou as alterações climáticas e os fogos florestais.
A equipa portuguesa teve um comportamento modesto e o melhor que conseguiu foi um empate com a equipa suiça, mas ao observarmos os resultados das 16 equipas participantes na fase final do UEFA Women’s Euro England 2022, verificamos que a Finlândia e a Irlanda do Norte só tiveram derrotas e que, tal como a equipa portuguesa, também a Itália e a Suiça só conseguiram um empate.
Por isso, a equipa portuguesa ficou no pelotão da rectaguarda, mas não esteve só... e até jogou bem.

domingo, 31 de julho de 2022

Cinco meses de dura guerra na Ucrânia…

A guerra na Ucrânia já decorre há mais de cinco meses, mas parece que está para durar e que as partes não estão interessadas num cessar-fogo, pois a sua retórica continua a ser de confrontação e de tentativa de domínio ou humilhação do seu adversário. A imprensa internacional deixou de acompanhar este conflito como tema relevante, sobretudo depois de verificar que se trata de um confronto entre dois blocos de interesses conflituantes que vem desde o tempo da 2ª Guerra Mundial e que “o caso da Ucrânia” é apenas um pretexto para ressuscitar a Guerra Fria e restaurar o conceito de “cortina de ferro”, expresso por Winston Churchill em 1946, para caracterizar as divisões políticas e ideológicas entre o Velho Continente.
Hoje, já é claro que o povo ucraniano podia ter sido poupado a esta catástrofe e a Europa a esta crise que atravessa, se os dirigentes mundiais tivessem sido inteligentes, ou se as indústrias do armamento não tivessem fome de vendas e sede de lucros. No terreno, a propaganda e a contrainformação têm sido armas tão letais quanto os mísseis, a artilharia, os tanques ou os aviões, daí resultando que pouco sabemos a respeito da verdade e do que se passa no terreno, mas também quanto às hipóteses de ser encontrada a paz.
Para além das ameaças e das provocações recíprocas que aconteceram anteriormente e da ilegalidade da invasão russa iniciada a 24 de Fevereiro, que foi enfrentada por uma inesperada resistência ucraniana, pouco sabemos sobre o conflito, até porque as televisões manipulam a audiência ao misturarem, demasiadas vezes, opinião com notícia que, por definição, umas são verdadeiras e outras falsas.
Parece que, de facto, o conflito está para durar. Sabemos que uma parte do mundo condena a Rússia, mas sabemos que outra parte se abstém, que haverá crimes de guerra, que há fornecimentos maciço de armamento a inundar o território ucraniano e a destruir o país, mas pouco mais sabemos.
Nesse quadro, é muito interessante o anúncio hoje feito pelo jornal catalão El Periódico, que nos próximos dias irá fazer uma “viaje a las fronteras rusas, com paradas en Finlandia, Letonia, Lituania y Polonia, donde más temor há generado la invasión de Ucrania”. A reportagem dessa viagem chama-se Las fronteras de la ansiedad ou Viaje a la frontera del expansionismo ruso, pois nesses países haverá muita ansiedade quanto a uma eventual invasão russa. Talvez esta reportagem nos ajude a compreender melhor a realidade.

O Reino Unido à procura de um novo líder

O Reino Unido é considerado a mais antiga democracia do mundo moderno e, só por isso, o mundo admira este país, apesar de não lhe faltarem inúmeras contradições e escândalos, como se viu por exemplo no processo do Brexit.
Com as suas excentricidades que envergonhariam Winston Churchill ou Margareth Tatcher, o actual primeiro-ministro Boris Johnson perdeu a confiança dos seus pares do Partido Conservador e foi obrigado a renunciar ao seu cargo, pelo que foi aberto o processo de sucessão e a corrida eleitoral para escolher o próximo líder do partido e próximo primeiro-ministro. Apareceram inicialmente onze deputados candidatos, mas com algumas desistências e com a votação que os parlamentares conservadores foram fazendo, estão actualmente na corrida Liz Truss e Rishi Sunak.
Liz Truss tem 47 anos de idade, está no Parlamento desde 2010, é a actual Secretária de Estado para os Assuntos Estrangeiros, da Commonwealth e Desenvolvimento e, no processo do Brexit, foi apoiante do remain, isto é, esteve contra o Brexit.
Rishi Sunak tem 42 anos de idade, está no Parlamento desde 2015 e foi Chanceler do Tesouro, cargo a que renunciou por divergências com Boris Johnson, daí resultando o início da actual crise.
Liz Truss e Rishi Sunak pertencem ao mesmo Partido Conservador e ambos fizeram parte do governo de Boris Johnson. Um deles será o próximo primeiro-ministro da Grã-Bretanha. Até ao dia 5 de Setembro, data em que termina a votação dos cerca de 160 mil membros do Partido Conservador e em que será anunciado o vencedor, tanto Truss como Sunak andarão numa roda-viva por todo o país à caça do voto.  Hoje o jornal The Independent recorda que serão os membros do Partido Conservador com quotas pagas – 0,34% do eleitorado britânico – que vão escolher o próximo líder do partido Conservador e o próximo primeiro-ministro do Reino Unido.
Embora o jornal não o afirme expressamente, sugere que é uma grande distorção da Democracia, pois 160 mil cidadãos vão "substituir" cerca de 50 milhões de eleitores.

