sexta-feira, 11 de outubro de 2013

As pensões vitalícias são uma aberração

É um dos temas do momento, porque é muito populista e assenta perfeitamente no nosso actual momento político, certamente para disfarçar o tsunami orçamental que nos vão apresentar na próxima semana: trata-se da proposta governamental para cortar em 15% as subvenções vitalícias dos titulares de cargos políticos.
Essa regalia foi extinta em 2005, mas continua a ser atribuída aos políticos que nessa data já tinham adquirido esse direito e, por isso, o seu número não cessa de aumentar, obrigando a sacar mensalmente quase um milhão de euros por mês dos nossos impostos para lhes pagar. Esta transferência é uma situação que nos envergonha a todos, incluindo aqueles que a recebem! Estas quatro centenas de políticos que recebem uma pensão vitalícia por terem servido ou terem-se servido do Estado, não estiveram integrados em nenhum regime contributivo e beneficiam de um direito que eles próprios criaram em seu proveito, o que torna mais aberrante a situação.
Apesar da relação destes beneficiários ser secreta (vá-se lá saber porquê), os seus nomes vão aparecendo na blogosfera e verificamos que a maioria é possuidora de fortuna pessoal ou ocupa altos e bem remunerados cargos: Carlos Melancia, Eduardo Catroga, Álvaro Barreto, Zita Seabra, António Vitorino, Joaquim Ferreira do Amaral, Duarte Lima, Dias Loureiro, Santana Lopes, Marques Mendes, Mário Soares, José Penedos, João Cravinho, Carlos Encarnação, Odete Santos, Isabel de Castro, Manuel Alegre, Cavaco Silva, Ângelo Correia, Armando Vara, Almeida Santos, Rui Gomes da Silva, Manuela Ferreira Leite, Alberto João Jardim, Freitas do Amaral, Jorge Coelho, Carlos Brito, Fernando Rosas, Miguel Relvas, José Lello e assim por diante.
Enquanto há muitos milhares de reformados que descontaram durante muitos e muitos anos e agora são sujeitos a cortes nas suas magras pensões, estes políticos que nada descontaram têm estado até agora intocáveis nesta aberração que são as suas pensões vitalícias. Como é injusto e cruel tudo isto! Por isso, em vez de lhes ser aplicado um desconto de 15%, melhor seria acabar com essas transferências e obrigá-los a devolver tudo o que já receberam e que foi pago com os nossos impostos.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Eles já procuram bodes expiatórios

O actual governo tomou posse no dia 21 de Junho de 2011 e, portanto, já leva quase 28 meses de actividade. Não vale a pena usar quaisquer indicadores económicos ou sociais para conhecer a nossa realidade, porque ela está à vista de todos: as desigualdades acentuaram-se, aumentou a pobreza, há uma geração de gente qualificada que continua sem emprego, os mais capazes emigraram e os mais incapazes tornaram-se assessores, o território continua a desertificar-se, o pequeno comércio está a morrer e os problemas financeiros – dívida e défice – continuam como antes, ou talvez, pior. Uns dias dizem-nos que estamos no bom caminho, para no dia seguinte nos ameaçarem com um segundo resgate e nos imporem mais cortes aos nossos rendimentos do trabalho. Apesar das políticas seguidas serem um insucesso ou mesmo uma quase tragédia, eles insistem no mesmo caminho e atacam os mais fracos, enquanto cobardemente estão de cócoras perante a banca, a edp, a galp, as ppp e os outros tubarões que tomaram conta da nossa terra com a cumplicidade destes políticos. Já não há linhas vermelhas e para o par passos-portas já parece valer tudo.
Nos últimos dias e em antecipação à apresentação do Orçamento do Estado, toda a artilharia governamental e dos seus lambe-botas, se virou contra a Constituição e contra os juízes do Tribunal Constitucional, usando a ameaça e procurando, desde já, um bode expiatório para o vendaval que se aproxima. Ora, é preciso dizer claramente que a Constituição não tem de se adaptar às decisões políticas do governo, mas este e as suas políticas é que têm de se adaptar à Constituição. Que, ao menos em Belém, se perceba isto e se actue em conformidade.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

EDP: um Estado dentro do Estado?

