quinta-feira, 26 de março de 2026

Uma mulher à frente da Igreja Anglicana

A Igreja da Inglaterra nomeou Sarah Mullally para ocupar o cargo de arcebispa de Cantuária, a posição mais alta da hierarquia da Igreja Anglicana de que passa a ser líder espiritual a nível mundial, sendo a primeira vez que uma mulher lidera aquela instituição religiosa em 1400 anos de história. O jornal The Times destaca este acontecimento com grande destaque na sua edição de hoje e não é caso para menos.
Sarah Mullally tem 63 anos de idade, foi nomeada bispa em 2015 e era a Bispa de Londres desde 2018. Antes de se tornar sacerdotisa aos 40 anos de idade, foi directora da enfermagem da Inglaterra com 37 anos de idade, tendo sido a pessoa mais jovem de sempre a ocupar o cargo.
A nova arcebispa tem um importante papel na vida pública inglesa pois tem assento na câmara alta do Parlamento (Câmara dos Lordes) e participa em em debates sobre questões sociais e religiosas e pode intervir em eventos de importância nacional. Porém, a nova arcebispa de Cantuária inicia o seu mandato num momento difícil para a Igreja Anglicana pois há muitos desacordos e controvérsias em questões sensíveis como o papel das mulheres, a benção a casais do mesmo sexo, os abusos sexuais revelados nos últimos anos e o tratamento das pessoas LGBTQ. A entronização da nova arcebispa decorreu na catedral de Cantuária, na presença do príncipe William e da mulher, do primeiro-ministro britânico Keir Starmer, bem como de representantes do Vaticano, da Igreja Ortodoxa e de representantes de muitas das 42 igrejas anglicanas. 
O exemplo da Igreja Anglicana e da Inglaterra pode ser que inspire o Vaticano e a Igreja Católica a repensar o papel das mulheres no seu futuro.

terça-feira, 24 de março de 2026

A grave agressão em curso contra o Irão

A guerra que está em curso no Médio Oriente contra o Irão e o seu regime é mais um caso em que a força se sobrepõe a todos os princípios do direito internacional e das regras de convívio entre as nações. Israel e os seus amigos americanos, ou os Estados Unidos e os seus amigos israelitas, decidiram agredir um país soberano com falsos pretextos, sobretudo em relação ao seu programa nuclear. Já com o Iraque de Saddam Hussein aconteceu algo de semelhante e o mundo não ficou melhor.
Mais uma vez a informação a que temos acesso através da imprensa, da televisão e da internet está formatada num só sentido, isto é, não se denuncia a agressão nem os agressores, mas critica-se o agredido apenas porque se defende e usa as armas de que dispõe. O massacre desinformativo interno e internacional a que nos sujeitam é tão intenso que muita gente fica condicionada e esquece não só os crimes cometidos pelo regime de Netanyahu contra os palestinianos, mas também este desvario do presidente Trump e a agressão americano-israelita contra o Irão.
Estamos na era da desinformação e as narrativas construídas para servir determinados objectivos ocupam completamente os espaços noticiosos e a cognição dos seres humanos, condicionando-os e manipulando-os, como se o interesse dos poderosos fosse a verdade. No conflito da Ucrânia, aqueles que criticam a Europa por ter sido parte no conflito em vez de ser moderadora, são “amigos de Putin”; no conflito do Irão, aqueles que criticam a agressão desencadeada durante a negociação são “amigos dos aiatólas”. É este o caminho de falsidades que o mundo está a fazer, nesta nova era da pós-verdade e das fake news.
No entanto, ainda há jornais que se destacam, como mostra a edição de hoje do jornal argelino Le Quotidien d’Oran que, sem hesitações, chama agressão à injustificada ofensiva da parelha Netanyahu-Trump.   

Angola evoca a batalha de Cuito Cuanavale

Ontem, dia 23 de março, celebrou-se o Dia da Libertação da África Austral, uma data que está associada à histórica batalha do Cuito Cuanavale, considerada um marco decisivo na luta contra o regime sul-africano do apartheid, na consolidação da independência da Namíbia e até na libertação de Nelson Mandela.
Desde que se tornou independente em 1975 que Angola viveu em guerra civil, sobretudo entre as forças do exército angolano (FAPLA) e as tropas da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), que ocupava o sudoeste de Angola e tinha a sua base na Jamba do Cuando. Em 1987 o governo angolano decidiu retomar o controlo dessa região e, entre os dias 15 de novembro de 1987 e 23 de março de 1988, ocorreu uma grande batalha na extinta província angolana do Cuando-Cubango que opôs as FAPLA e as tropas cubanas às tropas do exército sul-africano e da UNITA, sendo considerada uma das maiores batalhas no terreno do século XX. Foi uma dura e prolongada batalha com o envolvimento de milhares de soldados angolanos, cubanos, sul-africanos, namibianos e outros, com trincheiras, barricadas, artilharia, carros de combate e helicópteros. O sucesso militar foi reclamado por ambos os contendores, mas o facto é que os angolanos conseguiram expulsar os sul-africanos do seu território.
Em dezembro de 1988 o MPLA e a UNITA assinaram um acordo em Nova Iorque que levou à possibilidade da implementação da Resolução 435/78 do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
A batalha de Cuito Cuanavale foi o maior confronto militar da guerra civil angolana e alterou profundamente o panorama político e o futuro da África Austral. Na sua edição de ontem o Jornal de Angola recordou essa página da história de Angola.

sexta-feira, 20 de março de 2026

Que acabe a guerra antes que seja tarde

A edição de hoje do diário inglês The Independent inclui uma importante proclamação na sua primeira página que, pela sua originalidade e oportunidade, merece ser transcrita e traduzida.

 Declare vitória, se for necessário. Afirme que as forças     armadas do Irão estão enfraquecidas e que o seu           programa nuclear (que, segundo o seu chefe dos serviços de informação, não representava uma ameaça) está neutralizado. Mas, com a escalada dos preços do petróleo, é tempo de mostrar ao mundo que é você — e  não Netanyahu — quem controla. Então, Sr. Trump...  Pare com a loucura já – acabe com esta guerra antes que seja tarde

Lamentavelmente, nem a generalidade da imprensa mundial, nem a generalidade dos líderes europeus, têm mostrado desta forma tão afirmativa a necessidade de Donald Trump acabar com esta loucura que é a violação de todas as regras do direito internacional para atacar países soberanos de cujos regimes ele não gosta, mas que têm petróleo, sempre em nome da sua arrogância, narcisismo, ignorância e estupidez. O que Trump tem dito diariamente envergonha os americanos civilizados e a inteligência humana, mas também deveria envergonhar aqueles que se lhe submeteram, isto é, os Macrons e as Ursulas, os Rutte e os Merz, que se têm mostrado incapazes de enfrentar a loucura do Donald e de condenar o criminoso e genocida regime de Netanyahu que tudo destrói, em Gaza e na Cisjordânia, no Irão e no Líbano, sempre com a sua total indiferença ou cumplicidade. A economia mundial já está em crise e com ela vem o sofrimento de muita gente.

