quinta-feira, 7 de setembro de 2023

Os portugueses estão na Rugby World Cup

Começa amanhã em Paris a décima edição da Rugby World Cup, um torneio que é considerado o terceiro acontecimento desportivo mais importante que se realiza no nosso planeta, só ultrapassado em audiência pelo Campeonato do Mundo de Futebol e pelos Jogos Olímpicos. 
Participam vinte selecções nacionais que foram divididas em quatro grupos e os jogos do torneio vão realizar-se entre os dias 8 de Setembro e 28 de Outubro, em nove diferentes cidades francesas. O jogo inaugural vai disputar-se amanhã no estádio de Saint-Denis entre duas das selecções favoritas: a França e a Nova Zelândia.
Depois de ter participado nesta fase final em 2007, que também se realizou em França, na qual perdeu os quatro jogos realizados e ficou em 19º lugar na classificação final, a selecção portuguesa volta a estar presente na fase final da Rugby World Cup, estando incluída no Grupo C com o País de Gales, a Austrália, Fiji e a Geórgia. A sua estreia nesta sua segunda participação neste torneio acontecerá no dia 16 de Setembro contra o País de Gales e, naturalmente, todos desejamos que a equipa portuguesa tenha bons resultados.
As nove anteriores edições da prova tiveram como vencedores a Nova Zelândia (3 vezes), a África do Sul (3 vezes), a Austrália (2 vezes) e a Inglaterra (uma vez), mas os franceses que já foram vice-campeões por três vezes esperam que desta vez possam vencer o torneio e, finalmente, possam ser campeões do mundo, como tanto desejam. É essa a mensagem que, na sua edição de hoje, o jornal La Dépêche du Midi, que se publica na cidade de Toulouse - a capital do rugby francês - transmite aos seus jogadores.

segunda-feira, 4 de setembro de 2023

Lisboa quase ignorou a Tall Ships Race 23

A edição de hoje do jornal La Voz de Cádiz anuncia que os grandes veleiros que tomam parte na Gran Regata, ou na Tall Ships Race 2023, partiram ontem de Lisboa, esperando-se que amanhã cheguem ao porto de Cádis.
A Tall Ships Race é um evento organizado anualmente que reúne os grandes veleiros de diferentes países que cumprem uma itinerância por diferentes portos e que, por vezes, é associada a uma efeméride relevante para uma ou mais cidades de acolhimento. Este ano, essa grande festa de confraternização de veleiros a que se costuma chamar regata, celebrou a primeira viagem de circumnavegação iniciada em 1519 por Fernão de Magalhães e completada em 1522 por Sebástian de Elcano. O ponto de reunião dos veleiros aconteceu em Falmouth, no Reino Unido, seguiu-se a navegação para La Coruña e depois para Lisboa, onde os veleiros estiveram desde o dia 31 de Agosto até ontem.
Exceptuando, uma ou outra breve notícia televisiva, o assunto foi ignorado pela comunicação social portuguesa, o que é bem curioso, mas também muito triste. A presença de tantos veleiros num qualquer porto é um espectáculo de grande beleza e uma memória viva das navegações que descobriram o mundo, mas também uma afirmação de juventude e de apelo à preservação do ambiente marítimo. Isso não interessou os jornais portugueses que hoje falam de futebol, da crise da habitação, do arranque do ano escolar e do preço dos combustíveis, ao contrário do que fez o jornal La Voz de Cádiz que publicou hoje uma fotografia a toda a largura da sua primeira página do navio-escola Sagres, a sair o estuário do Tejo. 
Que pena não termos jornais assim.

