segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Competição e desportivismo na Formula 1

Desde o ano de 1950 que a FIA realiza o Campeonato Mundial de Formula 1 e, por isso, este ano de 2021 que se aproxima do fim, constituiu a 72ª temporada deste evento que é considerado como a categoria mais importante do automobilismo mundial. 
Antigamente, as transmissões televisivas das provas – os Grandes Prémios – eram feitas em sinal aberto e, por isso, as corridas da Formula 1 tinham muitos entusiastas e seguidores que, por vezes, quase se assemelhavam aos tiffosi do futebol. Os nomes de Juan Manuel Fangio, Jackie Stewart, Niki Lauda, Alain Prost, Ayrton Senna ou Michael Schumacher eram bem conhecidos e atraiam legiões de adeptos. Depois, o circo da Formula 1 evoluiu e passaram a realizar-se provas nas cidades que para isso pagavam e as transmissões televisivas em sinal aberto acabaram, surgindo mais provas, muito mais dinheiro e muito menos interesse popular do que havia antigamente.
No ano de 2021 o Mundial de Formula 1 teve 22 provas disputadas em vários continentes, mas à partida da sua última prova realizada ontem – Grande Prémio de Abu Dhabi - nos primeiros lugares da linha de largada estavam o inglês Lewis Hamilton que procurava o seu oitavo título mundial e o jovem holandês Max Verstappen, que lutava pelo seu primeiro título. Partiam com o mesmo número de pontos, o que não acontecia no Campeonato de Formula 1 desde 1974, o que tornava esta corrida um acontecimento especial para os tiffosi e para o público em geral. Seria uma versão do "rei morto, rei posto"? Seria a continuidade ou a renovação? Seria a tecnologia alemã da Mercedes ou a japonesa da Honda?
Durante muitas voltas Lewis Hamilton seguiu na frente, mas na última volta Max Verstappen ultrapassou-o e, pela primeira vez, venceu o Campeonato Mundial de Pilotos. A generalidade da imprensa mundial publicou esta notícia, mas o diário desportivo argentino Olé foi mais longe e dedicou a capa da sua edição de hoje a Max Verstappen no pódio com Lewis Hamilton, que aplaude a vitória do seu adversário. Um caso de desportivismo pouco vulgar, sobretudo nestes “desportos” onde corre muito dinheiro.

Concursos de beleza e igualdade de género

Na cidade israelita de Éilat, nas margens do mar Vermelho, uma jovem indiana chamada Harnaaz Sandhu foi ontem coroada Miss Universo 2021. Segundo as crónicas, a vencedora bateu 79 outras beldades provenientes de vários países e territórios, incluindo a paraguaia Nadia Ferreira que ficou em segundo lugar, a sul-africana Lalela Mswane que obteve o terceiro lugar e as concorrentes das Filipinas e da Colômbia. Como sempre nestes concursos, a vencedora afirmou defender os direitos das mulheres, amar a sua família e gostar de cozinhar, de dançar e de ler, além de possuir várias outras virtudes. Oriunda de Chandigarh, no norte da Índia, a jovem terá provocado uma onda de orgulho nacional porque, 21 anos depois da última vitória indiana, ela trouxe aquele título de volta à Índia.
Embora alguns países europeus ainda participem neste tipo de festivais, já ninguém lhes dá importância e são feitas muitas críticas a estes concursos de beleza, que têm mais de humilhantes do que prestigiantes e que acontecem num tempo em que os direitos das mulheres e a igualdade de género ocupam as agendas políticas e culturais em quase todo o mundo. Porém, não é isso que se passa por exemplo na América do Sul, onde este tipo de concursos colhe muito apreço da imprensa e da opinião pública. Assim, na sua edição de domingo, o jornal colombiano El Universal publicava com grande destaque uma fotografia da sua candidata à “elección de la mujer más bella del universo”.
O jornal informava os seus leitores que Valeria Ayos ”deslumbró el viernes en la gala preliminar del certamen” e afirmava que “Colombia vuela alto en Miss Universo”.
Que alegria para toda a Colômbia, mas que grande injustiça o que fizeram à Valeria ao darem-lhe apenas o quinto lugar no concurso.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