Como escreve The Independent é preciso que a guerra acabe, antes que seja tarde!

quinta-feira, 19 de março de 2026

Viva o SNS, marca da nossa democracia

O nosso país vive demasiadas situações contraditórias, como por exemplo os obscenos lucros anunciados recentemente pela Caixa Geral de Depósitos e pela Petrogal, que comparam com o risco de pobreza ou exclusão social que atinge 19,7% da população, isto é, há cerca de 2,1 milhões de portugueses em situação de vulnerabilidade.
Porém, há muitos outros sinais contraditórios e perturbadores na sociedade portuguesa, que vão desde a morosidade da Justiça até à crise demográfica, passando pela desertificação continuada do interior, pela limpeza urbana, pela indisciplina do trânsito, pela ausência da polícia de proximidade, pela degradação do património arquitetónico e natural, pela desinformação generalizada que nos cerca e, sobretudo, pelas incertezas que nos esperam no Serviço Nacional de Saúde (SNS), onde os sinais são bem contraditórios. De facto, enquanto se ouvem muitos utentes do SNS elogiando a qualidade e eficiência dos serviços prestados, também são recorrentes as más notícias quanto ao encerramento de serviços de urgência e às listas de espera para cirurgias e consultas.
O SNS tem sido uma bandeira do regime democrático que temos desde 1974, mas tem sido demasiadas vezes desconsiderado e prejudicado pela ganância dos grupos de saúde privados e por aqueles que se prestam a servir os seus apetites.
O facto é que, com as suas forças e fraquezas, o SNS continua a ser uma marca do nosso regime democrático e um exemplo de bem servir os que dele carecem, comparando bem com os serviços de saúde estrangeiros, designadamente com o “modelar” National Health Service (NHS) do Reino Unido. Ontem o jornal Daily Express anunciava que nos hospitais ingleses as pessoas morrem nos corredores sem alívio da dor”… Por cá não chegamos a esse ponto.
O SNS é uma equação bem difícil e, por isso, é preciso que esteja nas mãos de quem saiba resolver equações e não à mercê de carreiristas e de gente impreparada.

domingo, 15 de março de 2026

Memória e devoção a S. Francisco Xavier

Quase 15.000 peregrinos reuniram-se ontem à volta do castelo de Javier, na Comunidade Foral de Navarra, para celebrar a figura de S. Francisco Xavier, conforme relata a edição de hoje do Diário de Navarra, que se publica em Pamplona.
Celebrava-se o 86º aniversário da Javierada, uma peregrinação que é organizada pelo Arcebispado de Pamplona e Tudela desde 1940, mas cuja origem remonta ao século XIX, quando foi atribuída a S. Francisco Xavier a responsabilidade por livrar o povo navarro de uma epidemia de cólera. A peregrinação acontece todos os anos durante os dois primeiros fins-de-semana de março, quando milhares de peregrinos, sobretudo fiéis católicos e outros seguidores da sua obra missionária, inundam as estradas que levam ao castelo de Javier para venerar o santo.
Francisco de Azpilcueta (1506-1552) nasceu no castelo de Xavier, estudou em Paris e foi um dos fundadores da Companhia de Jesus. Em 1540 instalou-se em Lisboa, em 1541 embarcou para a Índia na nau Santiago e em 1543 foi nomeado como superior das missões orientais desde o cabo da Boa Esperança até à China. A partir de Goa e em missão de evangelização viajou depois para a costa do Coromandel, Malaca, Molucas, Macau, China e Japão. Faleceu na ilha chinesa de Sanchoão, mas as suas relíquias foram trazidas para Goa.
Em 1622 foi canonizado pelo Papa Gregório XV e em 1748 foi declarado Padroeiro do Oriente pelo Papa Bento XIV. É o “santo de Goa” e para os católicos goeses é o Goencho Saib. O seu túmulo encontra-se na Basílica do Bom Jesus, em Velha Goa, sendo visitado anualmente por cerca de dois milhões de peregrinos de todas as religiões, que querem ver o seu corpo e pedir a sua proteção.

sábado, 14 de março de 2026

O Irão, o Donald e as lições de Sun Tzu

Há cerca de 25 séculos o grande sábio chinês Sun Tzu escreveu A Arte da Guerra, provavelmente um dos mais importantes tratados militares e estratégicos que alguma vez foi escrito e, logo no início, afirma: “Toda a guerra é baseada no engano”.
Esta lição de Sun Tzu aplica-se ipsis verbis ao conflito no Irão porque se trata de um engano, de um caso de infoxicação, ou de uma situação de pós-verdade, um conceito aparecido em 1992, segundo o qual a verdade é irrelevante e a mentira prevalece como axioma indiscutível.
Donald Trump parece ser um perito no discurso pós-verdade porque mente descaradamente todos os dias e há quem o aplauda, inclusive na Europa, cujos dirigentes ele não desiste de humilhar. Porém, não se sabe o que realmente se passa no terreno porque as notícias são filtradas pelas propagandas de ambos os lados, que continuam a ameaçar-se mutuamente. Embora o Donald afirme diariamente que o Irão está derrotado e destruído, o facto é que o tráfego marítimo no estreito de Ormuz está cortado e que 16 navios já foram atingidos nas margens do golfo Pérsico, no estreito de Ormuz e até no mar de Omã, como mostra um mapa publicado na primeira página da edição de hoje do jornal The New Tork Times.
Anunciou-se que a guerra duraria uns dias, mas já vai em duas semanas…
Recorrendo ainda a Sun Tzu, ele afirma que a arte da guerra depende de vários factores, incluindo o comandante que, neste caso é, Donald Trump, tendo escrito: “O comandante deverá ter as virtudes da sabedoria, honestidade, benevolência, coragem e rigor”.
Como todo o mundo já viu, o comandante americano não possui nenhuma das virtudes apontadas por Sun Tzu e, por isso, Donald Trump vai perder porque, como disse o sábio chinês, “manter um exército fora do seu país leva ao empobrecimento do povo” e os americanos não aceitam isso. Já no Vietnam e no Afeganistão foi assim.

