domingo, 4 de junho de 2023

As brutais tragédias ferroviárias na Índia

Quando em 1947 a Índia se tornou independente, uma das mais apreciadas heranças do património deixado pelo Império Colonial Britânico foi a sua rede de transportes ferroviários, que cobria todo o território do país. Então, tal como agora, muitos milhões de passageiros utilizam diariamente os comboios indianos, uns com carruagens com camas e com lugares marcados, mas outros sem lugares marcados ou sem assentos, onde as pessoas viajam de pé. Viajar de comboio na Índia é uma experiência singular e o passageiro ocidental deve estudar e escolher previamente o comboio em que pretende viajar. A maioria das linhas ferroviárias foram construídas no período colonial e muitas delas não têm recebido o necessário investimento em modernização, daí resultando um registo histórico negativo relativamente à segurança e ao conforto. 
Na passada sexta-feira aconteceu uma catástrofe com o Shalimar-Chennai Coromandel Express que seguia de Bangalore para Calcutá e circulava a 130 quilómetros por hora. Na estação de Bahanaga Bazaar no distrito de Balasore do estado de Odisha, no nordeste do país, aquele comboio colidiu com uma composição de mercadorias que estava parada. Muitas das suas carruagens descarrilaram e tombaram sobre uma linha adjacente, por onde circulava o Expresso Yeshwantpur-Howrah. Foi uma das maiores tragédias ferroviárias da história da Índia e envolveu três comboios. Hoje o diário The Hindu, que se publica em Chennai e tem circulação nacional, destacou aquela tragédia e atribuiu-a a erro humano, ao mesmo tempo que informa que já estão apurados 288 mortos e mais de mil feridos.
Porém, a imprensa indiana também recorda a frequência com que ocorrem acidentes ferroviários da Índia e destaca aquele que aconteceu no dia 6 de Junho de 1981 no estado do Bihar, quando sete carruagens de um comboio que atravessava uma ponte caíram num rio e morreram entre 800 e 1000 pessoas. Com todas estas brutais tragédias é caso para perguntar: guerras para quê?

sexta-feira, 2 de junho de 2023

Canadá: alterações climáticas e incêndios

No dia 19 de Maio referimos aqui os megaincêndios florestais que estavam a afectar gravemente as províncias canadianas de Alberta, Colúmbia Britânica, Manitoba e Saskatchewan, onde alguns milhares de pessoas foram obrigadas a abandonar as suas casas. Hoje, a edição do Journal de Montréal anuncia um “alerte extrême” na província do Québec, pois há cem incêndios activos na região e cerca de 250 mil quebequenses estão sem electricidade, o que significa “uma dura jornada para os bombeiros”. “Nunca tinha sido visto nada assim”, diz o jornal. 
Uma vez mais, as alterações climáticas estão na ordem do dia no Canadá, tal como por todo o nosso planeta, sendo os incêndios florestais um dos fenómenos naturais mais frequentes e de consequências mais trágicas, estando a ameaçar seriamente a província do Québec.
O Québec é a maior das dez províncias do Canadá, tem uma superfície de 1.542.056 km2 (16 vezes maior que Portugal e três vezes maior do que a França!) e é a segunda província mais populosa do Canadá com mais de oito milhões de habitantes. A população é maioritariamente francófona e o francês é a sua língua oficial. A capital é a cidade do Québec, mas a maior cidade é Montreal, que alberga quase metade da população da província e é considerada um líder mundial em pesquisa científica, como mostram os dez Prémio Nobel já recebidos pelos seus investigadores.
A área florestal total da província é estimada em 750.000 km2, cobrindo mais de metade do território. Há uma centena de incêndios activos e esse facto constitui uma grande ameaça, havendo populações evacuadas em muitas áreas mais afectadas.
É tempo das autoridades mundiais voltarem a pensar num dos principais problemas do nosso tempo: as alterações climáticas.

