Nesta semana da Páscoa em que as escolas estão fechadas e a meteorologia nos estimula a sair da cidade, um passeio pelo Alentejo é uma escolha muito recomendável para quem o possa fazer. Para além do seu riquíssimo património histórico e monumental, o Alentejo exibe agora as suas verdes paisagens muito floridas e, como sempre, a sua apreciada gastronomia de sabores.
É neste atraente quadro que decorre a Semana Gastronómica do Borrego, uma iniciativa promovida pelo Turismo do Alentejo.
Assim, entre os dias 2 e 9 de Abril, em mais de cem restaurantes espalhados por todo o território alentejano, o borrego vai ser o rei dos mais tradicionais ensopados e caldeiradas, mas também dos folhados e das empadas mais sofisticadas, para além dos apreciados assados e do sarapatel.
Esta é a melhor época do ano para percorrer o Alentejo, utilizando as estradas secundárias e visitando as pequenas vilas e aldeias, pelo que as ofertas gastronómicas adicionais que a Semana Gastronómica do Borrego nos oferece, tornam ainda mais recomendável esta oportunidade para visitar o Alentejo. Com a situação difícil que o país atravessa, fazer férias cá dentro ainda tem mais sentido.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
A Semana Gastronómica do Borrego
domingo, 1 de abril de 2012
Sinais preocupantes
Todos sabemos como é difícil e complexa a equação económico-financeira com que nos defrontamos, pelo que os nossos governantes não se podem distrair. Infelizmente há muitos que ainda andam deslumbrados com o poder e com o pin na lapela, mas também demasiado ocupados com os seus interesses pessoais, as suas viagens, os seus amigos e as suas mordomias.
Há cerca de um ano, essa gente afirmou que o nosso problema não tinha relação com a crise internacional e que resultava dos erros do anterior governo e da teimosia do seu chefe, das gorduras do Estado e do excesso de institutos públicos. Ganharam eleições. Ocuparam a EDP e a CGD. Empregaram boys e mini-boys. Porém, hoje vê-se que aquele era um discurso de propaganda e, antes que seja desmascarado pelas evidências, foi montada uma cortina de fumo de protecção e foi retomado o ataque ao anterior governo, o que vem fragilizar a base social de apoio que tem apoiado o actual governo e complicar ainda mais o nosso futuro.
Entretanto, a falta de dinheiro está a levar muitas famílias a não pagar os empréstimos que contraíu e a devolver milhares de imóveis aos bancos. Só no ano passado foram devolvidas quase sete mil casas e o mercado imobiliário está inundado. Agora, chega a notícia de que em Janeiro, mais de 100 mil trabalhadores tinham o seu salário penhorado, dos quais cerca de metade são funcionários públicos, havendo mais de nove mil pessoas que já declararam insolvência. A situação já é dramática para muitas famílias que serão devoradas pela banca, pelo fisco, pela fome, pela pobreza. Os nossos governantes não se podem distrair com estes preocupantes sinais que podem prenunciar o caminho da desagregação social.
Há cerca de um ano, essa gente afirmou que o nosso problema não tinha relação com a crise internacional e que resultava dos erros do anterior governo e da teimosia do seu chefe, das gorduras do Estado e do excesso de institutos públicos. Ganharam eleições. Ocuparam a EDP e a CGD. Empregaram boys e mini-boys. Porém, hoje vê-se que aquele era um discurso de propaganda e, antes que seja desmascarado pelas evidências, foi montada uma cortina de fumo de protecção e foi retomado o ataque ao anterior governo, o que vem fragilizar a base social de apoio que tem apoiado o actual governo e complicar ainda mais o nosso futuro.
Entretanto, a falta de dinheiro está a levar muitas famílias a não pagar os empréstimos que contraíu e a devolver milhares de imóveis aos bancos. Só no ano passado foram devolvidas quase sete mil casas e o mercado imobiliário está inundado. Agora, chega a notícia de que em Janeiro, mais de 100 mil trabalhadores tinham o seu salário penhorado, dos quais cerca de metade são funcionários públicos, havendo mais de nove mil pessoas que já declararam insolvência. A situação já é dramática para muitas famílias que serão devoradas pela banca, pelo fisco, pela fome, pela pobreza. Os nossos governantes não se podem distrair com estes preocupantes sinais que podem prenunciar o caminho da desagregação social.
sábado, 31 de março de 2012
Um caminho doloroso
Embora tivéssemos vivido em abundância, tivéssemos perdido a cabeça e tivéssemos chegado a uma grave situação financeira por culpa própria, mas também dos políticos e banqueiros que nos empurraram para o limiar do consumo, as soluções que nos foram impostas há cerca de 12 meses pela troika estão a revelar-se cada dia mais chocantes.
