segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A língua portuguesa tem afirmação global

O Camões - Instituto da Cooperação e da Língua anunciou que a língua portuguesa é falada por 244 milhões de pessoas em todo o mundo, significando que é a sexta língua mais falada no mundo. Além disso, é a quinta língua mais usada na Internet (82,5 milhões de cibernautas) e a terceira mais utilizada nas redes sociais Facebook e Twitter (58,5 milhões de utilizadores).
No entanto, este posicionamento da língua portuguesa não é um valor absoluto, isto é, as diversas línguas são posicionadas em função dos diferentes critérios utilizados pelas organizações que se dedicam a essa análise, havendo até as que consideram o português como a quarta língua mais falada no mundo, depois do mandarim, do espanhol e do inglês. Entre as línguas europeias, o português surge como a terceira língua mais falada e um estudo da Bloomberg considera-o a sexta língua do mundo mais utilizada nos negócios. Porém, a expressão do português enquanto língua global também é evidenciada pelo facto de ser a língua mais falada no hemisfério sul, com 217 milhões de falantes em Angola, Brasil, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
O português é falado nos cinco continentes e é a língua oficial de oito países – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste – sendo também uma das línguas oficiais do território de Macau, na República Popular da China.

domingo, 27 de outubro de 2013

Gulbenkian mostra “O Brilho das Cidades”

Na sua linha programática de apresentação de grandes exposições, a Fundação Calouste Gulbenkian tem patente na sua Galeria de Exposições Temporárias a exposição O Brilho das Cidades. A Rota do Azulejo. Trata-se de mais uma excelente exposição e, como é habitual, aborda uma temática de grande interesse cultural.
A arte da azulejaria é muito antiga e as primeiras utilizações de cerâmica vidrada como revestimento surgiram no Egipto, Mesopotâmia, Assíria e Pérsia, mas expandiram-se depois por terras de muçulmanos e de cristãos, acabando por chegar à Europa ocidental e ao norte de África. À sua funcionalidade juntou depois a decoração, a traduzir o sentido estético das comunidades e alguns aspectos da sua vida cultural.
A exposição percorre todo o processo histórico da afirmação do azulejo e junta quase duas centenas de peças representativas da sua produção desde a Ásia Central à Europa ocidental, que são provenientes de uma dúzia de museus e de colecções nacionais e internacionais devidamente referenciados. Nesse aspecto, deve ser salientada a singular capacidade que a Fundação Calouste Gulbenkian tem para atrair peças de museus de referência internacionais, o que torna as suas exposições muito mais valorizadas. A exposição “O Brilho das Cidades. A Rota do Azulejo” foi inaugurada no dia 25 de Outubro e estará patente ao público no Museu Gulbenkian até 24 de Janeiro 2014.

sábado, 26 de outubro de 2013

Há uma nova sinalética: “Não aos cortes”

A crise que desde 2008 tem afectado a Europa devido à especulação e à fraude praticada pelos grandes grupos financeiros internacionais, tem conduzido ao crescimento dos défices e ao aumento das dívidas públicas da generalidade dos países, sobretudo na orla euro-mediterrânica. Daí têm resultado orientações ou imposições das instituições políticas e financeiras europeias, no sentido dos défices públicos regressarem ao nível dos 3% do PIB e das dívidas serem reduzidas para valores da ordem dos 60% do PIB. Assim, há diversos países europeus que estão actualmente sujeitos a programas de ajustamento que implicam enormes cortes orçamentais para reduzir os gastos públicos, mas que têm conduzido à quebra da procura interna, à recessão e ao desemprego, sem atenuar o peso da dívida pública. São as chamadas politicas de austeridade que se têm mostrado muito violentas e com devastadores efeitos económicos e sociais, com destruição do tecido económico, o retrocesso nas políticas de educação e de saúde, assim como no aumento da pobreza e da desigualdade. O protesto contra estas políticas e contra os cortes orçamentais tem sido frequente em Espanha e na Itália, por vezes com sinais de alguma violência, mas também em Portugal, França, Grécia, Irlanda e outros países, pois existe a convicção de que há alternativas ao actual modelo, que passam pelo estímulo à economia e à criação de emprego. Nesta onda de crítica ao falhanço das políticas de austeridade, a novidade surgiu recentemente em Espanha, onde as marchas de protesto utilizam uma eloquente sinalética que proibe a tesoura e os cortes como mostra a edição do  El Periódico de Catalunya.

