sexta-feira, 15 de julho de 2022

O surto inflacionário afecta a economia

O mundo está a passar por situações muito complexas, desde a guerra no centro da Europa onde parece não haver vontade de a acabar, até às alterações climáticas e os seus efeitos sobre o ambiente, a natureza e a vida humana, mas também a persistência das epidemias, as crises políticas com recurso à violência e o agravamento das desigualdades e da pobreza no mundo, entre outros problemas. Como denominador comum de todas estas coisas está a economia e, de entre as suas múltiplas variáveis, está a inflação que, nos últimos tempos, se tornou notícia em todo o mundo.
A inflação é o aumento geral dos preços dos bens e serviços e mede-se pela sua variação percentual anualizada, que é a taxa de inflação. Com a mesma moeda, compra-se mais ou menos, conforme se tem menos ou mais inflação, o que significa que a taxa de inflação afecta o poder de compra das famílias, a capacidade de investimento das empresas e, de uma forma geral, a evolução da economia, do emprego e da estabilidade social.
Há diferentes teorias para explicar as causas da inflação, mas a mais aceite tem por base o desfasamento ou a desproporção entre o crescimento da economia e o crescimento da oferta de moeda.
Depois de muitos anos em que as autoridades monetárias controlaram a inflação, os acontecimentos da Ucrânia e os seus efeitos sobre o custo da energia, provocaram o seu disparo e, nos últimos 12 meses, a taxa de inflação na Zona Euro atingiu 8,6%, o nível mais alto de sempre. A Estónia (22,0%) e a Lituânia (20,5%) registam as taxas mais altas, tendo Malta (6,1%) e a França (6,5%) as taxas mais baixas, enquanto a Espanha atingiu 10,2% e a estimativa para Portugal é de 9,0%, o que já não se verificava desde há cerca de quarenta anos. Nos Estados Unidos, também a imprensa de referência anuncia hoje que a taxa de inflação chegou aos 9,1%, o seu mais alto valor desde 1981.
O surto inflacionário que está a afectar as economias mundiais é muitíssimo preocupante e é mais uma alínea na listagem das nossas incertezas. Com o título “Castigo ao bolsillo”, a edição de ontem do jornal espanhol ABC procurou explicar a evolução das diversas componentes do cabaz utilizado em Espanha para calcular a taxa de inflação.

quarta-feira, 13 de julho de 2022

O Universo e uma nova era da Astronomia

Depois de uma viagem no espaço de mais de um milhão de quilómetros, o Telescópio Espacial James Webb (James Webb Space Telescope ou JWST) captou o seu primeiro conjunto de imagens coloridas do universo, que ontem foram difundidas numa sessão especial presidida por Joe Biden, o presidente dos Estados Unidos. A comunidade científica mundial e, em especial, o mundo dos astrónomos, entrou em euforia por poder conhecer galáxias que eram desconhecidas, que povoam a imensidão cósmica. A imprensa mundial publicou algumas dessas fotografias e dedicou grandes espaços ao acontecimento, destacando-se o título escolhido pelo jornal USA Today: “new era of astronomy”.
O Telescópio Espacial James Webb foi lançado no dia 25 de Dezembro de 2021 a partir do Centro Espacial de Kourou, na Guiana Francesa, sendo o mais poderoso telescópio que alguma vez partiu da Terra. Foi imaginado há várias décadas e foi desenvolvido em parceria entre a National Aeronautics and Space Administration (NASA), a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Agência Espacial Canadiana (CSA), tendo custado cerca de dez mil milhões de dólares. O seu principal objectivo é substituir o Telescópio Espacial Hubble que funcionava desde 1990 e a sua missão é pesquisar, estudar e compreender o espaço cósmico. Em 2002 foi decidido baptizá-lo em honra de James Edwin Webb, um antigo administrador da NASA.
Segundo foi divulgado, o telescópio James Webb vai produzir imagens cada vez mais profundas do cosmos, “extraindo segredos da escuridão e revelando realidades que os homens nunca viram ou sequer imaginaram”, o que também vai melhorar o nosso conhecimento do nosso universo, do nosso sistema solar e talvez da própria vida. Demasiado complexo e enigmático para os comuns mortais.