O garrote financeiro que nos foi imposto está a atrofiar a economia e a sociedade, a gerar desemprego e pobreza, a criar instabilidade e insegurança. Estamos reféns da troika e dos mercados. Os nossos principais partidos estão manietados pelos compromissos que assumiram. Na sua ânsia de cumprir escrupulosamente a agenda liberalizante que nos foi imposta, o Estado deixou de pensar nos cidadãos e olha para as pessoas como meros contribuintes e, sempre, sob suspeita. A desorientação começa a bater à porta das famílias, que não vêem rumo para o país, nem futuro para os jovens. Bem nos podem dizer que “estamos a chegar a meio da ponte”, que o défice se está a reduzir, que a dívida está controlada e que não há outro caminho, mas talvez não seja assim. Há cada vez mais vozes a dizer que as coisas não estão a correr bem.
Assim há que encontrar outro caminho e há que encontrar imaginação para ultrapassar a nossa crise, que está entregue a contabilistas e a muitos yes men, convencidos e acomodados em lugares bem remunerados.
Porém, neste quadro de desorientação, é particularmente doloroso ver alguns dos símbolos da nossa economia a serem vendidos um pouco ao desbarato, como sucede com a EDP e a Petrogal Brasil a serem tomadas pelos chineses, o BPN a ser comprado em saldo pelos angolanos e, agora, a Cimpor a ser atacada pelos brasileiros.
É realmente um caminho doloroso!
O garrote financeiro que nos foi imposto está a atrofiar a economia e a sociedade, a gerar desemprego e pobreza, a criar instabilidade e insegurança. Estamos reféns da troika e dos mercados. Os nossos principais partidos estão manietados pelos compromissos que assumiram. Na sua ânsia de cumprir escrupulosamente a agenda liberalizante que nos foi imposta, o Estado deixou de pensar nos cidadãos e olha para as pessoas como meros contribuintes e, sempre, sob suspeita. A desorientação começa a bater à porta das famílias, que não vêem rumo para o país, nem futuro para os jovens. Bem nos podem dizer que “estamos a chegar a meio da ponte”, que o défice se está a reduzir, que a dívida está controlada e que não há outro caminho, mas talvez não seja assim. Há cada vez mais vozes a dizer que as coisas não estão a correr bem.
Assim há que encontrar outro caminho e há que encontrar imaginação para ultrapassar a nossa crise, que está entregue a contabilistas e a muitos yes men, convencidos e acomodados em lugares bem remunerados.
Porém, neste quadro de desorientação, é particularmente doloroso ver alguns dos símbolos da nossa economia a serem vendidos um pouco ao desbarato, como sucede com a EDP e a Petrogal Brasil a serem tomadas pelos chineses, o BPN a ser comprado em saldo pelos angolanos e, agora, a Cimpor a ser atacada pelos brasileiros.
É realmente um caminho doloroso!
A sabedoria de Kofi Annan
O problema sírio abandonou a primeira páginas dos jornais ocidentais e a notícia do Gulf News é uma excepção: Bashar Al-Assad e o seu governo aceitaram esta semana o plano de seis pontos de Kofi Annan, o antigo secretário-geral da ONU e actual emissário da ONU e da Liga Árabe, para pôr fim à violência no país. Esse plano procura que, sob a supervisão da ONU, cessem os confrontos entre as forças governamentais e os seus opositores, sejam libertados os oposicionistas detidos nos protestos contra o governo e seja autorizada a entrada no país de ajuda humanitária.
A chamada Primavera Árabe teve início na Tunísia e chegou à Síria, onde há um ano a oposição ao regime de Bashar Al-Assad saiu à rua para protestar. Aos protestos sucederam-se os confrontos e depois os combates entre as forças governamentais e as forças da oposição. A cidade de Homs tornou-se o símbolo da revolta. A situação humanitária tornou-se crítica. Terão morrido mais de dez mil pessoas e há denúncias de atrocidades praticadas por ambas as partes. Até agora, o governo sírio tinha tido o apoio da Rússia e da China para recusar qualquer plano de paz, pelo que esta decisão pode ser uma etapa importante para acabar com a violência no país.