O novo rosto político da Alemanha

Os deputados que têm assento no Parlamento alemão aprovaram ontem por 395 votos a favor, 303 votos contra e 6 abstenções, o novo governo chefiado pelo social-democrata Olaf Scholz, que até agora era o vice-chanceler e ministro das Finanças no governo de coligação chefiado pela conservadora Angela Merkel.
Dois meses depois da sua vitória nas eleições legislativas, o Partido Social Democrata (SPD) e o seu líder Olaf Scholz concretizaram um acordo de coligação com os liberais do FDP e os Verdes. Depois de 16 anos de poder da CDU e da chanceler Angela Merkel, o centro-esquerda político alemão regressou ao poder e esse facto é relevante na cena política europeia, pois terá influência na vida dos europeus e em muitos dos problemas que estão actualmente em agenda e que a todos preocupam. Um novo chanceler na Alemanha é um assunto importante não só para os alemães, mas também para os europeus e até para o mundo, porque é lá que se fazem os Mercedes, os Audi, os BMW, os Porsche e os Volkswagen. É lá que estão os comandos da Siemens, da Bosch e da Bayer e de muitas outras grandes empresas.
Entretanto, o Presidente da República decidiu condecorar Angela Merkel com uma apropriada condecoração pelo seu contributo para o fortalecimento da União Europeia e pelo seu apoio a causas humanitárias, ao diálogo e à paz.
A imprensa mundial publicou a fotografia de Angela Merkel e de Olaf Scholz, como homenagem a quem sai e como incentivo a quem entra, mas essa fotografia também mostra o valor do diálogo político e das coligações partidárias para governar, o que parece ser um exemplo para ser imitado em Portugal, um país onde se adoptam outras regras para gerir o poder.

A questão da Ucrânia está num impasse

Na passada terça-feira os presidentes Joe Biden e Vladimir Putin encontraram-se numa cimeira virtual, o que é um facto político a salientar, porque apesar da ascensão da China no plano mundial, os Estados Unidos e a Federação Russa ainda são, de forma directa ou indirecta, as potências militares dominantes. Durante mais de duas horas os dois líderes conversaram e, segundo os sucintos relatos que foram divulgados, a questão da Ucrânia foi o assunto principal que foi discutido.
A Ucrânia foi uma das antigas repúblicas da União Soviética que se tornou independente em 1991. É um grande país com mais de 600 mil quilómetros quadrados de superfície e 44 milhões de habitantes, mas uma parte da sua população é de etnia russa. Entre ucranianos e russos sempre houve muita tensão e, em 2014, a Rússia ocupou a península da Crimeia e a sua cidade de Sebastopol “a pedido da população e das autoridades locais” de etnia maioritariamente russa. Depois, a Rússia e a Crimeia assinaram um tratado de adesão, mas aquela ocupação nunca foi reconhecida pela comunidade internacional. Porém, nas regiões leste e sul do país, sobretudo nas áreas de Donetsk e Lugansk, começou uma grande agitação da população pró-russa contra os ucranianos pró-ocidentais, formaram-se milícias populares e houve combates intensos. Essa “guerra” tem estado num impasse e, segundo, as fontes ocidentais, a Rússia prepara-se para intervir nessa região oriental da Ucrânia pois tem havido forte concentração de tropas na fronteira. Aquilo que deveria ser discutido entre Kiev e Donetsk, passou a ser discutido entre Washington e Moscovo, com Bruxelas e outras capitais europeias a interferir. As acusações são recíprocas: os Estados Unidos e os seus aliados ameaçam com fortes sanções económicas se a Rússia invadir o território ucraniano, enquanto a Rússia, que atribui o aumento da tensão aos falcões da NATO e à sua tentativa de se instalarem próximo da fronteira russa com os seus mísseis, ameaça com os seus fornecimentos de gás e exige que o regime de Kiev tenha negociações directas com os separatistas da autoproclamada República Popular de Donetsk, sem qualquer interferência da NATO. Estão num impasse. Porém, a cimeira virtual da passada terça-feira foi um passo num bom sentido e da resolução pacífica do problema.
O que é curioso é que a imprensa internacional não deu grande destaque a este encontro e foi o jornal canadiano National Post que o trouxe para a sua primeira página.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

