quarta-feira, 22 de maio de 2013

O enorme sucesso da Padaria Portuguesa



Abriu ontem no bairro dos Olivais, em Lisboa, mais uma loja da Padaria Portuguesa e, como costuma acontecer na nossa terra com este tipo de iniciativas, correu para lá meio mundo porque, para além do pão, essas lojas estão na moda e também vendem café e servem pequenos-almoços e refeições ligeiras, ao balcão ou na sua esplanada. A Padaria Portuguesa adoptou uma decoração muito atraente que se inspira nas velhas padarias de bairro, com um toldo às riscas, uma pequena esplanada, uma velha bicicleta encostada à porta e um espaço interior povoado com cestos recheados com pão quente.
Aparentemente, a notícia da inauguração de uma nova padaria nada tem de especial e é aqui referida apenas por duas razões de natureza económica, pois estamos a passar por uma crise muito prolongada e muito severa, em que não há iniciativa, nem acção, nem investimento.
A primeira razão é porque esta iniciativa representa um prémio para a inovação e para o dinamismo empresarial, uma vez que a Padaria Portuguesa nasceu em 2010 e, em menos de três anos, já terá quase duas dezenas de lojas daquela marca que se encontram espalhadas pela cidade de Lisboa.
A segunda razão é porque no actual contexto de recessão, de falências e de desemprego crescentes, a Padaria Portuguesa é um caso raro de criação de algumas dezenas de empregos, mas também de animação de um certo tipo de vida de bairro que se contrapõe ao culto do shopping center.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Um livro sobre a nossa história recente

O 25 de Abril aconteceu há 39 anos, mas ainda há muitos episódios por contar, relativamente ao regime do Estado Novo que naquele dia foi derrubado e que, por vezes, parecem ser esquecidos e, em alguns casos, até branqueados. Um desses episódios mais marcantes foi a perseguição que a PIDE fez aos oposicionistas ao regime, aos movimentos estudantis e sindicais e, em especial, àqueles que tinham optado por acções violentas. Embora a transição de Salazar para Marcelo Caetano tivesse trazido alguns ventos de liberalização ao regime, foi sol de pouca dura e, nos anos de 1973 e 1974, várias centenas de pessoas foram presas, incluindo militantes comunistas e de movimentos de extrema-esquerda, católicos progressistas e operacionais da luta armada. As prisões de Peniche e de Caxias tornaram-se pontos simbólicos da repressão do regime e foi nessas prisões que estiveram os últimos presos do Estado Novo, que o 25 de Abril libertou.
A jornalista Joana Pereira Bastos decidiu recolher o testemunho de alguns desses presos políticos que então se encontravam no Forte de Caxias, a fim de preservar essa memória histórica de um tempo que foi doloroso para muitas pessoas e o resultado foi um livro: Os Últimos Presos do Estado Novo - tortura e desespero em vésperas do 25 de Abril".
É um trabalho de grande interesse documental que resulta de mais de uma dezena de depoimentos de antigos presos políticos - alguns deles bem conhecidos - que está muito bem contextualizado e que é de fácil leitura pois a escrita é muito fluente. É um livro a não perder por quem queira conhecer algumas das raízes do 25 de Abril ou por quem queira conservar viva a memória dos tempos da ditadura. 