quinta-feira, 12 de março de 2026

A guerra de Trump e a resposta iraniana

O violento ataque que as forças da parceria Trump/Nenanyahu têm conduzido desde o dia 28 de fevereiro contra o Irão já terá causado grandes destruições e provocado mais de 1.200 mortos, mas na realidade as informações de que dispomos não são credíveis. O fanático Donald Trump já afirmou que ganhou a guerra e que o Irão foi destruído, mas o regime dos aiatolás promete atacar com a “máxima severidade” e continua a lançar drones e mísseis sobre os vizinhos, ou sobre as bases militares americanas. Por isso, pode afirmar-se que não sabemos a verdade sobre a situação.
Porém, como retaliação aos ataques da parelha fanática, desde o início que o Irão passou a atacar os navios-petroleiros que navegam no golfo Pérsico e no estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo, tendo já sido atingidos pelo menos 16 navios, segundo divulgou a agência marítima britânica UKTMO.
Ontem foi o dia mais intenso dos ataques iranianos à navegação do golfo Pérsico e pelo menos cinco navios foram atingidos, dois deles no porto iraquiano de Basra. Um outro navio atacado foi o MV Mayuree Naree, de bandeira tailandesa, atingido no estreito de Ormuz por dois mísseis iranianos, porque “ignorou os avisos “ que lhe foram feitos. Muitos jornais internacionais, como por exemplo o londrino The Times, publicaram fotografias dos navios atingidos.
O prolongamento da guerra e os ataques iranianos elevaram as preocupações quanto ao temor por um choque global de petróleo e um responsável iraniano até já avisou: “Preparem-se para o barril de petróleo a 200 dólares”. Assim, para além dos gigantescos prejuízos que a guerra de Trump trouxe para o mundo, embora com avultados lucros para as empresas do universo empresarial Trump, ainda estamos para saber se a vitória de Trump foi tão rápida e retumbante como ele tem afirmado.

quarta-feira, 11 de março de 2026

O petróleo e a crise provocada por Trump

Na sua edição de ontem Le Journal de Montréal destaca na sua primeira página que, num mês, o petróleo subiu de 50 para 120 dólares e que “a culpa é do presidente Trump”, pelo que o título principal é, simplesmente, Merci Donald.
Estamos perante mais um choque petrolífero. Esta subida exponencial do preço do petróleo tem repercussões graves em todas as economias e, portanto, vai perturbar os mercados, aumentar os custos de produção e os preços e, certamente, também vai conduzir a recessões e ao consequente desemprego, a não ser que a situação se altere rapidamente, isto é, até que o fanfarrão Donald Trump e o seu parceiro israelita parem com a injustificada agressão a um estado soberano, embora seja dominado por um regime ditatorial, cruel e sanguinário, que se inspira num fundamentalismo religioso. Porém, não é este exibicionismo de força e destruição, sob as ordens de dois tiranetes que actuam à revelia das Nações Unidas, que tem legitimidade para atacar o Irão.
A crise que já está a chegar à Europa, perante a submissão dos seus principais líderes às ameaças de Trump, também tenderá a transformar-se num choque alimentar, como consequência do aumento dos custos de produção agrícolas, sobretudo adubos e fertilizantes, enquanto os consumidores passarão a defrontar-se com a escassez de produtos e os preços mais elevados nos supermercados.
Portanto, tudo aponta para uma crise global em que só a indústria do armamento irá prosperar e em que Donald Trump e os filhos continuarão a enriquecer, agora com a sua ligação à indústria de produção de drones...
Porém, os canadianos do Quebec que acusam Donald Trump pelo aumento do petróleo e pela crise que já está a gerar, não estão sozinhos. 

Mudança em Belém: gratidão e confiança

Há menos de 48 horas aconteceu o render da guarda em Belém, isto é, aconteceu a mudança do titular do mais alto cargo da nação portuguesa, deixado pelo presidente Marcelo Rebelo de Sousa após ter cumprido dois mandatos entre 2016 e 2026, substituído pelo novo presidente António José Seguro, depois de ter jurado defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República.
A presidência de Marcelo Rebelo de Sousa foi globalmente positiva e foi dominada por uma íntima ligação afetiva aos portugueses, acompanhando-os nos momentos em que foram vítimas das tragédias naturais que nos aconteceram, mas também nos momentos de grande euforia nacional e de celebração de vitórias desportivas. Muitas vezes, o presidente Marcelo pareceu um de nós, na sua simplicidade, irreverência e proximidade mas, quando necessário, também soube afirmar-se como um homem de cultura erudita, um académico e um cosmopolita. Ele soube defender a Liberdade e a Democracia, esteve sempre e sem equívocos ao lado dos valores do 25 de Abril, o que nem sempre aconteceu no seio da sua família política. Não foi perfeito e demasiadas vezes falou demais e nunca ficou esclarecido o seu papel em algumas “conspirações”, como foi a queda do governo de António Costa.
Porém, a presidência de Marcelo merece a nossa gratidão.
António José Seguro chega a Belém como o presidente que conseguiu a maior vitória presidencial de sempre, com um discurso de serenidade e de moderação, com palavras mobilizadoras e agregadoras, livre, independente e “atento às desigualdades e comprometido com a justiça social e a dignidade humana”. Leva consigo para Belém uma diversificada carreira política, um singular conhecimento dos nossos desequilíbrios regionais e de um “interior abandonado e esquecido” e, last but not the least, leva consigo para Belém o espírito e os valores de Abril, tendo saudado “os Capitães de Abril, homens de coragem que abriram as portas da esperança a Portugal e devolveram a liberdade ao povo português”.
A presidência de Seguro merece a nossa confiança.

segunda-feira, 9 de março de 2026

Os povos da Europa dizem “não à guerra”

É cada vez mais evidente que as lideranças europeias são fracas, medíocres, subalternas, incompetentes e deslumbradas, vivem afastadas dos interesses das populações, protegem os seus amigos com lucrativos tachos em Bruxelas e participam conjuntamente numa espécie de competição de vaidades, de exibicionismos serôdios e de lamentáveis fotos de família a mostrar uma unidade e uma firmeza que não têm.
Não se imagina como é possível haver dirigentes europeus como Friedrich Merz, Emmanuel Macron, Ursula von der Leyen, Mark Rutte e alguns mais, tão subservientes a Donald Trump e tão cobardemente silenciosos perante o criminoso Benjamin Netanyahu, sem uma palavra de crítica à brutal agressão ao Irão, enquanto outros dirigentes como Winston Churchill, Charles de Gaulle, François Miterrand, Margaret Thatcher, Jacques Dellors e outros mais, devem dar saltos nos seus túmulos por assistirem a esta contínua auto-humilhação da Europa, em que as excepções serão Pedro Sánchez e Mette Frederiksen, pela forma corajosa como enfrentam as exigências de Trump.
O primeiro-ministro britânico Keir Starmer, que não está em competição directa com franceses e alemães, parecia ser uma voz autónoma e até negou autorização para que os aviões que estão a atacar o Irão usassem as suas bases, mas foi sol de pouca dura e depressa cedeu, esquecendo que o apoio directo para atacar o Irão tem menos de 10% de apoio no Reino Unido e que 50-58% dos britânicos se opõem a que os Estados Unidos ataquem o Irão a partir de bases britânicas.
Essa informação é divulgada hoje pela edição do jornal londrino Morning Star que anuncia que “a opinião pública britânica diz não a guerra”.
Haverá algum país na Europa onde a maioria da população não seja contra a guerra? Será que o Eurobarómetro tem essa resposta?