sábado, 2 de setembro de 2023

O “Doble João” ou as loucuras do futebol

Como não há grandes notícias do estado do mundo para além do já famoso caso Rubiales, nem das meteorologias adversas que nos apoquentam, têm sido as politiquices internas a incomodar-nos e a indicar-nos que a corrida para Belém já começou. O pequeno Luís antecipou-se, mas o Pedro, o Paulo e o Cherne não ficaram calados e já mostraram que têm aspirações a ser frequent flyers dos nossos Falcon.
Nessas circunstâncias, são as transferências futebolísticas que ocupam as manchetes da imprensa e mostram que não falta dinheiro no mundo do futebol, embora poucas vezes se saiba de onde vem.
Hoje a imprensa desportiva espanhola destaca a transferência para o Fútbol Club Barcelona, não de um João, mas de dois Joãos. O jornal catalão L’Esportiu anuncia um Doble João. É uma alegria para os Joãos de Portugal!
O mesmo clube que gastou milhões com Messi e com Neymar, abriu os cordões à bolsa e comprou dois dos melhores futebolistas portugueses. Não se sabe onde foi buscar o dinheiro nem de quanto necessitou, pois os problemas financeiros do FC Barcelona têm uma escala inimaginável e até se diz que Messi abandonou o clube, apenas porque já tinha secado o pote do clube blaugrana, que terá uma dívida de três mil milhões de euros. O problema é que o clube e a afición querem vitórias, não havendo quem os obrigue a não gastarem o que não têm. E a situação tende a piorar…
Os Joãos estão certamente muito contentes, a afición vai exigir-lhes que joguem bem e metam muitos golos, enquanto nós lhes desejamos que sejam felizes.

quinta-feira, 31 de agosto de 2023

Is the U.S. going cold on Ukraine?

O espaço mediático está saturado de informação sobre a guerra na Ucrânia, uma parte verdadeira e outra parte não verdadeira, ou uma parte independente e outra parte manipulada. Para o cidadão comum, é mesmo difícil perceber o que se passa no terreno, pois são tantos os comentadores e tantas as opiniões, muitas vezes disfarçadas de notícias, que todos só podemos ficar baralhados. Porém, o que é mais evidente nesta tragédia que caiu sobre o povo ucraniano, é o conteúdo bélico de quase tudo o que se diz, incluindo o desenvolvimento da contraofensiva ucraniana, a robustez das linhas defensivas russas, a chegada dos F-16, o efeito da guerra de drones ou a garantia das partes que sairão vitoriosas deste conflito.
Segundo revela hoje o Evening Standard, até agora os Estados Unidos já contribuíram com cerca de 62 mil milhões de libras em ajuda militar, enquanto o Reino Unido se ficou pelos 4,6 mil milhões, mas “em ambos os casos, uma grande parte desse dinheiro reverte para as indústrias de defesa dos Estados Unidos e do Reino Unido”. O resultado é terrível e, segundo o Pentágono, a Rússia já perdeu 270 mil soldados mortos e feridos e a Ucrânia tem um saldo de 200 mil mortos e feridos desde o início da guerra.
O governo ucraniano está preocupado com o arrefecimento do apoio americano, devido ao suposto fracasso da contraofensiva ucraniana, à aproximação da campanha eleitoral e à falta de apoio da opinião pública americana. Por isso, segundo o jornal, Zelensky, os ministros e os comandantes ucranianos estiveram recentemente na fronteira polaca para se encontrarem com altos comandos militares americanos, para lhes pedir que não abandonem o apoio à Ucrânia, nem forcem o país a negociar com a Rússia. O temor ucraniano em relação à vontade de muitos políticos democratas e republicanos americanos de parar o apoio à Ucrânia, é crescente. É por tudo isto que o Evening Standard diz, que é preciso parar os combates e conversar, conversar, conversar, como diria o Papa Francisco.

terça-feira, 29 de agosto de 2023

Turismo: será a galinha dos ovos de ouro?