As viagens e passeios que nós pagamos

A proposta governamental do Orçamento do Estado para 2014 inclui uma verba de 34,8 milhões de euros para deslocações e estadas dos titulares e do pessoal dos gabinetes ministeriais, havendo sete ministérios que irão gastar mais em 2014 do que no corrente ano de 2013. Numa altura em que o país está em grandes dificuldades, em que há sinais de decadência e de progressivo empobrecimento, com os salários e as reformas a serem intensamente penalizados, esta lógica despesista parece não ter explicação. É uma situação incompreensível. É um abuso. Fazem-se contas e não se percebe quem vai fazer e para que servem tantas viagens. Provavelmente, os nossos governantes até deveriam viajar mais para melhor conduzirem as suas actividades em prol do interesse nacional, mas deveriam dispensar as suas numerosas e dispendiosas comitivas, com demasiados assessores, ajudantes e convidados, para além dos habituais jornalistas que outra coisa não fazem que não seja promover a Excelência que os convidou e transmitir para o país algumas banalidades a respeito do país para onde a Excelência viajou, pois não vão fazer jornalismo nenhum. E se isto é válido para o governo, também se aplica às comitivas de Belém, porque são sumptuárias e desproporcionadas. Este tipo de comportamentos é muito condenável, não tanto pelo peso que estas despesas têm no Orçamento do Estado, mas sobretudo porque constituem um mau exemplo e um sinal muito negativo para os sectores da população que pagam impostos e têm sofrido uma brutal perda de rendimentos.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Espanha: cultura para vencer a depressão

A edição sevilhana do jornal ABC destaca hoje na sua primeira página a representação da ópera Aida, de Giuseppe Verdi, informando que será apresentada nos dias 25, 28 e 31 de Outubro e 3, 6 e 9 de Novembro no Teatro de la Maestranza de Sevilha. A famosa ópera é uma das mais representadas e mais espectaculares de entre todas as que se conhecem, tendo sido estreada no Cairo em 1871 mas, ao contrário do que por vezes se pensa, não foi encomendada para a inauguração do canal do Suez, que aconteceu em 1869.
Não é vulgar que os temas culturais ocupem as primeiras páginas dos jornais e, por isso, a escolha da edição sevilhana do jornal ABC merece ser destacada, sobretudo porque é uma forma de atenuar a profunda depressão que atravessa a Andaluzia e as suas cidades. De resto, a mesma edição, salienta que “o desemprego baixa em Espanha, mas sobe na Andaluzia”.
Na realidade, a Andaluzia tem uma taxa de desemprego da ordem dos 36% da população activa e algumas das suas cidades estão “na vanguarda do desastre”, como há tempos se lhes referiu a revista Time, enquanto no ano passado também a revista Visão apresentou uma reportagem sobre “a vida na capital do desemprego na Europa”. Perante este quadro de crise económica, de desemprego e de desagregação social, a apresentação da ópera Aida na abertura da temporada lírica em Sevilha, é um exemplo de como a cultura pode ajudar a superar a depressão, ou de como os andaluzes podem animar-se, ao assistirem à representação das paixões entre Radamés, um triunfante general egípcio, e Aida, uma escrava etíope que servia na corte dos faraós.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O petróleo do orgulho brasileiro

Em poucos anos, o Brasil tornou-se num dos dez maiores produtores mundiais de petróleo e, na base dessa realidade, estão a descoberta de abundantes reservas on-shore e off-shore e a criação da Petrobras, daí resultando que a Constituição tivesse passado a garantir ao Estado o monopólio da extracção do petróleo brasileiro. Porém, foi com a crise petrolífera de 1973 e com o reconhecimento de que a exploração off-shore se tornara economicamente rentável, que o Brasil intensificou a pesquisa de petróleo no mar, a qual veio a ter grande sucesso em 2007 quando foi descoberto um campo petrolífero de 800 Km de extensão ao longo da costa brasileira, onde estão definidas 17 áreas de concessão, a maior das quais está situada na bacia de Santos. Entre os seus concessionários está a Galp Energia que, desde 1999, mantém uma parceria com a Petrobras em cerca de duas dezenas de projectos, sendo os principais o campo Lula e o campo Iracema, onde tem participações entre 10 e 20%.
Entretanto, a maior reserva de petróleo brasileira até agora descoberta – o campo Libra – foi leiloado e foi adquirido por 35 anos por um consórcio que integra a Petrobas (40%), a Shell (20%), a Total (20%) e as estatais chinesas CNPC e CNOOC (10% cada), mas este leilão foi muito contestado, gerou greves e obrigou à mobilização do Exército, porque o petróleo tornou-se um símbolo do orgulho nacional brasileiro – “o petróleo é nosso”, escreveu o Correio Braziliense, mas afinal não é apenas brasileiro. O governo de Dilma Rousseff que tanto criticara os seus adversários políticos “por quererem entregar o petróleo brasileiro às multinacionais”, fez exactamente isso ao dividir a sua maior reserva com as multinacionais dominadas por ingleses, franceses, holandeses e chineses, em nome da necessidade brasileira de financiamento para a educação, para a saúde e para a criação de empregos.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Sopram ventos perigosos em Moçambique