No seu recente discurso ao país sob a forma de conferência de imprensa o irrevogável ministro portas ultrapassou as marcas e atirou muita poeira para os olhos dos portugueses. Entre as coisas que anunciou para exibir o seu populismo e a sua (in)coerência, destacou-se o anúncio de medidas de poupança que o governo vai adoptar no próximo ano, que não afectam directamente os contribuintes, nem os reformados, nem os funcionários públicos. Era o ataque ao capital que este governo fazia, pela boca do corajoso ministro e a medida anunciada era, nada mais nada menos, que uma nova taxa sobre as rendas das produtoras de electricidade. Finalmente, a população via uma decisão que contribuia para a moralização da nossa vida fiscal!
Porém, o presidente não executivo da EDP que dá pelo nome de catroga, reagiu imediatamente e, esquecendo-se que a empresa teve um lucro de 1125 milhões de euros em 2011 e um lucro de 1012 milhões de euros em 2012, veio dizer que se tratava de uma taxa injusta, que violava os contratos assinados com a China Three Gorges, a empresa que detém 21,35% do seu capital e que, além disso, também iria afectar os consumidores. E fica a dúvida: catroga é mandarete ou mandarim?
A personagem tornou-se conhecida dos portugueses pelo seu estilo caceteiro e pela ignorância com que tratou os problemas do Estado, ao insistir que se resolviam com o corte de gorduras. Depois foi premiado e passou a ganhar cerca de 45 mil euros por mês, coisa que o comentador mendes, seu correlegionário, considerou mais ou menos pornográfica. Deixou de ter vergonha. É um novo-rico. E disse, ainda, que com esta medida, a credibilidade do Estado ficaria em xeque. É caso para ver como o dueto passos-portas vai resolver o xeque que já lhe foi posto pelos accionistas chineses da EDP e pelo seu amigo catroga.

domingo, 6 de outubro de 2013

Australia: sails of the century

A generalidade dos países marítimos conserva tradições e evoca memórias do seu passado de ligação ao mar, através de diversas manifestações que visam a preservação desse legado. Uma dessas manifestações é a chamada revista naval, um evento em que um significativo número de navios de vários países se reúne e desfila a propósito de um acontecimento considerado relevante para o país organizador.
É com esse espírito que a Austrália organiza no porto de Sydney, entre os dias 3 e 11 de Outubro, a International Fleet Review (IFR), na qual participam 40 navios de guerra e 17 veleiros de cerca de duas dezenas de países. O evento comemora o primeiro centenário da entrada no porto de Sydney da nova Royal Australian Navy: no dia 4 de Outubro de 1913 entraram na baía de Sydney o navio-chefe HMAS Australia, à frente dos HMAS Melbourne, Sydney, Encounter, Warrego, Parramatta e Yarra, tendo então sido saudados por milhares de pessoas. Foi um momento de grande exaltação patriótica e de orgulho nacional que, como reconhecem os historiadores, muito contribuiu para a afirmação e para o progresso da Austrália.
Apesar do período de crise por que passa a Europa, a tradição marítima europeia estará presente na baía de Sydney por navios da Grã-Bretanha, França, Espanha e Holanda. A imprensa australiana destaca este evento e o The Sydney Morning Herald titula “Sails of the  century”, apresentando uma sugestiva imagem em que um veleiro navega, tendo por fundo a Sydney Harbour Bridge, um dos ex-libris da cidade. E aqui está, como um país jovem e quase sem história arranja pretextos para reforçar a sua coesão nacional, enquanto por aqui vamos assistindo à destruição de símbolos marcantes da nossa história por gente sem estatuto cultural, que até nos governa.

sábado, 5 de outubro de 2013

Viva a República!

O dia de hoje não foi feriado nacional porque no ano passado, a pretexto da crise económica e de um novo Código do Trabalho, foram eliminados os feriados de 5 de Outubro (Implantação da República) e de 1 de Dezembro (Restauração da Independência), além de dois outros feriados religiosos.
Assim, a implantação da República foi discretamente comemorada no salão nobre dos Paços de Concelho, com a leitura de dois discursos e a presença de muitas entidades oficiais, além de muitos assessores e seguranças, mas sem a participação popular porque o povo estava a trabalhar. Um pequeno grupo de manifestantes fez-se ouvir com as suas vaias, assobios e gritos de demissão.
De tudo isto, aproveitou-se o discurso do recém-eleito Presidente da Câmara Municipal de Lisboa que, para além de ter prestado homenagem a Raúl Rego, disse: "Estamos numa crise e temos de a vencer. Estamos num impasse e temos de o ultrapassar. Mas não podemos vencer este impasse secundarizando a democracia e as suas regras. Pelo contrário, devemos usar a democracia como referência e argumento para, em sua defesa, nos unirmos e mobilizarmos".
Criticou o "vale tudo político" e o "vale tudo financeiro e económico", isto é, que as "regras fundamentais da democracia ou do Estado de Direito sejam ignoradas ou postergadas, em nome de objetivos imediatos ou sob pressão dos acontecimentos" e acrescentou que "a crise tem de ser combatida com as regras e os instrumentos da democracia" e "na convicção de que não há contradição entre democracia e desenvolvimento económico".
Ora aqui está um discurso apropriado, que honra a República. Terá sido ouvido por aqueles a quem se destinava?