As boas memórias de Portugal em Macau

Depois de três anos em que esteve suspenso devido à epidemia de covid-19, o território de Macau volta a celebrar o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Na sua última edição o jornal hoje macau dedica uma extensa reportagem à “hora de Portugal”, ou a “um mês português”, apresentando a programação destas celebrações, que inclui cerca de duas dezenas de iniciativas culturais, com destaque para o cinema, a música e várias exposições, a introdução de um roteiro gastronómico que conta com a participação de onze restaurantes para “comer e beber à portuguesa” e a realização de seminários e conferências dedicados à ciência e à economia. O programa estende-se até ao dia 4 de Setembro, mas tem os seus pontos mais altos no dia 10 de Junho com a tradicional romagem à Gruta de Camões e a recepção à comunidade portuguesa, mas também no dia 17 de Junho em que se realizará um concerto pelo músico português André Sardet.
O Consulado-geral de Portugal em Macau e Hong Kong e o Cônsul-geral Alexandre Leitão têm dinamizado este programa, a que estão associadas diversas organizações portuguesas ou macaenses, como o Instituto Português do Oriente (IPOR), a Fundação Oriente, a Escola Portuguesa de Macau, o Círculo dos Amigos da Cultura de Macau (CAC) e a Casa de Portugal em Macau, entre outras, assim como muitos elementos da comunidade portuguesa. 
Para quem está longe do país e tem a saudade inscrita no seu quotidiano, estas celebrações são sempre um exercício de boas memórias. Para os portugueses que conheceram e viveram em Macau é, certamente, um motivo de grande satisfação saberem que a cultura e as tradições portuguesas continuam vivas na Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China (RAEM).

quinta-feira, 1 de junho de 2023

A guerra já chegou ao coração da Rússia

A guerra na Ucrânia começou com a invasão russa de 24 de Fevereiro de 2022 e já dura há 462 dias, com muitas mortes, muitos refugiados e muitas destruições. Custa a acreditar como é possível que nenhuma diplomacia consiga parar aquela tragédia! A percepção que temos do que se passa e dos combates que afectam milhões de ucranianos, resulta do que nos é transmitido pela comunicação social interna e internacional, pelos inúmeros comentadores e opinion makers que tanto dizem uma coisa como o seu contrário, daí resultando uma enorme ignorância sobre o que realmente se passa no terreno e sobre as hipóteses de parar com esta desgraça.
A Ucrânia é o segundo maior país da Europa, tendo-se tornado independente em 1991 depois do colapso da União Soviética. Seguiu-se um período de grande instabilidade e tensão entre ucranianos pro-Europa e ucranianos pro-Rússia, até que em 2014 a Rússia anexou a península ucraniana da Crimeia e passou a apoiar as forças independentistas pró-russas de alguns territórios do Donbas, que lutavam contra o exército ucraniano e proclamaram as regiões administrativas de Lugansk e Donetsk, como repúblicas populares independentes. Foi nesse contexto que em 2022 foi iniciada a invasão russa da Ucrânia.
Como é natural, há quem apoie a Ucrânia e exija que os russos abandonem os territórios que ocuparam militarmente com a invasão, há quem compreenda que os russos foram provocados e que tinham o dever de proteger as populações ucranianas de etnia russa, mas também há muita gente que aspira a que se chegue a um cessar-fogo e a negociações de paz. Porém, a guerra tende a intensificar-se e as notícias referem cada vez mais soldados, mais armas e mais combates. Não se vê quem esteja em vantagem e todos estão a perder. Agora acentua-se a pressão russa sobre a cidade de Kiev e, numa lógica de “acção e reacção”, a cidade de Moscovo foi alvo de um ataque de drones. Em 15 meses de guerra nunca a capital russa, situada a mil quilómetros das fronteiras ucranianas, tinha sofrido um ataque desta natureza. Um comentador afirmou que “sem dúvida, o ataque de drones de hoje em Moscovo é uma resposta aos 17 ataques com drones e mísseis da Rússia contra Kiev ao longo deste mês”.
A fotografia publicada pelo The Washington Post e muitos outros jornais internacionais mostra os efeitos da explosão de um drone num edifício de Moscovo, um facto que pode significar uma maior escalada na guerra e um maior afastamento da ansiada paz. Como referia um jornal português “a guerra chegou ao coração da Rússia com o ataque de drones a Moscovo”.