sábado, 30 de julho de 2022

As eleições no Brasil com Lula na frente

As eleições gerais no Brasil estão marcadas para o próximo dia 2 de Outubro, o que significa que estamos a cerca de sessenta dias da sua realização. Nos tempos que correm, que são de grande instabilidade mundial, o Brasil precisa de uma presidência respeitada e coerente, para inspirar o progresso económico e social dos brasileiros e para fazer com que a sua voz seja ouvida internacionalmente.
Todas as eleições geram expectativas de mudança e o Brasil não escapa a essa regra, tudo se polarizando em torno de dois candidatos: o actual presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A campanha eleitoral já está na rua e as sondagens vão aparecendo, embora haja sondagens para todos os gostos, como se costuma dizer em Portugal. Porém, a sondagem do Instituto Datafolha publicada pelo jornal Folha de S.Paulo será, porventura, a mais credível de todas e se há um mês indicava que as intenções de voto eram de 47% para Lula e de 28% para Bolsonaro, a mais recente indica os mesmos 47% para Lula e 29% para Bolsonaro, significando que embora a distância percentual tivesse passado de 19 para 18 pontos percentuais, o candidato Lula mantém-se estável na frente da corrida eleitoral para o Palácio do Planalto. As sondagens colocam Ciro Gomes, o candidato do PDT, que é um partido de centro-esquerda, na terceira posição com 8% das intenções de voto, o que potencia um resultado favorável a Luiz Inácio Lula da Silva logo na 1ª volta, ou na 2ª volta, que se realiza a 30 de Outubro.
Os brasileiros saberão escolher. Deste lado do Atlântico é muito baixa a estima pelo Jair, enquanto é grande a simpatia por Luiz Inácio que é considerado um amigo de Portugal.

sexta-feira, 29 de julho de 2022

O regresso de Napoleão à cidade de Rouen

Num tempo de férias e de poucas notícias para além dos calores e dos incêndios florestais, em que pouco sabemos sobre o conflito na Ucrânia, as eleições brasileiras ou a sucessão de Boris Johnson, desperta alguma curiosidade a notícia de que Napoleão regressa do exílio, que hoje foi veiculada na edição de Rouen do quotidiano Paris-Normandie.
Afinal trata-se simplesmente do retorno da estátua de Napoleão à praça do Hôtel de Ville de Rouen, ou se quisermos, à praça do Município ou da Prefeitura da cidade. A estátua equestre faz parte do património histórico da cidade e está colocada naquele local desde 1865, tendo sido fundida com o bronze dos canhões usados na batalha de Austerlitz que foi travada em 1805 e na qual o exército de Napoleão derrotou os exércitos austro-russos nos campos da Morávia.
Passados tantos anos, a autarquia decidiu proceder ao restauro da estátua que pesa sete toneladas, entregando o trabalho à Fonderie de Coubertin de Saint-Rémy-les-Chevreuse por 300 mil euros. Esse trabalho durou dois anos e ficou agora concluído. Ontem, numa operação inversa da desmontagem, a estátua chegou de madrugada e em duas partes: uma viatura pesada transportou o cavalo e o cavaleiro, enquanto a cabeça foi acondicionada e transportada numa viatura ligeira. Uma multidão de espectadores assistiu à chegada da estátua do imperador e, segundo refere o jornal, houve bandeiras, aplausos e palavras de ordem como “Viva o Imperador”, a saudar o regresso da estátua de Napoleão ao seu lugar.