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O irrevogável ministro da propaganda

Foi ontem anunciado com alguma solenidade que a troika fez uma avaliação positiva do programa de ajustamento económico e financeiro em curso e o mesmo personagem que dias antes falava do penta, falou agora em corridas de cinco mil metros. O homem é mesmo um desportista, além de habilidoso e espertalhão, mas não pode pensar que os outros estão distraídos e não o topam. Há três meses decidiu irrevogavelmente demitir-se, porque seria um acto de dissimulação se continuasse no governo, mas deu o dito por não dito e ficou. A bem da nação! Assim se criou uma crise política que assustou os nossos credores e tem custado milhões. Porém, o personagem acha que valeu a pena porque lhe permitiu chegar onde queria, isto é, manda naquela malta toda, desde as albuquerques aos moedas, passando pelo próprio passos.
Entretanto, ele disse que são visíveis sinais de melhoria do clima económico e que, este ano, o produto já não cairá 2,3% como previsto, mas apenas 1,8%, enquanto o desemprego não se situará nos previstos 18,2%  mas que ficará pelos 17,4%. É isto que o anima? Ora o défice público continua sem cair, a pobreza aumenta, o pequeno comércio está bloqueado, os jovens emigram e a dívida pública continua a aumentar. Porém, há dúvidas sobre a real andamento da economia e eles não se entendem sobre se a dívida é ou não é sustentável. No meio de toda esta desorientação e de tanta propaganda, vieram dizer-nos que todas as medidas de carácter excepcional serão mantidas no orçamento do próximo ano e que não há qualquer possibilidade de haver uma redução de impostos para as famílias no próximo ano. Então, se há sinais de melhoria, por que razão nos escondem os cortes e nos vão continuar a atrofiar?

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Le Portugal au top

A propósito da presença da equipa de futebol do Benfica em Paris, onde hoje jogará no Parque dos Príncipes com o Paris Saint-German, o jornal L’Equipe dedica um dos seus títulos de primeira página ao desporto português e escreve: Le Portugal au top.
Não é habitual que a imprensa internacional destaque Portugal e, quando acontece, é quase sempre por maus motivos – défices exagerados, dívida excessiva, intervenção da troika, desemprego, pobreza, má governação e outras coisas de natureza política ou económica. Porém, no campo do desporto as coisas são diferentes e, neste caso, o jornal desportivo francês coloca o nosso país no topo e destaca o Benfica (va chauffer le Parc), o Vitória de Guimarães (est ressuscité) e o ciclista Rui Costa (un maillot à honorer). Haveria outras coisas a salientar no aspecto desportivo, mas estes destaques já são suficientemente animadores, sobretudo para os muitos portugueses que vivem em França e que hoje se sentirão orgulhosos ao ler a primeira página do L’Equipe.

 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Ele (e só ele) vê a luz ao fundo do túnel

O nosso Chefe do Estado inicia hoje uma visita oficial de três dias à Suécia e, segundo relata o jornal Público, “o primeiro encontro com o rei Carlos XVI Gustavo e a rainha Sílvia acontecerá nas cavalariças reais, de onde o chefe de Estado português partirá de coche em cortejo para o Palácio Real, onde se irá realizar a cerimónia oficial de boas-vindas, seguida de um encontro privado entre Cavaco Silva e o rei da Suécia”. Outros jornais referem que a viagem se destina  “a atrair investimento e parcerias”, ou “a exportar vinho e têxteis” ou, ainda, “a vender Portugal na Suécia”, não sendo referidos os banquetes, os discursos e as trocas de comendas. Como habitualmente, a comitiva presidencial é alargada, quase a lembrar uma excursão turística, embora as lições do passado que estão estudadas e são conhecidas não sejam levadas em conta, isto é, este modelo de visitas oficiais são caras e deveriam ser repensadas porque não produzem quaisquer resultados.
Ora, a propósito desta visita, o Chefe do Estado deu uma entrevista a um jornal sueco que o Diário de Notícias hoje reproduz, na qual declara que “Portugal já saiu da recessão e apresenta o maior crescimento da Europa”. Depois, o venerando Chefe do Estado utiliza a sua tese do bom aluno para afirmar que o “povo português tem mostrado um grande sentido de responsabilidade”, pelo que não vê “razão lógica para as obrigações do Estado português atingirem taxas de juro de 7%”. Acrescenta, ainda, que “finalmente começamos a ver uma luz ao fundo do túnel” e que não se compreende a razão porque “os mercados não nos premeiam com taxas de juro mais baixas”. Isto é que é um professor de Economia!

