As estações de
televisão portuguesas têm dedicado alargados espaços às quebras no
abastecimento de água na rede pública em várias localidades do concelho de
Almada. As populações protestaram com toda a legitimidade, mas as televisões
encheram os seus espaços noticiosos com conversa da treta, enquanto as forças
políticas aproveitaram para atacar a gestão municipal, isto é, não se
aproveitou a ocasião para colocar a escassez de água na agenda das preocupações
nacionais.O problema da
escassez de água é um dos mais graves do nosso tempo, após muitos anos de uso
excessivo, de poluição nos rios e nos lagos e, mais recentemente, devido aos
efeitos das alterações climáticas. Assim se provocaram “danos irreversíveis” no
abastecimento de água, o que levou as Nações Unidas a declarar que as
actividades humanas empurraram o mundo para
uma era de "falência hídrica global", porque o uso humano
superou a capacidade da natureza de repor a água e cerca de metade da população
mundial já sofre com a escassez severa.O cenário global da água ameaça tornar-se cada vez mais catastrófico,
pois a
maioria dos rios do mundo estão poluídos e recebem esgoto sem tratamento, uma
situação que tanto afeta os países com grandes rios como o Brasil, como as
regiões mais áridas do nosso planeta, em África e no Médio Oriente.A edição de hoje
do jornal económico francês La Tribune lança um alerta aos
franceses sobre a escassez de água, sobre a crise da produção mundial de
alimentos que se aproxima e sobre os possíveis conflitos sociais que se desenham
no horizonte.Afinal não é só
em Almada que há problemas…

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