Calor, muito calor e incêndios florestais

Há uma onda de calor que está a afectar o território continental português e para o dia de hoje estão previstos máximos históricos para diversos locais, anunciando-se temperaturas de 46 ou mesmo 48 graus, num país em que a temperatura mais alta de que há registo aconteceu no dia 1 de agosto de 2003, quando os termómetros atingiram os 47,4 graus na Amareleja, no distrito de Beja. Ontem, diversas localidades como Monção, Vila Real e Viseu atingiram os seus máximos históricos de temperatura. A situação é deveras alarmante e se notarmos que o máximo europeu foi registado em 2021 na ilha Sicília com 48,8 graus, ficamos com uma ideia mais correcta da situação crítica que atravessamos.
Os incêndios florestais e a generalizada falta de água nas albufeiras e nos rios são as marcas mais graves da emergência climática que atravessamos, que fez com que grande parte do território continental estivesse sob alerta laranja e, nas últimas horas, tivesse entrado em alerta vermelho. Há incêndios activos em quase todos os distritos continentais e a luta das corporações dos Bombeiros e dos elementos da Protecção Civil tem sido muito corajosa, como por vezes se pode observar nas imagens televisivas, sobretudo quando não aproveitam estas situações para fazer reivindicações corporativas. Há sobressalto, inquietação e dor nas populações mais isoladas, impotentes para se defenderem das chamas que cercam as suas casas. Naturalmente, trata-se de uma consequência das profundas alterações climáticas que se estão a verificar no nosso planeta, a que se juntarão muitas outras causas, como o mau ordenamento florestal, mas não só.
Todos os anos, reúnem-se as autoridades administrativas e os especialistas, designadamente em debates televisivos, para diagnosticar a situação e para propor medidas que evitem ou atenuem a calamidade dos incêndios florestais, mas parece que em cada ano a situação se agrava. Não sei o que se possa fazer.

segunda-feira, 11 de julho de 2022

Boris Johnson caricaturado no Der Speigel

A demissão de Boris Johnson, que um jornal escocês considerou o pior primeiro-ministro britânico de sempre, gerou os mais diversos comentários de alguma imprensa, não só no Reino Unido, mas também no estrangeiro.
Na sua última edição a revista alemã Der Spiegel utilizou alguns títulos e subtítulos de primeira página como “Foi demasiada mentira”, e “O palhaço vai, mas o caos permanece” e “O legado tóxico de Boris”. O primeiro-ministro Boris Johnson era a excentricidade em Downing Street, o que é alguma coisa que não se ajusta à política do Reino Unido. Por isso, a revista alemã foi inspirar-se em Alfred E. Neuman, a mascote da revista humorística americana Mad que foi criada em 1952 por Harvey Kurtzman, cujos traços faciais desalinhados e sardentos, a falta de um dente incisivo, mais o seu aspecto irreverente e o seu sorriso despreocupado, ilustravam a maioria das capas daquela revista que fez história na imprensa humorística americana. A linguagem textual e gráfica da revista americana (que cessou a sua publicação em 2019) assentava na crítica satírica às figuras dominantes da política e da sociedade americanas tanto da esquerda como da direita e nenhuma lhe escapava.
Assim, a subtil ideia da revista Der Spiegel de criticar Boris Johnson com uma ilustração que manipula a sua imagem com a imagem ficcional de Alfred E. Neuman, que foi a marca identitária da revista humorística Mad é, em si mesma, uma curiosa e oportuna notícia.