A economia portuguesa tem registado boas taxas de crescimento do produto interno bruto e para esses bons resultados tem estado o turismo, que está a contribuir com cerca de 16%. 
Os números do turismo são impressionantes, a começar pelos mais de 31 milhões de passageiros que passaram nos aeroportos portugueses no 1º semestre do ano. O turismo está a ser uma verdadeira galinha dos ovos de ouro, como hoje se lhe refere o jornal i, mas pouco se tem falado das vantagens e das desvantagens de ter tantos turistas que deixam dinheiro na nossa economia, mas descaracterizam as cidades e “expulsam” os moradores dos centros das cidades.
Algumas cidades europeias já vivem o problema do excesso e dos excessos do turismo de massas e aponta-se o caso de Veneza, cujo centro perdeu quase toda a sua população em poucos anos, mas o mesmo se poderá dizer daquilo que está a acontecer em Barcelona, Berlim ou em Roma, mas também em muitas outras cidades europeias. Os moradores protestam porque o seu modo de vida e os seus quotidianos são perturbados porque as cidades estão a descaracterizar-se, com os preços dos arrendamentos e dos serviços a disparar e com a multiplicação dos hotéis. O comércio tradicional morreu. As esplanadas e as lojas de recordações inundam o espaço público, o trânsito tornou-se caótico com autocarros de turismo e os tuk-tuk, havendo multidões de pessoas a correr atrás de guias turísticos. Nos locais, turística ou culturalmente mais atractivos, formam-se filas extensas onde se passam horas de espera. O emprego criado pelo turismo é precário, exige baixas qualificações e é mal remunerado.
Parece ser a altura de se pensar nas vantagens e nas desvantagens de tanto turismo e na descaracterização cultural que provoca num país com 900 anos de história.

segunda-feira, 28 de agosto de 2023

O reencontro entre o Brasil e Angola

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou Angola onde foi recebido pelo presidente João Lourenço, mas ao contrário do que se faz por cá em que as comitivas presidenciais vão sempre com demasiados jornalistas, ele fez-se acompanhar por empresários para potenciar negócios entre as duas margens do Atlântico Sul.
O Brasil e Angola são dois importantes países atlânticos, cujas afinidades não passam apenas pela língua portuguesa e por fortes relações históricas, mas também passam por ligações culturais e afectivas.
Segundo informou o Jornal de Angola foram assinados sete acordos de cooperação que relançam as relações comerciais entre os dois países. De entre os acordos assinados destacam-se os que irão dinamizar a produção agrícola angolana, numa altura em que uma crise alimentar está a ameaçar o nosso planeta, embora ambos os países mostrem a vontade de reforçar a cooperação em todos os domínios.
São poucos os casos, se é que existem, em que dois países situados em dois continentes diferentes tenham tantas afinidades culturais, como acontece com o Brasil e com Angola. Por isso, o relançamento das relações entre os dois países é um facto que beneficia as suas populações, que reforça o eixo Brasil-Angola no quadro estratégico do Atlântico Sul e, por razões históricas e culturais, é um motivo de grande orgulho para Portugal. 
É um reencontro que, aparentemente, acontece devido à personalidade dos dois presidentes.

