O Papa
Francisco esteve na Suécia no início desta semana para comemorar Martinho Lutero,
mas sobretudo para dar o seu contributo para ultrapassar a secular divisão
entre as duas grandes igrejas da Cristandade, quando estão a ser celebrados
cinco séculos da Reforma luterana, que é o tema destacado na capa da última edição da revista Der Spiegel.
O Cristianismo
não é uma religião homogénea e, ao longo de dois mil anos, gerou três ramos
principais, com muitas diferenças, mas também com muitas afinidades. Hoje,
haverá cerca de 2,25 mil milhões de cristãos no mundo, sendo 1.100 milhões de católicos (50%), 900 milhões de protestantes (40%) e 260 milhões de ortodoxos (10%). No caso do
Protestantismo, o movimento iniciou-se na Europa Central no início do século
XVI por iniciativa de Martinho Lutero, como reacção às doutrinas e práticas da
Igreja Apostólica Romana.
Lutero foi um monge agostiniano alemão
que questionou os poderes do seu tempo e desestabilizou o mundo medieval, ao
contestar tanto o Papa como o Imperador romano que eram os mais poderosos
seres do planeta. Nas questões de fé, Lutero não aceitava a subordinação
àqueles poderes, mas apenas ao poder da própria consciência, colocando em
dúvida a infalibilidade do Papa e recusando-se a obedecer ao soberano mais
poderoso da Europa. Portanto, ele não foi um divisor da Igreja como foi considerado por muita gente, mas um rebelde
conservador que apenas queria a reforma da própria Igreja e o retorno às origens do
Cristianismo.
Por tudo isto, não surpreendente este gesto de aproximação do Papa Francisco
a Martinho Lutero, sobretudo depois de já ter visitado sinagogas e
mantido encontros com representantes de religiões muito diferentes de todo o
mundo. De resto, muitos dos vícios que Lutero condenou nas
práticas do catolicismo são idênticos aos que o Papa Francisco vem condenando. Talvez
não estejam muito longe um do outro e hoje, certamente, o Papa não excomungaria
Martinho Lutero como fez o Papa Leão X em 1521.
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