Que saia o mais depressa possível

Não é preciso perceber muito de economia, nem ler a imprensa estrangeira para perceber que o passos-gasparismo e, especialmente o monocórdico gaspar, nos estão a levar – irresponsavelmente – por desgraçados caminhos, ao utilizar a austeridade sobre a austeridade na sua governação. Andamos há dois anos a afundar-nos. O Estado e a sociedade estão em vias de desagregação. Os indicadores socio-económicos evidenciam essa realidade, mas o cidadão comum nem precisa de os conhecer pois observa a catástrofe das empresas a falir, das lojas a fechar, dos desempregados a entrar na marginalidade e dos jovens a emigrar. Há desconfiança, incerteza e até medo por todo o lado. Aumentou a pobreza e a fome. Sem sensibilidade, o passos-gasparismo ataca os mais fracos, isto é, os pensionistas, os reformados e os funcionários públicos. Muita gente denunciou este estado de coisas e esta gente, inclusive nos círculos do poder, como sucede desde há muito com Manuela Ferreira Leite, Pacheco Pereira, António Capucho ou Silva Peneda.
Agora as vozes dissonantes ainda são mais insuspeitas. António Lobo Xavier fez uma crítica radical: o apelo à troika de 2011 podia não ter existido, pois foi uma exigência dos que queriam o pote. Disse ele: “se não fosse a sofreguidão pelo pote, estaríamos como Espanha, combatendo a crise sem perder a soberania”. Também António Bagão Félix veio declarar no Diário Económico que “o papel de Vítor Gaspar está esgotado”. Então que saia o mais depressa possível.
Só me lembro do Miguel de Vasconcelos.

 

domingo, 19 de maio de 2013

Prémio europeu para o museu da Batalha

O Museu da Comunidade da Concelhia da Batalha venceu o Prémio Kenneth Hudson do Fórum Europeu dos Museus (European Museum Forum - EMF), em competição com 28 museus de 16 países, depois de no passado mês de Dezembro já ter sido distinguido pela Associação Portuguesa de Museologia (APOM) como o Melhor Museu Português.
A notícia é verdadeiramente surpreendente e mostra como é possível desenvolver projectos culturais de elevada qualidade fora dos grandes centros urbanos e à margem de grandes orçamentos, para além de também evidenciar a importância da iniciativa local na mobilização dos cidadãos em torno de projectos concretos. Por outro lado, numa época em que alguma europa e alguns europeus insistem numa narrativa humilhante para o nosso país, estes anúncios confirmam que no canto ocidental da europa há inteligência, vontade, capacidade e energia para promover o progresso.  
Ainda não visitei o Museu da Comunidade da Concelhia da Batalha que foi inaugurado em Fevereiro de 2011 e que conta a história do concelho, desde a pré-história até à actualidade. Por isso, apenas me posso congratular pelo prémio atribuído e preparar-me para, tão brevemente quanto possível, revisitar a Batalha e, nessa altura, aproveitar também para voltar ao excelente espaço gastronómico que é o Burro Velho.

 

sábado, 18 de maio de 2013

Dois anos de troika que nos desgraçam

Passaram ontem dois anos depois da assinatura do Memorando entre o governo português e a troika e, como diz a edição de hoje do jornal i, o fracasso é evidente. O pequeno grupo de aventureiros que tomou o poder com base numa campanha eleitoral mentirosa e caluniosa, tem revelado  grande incompetência, impreparação e insensibilidade, além de estar a conduzir o nosso país para um naufrágio. Usaram um diagnóstico mentiroso para chegar ao poder a qualquer preço, construíram um cenário cheio de falsidades, escolheram protagonistas aventureiros e arrogantes, exigiram sacrifícios tremendos à população, arruinaram a nossa economia, puseram em causa a coesão social, expulsaram do país uma geração de jovens muito qualificada e criaram uma insustentável situação depressiva que é visível por todo o país. Os grandes objectivos da governação falharam todos: défice orçamental, PIB, dívida pública, emprego, exportações e consumo privado. Nada pode esconder esta triste realidade e o “regresso aos mercados” ou a correcção do nosso “desequilíbrio externo” são vitórias demasiado pequenas para nos confortarem.
Num qualquer clube de futebol já teria havido uma chicotada psicológica, com mudança de treinador e de equipa técnica. Aqui, neste clube que é de todos nós, perante esta tragédia de resultados, vão reunir-se na segunda-feira em Belém os conselheiros de Estado. Segundo a agenda divulgada, não vão opinar sobre o estado da equipa, nem sobre a mudança de treinador ou da equipa técnica, mas apenas para preparar a época de 2014-2015, isto é, aquilo a que chamaram o pós-troika. É caso para dizer: tirem-me daqui ou valha-me Santo Ambrósio!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A recessão já chegou a França