sábado, 26 de agosto de 2023

As acusações contra Trump e o seu futuro

Se acontecesse no Burkina Faso ou na Costa Rica, a acusação de um ex-presidente por ter promovido uma tentativa de fraude eleitoral, não teria o enorme impacto que está a ter nos Estados Unidos e no mundo.
Tudo começou nas eleições presidenciais realizadas no dia 3 de Novembro de 2020, quando o republicano Donald Trump não conseguiu ser reeleito e foi derrotado pelo democrata Joe Biden. Nesse mesmo dia, o derrotado Trump iniciou um processo de contestação dos resultados eleitorais, em que nunca reconheceu a sua derrota e procurou revertê-la, num processo em que o seu ponto mais simbólico foi a ocupação do Capitólio no dia 6 de Janeiro de 2021. Na estratégia de Trump e da sua equipa esteve a tentativa de “encontrar” ou “inventar” quase doze mil votos no estado da Geórgia, mas também no Arizona, que o colocariam à frente de Joe Biden e alterariam a seu favor a repartição dos 538 delegados no Colégio Eleitoral.
A estratégia de Donald Trump falhou e ele foi acusado, juntamente com aqueles que, consciente e voluntariamente, se lhe juntaram numa conspiração para alterar ilegalmente o resultado das eleições. Por isso, foi preso na Geórgia onde ficou registado como o preso nº P01135809, mas ao fim de vinte minutos saiu em liberdade depois de pagar uma caução de 200 mil dólares.
Nesse mesmo dia realizou-se o primeiro debate das eleições primárias do Partido Republicano e, entre outros, lá estiveram Ron DeSantis, o governador da Florida, Mike Pence, o ex-vice-presidente de Donald Trump, e Nikki Haley, a ex-governadora da Carolina do Sul e ex-embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas.
Donald Trump não esteve nesse debate apesar de ser o favorito nas sondagens sobre a intenção de voto dos americanos e de uma eventual condenação nos processos em curso não o tornar inelegível nos Estados Unidos. A América parece estar dividida entre os que apoiam e os que rejeitam Donald Trump, um "enemy of Democracy" como hoje se lhe refere o Daily News. Falta muito tempo e, como diz o povo, “o futuro a Deus pertence”.

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

MRS: de Monte Gordo a Varsóvia e Kiev

Tem sido uma canseira! Já não nos bastava o calor tórrido que suportamos e ainda temos que aguentar este descontrolo comunicacional de ver e ouvir o Supremo Magistrado da Nação a toda a hora, quase sempre a dizer banalidades. A praia de Monte Gordo e o veto ao chamado programa da habitação foram uma espécie de estágio, tantas foram as suas aparições televisivas, mas o melhor estava para vir com a visita feita a Varsóvia e Kiev, para onde se deslocou com uma muito numerosa e injustificada comitiva de jornalistas, para que registassem o seu habitual exercício de narcisismo presidencial.
A visita a Kiev de qualquer líder político é importante, desde que leve consigo qualquer contributo para uma boa solução do actual conflito e o presidente Marcelo Rebelo de Sousa podia ter tido esse papel histórico de mostrar solidariedade para com o povo ucraniano, mas também de mostrar que a paz é necessária e tem que ser procurada. Podia ter estado em linha com o Papa Francisco e com António Guterres, mas esteve alinhado com Jens Stoltenberg e os seus falcões. Numa altura em que há muitos silêncios - quem sabe se a denunciar que já se procuram soluções diplomáticas para o conflito na Ucrânia – o presidente MRS optou pelo mais fácil e fez um discurso de conveniência, apoiando a continuação da guerra como Zelensky e a indústria do armamento desejam, quando se esperaria que cumprisse a Constituição Portuguesa que, no seu artigo 7º, afirma que nas relações internacionais Portugal se rege pelo princípio “da solução pacífica dos conflitos internacionais”. 
Não foi isso que fez e como hoje escrevia um jornal de Lisboa, “Marcelo foi ver a guerra”. Esperava-se mais.

O orgulho nacional indiano está em alta

A India está a viver um dos momentos mais eufóricos da sua existência como país independente, pois tornou-se o primeiro país a pousar com sucesso no polo sul lunar e o quarto país a aterrar com sucesso na Lua, o que só acontecera antes com os Estados Unidos, a antiga União Soviética e a China. 
A missão espacial Chjandrayaan-3 da ISRO (Organização Indiana de Investigação Espacial) pousou ontem nas proximidades do polo sul lunar, poucos dias depois da nave não tripulada russa Luna-25, ter colidido com a superfície lunar, o que destaca ainda mais o sucesso do programa espacial indiano e mostra ao mundo o enorme desenvolvimento científico e tecnológico deste país com mais de 1.400 milhões de habitantes.
O jornal The Pioneer que se publica em várias cidades indianas, escolheu como título de primeira página “tiranga on the moon”, o que significa que a bandeira indiana, habitualmente referida como tiranga ou tricolor, foi hasteada na Lua. É o delírio para milhões de indianos que podem gritar Jay Hindi, o seu mais mais vibrante grito patriótico e de unidade nacional.
A Índia é um estado federal constituído por 28 estados e sete Union Territories, sendo um país de contrastes culturais, religiosos e linguísticos, em que convivem 22 línguas oficiais e mais de quatro centenas de idiomas e dialetos, para além de inúmeras cadeias de televisão, companhias aéreas e empresas de serviços telefónicos. As desigualdades são brutais e resultam tanto das condições económicas da população, como do regime de estratificação social que domina a sociedade indiana. É um país demograficamente assimétrico em que convivem o mundo da pobreza e o mundo da prosperidade, do desenvolvimento tecnológico e da ambição internacional, de que a chegada à Lua é apenas um exemplo.