quarta-feira, 31 de maio de 2023

Os grandes veleiros são História ao vivo

O diário El Comercio que se publica em Gijón, a cidade mais povoada da Comunidade Autónoma, ou Principado das Astúrias, destaca na sua edição de hoje a visita ao seu porto do navio-escola mexicano Cuauhtémoc, certamente porque a visita de um veleiro é um acontecimento relevante.
O navio é um veleiro que arma em barca, pertence à Marinha do México e foi construído em 1982 nos estaleiros de Bilbau, onde também tinham sido construídos os veleiros Gloria (Colômbia), Guayas (Equador) e Simón Bolivar (Venezuela). As principais missões do navio-escola mexicano são a realização das viagens de instrução dos cadetes da Marinha do México.
Este ano o Cuauhtémoc largou do porto de Acapulco no dia 1 de Abril para o seu “crucero de instrucción ‘Ibero-Bizantino 2023” numa viagem de nove meses, em que vai “llevando por el mundo el mensaje de paz y buena voluntad del pueblo mexicano”. Depois de Cuba e dos Estados Unidos, o navio fez a travessia do Atlântico em 21 dias e atracou em Gijón, iniciando a componente europeia da sua viagem em que visitará portos de Espanha, França, Reino Unido, Turquia, Itália e Portugal. Quando terminar a sua viagem, aquele “Embajador y Caballero de los Mares” terá visitado treze países.
Em Portugal também temos o navio-escola Sagres e alguns outros belos veleiros históricos, mas são temas que não interessam à imprensa portuguesa, ao contrário do que sucede em Espanha, em que são destacadas as viagens do seu navio-escola Juan Sebastián de Elcano e as visitas dos grandes veleiros internacionais, como sucede com esta visita do Cuauhtémoc. É uma questão cultural, que mostra como a imprensa e os outros meios de comunicação social portugueses vivem sobretudo do sensacionalismo, das fake news e das agendas encomendadas. Como estava enganado o poeta António Nobre quando escreveu “Georges! Anda ver o meu país de Marinheiros/ O meu país das Naus, de esquadras e de frotas!” (Só), ou quando não foi ouvida a mensagem marítima do poeta Fernando Pessoa, quando escreveu que “um navio será sempre belo, só porque é um navio” (Ode Marítima).

terça-feira, 30 de maio de 2023

O reeleito Erdoğan e o futuro da Turquia

A 2ª volta das eleições presidenciais na Turquia, realizadas no dia 28 de Maio, confirmaram a tendência verificada na 1ª volta e deram a vitória a Recep Tayyip Erdoğan com mais de 27 milhões de votos (52,16%), derrotando o candidato Kemal Kılıçdaroğlu que obteve mais de 25 milhões de votos (47,84%). Depois de duas décadas no poder, primeiro como chefe do governo e depois como presidente em dois mandatos, o terceiro mandato presidencial de Recep Erdoğan inicia-se com o país dividido entre a sua linha de estabilidade conservadora e a vontade de mudança que animou o candidato derrotado. 
Porém, Erdoğan prometeu unir a Turquia, combater a inflação que está a afectar a economia e a sociedade turcas e incrementar a gigantesca tarefa de reconstrução das áreas destruídas pelo sismo de 6 de Fevereiro de 2023. Além disso, os desafios de Erdoğan passam pelo seu papel como eventual mediador no processo de paz da Ucrânia, pela sua atitude em relação à NATO e à adesão sueca, pela resolução das questões curdas, pelo apaziguamento da sua relação com a Síria e, de uma forma mais geral, pela construção de um prestígio regional que lhe reconheça o estatuto de potência regional numa zona-charneira entre vários mundos.
Apesar de ter recebido mensagens de felicitações de todo o mundo, incluindo das lideranças dos Estados Unidos e da União Europeia, o facto é que num comício realizado poucas horas antes da votação, Recep Erdoğan acusou o presidente Joe Biden de ter “dado ordens” aos turcos para que o derrotassem nas urnas e o seu adversário Kılıçdaroğlu de se aliar aos interesses ocidentais e de “atacar a Rússia, uma aliada económica e política do país”. Estas tensões não se esquecem facilmente. 
Do que não restam dúvidas é que a presidência de Recep Erdoğan vai dar à Turquia um maior protagonismo na política internacional, embora a sua democracia (árabe) seja diversa das democracias do mundo ocidental.