O numeroso grupo de países europeus que está a passar por grandes dificuldades foi agora aumentado com a França, que era um dos motores da economia europeia. A França entrou tecnicamente em recessão, ou seja, o seu produto interno bruto caiu pelo segundo trimestre consecutivo e tornou-se o 11º país da zona euro a entrar em recessão, com todos os indicadores económicos a entrar no vermelho: consumo (-0,4), poder de compra (-0,9), crescimento (-0,2), produção (-2,2), investimento (-1,2) e exportações (-0,5), enquanto o desemprego se aproxima dos 11,0%. O centenário jornal francês L’Humanité dá o alarme e avisa: austerité = récession.
A zona euro está a viver a mais longa recessão da sua história, tem mais de 19 milhões de desempregados e os dados preliminares agora revelados pelo Eurostat são piores do que se previa. No caso português, a economia contraiu 3,9% em termos anuais, que é superior ao que era previsto e que é uma quebra só superada pelas da Grécia e do Chipre.
As opiniões convergem num ponto: a situação europeia é o resultado das políticas de austeridade e não são de esperar melhorias significativas nos próximos meses, devido à escassez da procura interna, ao desemprego, à diminuição das exportações e, de uma forma geral, às medidas de austeridade. O relançamento do crescimento económico e a luta contra o desemprego tornaram-se agora mais evidentes e mais urgentes para a zona euro e, naturalmente, para Portugal.

Políticos prevenidos valem por dois


As primeiras páginas dos jornais indianos por vezes não são ocupadas por notícias, sendo substituídas por publicidade a automóveis, a tecnologias da informação, a produtos informáticos ou a empreendimentos imobiliários. No entanto, o que aconteceu ontem nos principais jornais indianos, como por exemplo no The Times of Índia, é uma novidade: a publicação de um anúncio promocional da senhora Selvi J Jayalalithaa, a Chief Minister do governo de Tamil Nadu, no qual são enunciadas a sua dinâmica liderança e dedicação à causa pública, assim como as suas realizações em prol do bem comum e do progresso.
Jayalalithaa é uma personalidade política controversa e, como todos os políticos, tem legiões de admiradores e de adversários, mas é uma das mais famosas políticas da Índia. Nascida em 1948, foi uma popular artista cinematográfica e aos 43 anos de idade, tornou-se Chief Minister de Tamil Nadu, um dos 28 estados da Índia que tem a sua capital em Chennai. O estado tem 130 mil quilómetros quadrados de superfície e mais de 72 milhões de habitantes, ficando situado no sueste da península industânica. Desde 1991 que Jayalalithaa tem sido sucessivamente reeleita como Chief Minister (exceptuando o período 1996-2001) e actualmente está a cumprir um mandato até 2016. Assim, esta campanha publicitária nos grandes jornais indianos não é para “ganhar votos” como seria normal. Objectivamente, é uma forma de financiar e de condicionar os meios de comunicação social, evitando por antecipação que, no futuro, eles possam acolher qualquer campanha que seja hostil a quem “generosamente” os financiou. É caso para dizer que políticos prevenidos valem por dois…

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Royal Clipper: o maior veleiro do mundo