terça-feira, 22 de agosto de 2023

A Cimeira dos BRICS e a ordem mundial

Iniciou-se hoje em Joanesburgo a 15ª Cimeira dos BRICS – Brasil, Rússia, India, China e África do Sul – mas o anfitrião, que é o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa, convidou os líderes de sete dezenas de países para participar na referida cimeira, tendo sido anunciado que 22 desses países já pediram para integrar este grupo.
Embora não tenha sido anunciado qualquer objectivo antiocidental, este grupo e esta cimeira são claramente um desafio para a ordem internacional vigente. Hoje o jornal católico francês La Croix, anuncia mesmo que os BRICS são uma aliança contra o dólar e que vão discutir a criação de uma nova moeda compartilhada por todos para reduzir a dependência do dólar como moeda de de troca, mas também o fim da guerra na Ucrânia.
A ausência do presidente russo Vladimir Putin, que é alvo de um mandado de captura do Tribunal Penal Internacional, é o aspecto mais destacado desta cimeira, onde se podem ou não dar passos no sentido de uma nova ordem mundial multipolar e mais igualitária, em que seja atenuado o actual domínio dos Estados Unidos e da Europa. Muita gente se recorda da Conferência de Bandung, realizada na Indonésia em 1955, em que os países não-alinhados se fizeram ouvir e o movimento anticolonial não mais parou, procurando encontrar alguma semelhança entre a Conferência de Bandung de 1955 e a corrente Cimeira de Joanesburgo de 2023.
Actualmente, os cinco membros dos BRICS representam 42% da população mundial, 30% da superfície do planeta, 23 % do produto mundial e 18% do comércio global e, alguns deles, não escondem as suas ambições.

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

O delírio espanhol com um título mundial

Todos os jornais espanhóis enchem hoje a sua primeira página com uma fotografia de homenagem à equipa feminina de futebol da Espanha, que ontem bateu a equipa inglesa na final da FIFA Women’s World Cup 2023 disputada em Sydney. Um desses jornais é o El País, que na sua capa abdicou de todo o seu noticiário internacional e da problemática da formação do novo governo espanhol, para destacar as novas “campeonas del mundo”.
Foi o delírio completo e a imprensa limita-se a reflectir a onda de entusiasmo nacional que atravessa toda a Espanha. Os povos vivem destas alegrias e o delírio espanhol é justificado. Num país onde são enormes as rivalidades regionais, as tensões separatistas e a diversidade linguística e cultural, esta vitória futebolística trouxe consigo um sentimento de unidade nacional que há muitos anos não se verificava. As “campeonas del mundo” deram um bom contributo para a unidade da Espanha e "nuestros hermanos" estão em festa. 
Hoje, o rei Filipe VI recebe os dois principais líderes políticos espanhóis que são candidatos a primeiro-ministro, respectivamente Pedro Sánchez e Alberto Núñez Feijóo. Os dois principais blocos políticos espanhóis estão empatados e a governabilidade depende dos compromissos e das alianças com os pequenos partidos, mas sobretudo das suas exigências. O rei tem apenas um poder moderador e a situação é complexa mas, provavelmente, o ambiente no palácio de La Zarzuela será de serenidade e boa disposição, porque todos ainda estarão a viver a euforia da vitória espanhola na FIFA Women’s World Cup 2023.