domingo, 8 de março de 2026

A famosa "mão invisível" de Adam Smith

Adam Smith (1723-1790) foi um filósofo e economista escocês que em 1776 publicou An Inquiry into the Nature and Causes of the Wealth of Nations, ou simplesmente The Wealth of Nations, uma obra que é considerada como um importante contributo para que a Economia se tivesse tornado uma ciência autónoma e que fez com que o seu autor seja considerado o pai da economia moderna. 
Ontem, o jornal canadiano National Post que se publica em Toronto, evocou Adam Smith e os 250 anos da publicação da sua mais importante obra, que continua a ser estudada nas escolas de economia e se popularizou pelo uso da expressão “mão invisível”. 
Esta expressão foi usada para explicar como os sistemas económicos e outros sistemas naturais e sociais se auto-regulam naturalmente e sem intervenção exógena, isto é, a economia é regulada por uma “mão invisível”. Segundo Adam Smith, os agentes económicos atuam no mercado em concorrência livre sendo movidos pelo seu próprio interesse. Assim, para vencerem a concorrência e venderem os seus produtos, os produtores fazem constantes inovações para valorizar os seus produtos e para baixar o seu preço. Tudo isto acontecia sem intervenção do Estado, com os mercados a ser controlados por uma “mão invisível”, que os regulava automaticamente, chegando à situação óptima ou de máxima eficiência. Dessa forma e segundo Adam Smith, é a “mão invisível” que determina as regras da oferta e da procura, que fixa os preços, que indica os limites da produção e do consumo, que orienta o mercado do trabalho.
Porém, as necessidades de equilíbrio social implicam a intervenção do moderno Estado na prestação de serviços sociais - saúde, justiça, educação, segurança e outros - pelo que a economia passou a ser planeada e, não contrariando a iniciativa individual, trata de “corrigir” as lições de Adam Smith.

Um americano fanfarrão, narciso e cruel

Ninguém imaginava que a grandeza e o poderio económico e militar dos Estados Unidos ficassem entregues a um psicopata louco e mentiroso, dominado por um narcisismo doentio, que manifesta uma brutal crueldade para com aqueles que não concordam consigo ou que não lhe obedecem, mesmo que tenha que violar todas as regras do direito internacional.
Tem sido dessa forma grosseira e sem pudor que Donald Trump tem ameaçado meio mundo e tem atuado, ou se propõe atuar, na Ucrânia e na Gronelândia, em Gaza e na Venezuela, no Irão ou em Cuba. O ataque agora feito ao Irão em coligação com o bárbaro extremista de Israel, tem sido comparado com “a infâmia” do ataque japonês a Pearl Harbour em 1941. De resto é cada vez mais evidente que o Donald segue as cruéis diretivas da lei da bomba impostas por Benjamin Netanyahu, acusado de crimes de guerra e crimes contra a humanidade, perante a vergonhosa cumplicidade de uma Europa sem rumo e sem princípios, em que a corajosa excepção tem sido Pedro Sánchez.
A opinião pública americana é contra a guerra e contra os ataques ao Irão, ou seja, é contra a política externa do fanfarrão Donald e o seu belicismo, enquanto a imprensa europeia de referência designa as operações em curso no Irão como a ”guerra de Trump”. Assim acontece na mais recente edição da revista alemã Stern, que mostra o homem do boné na sua habitual agressiva e arrogante pose.
É cada vez mais difícil que alguém sustente que haja qualquer tipo de legitimidade nesta agressão terrorista da parelha Trump/Netanyahu, os dois tiranos que o mundo enfrenta e que estão a destabilisar o nosso planeta. Contra Saddam Hussein inventou-se que possuia armas de destruição maciça, o que era falso. Agora contra o regime dos aiátolas inventou-se que o Irão teria armas nucleares e mísseis balísticos intercontinentais, o que também é falso. 
E ainda há quem elogie Trump e critique o Irão por se defender.

sexta-feira, 6 de março de 2026

R.I.P. António Lobo Antunes

António Lobo Antunes morreu ontem em Lisboa com 83 anos de idade e de imediato surgiu um coro de elogios à sua obra literária, que um crítico sintetizou numa simples frase: “O Nobel perdeu Lobo Antunes, não foi ele quem perdeu o Nobel”.
Nascido em Lisboa e licenciado em Medicina, foi mobilizado como médico militar para a guerra colonial no Leste de Angola e, no regresso, especializou-se em Psiquiatria. Porém, depressa  o gosto pela Medicina cedeu à sua paixão pela Literatura e aos 37 anos de idade publicou Memória de Elefante, o seu primeiro romance. Depois sucederam-se cerca de três dezenas de romances que levaram a crítica a considerá-lo um revolucionário da literatura portuguesa, sendo também considerado um dos grandes nomes da literatura mundial e sendo traduzido em mais de trinta línguas. O reconhecimento interno e internacional da sua obra levou a que em 2007 fosse distinguido com o Prémio Camões, o mais importante prémio da literatura em língua portuguesa, bem como com mais de uma dezena de prémios literários de grande prestígio em diversos países.
A notoriedade de António Lobo Antunes como escritor era grande até no estrangeiro e um dia, nos anos 1990 em Paris, um amigo francês que estava a ler António Lobo Antunes estranhou que eu nunca o tivesse lido. Fui a correr comprar Os Cus de Judas para não voltar a ser humilhado pela minha ignorância literária. 
António Lobo Antunes foi uma das mais importantes figuras da cultura portuguesa contemporânea e na sua obra, entre outras temáticas, retrata uma geração que viveu a experiência da guerra colonial e do fim do império, sempre com um olhar de grande sensibilidade e humanidade.
Na sua edição de hoje o jornal Público presta-lhe uma justa homenagem.
A cultura portuguesa está de luto.