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Os nossos desportistas de eleição

Foram dois feitos desportivamente tão importantes e tão surpreendentes para quem gosta do desporto (e que horas antes ficara frustado com o 3º lugar no Campeonato do Mundo de hóquei em patins), aqueles que aconteceram em Florença e Kuala Lumpur no dia 29 de Setembro de 2013. Até o jornal A Bola fez uma excepção à sua linha editorial  e, por uma vez, parece ter esquecido o futebol ao dedicar a sua primeira página a esses dois grandes feitos do desporto português, ao destacar as fotografias dos dois desportistas e escolhendo o título “Esplendor de Portugal”. O ciclismo e o ténis foram notícia.
Rui Costa (26 anos, Póvoa do Varzim), que este ano já vencera a Volta à Suiça e duas etapas da Volta à França, sagrou-se campeão do mundo de ciclismo, ao vencer a prova de fundo dos Mundiais de Itália, em Florença. Foi uma vitória extraordinária obtida sobre dois adversários espanhóis muito cotados e é a primeira vez que um ciclista português ganha o Mundial, o que lhe dá o direito a usar a camisola arco-íris durante um ano.
Também João de Sousa (24 anos, Guimarães) se tornou no primeiro português a ganhar um torneio ATP (Association of Tennis Professionals), ao bater um tenista francês e ao vencer o Torneio de Kuala Lumpur, um dos cerca de seis dezenas de torneios do ATP World Tour Masters. Há poucas semanas, já tinha sido o primeiro tenista português a atingir a terceira eliminatória do Open dos EUA e, com estes dois resultados, subiu para o 51º lugar do ranking ATP.
Nunca acontecera isto. Os triunfos de Rui Costa e de João de Sousa não são obras do acaso e nem resultam de qualquer tipo de amiguismo, pois são fruto da vontade, talento, tenacidade, persistência, espírito de sacrifício, trabalho e outras salutares valências. Como seria bom que, aqueles que nos dirigem, também tivessem estas mesmas características.

sábado, 28 de setembro de 2013

Um telefonema que vai ficar na História

Ontem, os presidentes dos Estados Unidos e da República Islâmica do Irão, respectivamente Barack Obama e Hasan Rohani, tiveram uma conversa telefónica que durou 15 minutos e que muita imprensa destacou, como sucedeu com o diário nova-iorquino Newsday.
Desde a revolução islâmica de 1979, isto é, desde há 34 anos, quando o xá Reza Pahlevi foi derrubado e substituído pelo ayatollah Khomeini, que as relações entre os dois países tinham sido cortadas. Nessa altura, a revolução iraniana hostilizou os Estados Unidos pelo seu apoio ao regime do xá, assaltou a sua embaixada em Teerão e fez 52 reféns. Foi uma humilhação para os americanos e uma operação militar depois levada a efeito para os resgatar, veio a fracassar e apenas contribuíu para acentuar a conflitualidade entre os dois países. A tensão entre eles nunca mais se atenuou e a partir de 2005 agravou-se, quando foi eleito o presidente Mahamoud Ahmadinejad. O discurso anti-ocidental endureceu, especialmente contra Israel, tendo sido criado um programa de enriquecimento de urânio para produzir secretamente armas nucleares. O Irão parecia desafiar os americanos e os israelitas, que o passaram a considerar como uma ameaça à estabilidade e à paz naquela região, pelo que muitos analistas vaticinaram um eminente ataque americano ou israelo-americano às instalações estratégicas iranianas.
Porém, desde que no dia 3 de Agosto tomou posse o novo presidente Hasan Rohani, que tudo parece estar a mudar nas relações entre os Estados Unidos e o Irão. Não é importante saber de quem partiu a iniciativa, mas o telefonema que os dois presidentes ontem fizeram poderá vir a ser um dos mais importantes da História, se constituir um primeiro passo para o apaziguamento naquela tão sensível região do mundo. E talvez se evitem os erros cometidos no Iraque, na Líbia, na Síria...