sábado, 9 de julho de 2022

Worst PM ever: Boris Johnson sai de cena

Alexander Boris de Pfeffel Johnson demitiu-se das suas funções de primeiro-ministro do Reino Unido e de líder do Partido Conservador, cargos que desempenhava desde 2019. Nesse ano, ele liderou um movimento para afastar Theresa May do nº 10 de Downing Street e para ocupar o seu lugar, mas agora também foram os membros do seu próprio partido que levaram ao seu afastamento. No caso de Theresa May foi o Brexit que a derrotou, com Boris Johnson parece que foram as mentiras, os escândalos e. pensamos nós, as suas excentricidades que o seu partido não suportou. 
O Reino Unido é uma potência mundial e tem um inquestionável prestígio internacional, mas parece que passa por uma crise muito acentuada em vários domínios, numa altura em que relativamente à política internacional e ao conflito russo-ucraniano, tem procurado disputar protagonismo à União Europeia, de que se desligou no dia 31 de Janeiro de 2020. 
A imprensa internacional destacou o pedido de demissão de Boris Johnson, não tanto pelas alterações que possam surgir nas políticas interna ou externa britânica, mas sobretudo pela necessidade de dar maior credibilidade à governação errática do Reino Unido e, quem sabe, se não foi também pelo excesso de despesa com os generosos auxílios  ao regime de Kiev.
Nessa imprensa destacou-se o Daily Record, um tablóide escocês de circulação nacional que se publica em Glasgow e que foi o primeiro jornal europeu que foi impresso a cores. “Worst PM ever” ou, o pior primeiro-ministro de todos os tempos, foi a manchete escolhida pelo jornal que é verdadeiramente demolidora para Boris Johnson, embora a marca escocesa desta manchete nos obrigue a naturais reticências. Talvez a rainha Isabel II, que já conheceu 15 primeiros-ministros, nos possa dizer quem foi realmente o pior...

sexta-feira, 8 de julho de 2022

Uma boa vitória da diplomacia angolana

O Jornal de Angola anunciou na sua edição de ontem que, com a mediação do presidente João Lourenço, a República Democrática do Congo (RDC) e o Rwanda tinham acordado o cessar-fogo imediato.
Uma parte da RDC (que tem 90 milhões de habitantes e a capital em Kinshasa) e o Rwanda (que tem 13 milhões de habitantes e a capital em Kigali) localizam-se na região dos Grandes Lagos, que é uma área geográfica africana de abundantes recursos minerais, mas também de muitas tensões étnicas, pelo que tem havido conflitos armados nessa região desde há várias décadas. Recentemente, os guerrilheiros do Movimento 23 de Março (M23), que têm o apoio do Rwanda e que há alguns anos já tinham sido derrotados pelas tropas da RDC, retomaram a sua luta e ocuparam a localidade congolesa de Bunagana, na região do Kivu Norte, que faz fronteira com o Rwanda.
Ambos os países se acusaram mutuamente de apoio a grupos rebeldes, ambos aumentaram as suas ameaças em relação ao rival e as forças armadas nacionais de ambos os países intervieram. Foi o início da guerra. Foi então que João Lourenço, o presidente da República Popular de Angola, foi mandatado pela União Africana para mediar o conflito. Os presidentes Félix Tshisekedi da RDC e Paul Kagame do Rwanda vieram a Luanda e a acção do presidente João Lourenço foi bem sucedida.
Que pena não haver líderes europeus tão prestigiados e tão eficazes como foi João Lourenço, para mediar o doloroso e destruidor conflito que decorre no território ucraniano.

Pamplona iniciou as famosas Sanfermines

Os festejos em honra de San Fermin ou Los Sanfermines que se realizam todos os anos entre os dias 6 e 14 de Julho na cidade espanhola de Pamplona, a capital da Comunidade Foral de Navarra, estiveram suspensos durante dois anos devido à crise pandémica, mas iniciaram-se ontem como “los más esperados”, segundo escreveu hoje o diário El Correo, na sua edição da Bizkaia. Como é da tradição, as festas iniciaram-se com o chupinazo, o momento em que, ontem ao meio-dia em ponto, foi lançado um foguete de uma varanda da sede do município. Nessa altura, a multidão vestida de branco e de vermelho e em grande euforia, segura sempre lenços vermelhos acima da cabeça com ambas as mãos e… estão iniciados Los Sanfermines.
Uma das actividades mais apreciadas e mais famosas de Los Sanfermines são os encierros, imortalizados por Ernest Hemingway, que são largadas de seis touros que percorrem em correria um percurso de 849 metros por três ruas do centro histórico da cidade de Pamplona e que terminam na sua praça de touros. Os encierros realizam-se às oito horas da manhã, todos os dias entre 7 e 14 de Julho e, normalmente, duram três a quatro minutos. Envolvem muitas centenas de pessoas que correm à frente dos touros e constituem um perigoso exercício, pois todos os anos ficam feridas entre duzentas a trezentas pessoas, devido sobretudo a quedas, se bem que a maior parte sem gravidade. Contudo, há um registo de 15 pessoas que morreram entre 1922 e 2009 nos encierros de Los Sanfermines.
Los Sanfermines é uma festa célebre mundialmente que, numa cidade com cerca de 200 mil habitantes, atrai sempre mais de um milhão e meio de visitantes.