quinta-feira, 5 de março de 2026

Destroços de guerra são atração turística

O devastador ataque que Donald Trump e o seu parceiro Benjamin Netanyahu desencadearam contra o Irão é uma violação do direito internacional, sem a cobertura das Nações Unidas e sem justificação, mesmo considerando a extrema violência do regime iraniano sobre a sua população. É um confronto de regimes cujos dirigentes são fanáticos que excluem qualquer negociação para as suas divergências e que tudo querem resolver através das bombas, da morte e da destruição. Como mostram todas as sondagens conhecidas, a maioria dos americanos está contra a guerra. Na Europa, embora não se conheçam sondagens sobre essa questão, certamente que a maioria também não quer a guerra. Porém, os seus líderes calam-se, encolhem-se, amedrontam-se e deixam-se humilhar por essa parelha de fanáticos, com a honrosa excepção de Pedro Sánchez que, corajosamente, afirmou que “não vamos ser cúmplices de algo que é mau para o mundo e contrário aos nossos interesses, simplesmente por medo de represálias de alguém”.
Quanto ao que se passa no terreno, apenas sabemos aquilo que as partes querem que se saiba. É sempre assim. A guerra da propaganda é tão intensa como a guerra das bombas, dos mísseis e dos drones, mas não há dúvidas que os pontos estratégicos iranianos estão a ser massacrados e que os iranianos estão a tentar atingir Israel e as bases americanas da região com os seus mísseis.
Hoje o jornal holandês AD - Algemeen Dagblad, que se publica em Roterdão, destacou na sua primeira página a fotografia de um míssil iraniano que errou o alvo junto do aeroporto de Qamishli, no Curdistão sírio, que não explodiu. Esse míssil tornou-se uma quase atracção turística e foi muito fotografado, tendo servido de ilustração de primeira página a muitos jornais americanos e europeus. 
Vai ser, certamente, uma fotografia que ficará para a história desta guerra,

terça-feira, 3 de março de 2026

A exemplar autonomia política da Espanha

Antigamente, dizia-se que não se podia esperar da Espanha, “nem bom vento, nem bom casamento”, mas esses tempos já estão muito distantes porque da Espanha soberana, independente e orgulhosa, nos chegam estimulantes exemplos de uma política externa própria e de não subserviência aos arrogantes disparates, como aquele que está a ser conduzido por Donald Trump contra o Irão, talvez por causa do petróleo, talvez pelo caso Epstein, ou sabe-se lá porquê. Tal como a guerra do Iraque em 2003, também agora se inventou uma ameaça enquanto se negociava. Ao contrário do que acontece com outros países europeus e como hoje anuncia a manchete do jornal El País, a “España rechaza las bases para los ataques de EE UU a Irán”, mas esta recusa já levou o fanfarrão a anunciar o corte de todas as relações comerciais com a Espanha. Há poucos meses, o governo de Espanha acusou o regime de Netanyahu de “exterminar o povo palestiniano” e anunciou medidas contra Israel, porque “da mesma forma que condenou o Hamas, também condena o genocídio em Gaza”, quando toda a Europa se calou perante a destruição e as atrocidades cometidas pelos extremistas de Israel no território de Gaza.
Os espanhóis são uns valentes, mas não só na festa brava em que enfrentam os touros. A sua política externa também é corajosa e merece todo o respeito, até porque compara com a generalizada subserviência europeia às ameaças e às excentricidades belicosas de Donald Trump. Daí que a situação nos evoque o texto que José de Almada Negreiros escreveu em 1915 e que intitulou Manifesto anti-Dantas, em que criticou com ironia o escritor teatral Júlio Dantas e escreveu:

    O Dantas é o escárnio da Consciência!
    O Dantas é a vergonha da intelectualidade portuguesa!
    O Dantas é a meta da decadência mental!
    Se o Dantas é português eu quero ser espanhol!

Calem-se os canhões e avance o diálogo

O violento e brutal ataque contra o Irão que foi desencadeado pela parelha Trump-Netanyahu e está em curso, não é apenas uma grosseira violação da ordem e da lei internacionais, mas é também uma tentativa de controlar o petróleo iraniano e um crime contra as populações indefesas e, esperemos, que não seja uma provocação aos aliados do Irão, sobretudo a Rússia e a China.
Donald Trump revela cada vez mais desequilíbrios mentais, vive obcecado com a sua promessa de fazer a América grande outra vez e já afirmou várias vezes que defende os interesses americanos, isto é, a pilhagem dos recursos naturais dos outros países, seja o petróleo da Venezuela ou do Irão, sejam as terras raras da Ucrânia e da Gronelândia.
Se Luís XIV dizia que “l’État c’est moi”, o Donald sonha em poder um dia afirmar “I rule the world”. Não lhe interessam os regimes políticos desde que os países se submetam à sua vontade e para esse desígnio subversivo, usa o poder das suas armas, o terror das suas bombas, a violência da sua destruição. As imagens que nos chegam pela televisão mostram-nos mais uma vez o horror da guerra, tal como faz a primeira página do jornal britânico The Guardian, porque os jornais americanos não mostram a face hedionda da guerra e preferem enfatizar a morte do clérigo ditador Ali Khamenei, talvez para ajudar o Donald, ou por ter medo dele.
Porém, os cidadãos americanos não estão com o Donald e estão maioritariamente contra esta ação da parelha Trump/Netanyahu. Segundo uma pesquisa da Reuters/Ipsos há 43% dos americanos que estão contra e apenas 27% apoiam os ataques militares ao Irão, mas uma sondagem da CNN revela que 59% dos americanos desaprovam a iniciativa de Trump. 
Por isso, que se calem os canhões e que avance o diálogo.

domingo, 1 de março de 2026

A nova guerra de Donald Trump

Os figurões Donald Trump e Benjamin Netanyahu que governam os Estados Unidos e Israel, têm sob as suas ordens poderosas forças militares com as quais decidiram atacar o Irão, uma república teocrática islâmica que possui abundantes recursos petrolíferos.
Foi no sábado e, embora as informações que nos chegam pela comunicação social sejam vagas e até contraditórias, tudo aponta para que o ataque tenha sido devastador, tendo sido mortos muitos dirigentes iranianos, incluindo o líder supremo que era, desde há 35 anos, o aiatolá Ali Khamenei.
Decorriam negociações entre os Estados Unidos e o Irão para encontrar uma solução para a questão nuclear iraniana, havendo algumas declarações que referiam que havia progressos, pelo que a decisão daqueles dois figurões foi criminosa, injusta, violadora do direito internacional e um atentado à paz mundial. É certo que o regime iraniano é uma ditadura, autoritário e arrogante, que o país vive sob um regime de terror, ou próximo dele, mas nem Trump nem Netanyahu são polícias do mundo, nem têm qualquer legitimidade para alterar desta forma o regime iraniano.
Com esta iniciativa que vários países europeus condenaram abertamente, tanto Trump como Netanyahu revelaram, uma vez mais, o seu alinhamento com práticas que violam a soberania de outros estados e o direito internacional, além de serem cruéis e desumanas e tenham características bem próximas de um terrorismo.
O que Netanyahu fez em Gaza, tal como o que Trump fez na Venezuela e em Cuba merecem o repúdio da comunidade internacional, embora a Europa tivesse ficado calada. Agora os dois figurões juntaram forças e atacaram o Irão, provavelmente a pensar no seu petróleo. 
Na sua edição de hoje o jornal Público fez jornalismo e, ao contrário da generalidade da imprensa internacional que noticiou a morte de Ali Khamenei, o jornal português disse e bem que é “a nova guerra de Trump”.
Esse Donald queria ganhar o Nobel da Paz, mas só pensa na guerra. Está a ser um problema para a América e para o mundo…