A situação em Moçambique já se vinha a deteriorar nas últimas semanas devido a rivalidades políticas e divergências quanto à legislação eleitoral, com acusações mútuas entre a Frelimo, que é o partido maioritário e que governa o país, e o principal partido da oposição que é a Renamo. Estes dois partidos protagonizaram uma violenta guerra civil que durou desde 1975 a 1992, ano em que foi assinado o Acordo de Roma mas, aparentemente, a Renamo nunca se desarmou completamente. No entanto, passou a participar na vida democrática moçambicana e, actualmente, na Assembleia Nacional de Moçambique dispõe de 51 deputados que se sentam ao lado dos 191 deputados da Frelimo e dos 8 deputados do Movimento Democrático de Moçambique (MDM).
Ontem ocorreram confrontos armados entre os dois maiores partidos e o quartel-general da Renamo em Santungira, na província de Sofala, a cerca de 600 quilómetros para norte da cidade de Maputo, foi assaltado pelas Forças Armadas de Defesa de Moçambique. Segundo destaca o jornal O País que se publica em Maputo, não houve mortos nem feridos, tendo Afonso Dhlakama e os seus homens fugido para a serra da Gorongoza. A Renamo já anunciou que esta acção marca o fim da democracia em Moçambique e pode levar o partido a pegar novamente em armas a nível nacional, enquanto o presidente Armando Guebuza afirmou que não há espaço no país para dois exércitos. Entretanto, poucas horas depois, em retaliação e como sinal de resistência, homens armados da Renamo atacaram um posto da polícia em Maríngué, no centro de Moçambique.
É preciso accionar rapidamente todos os mecanismos e canais de influência, alguns dos quais passam por Portugal, para que esta turbulência entre moçambicanos fique por aqui. Falem, dialoguem, entendam-se!

 

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

The United States of Texas

Há uma crise mundial que está a atravessar o mundo, sobretudo no chamado mundo ocidental, havendo algumas teorias que procuram explicar o ambiente recessivo e preocupante que se está a viver na Europa e nos Estados Unidos. Para uns trata-se de um dos habituais ciclos económicos capitalistas, se bem que mais prolongado do que noutras épocas, para outros trata-se da mudança dos centros de poder económico mundial para o oriente e para outros, ainda, trata-se de uma profunda alteração do nosso paradigma civilizacional. Hoje, em maior ou menos escala, a generalidade dos países ocidentais tem grandes problemas para resolver e, nesse número, incluem-se os poderosos Estados Unidos da América, onde se procuram ultrapassar as dificuldades e onde surgem as mais curiosas respostas. A revista TIME estudou o que se está a passar no Texas porque, contra todas as probabilidades, se tem verificado a chegada maciça de emigrantes de todos os outros Estados e há um acentuado dinamismo económico.
O Estado do Texas é o segundo maior dos Estados Unidos, com uma área que é maior do que a Alemanha e a Polónia juntas e tem cerca de 25 milhões de habitantes. Aparentemente é um Estado pouco atraente por ter um clima muito severo, grandes desigualdades sociais, poucos serviços sociais, alguns milhões de pessoas sem seguro de saúde e alta criminalidade. Então, pergunta a revista TIME, por que razão os americanos se deslocam mais para o Texas do que para qualquer outro Estado? O Texas é o Estado que mais cresce e três das cinco principais cidades americanas que mais crescem estão no Texas: Austin, Dallas e Houston. Enquanto no resto do país está a desaparecer a classe média e a aumentar o custo de vida, no Texas parece estar criada uma maneira radicalmente simples e barata para se viver e para fazer negócios. Para muitos americanos, o Texas parece ser o futuro. Haverá alguma coisa que possamos aprender com eles?