quinta-feira, 7 de julho de 2022

A boa prestação portuguesa em Oran 2022

Terminaram os XIX Jogos do Mediterrâneo – Oran 2022 – organizados sobre a égide do Comité Olímpico Internacional, sendo de salientar que os atletas portugueses subiram mais vezes ao pódio do que na anterior edição – Tarragona 2018. 
Portugal só foi admitido como membro de pleno direito nos Jogos do Mediterrâneo no ano de 2017 e, na sua primeira participação realizada na cidade catalã de Tarragona, apresentou-se com 221 atletas e conquistou 24 medalhas (3 de ouro, 8 de prata e 13 de bronze). Nesta sua segunda participação na cidade argelina de Oran, os 159 atletas portugueses conquistaram 25 medalhas (7 de ouro, 10 de prata e 8 de bronze), o que significa uma ligeira melhoria no desempenho desportivo dos atletas portugueses.
Na edição dos Jogos do Mediterrâneo de 2022 participaram cerca de 4500 atletas de 26 países e verifica-se que 24 desses países conquistaram medalhas, com destaque para a Itália (159), a Turquia (108) e a França (81). Também a Espanha (66), a Argélia (53), o Egipto (51), a Sérvia (31) e a Grácia (31), conseguiram mais medalhas do que os atletas portugueses que, no tradicional medalheiro, se classificaram em 9º lugar com 25 medalhas que, entre os 26 países ditos mediterrâneos, nos dá a ideia correcta da dimensão desportiva portuguesa
Alguns dirigentes entrevistados pela televisão declararam-se muito satisfeitos com os resultados conseguidos pelos atletas portugueses, sobretudo na natação, no atletismo e no ténis de mesa, com nove, oito e quatro medalhas, respectivamente. Um facto saliente e lamentável é a total ausência de referências aos Jogos do Mediterrâneo e às prestações portuguesas nas primeiras páginas da imprensa desportiva ou generalista que se publica em Portugal.

quarta-feira, 6 de julho de 2022

Índia: um país emergente e em ascensão

A República da Índia, ou simplesmente Índia, é uma federação de 28 estados e oito “territórios da União” que, no seu conjunto, é o segundo país mais populoso do mundo e o sétimo maior em superfície territorial. É um dos herdeiros do Império Britânico, a chamada Jóia da Coroa, da qual obteve a independência em 1947 sob a liderança de Jawaharlal Nehru e a inspiração de Mohandas Gandhi, sendo uma sociedade culturalmente pluralista, multilingue e multiétnica. Actualmente tem cerca de 1400 milhões de habitantes, é uma economia em acelerado crescimento e dispõe de uma classe média em rápida ascensão, embora tenha elevadas taxas de pobreza que cohabitam com armas nucleares e programas espaciais. 
Foi nesse país que, em 1868, o empresário Jamsetji Tata fundou uma empresa comercial que, ao longo dos tempos, deu origem ao Grupo Tata, com sede em Bombaim (Mumbai), que actualmente é o maior grupo empresarial da Índia e é reconhecido e respeitado em todo o mundo. Os seus interesses encontram-se nas áreas da energia, aço, automóveis, tecnologias de informação, comunicação, transporte aéreo, hotelaria e chá, dominando algumas marcas mundiais de grande notoriedade como a Jaguar, Land Rover e Daewoo (automóveis), AIG (seguros), ThyssenKrupp (siderurgia), Tetley Tea (chá) e Air India (transporte aéreo), entre outras.O Grupo Tata é um caso raro de gestão familiar, uma vez que os presidentes das suas principais empresas e grupos de empresas são, quase sempre, membros da família Tata.
No ranking das maiores empresas do mundo, uma das empresas do grupo Tata, a Tata Consulting Services (TCS) ocupa o 83º lugar. É exactamente essa empresa que, conforme anunciou o jornal Toronto Sun, escolheu a cidade canadiana de Toronto para expandir a sua actividade no Canadá e instalar um centro de inovação, que se espera venha a criar 5000 empregos em todo o país nos próximos anos, além de concretizar investimentos em universidades canadianas para o apoio de programas de pesquisa e de natureza filantrópica. 
Costuma falar-se dos tigres asiáticos e dos novos tigres asiáticos que estão a transformar a economia e o comércio internacionais, por vezes através da exploração intensiva de mão-de-obra, mas não é habitual incluir a Índia nessa categoria, mas o domínio das tecnologias da informação e da comunicação, bem como o dinamismo do Grupo Tata, mostram que a Índia é um país emergente e em ascensão.