Contrariamente ao que se passou no Iraque e na Líbia onde se verificaram intervenções militares externas de alguns falcões e dos seus amigos, agora procura-se uma solução mais equilibrada. Será porque a Síria tem pouco petróleo? Será porque a Síria tem os apoios internacionais que tem? Assim, muito acertadamente, são a ONU e a Liga Árabe que, com a ajuda da sabedoria de Kofi Annan, estão a dar passos para encontrar a paz.
Na realidade, a solução Annan parece ser bem melhor que as receitas de George W. Bush e de Nicolas Sarkozy.
A chamada Primavera Árabe teve início na Tunísia e chegou à Síria, onde há um ano a oposição ao regime de Bashar Al-Assad saiu à rua para protestar. Aos protestos sucederam-se os confrontos e depois os combates entre as forças governamentais e as forças da oposição. A cidade de Homs tornou-se o símbolo da revolta. A situação humanitária tornou-se crítica. Terão morrido mais de dez mil pessoas e há denúncias de atrocidades praticadas por ambas as partes. Até agora, o governo sírio tinha tido o apoio da Rússia e da China para recusar qualquer plano de paz, pelo que esta decisão pode ser uma etapa importante para acabar com a violência no país.
Contrariamente ao que se passou no Iraque e na Líbia onde se verificaram intervenções militares externas de alguns falcões e dos seus amigos, agora procura-se uma solução mais equilibrada. Será porque a Síria tem pouco petróleo? Será porque a Síria tem os apoios internacionais que tem? Assim, muito acertadamente, são a ONU e a Liga Árabe que, com a ajuda da sabedoria de Kofi Annan, estão a dar passos para encontrar a paz.
Na realidade, a solução Annan parece ser bem melhor que as receitas de George W. Bush e de Nicolas Sarkozy.
quinta-feira, 29 de março de 2012
As Segundas de Aguiar
Todas as segundas-feiras, sem falta, depois de almoçar no Books, o ministro da Defesa entra no nº 110 da rua Falcão, no Porto, no escritório da sociedade de advogados José Pedro Aguiar-Branco & Associados. Demora-se algumas horas e, ao fim da tarde, um Mercedes com motorista vai buscá-lo de regresso a Lisboa.
Isto escreveu Miguel Ganhão, Subchefe de Redacção do jornal Correio da Manhã na edição de 28 de Janeiro de 2012, com o título “Segundas de Aguiar”.
A ética democrática e republicana foi ignorada. Que promiscuidade. Que tristeza. Vale tudo.
Porém, um mês depois, Aguiar quebrou esta rotina, pois na segunda-feira dia 27 de Fevereiro, não compareceu na JPAB – Sociedade de Advogados para tratar da sua vida. Nesse dia, Aguiar esteve em Washington em conversações com o seu homólogo Leon Panneta, para tratar da “parceria estratégica entre Portugal e os Estados Unidos no âmbito da defesa”, segundo também informou o "Correio da Manhã".
Para o empresário foi um prejuízo pessoal, mas para o ministro foi um dia de glória!
Se a moda pega, qualquer dia teremos a Ministra Cristas a passar o dia na Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva e Associados, a Ministra da Cruz na F. Castelo Branco & Associados e o Ministro Macedo na Miguel Macedo e Albertina Gonçalves, Sociedade de Advogados, RL, todos eles com os respectivos motoristas à espera.
São estes os exemplos que nos dá esta geração de políticos!
Isto escreveu Miguel Ganhão, Subchefe de Redacção do jornal Correio da Manhã na edição de 28 de Janeiro de 2012, com o título “Segundas de Aguiar”.
A ética democrática e republicana foi ignorada. Que promiscuidade. Que tristeza. Vale tudo.
Porém, um mês depois, Aguiar quebrou esta rotina, pois na segunda-feira dia 27 de Fevereiro, não compareceu na JPAB – Sociedade de Advogados para tratar da sua vida. Nesse dia, Aguiar esteve em Washington em conversações com o seu homólogo Leon Panneta, para tratar da “parceria estratégica entre Portugal e os Estados Unidos no âmbito da defesa”, segundo também informou o "Correio da Manhã".
Para o empresário foi um prejuízo pessoal, mas para o ministro foi um dia de glória!
Se a moda pega, qualquer dia teremos a Ministra Cristas a passar o dia na Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva e Associados, a Ministra da Cruz na F. Castelo Branco & Associados e o Ministro Macedo na Miguel Macedo e Albertina Gonçalves, Sociedade de Advogados, RL, todos eles com os respectivos motoristas à espera.