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Música nas praças para animar Lisboa

O habitual programa Música nas Praças - concertos promenade em Lisboa regressa no próximo dia 5 de Outubro para animar a cidade de Lisboa e para celebrar o Dia Mundial da Música, mas também para fazer a ligação entre a música, o espaço público e o património cultural da cidade. O programa desta 6.ª edição encontra-se amplamente divulgado em mupis espalhados pela cidade e estende-se desde as 11 até às 23 horas, com entrada livre. Esta interessante iniciativa decorrerá em vários locais simbólicos do Chiado, como a Praça Luís de Camões, o Largo de São Carlos, as Ruínas do Carmo, o Largo do Carmo, o Museu do Chiado e o Miradouro de Santa Catarina. Apresentar-se-ão a Orquestra Metropolitana de Lisboa, o Septeto do Hot Clube de Portugal, os Brass Ensemble da Metropolitana, as Percussões da Metropolitana, o Coro Infanto-juvenil da Universidade de Lisboa, a Orquestra de Sopros da Metropolitana e o Coro do Tejo, entre outros grupos, que animarão esta parte da cidade com o som dos seus acordes e das suas vozes. A organização é da EGEAC, a empresa municipal responsável pela animação cultural da cidade, que salientou a escolha do Chiado para a realização deste evento por se tratar de um sítio simbólico e de forte matriz cultural, mas também pela forma dinâmica e criativa como ultrapassou o trauma do grande incêncio de 25 de Agosto de 1988. É uma iniciativa de grande mérito que contribui para a animação daquela zona da cidade e que justifica o nosso aplauso.

Um veleiro desperta sempre boas emoções

Na maioria dos países do mundo costumam existir navios-escolas especialmente destinados à formação dos cadetes das suas Marinhas. Normalmente esses navios são veleiros que fazem as suas viagens de instrução durante o Verão, em que atravessam os oceanos e visitam diversos portos, proporcionando aos cadetes a formação náutica e o conhecimento do mundo considerados necessários ao exercício da sua profissão, ao mesmo tempo que esses navios cumprem missões de natureza diplomática e de representação nacional. Assim acontece com o navio-escola Cuauhtémoc da Marinha Mexicana que iniciou em Março a sua viagem Europa-2013.
O navio largou de Acapulco e escalou Balboa, Vera Cruz, Havana, Norfolk, Bordéus, Ruão, Den Helder, Bergen, Aarhus, Helsinquia, San Petersburgo, Szczecin, Riga, Gdynia, Lisboa, Cadiz e Santa Cruz de Tenerife, onde se encontra, para depois seguir a sua viagem com destino a Cartagena das Indias. No final da sua viagem terão sido percorridas 22 mil milhas e visitados 18 portos de 14 diferentes países, mas esta viagem não difere substancialmente daquelas que anualmente são feitas por outros navios-escolas. Porém, o que distingue esta de outras viagens será a escala em Santa Cruz de Tenerife, pelo destaque entusiástico que lhe foi dado pela imprensa local, como sucedeu com o diário El Dia que utilizou uma bela fotografia na sua primeira página e que legendou - “um pedaço de México atraca em Tenerife”.
Um veleiro desperta sempre boas emoções, sobretudo quando ainda é visto como uma memória dos tempos em que, sem radiocomunicações e sem ligações aéreas, era o único elo de ligação ao mundo.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Gente endinheirada e sem nenhum pudor