A alternância do poder em Espanha

No passado domingo realizaram-se as eleições regionais em doze das dezassete comunidades autónomas espanholas e, também, as eleições municipais, completando-se assim o ciclo eleitoral local e regional espanhol, uma vez que as eleições já tinham sido realizadas nas outras cinco regiões autónomas.
Os resultados foram inequívocos, com o PSOE e o primeiro-ministro Pedro Sánchez a sofrerem uma pesada derrota, enquanto o PP de Alberto Núñez Feijóo conseguiu uma assinalável vitória. Dessa forma, o mapa regional da Espanha deixou de ser dominado pelo PSOE, pelo que o PP já reivindica o início de um novo ciclo político.
O PSOE que governa a Espanha desde 2018, liderava os governos regionais de nove das doze regiões que foram a votos e perdeu mais de metade, conservando apenas as Astúrias, Canárias, Castela-la-Mancha e Navarra. Já o PP, que governava apenas Madrid e Múrcia, poderá ficar a governar oito regiões autónomas se conseguir concretizar alguns acordos de coligação.
No que respeita às eleições municipais realizadas em todo o país, também o PP foi o partido mais votado, conseguindo a maioria absoluta em Madrid e conquistando à esquerda algumas grandes cidades, como Sevilha e Valência.
De uma forma geral a imprensa espanhola destacou a derrota socialista e tem afirmado que um tsunami atingiu o PSOE por todo o território. Perante este quadro, o primeiro-ministro Pedro Sánchez decidiu antecipar para 23 de Julho as eleições legislativas nacionais que estavam previstas para Dezembro, conforme noticia o El País.
Chama-se a isto a alternância do poder, que é uma das mais importantes marcas da Democracia, embora esta mudança do eleitorado espanhol nos recorde a famosíssima frase de John Emerich Edward Dalberg-Acton, o historiador britânico que numa carta dirigida em 1887 ao Bispo Mandell Creighton, escreveu: “o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente”. 
Os espanhóis parece que se cansaram daqueles que se deslumbram com o poder...

segunda-feira, 29 de maio de 2023

China entra no grande mercado da aviação

O primeiro grande avião de passageiros que foi fabricado na China realizou ontem o seu voo comercial inaugural entre Xangai e Pequim, que foi concluído em pouco menos de três horas. Nas suas edições de hoje, a imprensa chinesa destaca esse acontecimento e o jornal Shanghai Daily dedica-lhe toda a sua primeira página.
Construído pela COMAC (Commercial Aircraft Corporation of China), o novo avião - Comac C919 - representa a vontade chinesa de contrariar o actual domínio no mercado da aviação comercial de médio curso da europeia Airbus e da americana Boeing, sobretudo através dos seus modelos A320 e B737. O desenvolvimento do projecto chinês durou quinze anos, mas ainda depende em elevado grau de componentes fornecidos por empresas ocidentais, como os motores e os sistemas de navegação, embora os principais elementos do avião como o nariz, a fuselagem, as asas e os estabilizadores verticais e horizontais tenham sido projectados pela COMAC. O avião tem 164 lugares, destina-se a voos de médio curso e tem um alcance nominal de 5.555 quilómetros.
As primeiras encomendas do novo avião foram feitas pela companhia China Eastern Airlines mas, segundo revela a imprensa, já haverá cerca de 1.200 pedidos para o C919, sobretudo por parte de companhias aéreas domésticas. No entanto, é improvável que a COMAC venha a receber encomendas do exterior até que seja certificado pelos reguladores aeronáuticos, tanto europeus como americanos. Porém, como se costuma dizer, a China é um corredor de fundo e até tem uma especial paciência para esperar.