terça-feira, 5 de julho de 2022

World needs better leaders, diz Kissinger

O jornal USA Today, que é o diário de maior circulação por todo o território dos Estados Unidos, destaca na sua edição de hoje como principal notícia de primeira página, o tiroteio que ocorreu ontem durante o desfile do 4 de Julho em Highland Park, nos arredores de Chicago, de que resultaram “seis mortos e dúzias de feridos”. Porém, na mesma primeira página e com semelhante destaque, há uma referência a uma entrevista a Henry Kissinger em que o antigo secretário de Estado americano, agora com 99 anos de idade, diz que “world needs better leaders”.
A entrevista surgiu na sequência do seu 19º livro, uma obra de 499 páginas que foi lançada ontem em Nova Iorque e que tem como título Leadership: Six Studies in World Strategy. Nesse livro, Henry Kissinger mostra-se preocupado com o seu país e com o mundo, descrevendo o perfil de seis líderes que viveram tempos tumultuosos, mas que souberam ajudar a construir uma nova ordem mundial no século XX: Konrad Adenauer (Alemanha), Charles de Gaulle (França), Richard Nixon (Estados Unidos), Anwar Sadat (Egipto), Lee Kuan Yew (Singapura) e Margaret Thatcher (Reino Unido). Questionado sobre se actualmente vê algum líder comparável àqueles, capaz de enfrentar as exigências dos tempos actuais, Kissinger respondeu com uma única palavra “Não” e, após uma breve pausa, acrescentou “Doloroso”.
A propósito da Ucrânia, várias vezes tenho pensado que eram necessários melhores líderes que tivessem evitado a guerra, que negociassem o cessar-fogo, que evitassem a brutalidade das destruições e que travassem a escalada da guerra que nos pode levar a maiores tragédias. Porém, eles ficam-se pela “espuma dos dias”, ou por umas visitas a Kiev, permitindo que seja um funcionário de nome Stoltenberg que, em seu nome, atire gasolina para a fogueira. 
Henry Kissinger tem razão: “world needs better leaders”.

A violência armada na grande América

O 4 de Julho ou Dia da Independência é um feriado federal nos Estados Unidos que comemora a data em que, no ano de 1776, os delegados das treze colónias rebeldes americanas adoptaram a Declaração de Independência, um documento elaborado por Thomas Jefferson, que veio a ser o terceiro presidente dos Estados Unidos. É um dia de grande festa em que se celebra o nascimento da nação americana de formas muito diversas, com grandes desfiles militares e sociais, fogos-de-artifício, concertos e espectáculos, além de tradicionais e alargadas reuniões familiares. Porém, um desfile do Dia da Independência que ontem decorreu em Highland Park, um subúrbio a cerca de 40 quilómetros do centro de Chicago, no estado de Illinois, foi interrompido por um tiroteio de que resultaram pelo menos seis mortos e 31 feridos. A edição de hoje do jornal Chicago Tribune destaca este acto com o título “Holiday Horror” pois, mesmo em dia de festa nacional, a aterradora e brutal violência armada não faltou, como vem acontecendo em escolas, supermercados, igrejas e outros locais, como consequência de uma cultura de violência e de uma política de livre venda de armas a particulares.
Recentemente, na sua edição de 25 de Maio, o jornal Diário de Notícias tinha noticiado que, desde o início do ano, pelo menos 17.196 pessoas tinham morrido baleadas, segundo a organização Gun Violence Archive, incluindo homicídios e suicídios. Em média morrem por ano 40.620 pessoas nos Estados Unidos vitimadas por armas de fogo o que significa que acontecem 111 mortes violentas por dia. 
No país que lidera o mundo, tanto económica como tecnologicamente, há alguns aspectos civilizacionais que mancham a imagem dos Estados Unidos e, seguramente, que a violência armada é um deles.