A fúria do mar proporciona belas imagens

As ilhas Britânicas foram afectadas nos últimos dias pela depressão Barra, uma tempestade que trouxe ventos fortes, chuvas muito intensas e neve, sobretudo na República da Irlanda, na Irlanda do Norte e na Escócia. Foram registadas rajadas de vento superiores a cem quilómetros por hora, alguns aeroportos foram encerrados, as condições das estradas tornaram-se difíceis e perigosas, houve quedas de árvores, muitas inundações e cortes de energia. Muitas destas regiões, nomeadamente a Escócia, acordaram cobertas de neve. A depressão Barra também atingiu Portugal embora com muito menor intensidade, quer no arquipélago dos Açores, quer nos distritos do norte do Continente onde, segundo revelaram algumas notícias, se verificaram 15 quedas de árvores e 15 inundações.
No caso da Irlanda do Norte, o jornal Belfast Telegraph noticiou os efeitos da tempestade Barra e da destruição que provocou, tendo escolhido para a sua capa uma excelente fotografia do mar a rebentar sobre uma avenida marginal da cidade de Belfast, a demonstrar que o mar, quando está furioso proporciona belas imagens. Além disso, esta imagem é um bom exemplo do que é o fotojornalismo, uma coisa que por cá raramente se pratica.

domingo, 5 de dezembro de 2021

Arábia Saudita: tantos aviões e corvetas

Quase em simultâneo com o anúncio da assinatura do contrato para o fornecimento de oitenta aviões Rafale à Arábia Saudita, a empresa espanhola Navantia lançou à água a quinta e última das corvetas que está a construir para a Marinha Real da Arábia Saudita nos seus estaleiros da baía de Cádis. É a construção 550 dos estaleiros de San Fernando, chama-se Unayzah, tem 104,20 metros de comprimento e 14,40 metros de boca.
Segundo anuncia hoje o jornal La Voz de Cádiz, a cerimónia foi um motivo de orgulho para o governo de Espanha e reflecte as capacidades tecnológicas do país, mas também mostra como foi possível superar diversas contrariedades devidas à crise pandémica, pois muitos trabalharam “contra ventos e marés” para que os prazos fossem cumpridos.
A notícia salienta que alguns dos principais sistemas de navegação e de combate do navio, bem como de gestão de helicópteros utilizam tecnologia espanhola.
A construção da primeira unidade arrancou oficialmente no dia 15 de Janeiro de 2019 e o contrato tem o valor de 1.813 milhões de euros, ou seja, é nove vezes menor do que aquele que foi assinado com a Dassault Aviation para o fornecimento de 80 aviões Rafale, o que significa que, segundo as minhas contas,  "cada corveta vale cerca de dois Rafale".
As cinco unidades navais serão entregues escalonadamente entre Janeiro de 2022 e Junho de 2023. Com tantas corvetas e tantos aviões é caso para perguntar à Arábia Saudita por quem se sente ameaçada ou, se pelo contrário, quem será que essa monarquia absoluta árabe está a ameaçar.

sábado, 4 de dezembro de 2021

A França produz aviões e vende, vende …

Depois do “escândalo” que foi o cancelamento do contrato de fornecimento de doze submarinos nucleares à Austrália, que constituiu um duro golpe para a indústria de defesa francesa e originou muita tensão entre americanos e franceses, surgiu hoje no Le Figaro e em outros jornais franceses, a notícia de ter sido assinado um contrato pela Dassault Aviation para o fornecimento de oitenta caças Rafale F4 e doze helicópteros de transporte militar Caracal para as Forças Aéreas e de Defesa Aérea dos Emirados Árabes Unidos. Não foi um acontecimento de rotina e, por isso, Emmanuel Macron e o sheikh Mohammed Al Nahyane, o príncipe herdeiro do Abu Dhabi, assistiram à assinatura do contrato.
Segundo foi anunciado, trata-se da maior encomenda feita até hoje deste avião, que entrou ao serviço em 2004 e que já equipa o Qatar (36 unidades) e o Egipto (24 unidades), embora este país tenha assinado no início deste ano um contrato para o fornecimento de mais 30 unidades. Depois das Forças Armadas francesas, as Forças Armadas dos Emirados serão as primeiras que irão dispor desta moderna versão do Rafale, que irão substituir os seus Mirage 2000. Este contrato de 17 mil milhões de euros é uma excelente notícia para a França e para a indústria aeronáutica francesa, bem como para o universo de quatro centenas de empresas, grandes e pequenas, que contribuem para a produção do Rafale, o que representa milhares de empregos garantidos para os franceses durante a próxima década.
A Dassault Aviation tem 12.400 colaboradores e, até hoje, fabricou e vendeu mais de dez mil aviões de diversos tipos, incluindo 2.500 Falcon para mais de noventa países. É uma grande empresa e uma grande alavanca para a economia francesa, embora se trate de recursos que bem poderiam ser utilizados para tornar a humanidade mais feliz ou para ajudar a reduzir a pobreza e a fome no mundo. Porém as coisas são o que são e não são aquilo que poderiam ser.

