quarta-feira, 22 de julho de 2020

Poderá ser o novo Renascimento europeu


Toda a imprensa europeia destaca o acordo a que se chegou em Bruxelas para ultrapassar a crise provocada pela pandemia e para aproveitar esta oportunidade para reconstruir a Europa numa perspectiva de mudança energética e digital, mas também numa nova visão ambiental que minimize as ameaças provocadas pelas alterações climáticas. A fotografia em que se felicitam a presidente da Comissão Europeia Ursula van der Leyen e o presidente do Conselho Europeu Charles Michel ilustrou a primeira página de alguns jornais e mostra que é nos momentos difíceis que se reforça a unidade. Foi dito que é um momento histórico e, de facto, podemos estar perante um novo Renascimento que ilumine a Europa e os europeus.
A Europa carece cada vez mais de unidade para vencer as tendências nacionalistas que tendem a minar o projecto de paz e de solidariedade que nasceu em 1957 e que hoje é a União Europeia. O acordo agora conseguido vai no bom sentido e é um momento alto para o projecto europeu, não só por procurar reparar os danos económicos e sociais provocados pela pandemia do covid-19, mas também por dar início à própria modernização desse projecto e nele envolver as novas gerações.
Porém, sobretudo em Portugal, é necessário que os agentes políticos e os jornalistas tenham uma atitude pedagógica perante o público, o que nem sempre acontece, pois parece que ficam deslumbrados com os números e deixam no ar a ideia de que tudo serão facilidades. Afirmar que “o governo vai ter 18 milhões de euros por dia” ou escrever que “Portugal vai ter 6000 milhões de fundos por ano” é enganoso ou até mesmo mentiroso, pois cria ilusões nos portugueses. Para que não seja uma oportunidade perdida, esse dinheiro vai implicar a apresentação de projectos compatíveis com o acordo alcançado, criatividade, imaginação, realismo, muita responsabilidade e vontade política de mudança. É um enorme desafio.

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