segunda-feira, 4 de julho de 2022

As alegres viagens do presidente Marcelo

A Bienal Internacional do Livro de S. Paulo, este ano na sua 26ª edição, é um evento literário de grande importância na vida cultural brasileira que teve Portugal como convidado de honra, razão porque registou a presença de mais de duas dezenas de escritores portugueses e lusófonos. O Presidente da República Portuguesa decidiu participar na inauguração desse evento, mostrando o seu apoio aos escritores e aos editores portugueses, mas também o seu empenho no reforço da amizade entre Portugal e o Brasil. Nesta sua deslocação, Marcelo Rebelo de Sousa viajou para o Brasil num voo especial da TAP para celebrar a primeira Travessia Aérea do Atlântico Sul realizada há cem anos por Gago Coutinho e Sacadura Cabral, tendo participado numa cerimónia pública no Rio de Janeiro em que foi descerrada uma placa comemorativa alusiva a essa viagem. Segundo foi noticiado, Marcelo foi nadar na praia da Copacabana com os jornalistas à sua volta como tanto gosta, ofereceu uma recepção à comunidade portuguesa do Rio de Janeiro e, depois em S. Paulo, ofereceu mais uma recepção à comunidade portuguesa desta cidade, bem como um almoço aos editores e escritores portugueses presentes na Bienal. Encontrou-se com os antigos presidentes Fernando Henrique Cardoso, Luis Inácio Lula da Silva e Michel Temer, mas Jair Bolsonaro, o actual presidente do Brasil, desconvidou-o para um encontro com almoço em Brasília que estivera programado.
Através das fotografias divulgadas pela própria presidência, vemos que a viagem foi bem divertida e animada, com as cenas popularuchas do costume, as selfies, os abraços e os incontáveis microfones à volta. Ao mesmo tempo pudemos ver como era alargada a comitiva presidencial e como foi elevado o número de jornalistas que o acompanharam nesta viagem. Não se justifica tanta gente neste tipo de viagens, porque tudo isso é pago com os nossos impostos que são bem altos. O presidente sabe isso, mas actua como se o recurso orçamental fosse inesgotável.
Foi dito que esta viagem foi “a oportunidade para se falar mais de Portugal”, mas o exemplo do jornal Estado de S. Paulo mostra que não foi assim, pois este jornal dedica um grande espaço da sua capa à 26ª Bienal Internacional do Livro, mas refere apenas um português que é o escritor Valter Hugo Mãe e não Marcelo Rebelo de Sousa.

domingo, 3 de julho de 2022

A Airbus e os seus "contratos do século"

Os portugueses gostam da França, apesar das invasões napoleónicas de 1808-1811, mas há que reconhecer que os franceses são demasiado chauvinistas e que, para eles, la France está sempre acima de todas as coisas. Por isso, os sucessos aeronáuticos da Airbus SE, até porque comparam com a sua rival americana Boeing, estão sempre a ser anunciados pela imprensa francesa.
Ontem, o jornal La Dépêche du Midi que se publica em Toulouse, a cidade onde se localizam as principais fábricas da Airbus SE e as linhas de montagem finais dos aviões A320, A330, A350 e A380, noticiou que quatro companhias aéreas chinesas tinham encomendado 292 aviões A320neo por 37 mil milhões de dólares e classificou este contrato como “la commande du siècle”, ou “le contrat du siècle”. A mesma notícia indica que nos primeiros cinco meses do corrente ano a Airbus já produziu 237 aviões, o que corresponde a uma produção média mensal de cerca de 50 unidades. A notícia é deveras curiosa, pois os “contrat du siècle” são frequentemente anunciados pela imprensa francesa, como verificamos numa breve pesquisa feita na internet.
Em 2021 tinha sido anunciado que o grupo Air France-KLM encomendara 100 aviões A320neo para equipar as frotas da KLM e da Transavia e mals 60 unidades suplementares, o que foi classificado pela imprensa francesa como o “contrat du siècle”. Em 2019, no salão aeronáutico do Dubai, a companhia indiana IndiGo encomendou 255 A321neo por cerca de 30 mil milhões de euros e esta encomenda recebeu a classificação de “contrat pharaonique”. Em 2017 tinha sido anunciado um “contrat historique” e “la commande du siècle” quando foi anunciado que um fundo de investimento americano encomendara 430 aviões A320 e A321 por 42 mil milhões de euros. Em 2013 a companhia indonésia Lion Air encomendou 234 aviões da família A320 por 18,4 mil milhões de euros e, nessa altura, o ministro Arnaud Montebourg afirmou que era o “contrat du siècle”.
Como se vê, a Airbus é um sucesso tecnológico e comercial, mas a chauvinista imprensa francesa não se cansa de anunciar sucessivos “contrats du siècle”-