Chama-se Royal Clipper e é o maior veleiro do mundo, com 147 metros de comprimento e cinco mastros que podem armar 42 velas com uma área total de 5 mil metros quadrados. Foi construído em Gdansk em finais do século passado para a companhia Star Clipper, a partir dos planos do lendário veleiro alemão Preussen, que fora construído em 1902 e se perdera em Novembro de 1910 no canal da Mancha, por efeito combinado de colisão e temporal.
O Royal Clipper é um navio que se dedica a cruzeiros de turismo, sobretudo no Mediterrâneo, navegando com bandeira de Malta, embora a empresa proprietária tenha sede no Principado do Mónaco. O navio combina as memórias da navegação à vela com os melhores equipamentos e tecnologias do nosso tempo. Pode transportar 227 passageiros em ambiente altamente luxuoso que são servidos por 106 tripulantes e dispõe de 114 camarotes, dos quais 14 são de luxo. Para fruição dos passageiros, o navio dispõe de restaurantes, bares, três piscinas exteriores, discoteca, jacuzzis, ginásio, biblioteca e salões de beleza. Nada parece faltar a bordo.
O navio realiza diversos tipos de cruzeiro, mas os preços são realmente de outro tempo, em sintonia com o luxo que é oferecido aos passageiros. O jornal La Provence de Marselha destacou a passagem do maior veleiro do mundo pelo seu porto, até porque é um bonito navio e não se paga para ver.

terça-feira, 14 de maio de 2013

O futebol goês é campeão na Índia

Terminou na Índia, no passado domingo, o campeonato nacional de futebol - a I-League - cujo vencedor foi a equipa do Churchill Brothers Sporting Club, um clube da cidade de Margão, no Estado de Goa, que é presidido por Joaquim Alemão. Na tabela classificativa final, entre as 14 equipas participantes, as outras equipas goesas classificaram-se em 5º lugar (Dempo Sports Club), 6º lugar (Sporting Club de Goa) e 7º lugar (Salgaocar Sports Club).
O campeonato nacional de futebol na Índia iniciou-se em 1996 com a NFL (National Football League) por iniciativa da All India Football Federation, mas em 2007 sucedeu-lhe a I-League, já com contornos profissionais e numa clara tentativa de colocar o futebol indiano em níveis de competitividade superior. Não deixa de ser curioso verificar que as seis edições da I-League já disputadas foram todas vencidas por equipas goesas: o Dempo Sports Club (3 vezes), o Churchill Brothers Sporting Club (2 vezes) e o Salgaocar Sports Club (uma vez). E não deixa de ser curioso, também, que a herança cultural que os portugueses deixaram em 451 anos de presença em Goa, passe desta forma tão evidente pelo futebol, num país onde o cricket é o desporto das multidões.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Eles andam demasiado desorientados

É demais! As contradições e as mentiras dos nossos governantes são constantes e cada vez há menos paciência para aturar esta gente, que diz e se desdiz, que se revela ignorante e inexperiente, que é forte para com os fracos e fraca perante os fortes, que ainda não percebeu para quem governa e que tem uma chocante insensibilidade social. O servilismo e o seguidismo com que seguem a troika e os seus funcionários, transtornou-os e, objectivamente, andam perdidos e desorientados.
Aqui há dias o nosso primeiro, esquecendo tudo o que prometeu, anunciou mais uma taxa sobre as pensões e a dispensa de trinta mil funcionários públicos, através de rescisões por mútuo acordo e, repetiu, por mútuo acordo. Depois veio o jovem Rosalino acrescentar mais informação sobre a redução retrospectiva e um corte médio de 10% nas pensões, mas também sobre a redução de 100 mil funcionários públicos até ao fim da legislatura. Que grande Rosalino! Seguiu-se o ministro Portas a afirmar, peremptoriamente, que o corte de 3,5% nas pensões “é a fronteira que não pode deixar passar”, porque “não queremos uma espécie de cisma grisalho”. Porém, poucos dias depois, meteu a viola no saco, tirou a máscara e aceitou a taxa de 10% sobre as pensões.
O comentador Professor Marcelo foi muito claro ontem ao afirmar que “as pessoas já não levam a sério” o primeiro-ministro, enquanto à mesma hora o comentador Sócrates dizia que “a credibilidade de Paulo Portas ficou arrasada”. Quem sou eu para não lhes dar toda a razão? E o que faz o homem do leme?
Na realidade, bem pior do que a crise por que passamos, é termos gente desta a governar-nos.