A Ómicron que nos trouxe insegurança

Uma nova variante do coronavírus foi identificada na África do Sul no dia 24 de Novembro e, mesmo antes de se saber a sua causa ou a sua gravidade, deu origem a uma enorme preocupação mundial e a uma generalizada restrição de viagens em todo o mundo. Porém, as apreensões não são apenas de natureza sanitária, pois também são de natureza económica por afectarem alguns sectores como o turismo.
Dois dias depois da sua detecção, a Organização Mundial de Saúde (OMS) identificou essa variante e designou-a como variante B.1.1.529 ou variante Ómicron, como passou a ser formalmente conhecida, mas também informou que pode levar semanas a saber-se a sua natureza e gravidade, mas um alto responsável da OMS já veio declarar que “é mais transmissível, mais virulento e foge das vacinas”.
Aos poucos, alguns países declararam ter detectado a doença, entre os quais o Reino Unido, a Holanda, a Alemanha e Portugal, mas esse número de países onde foi detectada variante tem vindo a aumentar. Anteontem o jornal novaiorquino Newsday informava sobre o aparecimento do primeiro caso de Ómicron nos Estados Unidos, que assim se tornaram no 24º país a confirmar a detecção dessa variante do vírus. Depois, também a Austrália e o Brasil já anunciaram o aparecimento do vírus.
Entretanto, em Portugal já se detectaram 38 casos da variante Ómicron e os internamentos em unidades de cuidados intensivos regista uma “tendência fortemente crescente”, segundo as autoridades de saúde. Tenhamos todos os cuidados e sigamos as regras que já tínhamos usado antes, mas não restam dúvidas que a insegurança sanitária regressou.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Quem muito aparece... muito aborrece

Um homem tão inteligente como ele, tão culto e tão cosmopolita, parece que ainda não percebeu que o ditado popular que diz que “quem não aparece esquece” não se lhe aplica e, que, inversamente, o que se lhe aplica é uma frase parecida que diz que “quem muito aparece, muito aborrece”. Exactamente assim. 
O homem tem uma ânsia de aparecer, de ser visto, de ser ouvido e de encher as televisões, que está a tornar-se insuportável. Convive com o sensacionalismo das televisões que se especializaram nos julgamentos públicos e comporta-se como um comentador televisivo. Vai a toda a parte para ser visto e ser filmado. Fala de tudo e tantas vezes de forma inoportuna, esquecendo-se que não lhe compete governar, nem interferir na governação. Faz-se anunciar para que os microfones dos estagiários e as câmaras televisivas, bem como o fotógrafo oficial de Belém, o possam rodear como ele tanto gosta. Fazendo uso da sua boa resistência física vai a Cabo Verde e fala. Vai a Luanda e comenta. Segue para Estrasburgo e não se cansa de falar. Tacticamente, o governo deixa-o falar. As nossas televisões agradecem-lhe, porque enchem os seus espaços noticiosos com a cara e a voz do venerando chefe do Estado, cujas imagens repetem até à exaustão, a rivalizar com o tempo gasto com os treinadores de futebol.
Quando os jovens estagiários se lhe dirigem com um “Oh presidente” não reage, como se o mais alto magistrado da Nação não devesse ter direito a outro tratamento mais adequado. Mas é disso que ele gosta e, por isso, até se deixa entrevistar por esse jornal de referência que é o Tal&Qual, que na sua edição anterior entrevistara o banqueiro João Rendeiro, enquanto se deixa fotografar com um copo de cerveja na mão, o que ele julga que o aproxima do povo. Porém, os tempos são difíceis e não é necessário exibir tanto porreirismo. 
Talvez seja necessário algum distanciamento...