sábado, 19 de outubro de 2013

O Pico e o seu poder de atracção

Mais uma vez andei pela ilha do Pico, que é  a segunda maior ilha dos Açores e sobre a qual vale sempre a pena repetir o que sobre ela disse Raúl Brandão em As ilhas desconhecidas:
“O Pico é a mais bela, a mais extraordinária ilha dos Açores, duma beleza que só a ele lhe pertence, duma cor admirável e com um estranho poder de atracção. É mais do que uma ilha - é uma estátua erguida até ao céu e amolgada pelo fogo - é outro Adamastor como o do cabo das Tormentas".
Podia considerar-se estar tudo dito com estas palavras ou considerar-se que Raúl Brandão apenas utilizou uma retórica desproporcionada, mas na realidade esta ilha tem um estranho poder de atracção sobre os forasteiros, pela imponência da montanha e pelas cores dos seus mares, das suas encostas e dos seus “mistérios”. Porém, o mesmo não se poderá dizer em relação aos picoenses que, sem actividades económicas relevantes para além da pecuária, vão procurando outros locais alternativos para viver e para trabalhar. Assim, a ilha envelhece, desertifica-se e vai acumulando histórias e memórias de um passado de isolamento e de fainas baleeiras de grande temeridade e dureza, mas também das boas lembranças que chegavam da longínqua América, para onde muitos açorianos tinham emigrado desde meados do século XIX.  
Tem havido muito progresso na ilha, mas até agora, nem o sistema político, nem a autonomia regional, nem a economia global conseguiram ainda dar passos consequentes para resolver a equação económica e social destas comunidades e para um melhor aproveitamento destes 447 Km2 de superfície, cuja paisagem natural tem sido tão bem preservada. Porém, há que confiar que melhores dias virão porque esta exemplar riqueza cultural e esta emocionante paisagem são singulares e vão perdurar no tempo. Eu deixo a ilha hoje para regressar ao rectângulo, mas voltarei sempre.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Angola, o estado da Nação e a parceria

Durante seu o discurso sobre o estado da Nação pronunciado no dia 15 de Outubro na Assembleia Nacional de Angola, o Presidente José Eduardo dos Santos anunciou o fim da intenção de estabelecer uma parceria estratégica com Portugal, semelhante às que Angola tem com os Estados Unidos, a China e o Brasil. Depois de ter salientado que Angola tem relações estáveis com quase todos os países do mundo, afirmou que "só com Portugal as coisas não estão bem” e acrescentou que têm surgido incompreensões ao nível da cúpula e, por isso,  o clima político actual não aconselha à construção da parceria estratégica antes anunciada.
Porém, o Presidente angolano não anunciou qualquer corte de relações com Portugal, nem sequer o fim da prevista parceria estratégica, pois apenas se referiu à “cúpula” e ao “clima político actual”, o que é um recado bem direccionado à incompetência e alguma leviandade com que tem sido tratada a relação Portugal-Angola, que é bem mais forte do que as circunstâncias políticas conjunturais. No entanto, os interesses angolanos e portugueses estão em causa e, por isso, a forma de fazer política deve ser repensada para proteger as centenas de empresas portuguesas que têm negócios com Angola e os 150 mil portugueses que por lá trabalham, mas também os legítimos interesses angolanos que se instalaram em Portugal. Perante as dificuldades que atravessamos, Angola tem sido um importante ponto de apoio para Portugal, mas Portugal também tem sido um paraíso para as elites angolanas. É um jogo de interesses e de vantagens comuns, mas nesse jogo que agora foi posto em causa, há que alterar comportamentos. Comecemos por corrigir os comportamentos dos nossos políticos, dos nossos empresários e dos nossos jornalistas para que “não vendam a alma ao diabo”, nem pactuem com comportamentos económicos de menor transparência que, como sabemos, acontecem e estão à vista em Portugal. Não sejamos como o Machete, nem como os muitos machetes que andam cá e lá. Nos negócios, como na vida, não vale tudo. Foi essa nossa fraqueza e, em muitos casos, subserviência, que deu força ao discurso do estado da Nação de José Eduardo dos Santos.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Despesismo do governo é mau exemplo