 

 

O desporto une e orgulha a Espanha

A Espanha vive tempos social e economicamente muito difíceis, porque a crise é muito severa e gera recessão e altíssimo desemprego. As medidas de austeridade adoptadas têm gerado grande contestação e libertado tensões acumuladas ao longo da história, de que o exemplo maior é o renascimento do soberanismo. O soberanismo não é um problema novo e existe desde que a Espanha se formou no século XVI, centralizada em torno de Castela e da sua capital, o que sempre gerou tensões entre o centro e as periferias, ou entre o centro continental e as sensibilidades marítimas mediterrânicas e atlânticas.
Apesar desse quadro de diversidade cultural e linguística, há muitos factores de identidade nacional, desde os estereótipos da sesta, do jantar tardio e da passeata nocturna pelas ruas, até ao património cultural comum expresso na monumentalidade das suas cidades-museu e nas suas grandes figuras como Picasso e Salvador Dali, Plácido Domingo e José Carreras, Penélope Cruz e António Banderas, para só mencionar alguns.
Porém, o grande factor de unidade nacional é o desporto, como se viu em 2010 quando a selecção espanhola conquistou o Campeonato do Mundo de Futebol. Foi um momento de grande orgulho nacional e, nessa equipa, juntaram-se jogadores representativos das diferentes sensibilidades espanholas. Ontem, Fernando Alonso e Rafael Nadal triunfaram desportivamente. As televisões de todo o mundo mostraram. Os jornais relataram e mostraram as fotografias. É mais um caso do orgulho e da unidade espanhola pela via do desporto, como o jornal ABC destaca.

 

domingo, 12 de maio de 2013

WTC: on top of the world

Diversos jornais americanos, incluindo uma edição especial do Daily News, destacaram hoje que o One World Trade Center (1WTC) – também chamado Freedom Tower – o arranha-céus que está a ser construído em Nova York no local onde antes existiram as Torres Gémeas destruídas pelo ataque de 11 de Setembro de 2011, recebeu na passada sexta-feira a sua estrutura superior ou pináculo, tendo atingido a projectada altura de 1776 pés (541,3 metros).
Tinham passado 4259 dias desde a data da tragédia de 2011 e cerca de sete anos sobre a data da colocação da primeira pedra da nova torre, quando o pináculo de 408 pés de altura (124 metros) e 758 toneladas, que servirá como antena de radiodifusão, foi colocado no topo do edifício, numa operação transmitida em directo por algumas estações televisivas.
Este acontecimento constituiu um momento simbólico para os americanos, significando a sua capacidade de resistência e a vontade de ultrapassar o trauma daquela tragédia, mas também exprime a forma concreta e determinada como enfrentam colectivamente os desafios das suas catástrofes naturais ou outras. A altura total da torre do 1WTC apenas é superada por dois outros arranha-céus no mundo: o Burj Khalifa nos Emirados Árabes Unidos com 829 metros de altura e o Mecca Royal Clock Tower Hotel na Arábia Saudita com 601 metros de altura.

sábado, 11 de maio de 2013

Relançamento da economia e do emprego



À medida que a crise europeia se propaga a mais países e que a terapêutica da austeridade se tem revelado incapaz de outra coisa que não seja o aprofundamento da própria crise, criando mais recessão e mais desemprego, fragilizando a coesão social e lançando milhões de pessoas no desespero, surgem vozes de novos quadrantes a condenar os rumos da austeridade que têm sido adoptados na Europa. Ao discurso do controlo do défice e da redução da dívida, está a suceder o discurso do crescimento económico e do emprego, ao mesmo tempo que se vai formando uma frente anti-austeridade que está a unir a França, a Itália e a Espanha. 
Numa entrevista hoje publicada no Jornal de Notícias, o presidente do BES afirma nunca ter visto uma crise tão destruidora de emprego e de riqueza, o que é natural porque, com a grave situação económica e social por que passamos, o negócio da banca também já não é o que era. Nessa entrevista, aquele banqueiro aponta algumas orientações para o relançamento da economia portuguesa, afirmando que “estas medidas violentíssimas no IRS e no IVA têm que regredir” e que “poderia ter sido evitada a cavalgada do IVA para as empresas de restauração que absorviam muito emprego”, mas referindo também “o desânimo dos empresários” e a necessidade de um “nível fiscal atraente para o capital estrangeiro”. É curiosa esta opinião de um banqueiro, a mostrar que há outros caminhos para o nosso país que vão para além do servilismo dos nossos governantes aos funcionários da troika e aos seus mandantes.