Cuba continua presa a Fidel e ao passado

Perfazem-se hoje 65 anos sobre o dia em que um grupo de oitenta e dois exilados cubanos, onde se incluíam quatro estrangeiros, desembarcou próximo da praia de los Colorados, na costa oriental da ilha de Cuba, sob o comando de um jovem advogado de trinta anos de idade chamado Fidel Castro Ruz.
Hoje o jornal Granma, o órgão oficial do comité central do Partido Comunista de Cuba, evoca esse histórico desembarque e recorda Fidel, escrevendo que está “invicto en el cariño de su pueblo”, o que bem sabemos que não será assim.
O seu grupo viajara desde o pequeno porto mexicano de Tuxpan a bordo do pequeno iate Granma e, após uma viagem de sete dias, “aqueles 82 aprendizes de guerrilheiros”, muitos deles enjoados, desembarcaram em condições muito precárias e progrediram por pântanos e mangais, vendo-se obrigados a abandonar muito do seu material, o que levou a que se dissesse que não foi um desembarque, mas um naufrágio. Dois dias depois o grupo foi cercado pelo exército cubano em Alegria del Pio e a catástrofe aconteceu, pois o grupo teve 25 mortos, 22 capturados e 19 desaparecidos. Os dezasseis sobreviventes, onde se incluíam Fidel, o seu irmão Raúl e o médico argentino Ernesto “Che” Guevara dispersaram e só voltaram a reencontrar-se no dia 18 de Dezembro de 1956 em Purial de Vicana, já na sierra Maestra.
Seguiram-se dois anos de guerrilha que levaram o ditador Fulgencio Batista ao exílio e à entrada vitoriosa do exército rebelde em Havana no dia 1 de Janeiro de 1959.
A campanha vitoriosa dirigida por Fidel Castro inspirou outras guerrilhas e movimentos de libertação pelo mundo, enquanto Ernesto “Che” Guevara se tornou um ícone para a geração que depois da 2ª Guerra Mundial procurava a revolução e um mundo melhor.
Porém, tudo isso aconteceu no século XX e hoje Cuba desespera pela entrada no século XXI.

terça-feira, 30 de novembro de 2021

Ómicron: o desassossego e a inquietação

Foi em finais de 2019 que pela primeira vez foi detectada na cidade chinesa de Wuhan a síndrome respiratória aguda grave (SARS), classificada como SARS-CoV-2 ou, de forma mais simples, como covid-19. O mundo assustou-se com a elevada taxa de mortalidade da doença que se transformou numa pandemia global e a Ciência entrou numa corrida acelerada para produzir uma vacina. Um ano depois surgiram os primeiros resultados e milhões de pessoas começaram a ser receber uma vacina.
A doença começou a regredir, apesar de se manifestar por ondas, mas o mundo começou a ficar aliviado, com a sociedade e a economia a recuperarem um pouco por toda a parte. Porém, a doença persistiu e foi-se adaptando através de variantes.
No fim do Verão, quando a vacinação já atingira níveis muito satisfatórios, sobretudo na Europa e nas Américas, surgiu mais uma onda, para uns a quarta e para outros a quinta onda. Porém, o mundo acreditava que a crise pandémica estava em vias de ser ultrapassada e o retomava a normalidade. Até que há poucos dias as dúvidas reinstalaram-se quando foi identificada na África do Sul a variante Ómicron do novo coronavírus, que rapidamente se espalhou pelo mundo. Embora pouco se saiba a respeito desta variante, pensa-se que é mais transmissível dos que as anteriores e o seu aparecimento já foi confirmado em mais de uma dezena de países, entre os quais Portugal. 
O jornal francês La Dépêche destaca na sua edição de hoje a inquietação mundial que a Ómicron já está a provocar, embora as autoridades procurem sossegar as populações, ao mesmo tempo que aceleram o processo de reforço da vacinação com uma terceira dose. A ver vamos.