sexta-feira, 26 de maio de 2023

R.I.P. Tina Turner

Tina Turner, que era considerada a rainha do rock and roll, faleceu ontem na sua casa de Kusnacht, perto da cidade suiça de Zurique, onde vivia desde 1994. Tinha 83 anos de idade. Nasceu no Tennessee e o seu verdadeiro nome era Anna Mae Bullock, mas cedo adoptou o nome artístico que não só a tornou famosa, como também contribuiu para fazer dela a artista feminina mais bem-sucedida da sua geração, por ter vendido mais de 200 milhões de discos em todo o mundo e por ter vencido por doze vezes o Grammy, o prémio que reconhece a excelência do trabalho na arte da produção musical.
Por razões de sensibilidade pessoal nunca fui um admirador entusiasta de Tina Turner nem acompanhei a sua carreira, mas o seu desaparecimento foi reportado pela imprensa de todo o mundo com grande destaque, o que habitualmente só acontece com grandes dirigentes políticos mundiais e só raramente acontece com figuras do espectáculo desportivo ou musical.
A sua imagem de marca terá sido a canção simply the best, pois essa frase passou a estar associada ao seu nome que, segundo relata a imprensa, inspirou milhões de pessoas com “a sua verdade e a sua voz”. O jornal nova-iorquino Daily News dedica-lhe toda a sua primeira página e chama-lhe "legend of soul, rock, stage and screen", isto é, vê em Tina Turner quase a perfeição.
Tina Turner esteve em Portugal por duas vezes, tendo-se apresentado em Lisboa onde deu dois grandes concertos, respectivamente no Estádio de Alvalade em 1990 e, seis anos depois, no Estádio do Restelo.

quinta-feira, 25 de maio de 2023

O vulcão “El Popo” está activo no México

O vulcão Popocatépeti, que é conhecido vulgarmente como “El Popo”, entrou em erupção. Localizado no centro do México e a cerca de setenta quilómetros para sueste da cidade do México, a sua actividade tem proporcionado impressionantes imagens que levaram o importante diário americano The Wall Street Journal a publicar uma fotografia a quatro colunas na primeira página da sua última edição.
No passado fim-de-semana a actividade do “El Popo” acentuou-se com exalações e explosões moderadas, assim como a emissão de cinzas e fragmentos incandescentes nas proximidades da cratera, pelo que alguns milhões de pessoas foram avisadas pelas autoridades para a hipótese de terem que abandonar as suas casas, enquanto os dois aeroportos internacionais da capital estiveram encerrados durante várias horas, devido à intensidade dos fumos e cinzas que cobriram toda a região. Cerca de 25 milhões de pessoas vivem a menos de cem quilómetros da cratera do vulcão e esse número mostra bem a ameaça que constitui para a população.
O México é um país com grande actividade vulcânica com cerca de quatro dezenas de vulcões, alguns dos quais activos, mas o mais famoso é exactamente o Popocatépeti, que é o segundo mais alto do país. A montanha do “El Popo” tem 5.426 metros de altitude e, em condições normais de visibilidade, pode ser vista da capital.
Depois de algumas décadas de dormência, o Popocatépeti tornou-se activo em 1994 e, desde então, tem registado intensa actividade, sobretudo entre 2000 e 2003 e entre 2012 e 2016. As autoridades locais afirmam estar atentas na monitorização do fenómeno.

quarta-feira, 24 de maio de 2023

João Almeida é uma estrela que brilha

Exceptuando alguns futebolistas cuja notoriedade foi ou ainda é alimentada pela cumplicidade entre as indústrias do marketing e do futebol, são muito raros os atletas portugueses que têm um verdadeiro sucesso individual nas competições internacionais em que participam, pelo que os casos dos campeões olímpicos Carlos Lopes e Rosa Mota continuam a ser uma referência no desporto português. Não são casos únicos, porque também houve outros atletas de grande sucesso internacional como Joaquim Agostinho e Rui Costa (ciclismo), Fernanda Ribeiro e Nélson Évora (atletismo), Fernando Pimenta (canoagem) e alguns outros que deram grandes alegrias aos desportistas portugueses.
Ontem, o ciclista João Almeida entrou na lista dos nossos grandes atletas ao vencer a duríssima 16ª etapa do Giro d’Italia disputada entre Sabbio Chiese e Monte Bondone. Foram 203 quilómetros num percurso que incluía várias montanhas e todos pudemos ver, em directo pela televisão, a forma decidida e inteligente como João Almeida se conduziu ao longo da corrida, como estudou os adversários e como os superou na última subida para o Monte Bondone. Foi um notável feito do desporto português que muito nos entusiasmou e que aqui aplaudimos.
Alguns jornais italianos e portugueses destacaram nas suas primeiras páginas o triunfo do ciclista português, mas escolhemos a capa do jornal Record para ilustrar este texto. Agora João Almeida está no 2º lugar da classificação geral e todos ansiamos para que ainda nos possa dar mais alegrias.