sexta-feira, 1 de julho de 2022

Um governo de distraídos e acomodados

O actual governo português é o XXIII Governo Constitucional que resultou da vitória do Partido Socialista por maioria absoluta nas eleições de 30 de Janeiro de 2022, tendo tomado posse no dia 30 de Março seguinte. O elenco governativo foi constituído por 17 ministros e 38 secretários de Estado que estão em funções há três meses e dos quais há uma boa parte com experiência política e governativa. O governo tem uma maioria parlamentar que o apoia e tem uma economia que está em franca recuperação, enquanto o país vive uma significativa estabilidade social, isto é, o governo tem tudo o que precisa para fazer reformas e para se adaptar aos novos tempos e às novas exigências, para mudar o que está mal e para aperfeiçoar o que não está bem. É isso que se deve exigir de um governo com maioria absoluta.
No seu discurso de posse, o primeiro-ministro tinha dito: “Os portugueses desejam um Governo que trabalhe afincadamente, já a partir de hoje, para que o país proteja os seus cidadãos, garanta a sua liberdade e segurança, os mobilize no esforço coletivo de modernizar Portugal”. Era isso que se esperava na Saúde e na Justiça, onde existem graves distorções que afectam os cidadãos, mas também em outros sectores da nossa sociedade, designadamente na Educação e na Defesa. Porém, assistimos a um aumento da degradação dos serviços públicos, ao aumento do custo de vida, a uma descrença que se instala na sociedade e a uma crescente incerteza quanto ao futuro.
Hoje a imprensa portuguesa destaca as fotografias do primeiro-ministro António Costa e do ministro Pedro Nuno Santos que, sendo pessoas respeitáveis, protagonizaram nas últimas horas uma trapalhada política inimaginável e lamentável, que nos deve deixar apreensivos quanto ao futuro. Que este triste episódio sirva, pelo menos, para acordar aqueles que se deixaram adormecer ou se acomodaram no desempenho das funções governativas que lhes foram confiadas e que passem a trabalhar afincadamente, como prometeu o primeiro-ministro.

quinta-feira, 30 de junho de 2022

A Escócia e a sua luta pela independência

A Escócia é um país que em 1707 se uniu com a Inglaterra e formou a Grã-Bretanha, a qual mais tarde se associou com o País de Gales e com a Irlanda do Norte, passando a constituir o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda ou, simplesmente, Reino Unido.
Os escoceses, que são mais de cinco milhões de pessoas, têm uma forte identidade nacional e profundos sentimentos autonomistas, havendo muitos deles que defendem ideais independentistas.
Em 2014, após um acordo entre os governos do Reino Unido e da Escócia, foi realizado um referendo em que foi perguntado aos eleitores se “a Escócia deve ser um país independente?”, tendo havido 44,7% que votaram sim e 55,3% que votaram não.
Seguiu-se em 2016 um referendo geral sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia em que o brexit ganhou com 51,9% dos votos, mas a Escócia votou maioritariamente pela permanência na União Europeia com 62% dos votos. Esse resultado mostrou um maior distanciamento de Edimburgo em relação a Londres e, no dia seguinte à votação, a primeira-ministra escocesa Nicola Sturgeon que lidera o Partido Nacional Escocês pró-independência, afirmou que um segundo plebiscito pela independência da Escócia estava em cima da mesa. Porém, as vicissitudes por que passou o brexit e a pandemia de covid-19 atrasaram essa intenção, até que as excentricidades de Boris Johnson e o sucesso do seu partido nas eleições locais do ano passado, fizeram renascer a ideia de um segundo plebiscito que Nicola Sturgeon quer que seja realizado no dia 19 de Outubro de 2023. No entanto, o governo escocês não tem autonomia total para realizar esta consulta popular e precisa da prévia autorização do Supremo Tribunal, ou seja, a intenção de Sturgeon é, por agora, apenas isso.
O jornal The National, the newspaper that supports an independence, foi o jornal escocês que mais destaque deu à intenção de realizar um segundo referendo e diz aos seus leitores que têm apenas 16 meses “to save Scotland from Westminster”.