domingo, 28 de novembro de 2021

Um português venceu a Libertadores 2021

Jogou-se ontem em Montevideu a final da Taça dos Libertadores da América, um torneio organizado desde 1960 pela Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL), cujo nome homenageia os líderes das independências sul-americanas e no qual participam as principais equipas de futebol dos países da América do Sul.
Nas 62 edições que já foram realizadas, o domínio tem sido de argentinos e brasileiros, que já venceram a competição 25 e 21 vezes, respectivamente, enquanto as equipas uruguaias venceram oito vezes, as colombianas e paraguaias três vezes e as equipas chilenas e equatorianas apenas uma vez, sendo as equipas com mais triunfos nesta competição os argentinos do Independiente (sete vezes) e do Boca Juniors (seis vezes).
Ontem jogaram o Palmeiras de São Paulo e o Flamengo do Rio de Janeiro e a equipa paulista venceu por 2-1, após prolongamento, num estádio cheio com milhares de entusiastas brasileiros que se deslocaram a Montevideu.
A equipa do Palmeiras venceu a competição pela terceira vez e a curiosidade está no facto do treinador português Abel Ferreira ter repetido o triunfo de 2020, tornando-se no primeiro treinador estrangeiro a ganhar duas vezes a Taça dos Libertadores da América, a mais importante competição futebolística da América do Sul.
Toda a imprensa brasileira destaca nas suas primeiras páginas a fotografia dos exuberantes campeões da Libertadores. Uma alegria para os brasileiros ou, pelo menos, para uma parte deles... 
Há uns dias, também o treinador Leonardo Jardim, vencera a Liga dos Campeões da Ásia, o que mostra como são qualificados esses profissionais do nosso futebol.

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

A luta contra a pirataria no golfo da Guiné

Um incidente ocorrido nas águas do golfo da Guiné em que esteve envolvida a fragata dinamarquesa HDMS Esbern Snare (F342), teve honras de primeira página no Jyllands-Posten, o jornal de maior tiragem da Dinamarca, que tem a sua sede na cidade de Aarhus.
Desde o passado mês de Outubro que aquele navio se encontra em missão no golfo da Guiné, a área que vai desde o Senegal até Angola e que é a região do mundo onde a pirataria marítima actualmente está mais activa, pois no ano passado ali ocorreram 22 incidentes em que foram raptados 130 tripulantes. Daí tem resultado um esforço internacional para combater esse tipo de criminalidade marítima que tem sido liderado pela União Europeia e na qual têm estado envolvidos meios navais de diversos países, incluindo Portugal.
A fragata dinamarquesa HDMS Esbern Snare detectara uma embarcação suspeita e lançou o seu helicóptero em direcção ao local, tendo verificado que era uma lancha com oito homens e com vários utensílios associados à pirataria, incluindo escadas de abordagem, que se aproximava de navios mercantes. Quando anoiteceu a fragata lançou os seus botes insufláveis rápidos (Rigid-Hulled Inflatable Boat ou RHIB) com pessoal dos fuzileiros dinamarqueses para interceptar a embarcação suspeita, mas esta decidiu não obedecer ao pedido para que parassem para serem vistoriados e respondeu aos tiros de aviso, com tiros feitos directamente às RHIB dinamarquesas. Do confronto que se seguiu, resultaram quatro piratas mortos, enquanto os outros quatro foram capturados, sem que qualquer fuzileiro dinamarquês tivesse sido ferido.
Segundo refere o jornal, foi o baptismo de fogo dinamarquês no golfo da Guiné e foi um caso que foi destacado no maior jornal do país, a mostrar como as actividades navais são acompanhadas pela imprensa dinamarquesa, porque interessam aos leitores e porque são estimulantes para quem anda envolvido em missões de risco.

