quinta-feira, 16 de julho de 2026

A falência hídrica global ameaça o mundo

As estações de televisão portuguesas têm dedicado alargados espaços às quebras no abastecimento de água na rede pública em várias localidades do concelho de Almada. As populações protestaram com toda a legitimidade, mas as televisões encheram os seus espaços noticiosos com conversa da treta, enquanto as forças políticas aproveitaram para atacar a gestão municipal, isto é, não se aproveitou a ocasião para colocar a escassez de água na agenda das preocupações nacionais.O problema da escassez de água é um dos mais graves do nosso tempo, após muitos anos de uso excessivo, de poluição nos rios e nos lagos e, mais recentemente, devido aos efeitos das alterações climáticas. Assim se provocaram “danos irreversíveis” no abastecimento de água, o que levou as Nações Unidas a declarar que as actividades humanas empurraram o mundo para uma era de "falência hídrica global", porque o uso humano superou a capacidade da natureza de repor a água e cerca de metade da população mundial já sofre com a escassez severa.O cenário global da água ameaça tornar-se cada vez mais catastrófico, pois a maioria dos rios do mundo estão poluídos e recebem esgoto sem tratamento, uma situação que tanto afeta os países com grandes rios como o Brasil, como as regiões mais áridas do nosso planeta, em África e no Médio Oriente.A edição de hoje do jornal económico francês La Tribune lança um alerta aos franceses sobre a escassez de água, sobre a crise da produção mundial de alimentos que se aproxima e sobre os possíveis conflitos sociais que se desenham no horizonte.Afinal não é só em Almada que há problemas…

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