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Quatro anos de derramamento de sangue

O dia 24 de fevereiro de 2022 marca o início da tentativa russa de ocupar Kiev e da guerra que, desde então, se intensificou na Ucrânia. Quatro anos depois, alguns jornais evocaram essa data a priori e aqui foram referenciados, mas outros trataram-na a posteriori e apresentam-no nas suas edições de hoje, evidenciando uma grande solidariedade para com a resistência e coragem ucranianas. Porém, são evidentes dois tipos de posicionamento: alguns jornais anunciam mais solidariedade e mais apoio de armas e dinheiro à Ucrânia, com a presença em Kiev de António Costa, Ursula von der Leyen e outros líderes, enquanto outros jornais mostram a fotografia dos cemitérios ucranianos numa verdadeira mensagem de apelo à paz.
Entre estes destaca-se o jornal canadiano Toronto Star que, para além do título “quatro anos de derramamento de sangue”, publica uma fotografia de um cemitério em Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, em que foram colocadas bandeiras nacionais nas campas dos mortos.
É sabido que a guerra tem sido muito violenta e que até o próprio Donald Trump argumenta que é preciso acabar com “a matança e o massacre”, porque está a morrer muita gente jovem, mas nenhuma das partes tem sido clara na divulgação dessa informação. Segundo algumas estimativas, o número combinado de militares mortos, feridos ou desaparecidos dos dois lados pode chegar a 1.800.000.
Como aqui desde sempre tem sido salientado, é necessário que a guerra acabe depressa para que o povo ucraniano tenha a paz, o sossego e o progresso a que tem direito e  possa escolher livremente as suas opções, sem a pressão de Moscovo, nem de Bruxelas, nem de Washington.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Ucrânia: quatro anos de guerra e de dor

Estão decorridos quatro anos desde o dia em que as tropas russas iniciaram a sua “operação militar especial” com o ataque à Ucrânia e hoje, de entre os muitos jornais publicados no mundo, apenas encontramos três jornais que evocam essa data, através de reportagens assinadas pelos seus enviados especiais às frentes de combate. Este facto mostra como a imprensa internacional está cansada desta guerra e, naturalmente, também mostra como as opiniões públicas se têm desinteressado deste folhetim, em que poucos se preocupam com o povo ucraniano que é a grande vítima desta “guerra civil”, ou deste choque de interesses e de vaidades entre a Europa e a Rússia ou, ainda, deste confronto que prenuncia uma futura luta mais intensa entre o Ocidente e o Oriente.
Os jornais que hoje evocam os quatro anos de guerra na Ucrânia são os franceses La Dépêche du Midi (Toulouse) e La Croix (Paris) e o espanhol el Periódico (Barcelona). Os títulos e subtítulos apresentados nas suas primeiras páginas dão-nos algum esclarecimento sobre a situação.
O jornal La Dépêche du Midi diz que “a Ucrânia oscila entre a esperança da paz e o medo de um atoleiro” e que “o conflito só terminará quando russos e ucranianos compreenderem que o custo da guerra é superior aos ganhos possíveis”.
O jornal católico La Croix escreve apenas que são “1500 km de linha da frente” e que “em Kherson, aqueles que restam são os velhos, os pobres e os doentes”.
O jornal el Periódico escreve que “quatro anos de guerra deixam a Ucrânia sem forças”, acrescentando que “a população aceita cada vez mais renunciar a territórios”, que “o conflito, com as frentes estancadas, já dura mais que a guerra da Coreia” e que “a Europa, encurralada por Trump, busca o seu lugar nas negociações”.
Neste quadro, é tudo muito difícil e na Europa há erros acumulados e muitas divergências. Parece, agora, que Macron e Meloni querem falar com Putin, que Friedrich Merz não vê o final possível da guerra, que von der Leyen quer mais um pacote de sanções contra a Rússia e que Viktor Órban bloqueia financiamentos à Ucrânia e sanções à Rússia. Agora, também reapareceu o ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson, provavelmente um dos maiores responsáveis por esta guerra não ter terminado ao fim de uma ou duas semanas, a sugerir que o Reino Unido deveria enviar tropas não combatentes para a Ucrânia, isto é, mandar gasolina para a fogueira. Com esta gente e como se tem visto, é mesmo muito difícil acabar com o conflito e há mesmo quem queira que prossiga, para depois tirar partido da desgraça dos outros.
Como alguém disse, ou escreveu, a guerra vai acabar pela exaustão e não com negociações.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Milano-Cortina 2026 acabou em festa

Os XXV Jogos Olímpicos de Inverno que se disputaram nas cidades italianas de Milão e Cortina d’Ampezzo, terminaram hoje e se as cerimónias de abertura realizadas no Milano San Siro Olympic Stadium foram “inesquecíveis”, como então escreveu a organização, as cerimónias de encerramento que aconteceram hoje em Verona, na imponente Verona Olympic Arena, ou Coliseu de Verona, foram uma festa formidável de exibição da cultura italiana e, em especial, da erudita arte da ópera.
Verona é uma cidade histórica e simbólica, tendo sido o cenário escolhido por William Shakespeare em finais do século XVI para situar a sua peça trágica “Romeu e Julieta”, havendo na cidade um palácio, conhecido como o Palácio dos Capuletos, onde até se pode ver a famosíssima “varanda da Julieta”…
Relativamente aos resultados desportivos desta Olimpíada destacou-se o norueguês Johannes Klæbo, que foi o primeiro atleta a conquistar seis medalhas de ouro em Jogos Olímpicos de Inverno, ao vencer todas as competições em que entrou e que já acumula 11 medalhas de ouro olímpicas. Só os nadadores Mark Spitz com sete medalhas de ouro em Munique 1972 e Michael Phelps com oito medalhas de ouro em Pequim 2008, fizeram melhor. Porém, na lista dos mais medalhados olímpicos de sempre, a seguir a Phelps que ganhou 23 medalhas de ouro, está agora Klæbo que tem onze na sua vitrina.
As medalhas em Milano-Cortina 2026 foram distribuídas por atletas de 29 países, com destaque para a Noruega (41 medalhas das quais 18 de ouro), Estados Unidos (33 medalhas das quais 9 de ouro), os Países Baixos (20 medalhas das quais 10 de ouro) e a Itália (30 medalhas das quais 10 de ouro). Os atletas da China, que nos últimos anos apareceram nestes Jogos, já conquistaram 15 medalhas, das quais cinco foram de ouro, pelo que a edição de hoje do jornal China Daily destaca em primeira página os campeões chineses. No “medalheiro” destacaram-se ainda a Espanha com três medalhas, incluindo uma medalha de ouro) e o Brasil com uma medalha de ouro. 
Milano-Cortina 2026 terminou. A 36ª edição dos Jogos Olímpicos de Inverno será realizada em 2030 nos Alpes Franceses. Até lá...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