O Orçamento do Estado para 2014 é muito duro para os contribuintes, para os funcionários públicos e para os reformados e pensionistas, mas não tem o mesmo grau de exigência para aqueles que deviam dar o exemplo da contenção e da parcimónia, isto é, os governantes. Assim, sem bons exemplos, eles nunca conseguirão comandar esta nau e far-nos-ão andar à deriva como tem acontecido. No próximo ano os ministros e os respectivos gabinetes vão gastar mais do nosso dinheiro, pois verifica-se um aumento de cerca de 8,13% na sua despesa, quando comparado com a estimativa de despesa incluida no segundo orçamento rectificativo para o ano corrente. O governo engordou por via das várias remodelações decididas ao longo dos últimos meses com mais ministros, mais secretários de Estado, mais assessores e mais equipas de apoio, pelo que hoje já tem mais gente (56) do que o maior dos governos de Sócrates (55) que o primeiro ministro e o seu amigo catroga apontavam como exemplo de gorduras do Estado. Alguns gabinetes irão reforçar de forma significativa os respectivos orçamentos para 2014, como acontece por exemplo com a Presidência do Conselho de Ministros. É um mau exemplo por gastar mais, mas é uma falta de pudor por retirar esse dinheiro aos reformados. O Correio da Manha dá-nos hoje a exacta medida deste desregramento e deste despudor ao anunciar que a equipa do primeiro ministro é constituída por 60 pessoas, onde se incluem dez secretárias que ganham 1882 euros cada uma, onze motoristas que recebem 1848 euros cada qual e nove assessores que auferem uma média de 3653,81 euros. O jornal fez as contas e concluiu que esse gabinete custa 134 900 euros por mês, de acordo com a lista de nomeações publicada pelo Governo, com um salário médio de 2248 euros. Porém, todos sabemos que não é assim. Nesses gabinetes gasta-se à tripa forra e, por isso, a despesa da Presidência do Conselho de Ministros ainda será acrescentada com as viagens, as ajudas de custo, as despesas de representação, as horas extraordinárias, as viaturas, as refeições, os telemóveis e eu sei lá que mais, fazendo com que este despesismo seja um mau exemplo que passa para a sociedade.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Um Orçamento que ainda nos afunda mais

O governo anunciou a sua proposta do Orçamento do Estado para 2014 e, embora o vice-portas tivesse recentemente informado que não haveria mais austeridade, o facto é que a proposta governamental inclui novos e brutais cortes nos salários e nas pensões, assim como mais impostos e taxas. No seu conjunto o Orçamento significa um severo corte nos gastos públicos de cerca de 3,9 mil milhões de euros, ou seja, cerca de 2,3% do PIB. Trata-se de mais um brutal pacote de austeridade e, mesmo os partidos do governo, reconhecem que a proposta tem medidas gravosas. Este Orçamento é o terceiro preparado pelo actual governo e é a melhor prova da má governação que nos tem orientado. Antes de se instalarem no poder, prometeram que nunca haveria aumento de impostos nem cortes nas pensões e essas promessas foram uma descarada mentira. Nunca reconheceram a sua impreparação, nem a sua postura adolescente e de xicos-espertos. Têm-nos mentido repetidamente.
Hoje, o Diário de Notícias diz que é uma austeridade desigual, pois 82% resulta dos cortes na função pública, nos reformados, nos pensionistas e nos sectores da Educação e da Saúde, enquanto apenas 4% dessa austeridade vem das taxas para a banca, das petrolíferas e das redes de energia. Alguns destes cortes são imorais, injustos e inconstitucionais e vão afectar, uma vez mais, a procura interna, o produto e o emprego, além de contribuírem para o aumento da pobreza. Os grandes interesses empresariais quase ficam intocados e os seus encargos fiscais serão aliviados para estimular o investimento, mas o que vai acontecer é uma maior fuga de capitais.
Este Orçamento do Estado é uma verdadeira humilhação para os portugueses e uma vergonha para quem o patrocinou. Afunda-nos e empobrece-nos, mas eu não acredito que sejam capazes de o cumprir.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Moçambique e a importância do cajú