domingo, 20 de agosto de 2023

O inferno dos incêndios florestais

Continua muito activa, agressiva e persistente a onda calor que está a afectar várias regiões do hemisfério norte e as televisões vão mostrando as calamidades ecológicas, a ansiedade das populações e, em alguns casos, também as tragédias humanas que vão acontecendo em diferentes regiões do mundo.
A ilha hawaiana de Maui e a cidade de Lahaina foram vítimas do pior desastre natural que o arquipélago alguma vez suportou, enquanto a atlântica ilha de Tenerife também enfrenta um incêndio florestal de grandes dimensões, que já obrigou à evacuação de milhares de pessoas. Porém, os incêndios que têm afectado o Canadá, antes na província do Quebec e agora na província da Colúmbia Britânica, têm mostrado uma preocupante dimensão e perigosidade, tendo obrigado alguns milhares de pessoas a deixar as suas casas para evitar a ameaça do fogo. Na pequena cidade de Yellowknife, a capital e principal comunidade dos Territórios do Noroeste, que fica situada a cerca de 400 quilómetros do círculo polar ártico, as autoridades estão a tentar retirar todos os seus vinte mil moradores para os proteger da ameaça do fogo.
O jornal The Globe and Mail que se publica em Toronto e noutras seis cidades canadianas, destacou na sua edição de ontem os incêndios florestais que assolam o país e escolheu a palavra inferno, para definir a gravíssima situação que afecta muitas regiões do planeta e nos remete - a todos - para o problema das alterações climáticas.

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

A nova geopolítica do futebol global

O mundo está a mudar demasiado depressa em todos os domínios e em todas as geografias e, muitas vezes, os humanos nem se apercebem como a mudança é rápida e incontrolável. Até o futebol, que é um belo espectáculo artístico que entusiasma e diverte meio mundo, está em acelerada mudança e, cada vez mais, parece jogar-se fora dos relvados e estar transformado num negócio com contornos quase obscenos.
Durante muitos anos, o sonho dos futebolistas de todo o planeta era jogar na Europa, sobretudo na 1ª Liga Inglesa e em grandes equipas como o Manchester United, o Real Madrid ou a Juventus. Porém, nos últimos tempos, também o mundo do futebol foi surpreendido por mudanças rápidas e inimagináveis, quando o futebolista Cristiano Ronaldo decidiu ir jogar para a Arábia Saudita e, logo a seguir, também o futebolista Lionel Messi optou por jogar nos Estados Unidos, isto é, apesar de estarem na fase descendente das suas carreiras, os dois mais famosos futebolistas do século XXI não resistiram ao apelo do dinheiro. O mundo do futebol anda deslumbrado com tanto dinheiro e muitos futebolistas deixaram-se contagiar, arrastando consigo legiões de elementos que os acompanham, onde se incluem treinadores, preparadores físicos, directores desportivos e muitos outros agentes ligados a este mundo, mais dominado pelo dinheiro do que pela arte do futebol.
Na sua mais recente edição a revista brasileira Placar trata da “antiga geopolítica da bola” e da nova ordem mundial, destacando na sua primeira página as fotografias dos dois futebolistas que renunciaram às elites europeias que dominaram o futebol e simbolizam a nova geopolítica da bola.