A notícia surgiu esta manhã através do Correio da Manha: Rui Machete com pensão de 132 mil euros! Numa altura em que o governo de que faz parte, ataca pensionistas e reformados, o valor desta pensão é chocante e mostra que há muita gente endinheirada que anda por aí como se o estado a que chegamos não tivesse sido também da sua responsabilidade. É o caso de Machete que andou sempre na crista da onda da política e que chegou a ter cargos sociais em cinco bancos concorrentes! Já em tempo de  crise, em 2012, entre pensões e trabalho, teve um rendimento de 398 235 euros, para além de algumas centenas de milhares de euros em aplicações financeiras, designadamente depósitos a prazo e fundos de investimento. O passado do homem até lhe podia dar o estatuto de senador, mas afinal não passa de um simples sacador! Incansavelmente sacou e saca de todo o lado. Acumulou cargos em 31 instituições, desde o BPI ao BCP, passando pela EDP, CGD, Taguspark, FLAD e pela famosa SLN, de que também foi accionista (embora se tenha esquecido), tendo ainda tempo para dar aulas em duas universidades, aconselhar sociedades de advogados e ser dirigente partidário. Se não fosse tão triste e tão miserável esta promiscuidade e esta falta de pudor, até dava vontade de rir.
Foi este sacador que alguém teve a lata de convidar para o governo e foi este sacador que teve a lata de aceitar. Diz-se, por vezes, que temos vivido acima das nossas possibilidades. Não é verdade. Quem viveu acima das nossas possibilidades foram os machetes todos que por aí andam, que só pensaram em acumular cargos e em engrossar as suas contas bancárias e que, como claramente se vê, pouco ou nada fizeram pelo país que tanto sugaram. Só os podemos desprezar.

Há que fazer cumprir a Constituição

O Presidente da República é o Chefe de Estado, que é eleito por sufrágio universal para um mandato de cinco anos. Nos termos da Constituição  da República, ele representa a República Portuguesa e "garante a independência nacional, a unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas", tendo como especial incumbência, nos termos do juramento que presta no seu acto de posse, "defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa". Ao Governo compete governar de acordo com a lei e, em especial de acordo com a lei fundamental, enquanto ao Tribunal Constitucional compete verificar se a legislação produzida se enquadra ou não na lei fundamental que é a Constituição da República Portuguesa, aprovada por 2/3 dos deputados. Acontece que o actual Governo, que deveria merecer a respeitabilidade e a confiança de todos os portugueses, incluindo daqueles que não o escolheram, tem vindo demasiadas vezes a pisar o risco da inconstitucionalidade ou da ilegalidade, aumentando a sua quota de ilegitimidade e de impopularidade. As leis têm que ser feitas para os portugueses e não podem ser feitas para satisfazer imposições externas humilhantes. Por questões de independência e de dignidade nacionais.
Ora o Governo acaba de ver chumbada pelo citado Tribunal Constitucional algumas das normas previstas no Código do Trabalho, relacionadas com a extinção do posto de trabalho e com o despedimento por inadaptação. Há um mês, o mesmo Tribunal tinha declarado inconstitucional a chamada "lei da mobilidade especial", que estabelece o regime jurídico da requalificação de trabalhadores em funções públicas. Antes, declarara a inconstitucionalidade da suspensão do pagamento dos subsídios de férias ou de Natal aos funcionários públicos ou aposentados. São demasiados atropelos à lei e, nessas circunstâncias, pergunta-se o que faz quem jurou "defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa".

America’s Cup – uma regata memorável

Ontem, na baía de S. Francisco, concluiu-se a 34ª edição da America’s Cup ou Taça América, a famosa regata de vela que se realiza desde 1851 e que ostenta o título de “a mais antiga competição desportiva que se realiza no mundo”. A America’s Cup é uma prova que consta de uma série de regatas em que participa o anterior vencedor do troféu (o defender) e uma outra embarcação desafiante (o challenger), seleccionado de entre uma renhida luta entre vários candidatos.
Os americanos têm sido os grandes vencedores desta prova que até 1983 se realizava em Newport, mas que desde então tem sido realizada noutros locais e já foi vencida por neozelandeses (duas vezes), suiços (2 vezes) e australianos (uma vez).
A equipa americana Oracle Team USA – o defender – revalidou o seu título numa das mais impressionantes reviravoltas a que o desporto tem assistido. A vitória em cada regata assegurava um ponto e eram necessários 9 pontos para vencer o troféu. O Oracle Team USA começou por ser penalizado em dois pontos e a equipa neo-zelandeza Emirates Team New Zealand – o challenger – esteve a ganhar por 6-0 e depois por 8-1. A confiança deveria dominar a tripulação neo-zelandeza e a equipa americana estava à beira de uma humilhante derrota por acontecer na baía de S. Francisco mas, contra todas as previsões, conseguiu recuperar e chegar a 8-8.
Ontem era o dia decisivo ou o "Golden Gate drama", como se lhe referiu o jornal The Sacramento Bee e, nessa última regata, o Oracle Team USA cruzou a meta com 44 segundos de avanço sobre o veleiro neozelandês, obtendo uma inédita série de oito vitórias consecutivas e um resultado final de 9-8. Foi a mais longa final dos 162 anos de história da America’s Cup, teve a duração de 19 dias e vai ficar na história.