O semanário moçambicano Domingo que se publica na cidade do Maputo e que  é um dos periódicos publicados pela Sociedade do Notícias, SA , na sua última edição, dedica uma extensa reportagem ao cajú e à sua economia específica, dizendo que está em alta. E parece que sim.
Moçambique já foi um dos maiores produtores e exportadores mundiais de castanha de cajú até finais da década de 1970. Naquela altura, produzia cerca de 200 mil toneladas por ano, mas após a independência verificou-se uma redução da produção para as 15 mil toneladas anuais. Os tempos mudaram e, actualmente, o Instituto de Fomento do Cajú pretende recuperar o lugar que perdeu: na campanha de 2010-2011 foram exportadas cerca de 112 mil toneladas de castanha, mas na campanha seguinte as condições agro-climáticas trouxeram a produção para cerca de 80 mil toneladas. Na presente campanha de 2012-2013, a estimativa aponta para uma produção de 110 mil toneladas e esse resultado está a mostrar a importância económica e social do cajú para os moçambicanos. Actualmente, mais de 40 por cento dos agricultores moçambicanos, ou cerca de um milhão de agregados familiares produzem castanha de cajú, uma das poucas culturas fiáveis que os agricultores conseguem produzir no país. Na província de Nampula, a castanha de cajú, representa cerca de um quinto dos rendimentos totais dos agregados familiares e aproximadamente dois terços do total dos rendimentos em dinheiro. Perante este quadro, há um plano para aumentar o plantio de cajueiros e para expandir as áreas de produção de castanha de cajú, mas também para instalar novas fábricas de processamento que levem a um maior valor acrescentado do cajú moçambicano. Moçambique é actualmente um médio produtor mundial e quer recuperar quota de mercado a nível mundial, porque isso contribui para acabar com a pobreza de grande parte da sua população rural e para equilibrar a balança comercial do país.

Autumn beauty

Há dias destacamos aqui a primeira página do The Daily Telegraph por ter publicado a fotografia de uma onda gigante a rebentar sobre o farol de Seaham Harbour, no distrito de County Durham, no noroeste da Inglaterra.
Hoje é o jornal The Times que, na sua primeira página, destaca uma fotografia de Batcombe Vale, na região do Somerset, no sudoeste da Inglaterra, com a legenda “Autumn beauty”, na qual se pode observar a espessa neblina que cobre uma vasta área e que apenas deixa a copa das árvores à vista.
São duas excelentes fotografias a justificar que “uma imagem vale mais do que mil palavras”, mas a publicação destas duas fotografias em dois prestigiados jornais ingleses, separada por poucos dias, revela uma maneira diferente de fazer jornalismo, que é pouco habitual. Não se trata de optar entre conteúdos genéricos ou conteúdos especializados, nem de publicar notícias e opiniões sobre os mais diversos interesses sociais, com maior ou menor sensacionalismo para atrair leitores. O que estes jornais fazem é a promoção do fotojornalismo, isto é, a difusão da informação através da imagem com o apoio de um texto, em vez da habitual informação escrita apoiada por uma fotografia. Assim, o fotojornalismo mostra que pode ir para além das imagens das guerras, das catástrofes ou das competições desportivas e tratar temas tão vulgares, mas esteticamente atraentes, como é a chegada do Outono.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Air Costa para bem voar na Índia!

A Índia é uma federação de Estados com muitos contrastes culturais, muita gente, muitas religiões e mais de quatrocentas línguas e dialectos, havendo 23 línguas oficiais nos seus 28 Estados. O quarto maior desses Estados é o Andhra Pradesh, que é três vezes maior que Portugal e tem 84 milhões de habitantes, sendo a sua língua nacional o telugu (a 16ª língua mais falada no mundo). O seu principal jornal é o Eenadu (ఈనాడు) que se publica em Hyderabad, que tem seis milhões de leitores e que é redigido em telugu que, naturalmente, não domino. Na sua edição de hoje, o que chama a atenção dos leitores, no meio dos caracteres que não compreendemos, é uma notícia e um anúncio da Air Costa.
A Air Costa é a primeira companhia aérea regional do Estado de Andhra Pradesh e iniciou exactamente hoje os seus voos comerciais com dois aviões Embraer E-170 de fabrico brasileiro. A sua base será na cidade de Vijayawada e, por agora, voará para Hyderabad, Chennai, Bangalore, Jaipur e Ahmedabad mas, em Novembro, quando receber dois novos Embraer E-190, também voará para Madurai, Visakhapatnam, Goa, Thriuvananthapuram e Mysore. Até ao fim de 2014 a Air Costa espera ter uma frota de dez Embraer E-190. Na Índia é frequente, muito frequente, o aparecimento de companhias aéreas privadas de carácter regional, nacional e internacional que, com toda a lógica económica, nascem, crescem e morrem. A Air Costa será provavelmente mais uma delas, mas o que verdadeiramente surpreende é este nome em Andhra Pradesh.