segunda-feira, 22 de maio de 2023

Sonhos independentistas em solo europeu

A Europa é, por razões históricas, um aglomerado de povos, de culturas e de línguas, agrupando-se em cinco dezenas de países das mais diversas dimensões, em que o maior é a Rússia e o menor é o Vaticano. Dessa diversidade geográfica e cultural resultaram rivalidades, confrontações e guerras, passando a ter sentido a expressão “Europa das Pátrias”. A partir de 1957, quando o Tratado de Roma começou a criar um movimento de unidade em torno do chamado ideal europeu e criou a Comunidade Económica Europeia como espaço de paz, de solidariedade e de progresso, algumas vozes contrariaram essa ideia com o argumento que não era possível unir aquilo que a história tinha dividido. A expressão “Europa das Pátrias” popularizou-se, sobretudo pelas posturas nacionalistas do general De Gaulle, embora os europeus se tivessem tornado cada vez mais adeptos de uma Europa unida e solidária, como revelaram as continuadas sondagens do Eurostat. Por isso, a ideia de “Europa das Pátrias” depressa evoluiu e deu origem à “Europa das regiões”, sobretudo depois que o Tratado de Maastricht instituiu o Comité das Regiões, de carácter consultivo, em que têm assento os representantes das colectividades regionais e locais. As regiões têm sido cada vez mais valorizadas no quadro institucional europeu e o maior exemplo dessa realidade é o crescente protagonismo das regiões transfronteiriças.
No entanto, as reivindicações independentistas proliferam no espaço europeu, como mostram os exemplos da Checoslováquia e da Jugoslávia, mas também as reivindicações que, com maior ou menor expressão, se verificam em regiões ou países como a Catalunha, País Basco, Navarra, Córsega, Bretanha, Flandres, Chipre, Padânia, Piemonte, Escócia, Irlanda do Norte, Donetsk e Lugansk, entre outras. Menos conhecida é a reivindicação do País de Gales, um país do sudoeste da Grã-Bretanha, com 20 mil quilómetros quadrados de superfície e cerca de três milhões de habitantes, que o jornal Wales on Sunday, a edição dominical do diário galês Western Mail,  publicitou com o título “marching for independence”, referindo que "thousands unite for Wales to stand alone". 
Afinal o Reino Unido até parece caminhar para a desunião…

domingo, 21 de maio de 2023

Os belos festivais marítimos da Bretanha

A tradição marítima e a prática da navegação têm poucos lugares no mundo onde despertem tanto entusiasmo como na Bretanha, uma região administrativa do oeste da França com uma extensa costa atlântica, sendo inúmeros os festivais náuticos e as grandes regatas que se realizam naquela região. O golfo de Morbihan, nas proximidades da comuna de Vannes e a cerca de cinquenta quilómetros de Lorient e de Sainte-Nazaire, é uma área de belas paisagens marítimas, salpicada de ilhas, de ilhotes e de pequenas reentrâncias, além de cerca de duas dezenas de pequenos portos de pesca ou de recreio. É neste golfo que, nos anos ímpares, acontece a Semaine du Golfe – Morbihan, em que muitas centenas de embarcações históricas provenientes de todos os cantos da Europa, se encontram e confraternizam durante uma semana de festa, sobretudo embarcações históricas de vela e de remo e, em especial, alguns grandes e médios veleiros. É uma grande manifestação cultural e é uma grande festa popular!
Este ano o festival no golfo de Morbihan iniciou-se no dia 15 de Maio e ontem realizou-se o imponente desfile náutico, iniciado a partir do farol de Port-Navalo na entrada do golfo, o que constituiu um grande espectáculo marítimo, com as muitas centenas de embarcações vistosamente embandeiradas a fazer a entrada do golfo e a desfilar nos seus canais. Depois de uma interrupção de quatro anos devido à epidemia do covid-19, a Semaine du Golfe regressou e conforme relata hoje a edição do jornal Le Télégramme que se publica em Brest, que dedicou uma bela fotografia ao acontecimento na sua primeira página, o golfo de Morbihan reencontrou-se com uma das suas mais interessantes vocações: a preservação da cultura marítima.