André Mountbatten-Windsor e a imprensa

André Mountbatten-Windsor foi o filho favorito da Rainha Isabel II e é irmão do Rei Carlos III, ocupando a oitava posição na linha de sucessão ao trono britânico. Serviu na Royal Navy durante cerca de vinte anos e durante a guerra das Falklands em 1982, foi copiloto de helicópteros Sea King a bordo do porta-aviões Invencible
Nos últimos meses foram divulgadas as suas relações com Jeffrey Epstein e alguns escândalos sexuais pelo que lhe foram retirados todos os títulos nobiliárquicos. Ontem foi detido por suspeita de “irregularidades enquanto titular de um cargo público” e a comunicação social de todo o mundo “não falou de outra coisa”, tendo havido cadeias de televisão portuguesas que, propositadamente, mandaram repórteres a correr para Londres para noticiar o acontecimento. Um exagero mundial e um exagero nacional.
A detenção do cidadão André Mountbatten-Windsor ocupou a primeira página da edição de hoje do jornal The Times, mas também de muitos jornais de todo o mundo, reproduzindo a fotografia do detido na viatura em que foi conduzido aos calabouços da Polícia para ser interrogado. Embora o André não seja um cidadão qualquer, não se percebe a razão por que em Portugal, na Espanha, no Reino Unido, na França, na Suiça, na Irlanda, nos Estados Unidos, na Alemanha, na Austrália, na Argentina, na Áustria, na Itália, na Grécia e certamente em muitos outros países, esse seja o tema central do interesse jornalístico. Não é aceitável tanta conversa sobre o André e haja um quase silêncio sobre o que está acontecer com o embargo americano a Cuba que, tendo sido iniciado em 1962, assumiu nas últimas semanas o carácter de um assassinato generalizado ao povo cubano, nem se fale na pressão israelo-americana para atacar o Irão, nem se fale do sofrimento dos palestinianos em Gaza e na Cisjordânia, nem em muitos outros problemas com que o mundo se debate. Não parece ser jornalismo sério. Até parece que o problema do mundo é o André…  

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Donald Trump e o afundamento de Cuba

Desde que no dia 1 de janeiro de 1959 o ditador Fulgencio Batista fugiu de Havana para a Republica Dominicana e os guerrilheiros barbudos de Fidel de Castro tomaram o poder em Cuba – já passaram 67 anos – que o país tem vivido no fio da navalha, devido à hostilidade americana em relação ao seu alinhamento com o bloco soviético. Com a implosão da União Soviética ocorrida em 1991, a situação agravou-se, embora se pensasse que o fim de Fidel Castro, que aconteceu em 2016, levasse a um progressivo afastamento cubano dos seus aliados tradicionais, sobretudo a Rússia e a Venezuela.
Embora os Estados Unidos mantenham sanções económicas muito duras contra o regime cubano desde há muitos anos, a administração Trump decidiu subir a parada, depois da captura do presidente Nicolás Maduro no passado dia 3 de janeiro. Com esse golpe foi interrompida a entrega de 27.000 barris diários de petróleo que o regime chavista fazia a Cuba e, paralelamente, foi anunciada a ameaça de imposição de sanções comerciais a quem venda petróleo a Cuba, pelo que os países amigos de Cuba e os fornecedores alternativos estão hesitantes. A economia de Cuba começa a estar asfixiada e próximo do colapso, o turismo caiu, enquanto é relatada uma gravíssima crise social. Não há electricidade, não há água, não há comida e a fome ameaça os 11 milhões de cubanos. O jornal espanhol El País escreveu que é “el hundimiento de Cuba”.
A crise humanitária cubana é muito grave e a Espanha decidiu enviar ajuda alimentar e de produtos sanitários de primeira necessidade, tal como fez o México que enviou mais de 800 toneladas de alimentos, mas ninguém se atreve a enviar o petróleo de que Cuba necessita.
Entretanto, na sua edição de hoje, o jornal Granma, o “órgano oficial del Comité Central del Partido Comunista de Cuba”, destaca em primeira página que “Cuba resiste y resistirá esta agresón inhumana”, embora seja cada vez mais evidente que o regime e o povo cubano estão cada vez mais afastados. Porém, o que Trump está a fazer é uma condenação à morte do povo cubano.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Brasil ganha ouro em Cortina d’Ampezzo

Estão a decorrer os XXV Jogos Olímpicos de Inverno que se disputam nas cidades italianas de Milão e Cortina d’Ampezzo, que são vulgarmente conhecidos por Milão-Cortina 2026. Desde o dia 6 de fevereiro e até ao dia 22, estarão em prova 2.871 atletas representando 96 países, a maioria dos quais com uma presença simbólica, como acontece com a Guiné-Bissau, o Benim, a Eritreia, a Colômbia, o Quénia e até mesmo com Portugal, porque os desportos de inverno só acontecem onde há neve e gelo. Daí que os Jogos Milão-Cortina 2026 interessem pouco os portugueses e que a maioria das medalhas até agora disputadas tenha sido conquistada por noruegueses, italianos, americanos, suecos, holandeses, franceses, alemães e austríacos.
Porém, por vezes acontecem imprevistos e até o tropical Brasil, que escalda em tempo de Carnaval, teve uma medalha olímpica de ouro!
Aconteceu no dia 14 de fevereiro, quando a prova de Sky Alpino Slalom Gigante Masculino foi ganha por Lucas Pinheiro Braathen, que bateu os suíços Marco Odermatt e Loic Meillard. 
Lucas nasceu em Oslo, é filho de mãe brasileira e tem 25 anos de idade. A sua dupla nacionalidade brasilo-norueguesa permitiu-lhe representar o Brasil e ser o primeiro brasileiro e latino-americano a conquistar uma medalha olímpica nos Jogos de Inverno (na mesma prova o português Emeric Guerillot foi o 38º classificado).
Quando da subida ao pódio para receber a sua medalha de ouro, o medalhado Lucas Pinheiro não aguentou a sua euforia e deu um salto de satisfação, pouco habitual nestas cerimónias mas muito compreensível, tendo essa fotografia ilustrado a edição d’O Estado de S. Paulo, mas também de outros jornais brasileiros e estrangeiros. Essa fotografia vai certamente figurar na galeria das mais expressivas fotografias dos Jogos Milão-Cortina 2026.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