quinta-feira, 28 de julho de 2022

Birmingham, XXII Commonwealth Games

A XXII edição dos Jogos da Commonwealth começam hoje na cidade inglesa de Birmingham e vão decorrer até ao dia 8 de Agosto.
Esta competição desportiva iniciou-se em 1930 como os Jogos do Império Britânico, mas a sua designação evoluiu ao longo dos tempos em função das circunstâncias internacionais, passando a ser designados como os Jogos do Império Britânico e da Commonwealth, depois como os Jogos da Comunidade Britânica e, actualmente, são designados como os Jogos da Commonwealth
São um importante acontecimento desportivo, embora nunca tenham adquirido o prestígio dos Jogos Olímpicos ou de outras competições mundiais. Este ano está anunciada a competição em 25 modalidades e a participação de 71 países ou regiões, nomeadamente da África (19), da Ásia (8), das Caraíbas e Américas (20), da Europa (10) e do Pacífico (14). Uma das curiosidades destes Jogos é o facto dos quatro países que constituem o Reino Unido (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte) se apresentarem com equipas separadas, ao contrário do que acontece nos Jogos Olímpicos em que competem sob a bandeira da Grã-Bretanha.
Se estes Jogos são uma forma que os britânicos têm para afirmar a sua pretensa superioridade, também são uma forma de muitos antigos territórios coloniais mostrarem a sua igualdade, pelo que despertam muito interesse no antigo império britânico.
Hoje o famoso jornal The Times of India publica um anúncio de um quarto de página assinado pela Adani Sportsline a desejar os melhores resultados ao Team India e a celebrar “os nossos campeões”, não só pelas suas medalhas, mas pela sua dedicação de horas, dias, meses e anos “para trazer glória à Índia”.

terça-feira, 26 de julho de 2022

A visita do Papa Francisco ao Canadá

O Papa Francisco, também designado como Santo Padre, é o Bispo de Roma e é o líder mundial da Igreja Católica Apostólica Romana que, segundo as estatísticas divulgadas pelo Vaticano, conta com 1,34 mil milhões de fiéis em todo o mundo, o que representa cerca de 17,74% da população mundial.
O catolicismo é a religião com mais seguidores no mundo, seguida do islamismo, do hinduísmo e do budismo. No seu milenar historial, a Igreja Católica procurou expandir-se e levar a sua palavra a todos os seres humanos, acontecendo que os portugueses tiveram um importante papel na sua difusão, nomeadamente no Brasil e em várias regiões de África e da Ásia do Sul e Oriental. Nessa sua missão apostólica, a Igreja Católica desempenhou um importante papel civilizacional e, através das missões e dos missionários, fomentou o progresso educacional e económico em muitas regiões, embora por vezes tivesse levado longe demais a sua intolerância perante as outras religiões, ou perante os comportamentos desviantes dos chamados hereges, através da brutalidade das práticas inquisitoriais. Daí que, em nome de toda a Igreja Católica e dos cristãos, o Papa João Paulo II tenha pedido desculpa pelos actos menos dignos praticados pela Igreja e pelos seus membros. Depois, nas suas visitas papais, os Papas passaram a pedir perdão dos excessos dos seus membros.
O Papa Francisco está no Canadá desde o passado domingo e tratou de pedir desculpa aos povos indígenas em nome da Igreja Católica, reconhecendo "o abuso espiritual, cultural, emocional, físico e sexual" que foi praticado sobre cerca de 150 mil crianças nas escolas e internatos canadianos geridos pela Igreja, desde cerca de 1870 até ao fim do século XX. Chamou-lhe uma "visita penitencial" e, aparentemente, amenizou um trauma canadiano que o mundo não conhecia. Um novo tempo começa, foi o título escolhido pelo Toronto Star.