A integração portuguesa no Luxemburgo

O Grão-Ducado do Luxemburgo é um pequeno país da Europa Ocidental, encravado entre a Bélgica, a Alemanha e a França, com uma superfície de 2.586 quilómetros quadrados e cerca de 650 mil habitantes. É um país muito desenvolvido, com uma economia avançada e o seu PIB per capita é um dos mais elevados do mundo.
A prosperidade luxemburguesa está muito relacionada com a imigração, uma vez que cerca de 47% da sua população não tem a nacionalidade luxemburguesa e, nesse grupo, destacam-se cerca de cem mil portugueses que constituem mais de 15 por cento da população. Os portugueses constituem a maior comunidade estrangeira do Luxemburgo e, num país, em que a língua oficial é o luxemburguês e que as línguas administrativas são o francês e o alemão, acontece que o português é uma das mais importantes línguas do país, sendo falado por cerca de 20 por cento da sua população. Quando em 2017, o primeiro-ministro luxemburguês Xavier Bettel visitou o Parlamento Europeu, afirmou que “o Luxemburgo não seria o que é hoje sem a comunidade portuguesa”, pois ela muito “ajudou a construir o meu país”.
O enquadramento social e cultural dos imigrantes tem sido uma responsabilidade do Conselho Nacional de Estrangeiros que vai ser extinto e que, dentro de alguns meses, será substituído pelo Conselho Superior para a Convivência Intercultural.
Segundo revela a edição deste fim-de-semana do jornal Luxemburger Wort, a comunidade portuguesa tem-se movimentado para garantir o direito à sua integração no país que adoptou, mas sem que perca a sua identidade nacional. Para ilustrar essa notícia, o jornal publica em primeira página uma fotografia de arquivo de uma procissão, em que se destacam as bandeiras de Portugal e do Luxemburgo e escreve: lado a lado ou juntos?

sábado, 20 de maio de 2023

A reinterpretação da tragédia do Titanic

No dia 10 de Abril de 1912, o maior transatlântico que até então fora construído, largou do porto inglês de Southampton com destino a Nova Iorque, na sua viagem inaugural, mas na noite do dia 14 para o dia 15 de Abril colidiu com um iceberg, afundando-se em menos de três horas. Dos 2.223 tripulantes e passageiros apenas houve 706 sobreviventes, o que significa que 1.517 pessoas perderam a vida nas águas geladas do Atlântico Norte. O navio chamava-se Titanic e, desde então, a sua perda passou a ser considerada como o mais famoso naufrágio do mundo e tornou-se o objecto de muitas histórias e muitas lendas.
O navio, ou o que dele resta, foi descoberto em 1985 no fundo do mar, a cerca de quatro mil metros de profundidade, numa posição a cerca de 650 quilómetros da costa canadiana. Desde então, a aventura e a tragédia do Titanic renasceram, sobretudo na literatura e no cinema, mas também despertaram o interesse da arqueologia marítima, daí resultando várias expedições interessadas no estudo daquele famoso naufrágio. As novas tecnologias foram postas ao serviço de muitos projectos, com destaque para aquele que foi conduzido no Verão de 2022 pela empresa de cartografia marítima Magellan, em associação com a Atlantic Produtions. Então, num trabalho realizado por dois ROV (Remotely Operated Vehicle), que são controlados remotamente, após cerca de duzentas horas de operação foram obtidas mais de 700 mil fotografias e, a partir delas, foi feita a reconstrução digital de todo o navio em 3D, o que permite visualizar todo o conjunto como se a água tivesse sido drenada. Assim, é possível reinterpretar ou saber melhor o que de facto aconteceu naquela noite em que naufragou o Titanic.
Alguns jornais, como por exemplo o The Dallas Morning News, publicaram com grande destaque algumas fotografias digitais do navio, porque a lenda do Titanic continua viva um pouco por todo o mundo.