terça-feira, 15 de agosto de 2023

As “mulheres invisíveis” do Afeganistão

O jornal austríaco Kleine Zeitung, que se publica na cidade de Graz, evocou na sua edição de hoje o segundo aniversário da retirada americana de Cabul e da tomada do poder pelos talibã, com uma reportagem sobre as “mulheres invisíveis” do Afeganistão e as condições de opressão a que são sujeitas pelo regime que governa o país. 
A fotografia da capa desta edição mostra várias mulheres afegãs, naturalmente vestindo a burka, uma vestimenta azul que cobre todo o corpo, incluindo o rosto, com uma pequena rede a cobrir os olhos para que a portadora possa usar a visão.
Essa situação conduz-nos a Outubro de 2001, quando à revelia das Nações Unidas, os Estados Unidos sob a liderança de George W. Bush e com o apoio do Reino Unido invadiram o Afeganistão com o objectivo de derrubar o governo dos talibã, capturar Osama bin Laden como responsável pelos atentados de 11 de Setembro de 1999 e desmantelar a Al-Qaeda. As forças americanas rapidamente tomaram Cabul, a capital do país, mas a resistência talibã continuou a sua guerra contra os ocupantes. Por isso, a partir de Agosto de 2003, também a NATO se envolveu militarmente no conflito, sem que se soubesse porquê.
O custo da guerra levou os americanos a equacionar a sua retirada desde 2011, mas só em 2020, após quase vinte anos do conflito, os Estados Unidos negociaram com os talibã um acordo de paz que previa a retirada americana do Afeganistão a partir de 2021. Os talibã iniciaram então uma ofensiva militar em larga escala, ocuparam grande parte do território e cercaram Cabul, tendo Hamid Karzai, o presidente da República Islâmica do Afeganistão, abandonado o país. No dia 15 de Agosto de 2021, os combatentes talibã tomaram a capital, enquanto as tropas americanas quase ficaram bloqueadas no aeroporto de Cabul, a lembrar a retirada de Saigão em 1975. Os talibã regressaram ao poder, declararam o Emirado Islâmico do Afeganistão e impuseram a lei islâmica – a sharia – que é interpretada pelos líderes religiosos e é implacável, sobretudo para as mulheres.
Porém, entre tanta gente que esteve envolvida na guerra do Afeganistão, alguém se lembra disto?

segunda-feira, 14 de agosto de 2023

FIFA Women’s World Cup está a terminar

A 9ª edição do Campeonato do Mundo de Futebol Feminino (FIFA Women’s World Cup) está a realizar-se na Austrália e na Nova Zelândia, tendo a sua final no próximo domingo. Pela primeira vez na sua história, a equipa portuguesa foi apurada e esteve na Nova Zelândia, integrando o Grupo E, no qual defrontou as equipas dos Países Baixos, dos Estados Unidos e do Vietnam. Ganhou ao Vietnam por 2-0, empatou por 0-0 com os Estados Unidos e perdeu por 1-0 com os Países Baixos. O seu comportamento foi positivo e surpreendeu-me, mas foi eliminada e ficou em 19º lugar entre 32 países. Foi bem bom! Das 32 selecções participantes, houve dezasseis que passaram aos oitavos-de-final e que depois jogaram os quartos-de-final. Nesta altura estão apuradas as equipas que vão disputar as meias-finais e lutar por um lugar na final: Austrália, Inglaterra, Suécia e Espanha.
A televisão portuguesa encheu-nos os olhos e os ouvidos com informações num estilo de euforia desproporcionada, mas logo que a equipa regressou nada mais noticiaram.
Sobre o FIFA Women’s World Cup, apenas aqui deixo algumas curiosidades. A equipa portuguesa, apesar de ser estreante nesta prova, esteve ao nível do Brasil, da Itália e da Alemanha. A equipa americana que triunfou em quatro dos oito campeonatos já disputados e que ainda é a campeã do mundo, foi eliminada. Finalmente, o jogo dos quartos-de-final entre a Austrália e França, terminou com um empate e houve necessidade de recorrer à marcação de pontapés de grande penalidade. Foram marcados vinte e as australianas foram mais felizes pois concretizaram sete, enquanto as francesas só marcaram seis. O jornal The Sunday Times de Perth, classificou esse jogo como épico, mas toda a imprensa australiana dedicou as suas primeiras páginas a este formidável jogo.