domingo, 24 de julho de 2022

O rio Tejo e as alterações climáticas

Na sua mais recente edição, o semanário Nascer do Sol dedica uma grande reportagem ao rio Tejo que está a ser vítima da seca severa que afecta toda a península Ibérica e que, naturalmente, é uma consequência das alterações climáticas que estão a modificar o modo de vida no nosso planeta. O jornal escolheu para título de primeira página que o “Tejo já se atravessa a pé em Santarém”, acrescentando que há “pescadores sem peixe, agricultores sem água, barqueiros que são obrigados a alterar trajectos e atletas de canoagem que precisam de fugir às pedras”. Aparentemente o caudal do rio nunca foi tão baixo e há zonas em que parece ser possível atravessá-lo a pé. Porém, um velho habitante da margem do rio disse ao citado jornal que “o rio sempre esteve assim”, acrescentando que “há anos que isto acontece, não é novidade nenhuma”. Ao ler-se este título e esta notícia fica-se na dúvida sobre a real situação do rio Tejo e sobre o rigor desta informação, pois parece ser demasiado sensacionalista. 
O facto é que as ondas de calor dos últimos meses têm provocado graves danos económicos e ambientais por todo o território nacional, em que se destacam a vaga de incêndios florestais, a falta de água nos rios, os problemas no regadio e a diminuição da produção de energia hidroeléctrica.
Das suas cinco barragens, o rio Tejo tem duas em Portugal (Fratel e Belver), mas suspeita-se que o caudal na parte portuguesa do rio esteja a ser cortado algures em Espanha, o que é um problema sério que carece da atenção das autoridades ibéricas.
Com uma extensão de cerca de mil quilómetros, o rio Tejo é o maior rio da península e a sua bacia hidrográfica tem cerca de 80 mil quilómetros quadrados, o que significa que é quase do tamanho de Portugal. Para além dos seus aspectos económicos e ambientais, o rio Tejo é também uma memória histórica e cultural para os portugueses e para os seus poetas. 
A pensar na gesta da expansão marítima portuguesa, Fernando Pessoa escreveu que “pelo Tejo vai-se para o mundo”, enquanto Luís de Camões pediu inspiração às tágides, ou ninfas do rio Tejo, para compor a sua obra Os Lusíadas.
Portanto, cuidemos do rio Tejo!

sexta-feira, 22 de julho de 2022

Tour de France: desportivismo exemplar

A Volta à França em bicicleta, ou simplesmente Tour de France, realiza-se desde 1903 e é um dos maiores espectáculos desportivos do mundo, pois desperta o entusiástico interesse dos franceses, como se pode observar nas transmissões televisivas diárias de grande qualidade.
No corrente ano disputa-se a 109ª edição da prova e à partida, entre os favoritos encontravam-se à partida o esloveno Tajed Pogacar (UAE-Emirates), de 23 anos de idade e que venceu as duas últimas edições da prova, juntamente com o dinamarquês Jonas Vingegaard (Jumbo-Visma), de 25 anos de idade e que na última edição ficou em segundo lugar.
Nas primeiras 17 etapas do Tour eles justificaram o favoritismo que lhes era atribuído e estavam destacados nos dois primeiros lugares da classificação geral. Ontem, nos Altos Pirinéus, disputou-se a 18ª etapa entre Lourdes e a estância de esqui de Hautacam, com passagem pelo Col d’Aubisque e pelo Col de Spandellese. Era o confronto mais esperado entre os dois rivais. A cerca de 20 quilómetros da meta Pogacar e Vingegaard seguiam juntos na descida que antecede a última montanha, quando o esloveno caiu. O dinamarquês podia ter atacado, mas desacelerou até que o rival recuperasse e o alcançasse. Quando Pogacar chegou junto do seu adversário agradeceu-lhe com um aperto de mão. Foi um bonito gesto de fair-play a mostrar que mesmo numa competição de enormes interesses comerciais e financeiros, há espaço para o desportivismo e que “não vale tudo”, como acontece na maioria dos desportos-negócios. Pouco depois os dois ciclistas iniciaram a temível subida para Hautacam e a três quilómetros da meta, Jonas Vingegaard arrancou e foi mais forte, ganhando a etapa. No domingo será certamente o dinamarquês a triunfar na Volta à França e, provavelmente, o esloveno será o segundo classificado, mas estes dois jovens ganharam ambos em desportivismo e deram uma lição a muita gente. 
Assim é que é o desporto! Muitos jornais franceses publicaram hoje a fotografia de Jonas Vingegaard a cortar a meta no alto de Hautacam e chamaram-lhe o novo rei do Tour.

