Com 98 anos de
idade faleceu João Abel Manta, um nome maior do panorama cultural português,
com atividades artísticas tão diversificadas como a arquitetura e a pintura, o
desenho e a cerâmica, a ilustração e o azulejo, além do cartoon, que foi a área que o tornou mais conhecido
do público.
Ao longo da sua
vida foi um cidadão que lutou pela Liberdade e pela Democracia, antes e depois do
25 de Abril de 1974, tendo participado no MUD Juvenil e sido preso pela PIDE em
1948, mas também nas campanhas contra a Ditadura do Estado Novo.
Começou a sua atividade profissional na arquitetura, mas depressa passou para as artes plásticas, em que entre outros
trabalhos se destacou o seu painel de azulejos da Avenida Calouste Gulbenkian, em
Lisboa, concebido em 1970 e aplicado em 1982. Depois, ainda antes e depois do 25 de
Abril, publicou regularmente durante alguns anos os seus cartoons em jornais de grande tiragem como o Diário de Lisboa, o Diário de
Notícias, O Jornal e o Jornal de Letras, sempre com uma abordagem
crítica, inteligente e irónica sobre a situação política e social portuguesa e sobre o regime de Salazar. Do cartoon passou para a pintura onde também
realizou uma obra notável, vindo a receber diversos prémios nacionais e internacionais de reconhecimento pela sua obra.
Foi, inquestionavelmente, um homem do 25 de Abril, o “ilustrador da liberdade”
ou o “artista da revolução”, com uma importância simbólica nas Artes Plásticas semelhante à que tiveram Zeca Afonso na Música, Manuel Alegre na Poesia, ou Salgueiro
Maia na coragem com que ocupou o Largo do Carmo.
Aqui lhe prestamos
a nossa homenagem, com a reprodução de Um
problema difícil, o cartoon em que
retratou a admiração do mundo sobre o que se passava em Portugal em 1975.


Partiu um grande artista e um grande democrata! Retratou como ninguém o 25 de Abril!
ResponderEliminarAlfredo Vieira