Impostos: eles não sabem o que querem

Este governo já mexeu 65 vezes nos impostos, é o sugestivo título da edição de hoje do Diário de Notícias, a denunciar como o governo navega à vista. A notícia refere que este governo tem agravado a carga fiscal às empresas e às famílias, sobretudo através do IRS, do IRC, do IVA e do IMI, com a justificação de que essas mudanças resultam dos compromissos do memorando da troika e da necessidade de corrigir a evolução da receita.
A estratégia de equilíbrio orçamental passava por fazer dois terços do ajustamento do lado da despesa, mas tem sido feito exactamente o contrário, daí resultando uma brutal quebra de rendimento das pessoas e das empresas e uma instabilidade fiscal inaceitável. Quando há dois anos eles ganharam as eleições, o discurso eleitoral negava a existência de uma crise internacional desde meados de 2007 e dizia que a redução do défice assentava no “corte das gorduras do Estado” e que “o aumento de impostos era um disparate”. Afinal, eles não tinham estudado, enganaram os eleitores e depois foram buscar uns fundamentalistas estrangeirados e ignorantes para tomarem conta das contas.
Diz o Diário de Notícias que neste período foram feitas cerca de duas centenas e meia de alterações fiscais, nas quais se incluem pelo menos 65 que visaram um agravamento de impostos pela subida de taxas, redução das deduções e benefícios, diminuição dos limites de isenção e aumento de coimas. A coisa começou com a sobretaxa extraordinária de IRS, passou pelo corte e subsídios e não parou mais. Com dois anos desta política cega, começam agora a ouvir-se vozes afectas aos círculos governamentais que falam em direitos sociais, em limites à austeridade e a sugerir que o gaspar e o seu grupo de estagiários se ponham a milhas.

 

sexta-feira, 10 de maio de 2013

El Pueblo de Ceuta



De vez em quando os jornais de Ceuta ilustram as suas primeiras páginas com fotografias em que se destaca o escudo português, que é o brasão ou símbolo heráldico daquela cidade. Já reproduzimos aqui algumas vezes essas páginas a título de curiosidade, designadamente a edição do jornal Faro de Ceuta do dia 2 de Dezembro de 2012, enquanto agora apresentamos a edição de hoje do jornal El Pueblo de Ceuta.
Ceuta é uma cidade autónoma de Espanha com cerca de 18 Km2 de superfície e cerca de 80 mil habitantes, situada na margem africana do estreito de Gibraltar em frente das cidades de Algeciras e Gibraltar, mas também é um enclave espanhol em território marroquino, o que significa que existe um potencial de conflito entre os dois países.
A bandeira e o escudo de Ceuta têm a sua origem no tempo em que, em Agosto de 1415, a cidade foi conquistada pelos portugueses que governaram a cidade até 1640. Depois da restauração da independência, a cidade recusou aclamar o Rei D. João IV e decidiu integrar-se na Coroa Espanhola, mas manteve os mesmos símbolos: o desenho da bandeira é exactamente igual ao da bandeira da cidade de Lisboa e o brasão da cidade corresponde exactamente às armas portuguesas, como se usavam naquela época. É uma curiosidade, pois a expansão marítima portuguesa começou exactamente em Ceuta.