quinta-feira, 21 de julho de 2022

O encontro entre Rússia, Turquia e Irão

O presidente iraniano Ebrahim Raisi recebeu em Teerão o presidente russo Vladimir Putin e o presidente turco Recep Tayyip Erdogan e este encontro, que não suscitou o interesse da imprensa internacional, foi de grande importância política, pois juntou os líderes de três poderosos actores da cena internacional. Cada um destes países tem interesses próprios na Ásia Ocidental e no Médio Oriente e, cada um a seu modo, procura maior protagonismo internacional e mostra desconfiar e resistir às influências ocidentais.
A Rússia está envolvida na sua “operação militar especial” na Ucrânia, o Irão mantém um apertado braço de ferro com a Arábia Saudita a propósito do Iémen e a Turquia, que é membro da NATO, parece estar a planear a sua própria “operação militar especial” no Curdistão sírio.
Na agenda deste encontro parece ter estado a proposta apoiada pela ONU para a retoma das exportações de cereais ucranianos através do Mar Negro, para aliviar a crise alimentar mundial, mas terá sido o conflito na Síria, onde os três países se envolveram para combater o terrorismo do Estado Islâmico e de outros grupos radicais, que dominou a reunião.
Poucos dias antes, também o presidente Joe Biden esteve em Israel e na Arábia Saudita, que são aliados dos Estados Unidos e os principais rivais do Irão, para reforçar os laços de cooperação americanos com esses países e, certamente, para vender equipamento militar.
Assim vai este mundo, onde parece que se andam a “contar espingardas”, esquecendo-se os urgentes problemas das alterações climáticas, da pobreza e da fome, entre muitos outros. Como referiu o secretário-geral das Nações Unidas António Guterres, temos uma escolha: acção colectiva ou suicídio colectivo.
Este encontro de Teerão não se inscreve na lógica de António Guterres, mas quebrou algum isolamento internacional da Rússia e fez com que Vladimir Putin recebesse o apoio firme do líder supremo iraniano Ali Khamenei. A fotografia publicada pelo jornal espanhol El País mostra como foi politicamente importante o encontro de Teerão.

terça-feira, 19 de julho de 2022

Devoção marinheira à Virgen del Carmen

O dia 16 de Julho é, para os espanhóis, o Dia de Nuestra Señora del Carmen, padroeira das gentes do mar, isto é, da Armada, da Marinha Mercante e das Marinhas de Pesca, Desportiva e Científica. É um dia de grande devoção das comunidades e das corporações marítimas, conforme se observa através da alargada cobertura que a imprensa espanhola e, em especial, aquela que se publica nas comunidades autónomas mais ligadas ao mar, dedicam a esta festividade.
A devoção das gentes do mar à Virgen del Carmen tem raízes históricas que remontam ao século XVI, mas a veneração e a prática devota evoluíram de forma diversa nas diferentes comunidades espanholas, embora tenham como pontos comuns as verbenas ou festas populares laicas, as procissões marítimas e os hinos de homenagem à Virgen marinera ou à Estrella de los mares
Depois de terem estado suspensas durante três anos por causa da pandemia, as festividades regressaram com forte aposta nas procissões marítimas de devoção à Virgen marinera para abençoar as águas do mar, tendo havido comunidades que as promoveram depois de muitos anos de interregno. São essas procissões marítimas que dão um carácter de tradição popular às festividades em honra da Virgen del Carmen, que este ano foram realizadas em muitas localidades, designadamente nas Astúrias, Cantábria, Galiza, Andaluzia, Canárias e em Ceuta.
A Armada espanhola veio a proclamar a Virgen del Carmen como a sua padroeira em 1901, oficializando uma tradição que já tinha profundas raízes populares, tendo adoptado como seu hino a Salve marinera:

Salve! Estrella de los mares, de los mares iris, de eterna ventura.

Como sabemos, algumas comunidades marítimas portuguesas também cumprem as suas devoções em procissões marítimas, desde Viana do Castelo aos Açores.

segunda-feira, 18 de julho de 2022

O calor chegou aos 41ºC no Reino Unido!

Não é habitual que nos inspiremos no noticiário da prensa amarilla, ou imprensa cor-de-rosa, para seleccionar os temas tratados na ruadosnavegantes, não só porque essa imprensa se dedica a assuntos de menor interesse social e de ética do jornalismo, mas também porque cultiva o sensacionalismo e o voyeurismo. Daí que nunca tivéssemos aqui trazido o The Sun, um jornal diário de formato tablóide e de grande circulação, que se publica no Reino Unido e na República da Irlanda. 
Porém, a anormal onda de calor que tem afectado e provocado inúmeros incêndios florestais na península Ibérica, na França e na Itália, também chegou às ilhas Britânicas, pelo que os serviços meteorológicos britânicos, o chamado Met Office, accionaram pela primeira vez o alerta vermelho pois as temperaturas previstas aproximavam-se dos 40ºC. 
O jornal The Sun foi feliz no título que escolheu para a sua edição de ontem, pois classificou a situação que está a afectar o Reino Unido como escaldante e escreveu: mais quente que o Sahara… a Índia… o Paquistão… a Argélia… e a Etiópia.
Segundo os meteorologistas europeus, a onda de calor que tem afectado a península Ibérica vai alastrar para o norte e para o leste europeus, esperando-se que dê origem a máximos históricos de temperaturas em vários países, nomeadamente na Alemanha e nos Países Baixos, mas também na região balcânica. As alterações climáticas são cada vez mais evidentes e, realmente, ninguém esperava que os termómetros marcassem 41ºC em Londres.