O comboio de tempestades que cá passou

A depressão Kristin chegou a Portugal na noite de 28 de janeiro e entrou pela zona centro do país, com ventos ciclonicos de extrema violência, tendo sido registada uma rajada de 209 km/hora na estação de Soure. A destruição provocada foi muito severa, com postes eléctricos partidos, telhados destruídos, árvores arrancadas e muitas infraestruturas públicas e empresariais danificadas, com chuvas torrenciais que provocaram cheias e inundações. No dia seguinte, o governo aprovou uma resolução declarando a situação de calamidade até ao fim do dia 1 de fevereiro nos concelhos mais afetados, mas depressa corrigiu e prolongou essa situação até ao dia 8. Porém, a chuva não deu tréguas e no dia 4, com a chegada da depressão Leonardo, a situação agravou-se com forte agitação marítima, neve nas terras altas e com chuva “equivalente a três dias em apenas 24 horas”. As inundações intensificaram-se, algumas povoações ficaram isoladas, houve estradas submersas, algumas populações foram desalojadas e o pânico chegou às margens de diversos rios, sobretudo do Sado, do Tejo e do Mondego. O governo, uma vez mais prolongou o estado de calamidade até ao dia 15. Porém, no sábado que foi dia 8, surgiu a depressão Marta, com mais chuva, neve, vento, agitação marítima e, sobretudo, uma nova subida dos caudais dos rios e ribeiras da zona centro do país. Num quadro tão desolador, temeu-se que nas eleições presidenciais do dia 9 muitos eleitores se abstivessem, mas isso não aconteceu e os portugueses rejeitaram aventuras.
A situação de calamidade continuou com mais chuvas e com as barragens a atingirem os seus níveis máximos, obrigando a descargas que alimentaram as inundações, mas no dia 12 começaram a aparecer os primeiros sinais de acalmia da situação. A depressão Oriana ainda passou por perto, mas sem agravar a situação, enquanto os especialistas informaram que tinha sido a 15ª tempestade do corrente outono/inverno e sugeriram que foi “a última depressão do comboio de tempestades que afectou o continente português”.
Hoje o jornal Público mostra uma estrada rural destruída e alerta para os prejuízos milionários na agricultura, embora a calamidade tivesse afetado todos os sectores da sociedade e da economia. Agora há que ajudar quem precisa, reerguer o que caíu e aprender todas as lições que esta calamidade nos trouxe.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Democrata Seguro será Presidente seguro

António José Martins Seguro foi ontem eleito como o novo presidente da República Portuguesa, tendo recebido cerca de três milhões e meio de votos que correspondem a 66,82% do total dos votos expressos nas urnas. A sua expressiva vitória inspirou o jornal Público que, na sua edição de hoje, escolheu a palavra seguríssimo como manchete. 
O presidente eleito tem 63 anos de idade, vive nas Caldas da Rainha e tem como principais credenciais políticas o facto de ter sido eurodeputado, ministro do governo de António Guterres e secretário-geral do Partido Socialista. A sua expressiva vitória, foi também a vitória da Democracia e da Liberdade, dos valores do 25 de Abril e da moderação e do equilíbrio, mas também foi uma pesada derrota para os extremistas, para os saudosistas do antigo regime e para os populistas que não olham a meios para atingir os seus fins.
Sobre o presidente eleito pesam agora grandes responsabilidades como inspirador da sociedade portuguesa e moderador das lutas políticas, pois é necessário ultrapassar a situação em que o nosso país se encontra, sobretudo depois das recentes calamidades meteorológicas, mas também levar o país a ser internacionalmente menos subserviente e a ser mais consequente no combate à pobreza e à corrupção. Embora não vá governar, espera-se que o novo presidente não siga os caminhos do seu antecessor, que aparecia por todo o lado, que falava demais e que viajava demasiado sem se saber para quê. 
António José Seguro tem o nosso aplauso e vai ser um Presidente seguro e firme na defesa da Liberdade e da Democracia, da Paz e da Justiça Social. 
Seguro sucede a Soares, a Sampaio, a Silva e a Sousa, isto é, parece que para se ser Presidente da República tem que se ter um apelido começado na letra S

Honi soit qui mal y pense!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Kristin e Leonardo: a fúria da tempestade

Portugal está a viver tempos muito difíceis, com uma sucessão de fenómenos meteorológicos pouco comuns que têm afetado o país com ventos ciclónicos e destruições, mas também com chuvas diluvianas e inundações, que causaram algumas mortes, muitos desalojados e incalculáveis prejuízos materiais. As tempestades e o enorme desespero que provocaram, foram devidas à passagem das depressões Kristin e Leonardo, que têm sido classificadas como ciclones, sem que haja cuidados na utilização do termo científico mais adequado a cada uma das situações.
A depressão Kristin foi uma ocorrência que atingiu a região centro do país com ventos de grande violência, que destruíram habitações e telhados, edifícios, muitas infraestruturas empresariais, que arrancaram árvores e partiram postes eléctricos, deixando milhares de pessoas sem abrigo, sem energia e sem trabalho.
Inicialmente poucos imaginaram a dimensão da destruição, inclusive o próprio governo e essa coisa que é a Proteção Civil, o que contribuiu para a angústia e para o sofrimento de milhares de pessoas. Escreveu-se que foi “a força da natureza associada à incompetência e irresponsabilidade”. Diz o povo que “uma desgraça nunca vem só” e logo apareceu a depressão Leonardo, que embora não tenha tido a fúria destruidora da depressão Kristin, deixou o país novamente em sobressalto, com muita chuva, inundações, desabamentos de terras e isolamento de algumas povoações ribeirinhas, como não havia memória de antes ter acontecido.
Hoje, com destaque, o Jornal de Notícias publica uma fotografia de Ereira, uma aldeia do concelho de Montemor-o-Velho, que está absolutamente isolada pela cheia do rio Mondego. É apenas um exemplo das dificuldades que se atravessam e que revelam duas realidades bem diferentes em Portugal: de um lado o povo que sofre e aqueles que, voluntários e solidários o ajudam, enquanto do outro lado andam figurões com títulos diversos, que não sabem nem percebem o que se passa, mas que insistem em aparecer na televisão.