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Alemães entendem-se e formam governo

A Alemanha é, em termos económicos e demográficos, o grande motor da União Europeia e, por isso, tudo o que por lá acontece interessa aos europeus e ao mundo.
Durante os últimos dezasseis anos foi Angela Merkel que chefiou o governo e se tornou a figura dominante da política alemã. O seu último governo foi chamado “a grande coligação” pois juntou os dois maiores partidos alemães, isto é, a CDU (União Democrata Cristã) e o SPD (Partido Social-Democrata), mas depois de tantos anos Merkel entendeu que já era tempo de descansar e, no início do ano, anunciou a sua decisão de não se voltar a candidatar. Muita gente, na Alemanha e no estrangeiro, lamentou a saída de Merkel da “liderança” da Europa.
Os alemães depararam-se então com um quadro novo. As eleições gerais que se realizaram no passado dia 26 de Setembro foram ganhas pelo social-democrata Olaf Scholz, que por acaso era o vice-chanceler e ministro das Finanças no anterior governo de Merkel. Scholz obteve apenas 25,7% dos votos e, portanto, necessitou de negociar para construir uma maioria. Em vez de optar pela CDU que obteve 24,1% dos votos, optou por negociar com o Partido Verde de Annalena Baerbock que obtivera 14,8% e com o Partido Liberal de Christian Lindner que tivera 11,5% dos votos. Após quase dois meses de negociações foi anunciado o acordo de coligação governamental que parece ter satisfeito a imprensa e a opinião pública, pois logo foi baptizado como a “aliança semáforo”, por juntar o verde, o amarelo e vermelho, que são as cores dos respectivos partidos.
O Süddeutsche Zeitung, que é o maior jornal alemão, tratou de publicar a fotografia dos negociadores e, em nome da estabilidade, destaca a sua satisfação por terem chegado a um acordo, o que me faz lembrar o que aqui se passou recentemente em que não foi possível chegar a um acordo sobre o orçamento do Estado porque, há que dizê-lo, há muita gente na política para se servir e não para servir o interesse nacional.

terça-feira, 23 de novembro de 2021

A Síria, a guerra e a esperança no futuro

A guerra civil na Síria teve início em Janeiro de 2011 com protestos contra o governo sírio que surgiram na chamada Primavera árabe, mas que em Março evoluíram para uma revolta armada de grande violência. De um lado encontrava-se o governo de Bashar al-Assad e, do outro, a oposição síria, mas esta luta pelo poder fragmentou-se internamente com a divisão da oposição, com o aparecimento de grupos de natureza sectária e religiosa e com um crescente envolvimento de forças externas. Durante cerca de dez anos “meio mundo” envolveu-se na Síria, destacando-se o Irão, a Rússia e o Hezbollah libanês ao lado do governo sírio, enquanto do lado das várias oposições apareceram a Arábia Saudita e o Qatar, mas também os Estados Unidos, a França, o Reino Unido, a Turquia, Marrocos, a Líbia e outros mais. Muitas vezes se ignorou quem combatia quem e chegou-se ao paradoxo de haver forças que combatiam outras forças que, noutra área, eram suas aliadas. Não há memória de uma situação destas. O melhor exemplo deste paradoxo é o Curdistão, mas tem havido outros, sobretudo nas fronteiras sírio-turcas. No que respeita aos países ocidentais, verifica-se que não aprenderam com as suas intervenções no Iraque, na Líbia e no Afeganistão, deixaram de ser respeitadas e foram obrigadas a retirar-se.
Até agora o resultado do conflito traduziu-se em mais de 500.000 mortos, sete milhões de deslocados internos e cinco milhões de refugiados nos países limítrofes. Segundo muitos observadores, a guerra civil da Síria tem sido uma guerra mundial e foi preparada antecipadamente com o apoio dos mass-media internacionais, para servir interesses estrangeiros, tal como aconteceu para destruir alguns líderes árabes, como Sadam Hussein e Muammar Kadaffi.
Porém, no passado mês de Maio houve eleições e os sírios tiveram uma taxa de participação de 78% e reelegeram Bashar al-Assad, contra dois candidatos da oposição. Certamente terá sido uma farsa, mas foi um sinal e um princípio a caminho da paz e da normalidade democrática, embora adaptada à cultura política daquelas regiões político-religiosas.
Sabemos muito pouco do que se passa actualmente na Síria, mas a guerra ainda não acabou. Por isso, a notícia hoje publicada pelo Tehran Times em que se anuncia que o Irão e a Síria reforçaram os seus laços como nunca tinham feito antes, é mesmo intrigante ou mesmo uma grande incógnita, embora também possa significar mais esperança no futuro. Sabe-se lá...