São estes os exemplos que nos dá esta geração de políticos!
terça-feira, 27 de março de 2012
As colecções do CAMB
O Centro de Arte Manuel de Brito (CAMB) que está instalado no Palácio Anjos, em Algés, tem actualmente duas exposições patentes ao público, que apresentam parte da sua colecção de mais de duas mil obras.
A exposição temporária mostra até ao dia 3 de Junho a exposição “Artistas brasileiros na Colecção Manuel de Brito”, na qual o CAMB mostra os artistas brasileiros da sua colecção. Essa circunstância está naturalmente relacionada com o facto do galerista Manuel de Brito (1928-2005) ter nascido no Rio de Janeiro e sempre ter mantido fortes ligações a artistas e instituições brasileiras. Entre outras, a colecção integra obras de Thomaz Ianelli, Sérgio de Camargo, Arthur Luiz Piza, Alex Flemming, Leda Catunda e Márcia Xavier.
Porém, o que mais atrai no Palácio Anjos é a sua exposição permanente pois apresenta um conjunto pouco comum dos mais cotados artistas portugueses e testemunha a importância da colecção do CAMB no contexto das colecções de arte portuguesa contemporânea. Assim, lá estão representados Amadeo de Souza-Cardoso, Vieira da Silva, Carlos Botelho, Júlio Resende, Eduardo Viana, Menez, Paula Rego, José de Guimarães, Júlio Pomar, Marcelino Vespeira, Mário Eloy, Nikias Skapinakis, Eduardo Luiz, António Dacosta, Luís Noronha da Costa, António Costa Pinheiro e alguns outros.
Só para apreciar esta diversidade da pintura portuguesa contemporânea vale a pena visitar o CAMB.
A exposição temporária mostra até ao dia 3 de Junho a exposição “Artistas brasileiros na Colecção Manuel de Brito”, na qual o CAMB mostra os artistas brasileiros da sua colecção. Essa circunstância está naturalmente relacionada com o facto do galerista Manuel de Brito (1928-2005) ter nascido no Rio de Janeiro e sempre ter mantido fortes ligações a artistas e instituições brasileiras. Entre outras, a colecção integra obras de Thomaz Ianelli, Sérgio de Camargo, Arthur Luiz Piza, Alex Flemming, Leda Catunda e Márcia Xavier.
Porém, o que mais atrai no Palácio Anjos é a sua exposição permanente pois apresenta um conjunto pouco comum dos mais cotados artistas portugueses e testemunha a importância da colecção do CAMB no contexto das colecções de arte portuguesa contemporânea. Assim, lá estão representados Amadeo de Souza-Cardoso, Vieira da Silva, Carlos Botelho, Júlio Resende, Eduardo Viana, Menez, Paula Rego, José de Guimarães, Júlio Pomar, Marcelino Vespeira, Mário Eloy, Nikias Skapinakis, Eduardo Luiz, António Dacosta, Luís Noronha da Costa, António Costa Pinheiro e alguns outros.
Só para apreciar esta diversidade da pintura portuguesa contemporânea vale a pena visitar o CAMB.
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segunda-feira, 26 de março de 2012
Economia Portuguesa e Lusofonia
No recente Congresso Mundial de Empresários das Comunidades e Lusofonia, organizado pelo jornal Mundo Português a propósito do seu 42º aniversário, a Espírito Santo Research apresentou um estudo intitulado “Economia Portuguesa e Lusofonia”, de que o jornal divulgou um resumo.
De acordo com os dados de 2010, a expressão económica mundial da Língua Portuguesa (países em que o português é a língua oficial e comunidades portuguesas residentes noutros países) traduz-se num PIB de 1.979 mil milhões de euros (4,6 % do PIB mundial) e 442 mil milhões de euros movimentados no comércio internacional (2 % do comércio mundial), que são gerados por cerca de 254 milhões de pessoas (3,6 % da população mundial).
Estes números mostram que, embora cerca de 80 % das exportações portuguesas se destinem aos países da União Europeia e apenas cerca de 8% se destinem ao espaço económico da Lusofonia, o potencial de exportação para este grupo de países tem um significado interessante.
Numa altura em que o crescimento do Produto Nacional terá que assentar sobretudo nas exportações, o estudo revela que, entre 2006 e 2011, as nossas exportações cresceram a uma taxa de 3,5 % para o mundo e de 14,8 % para o mundo lusófono, verificando-se um significativo crescimento médio das nossas exportações para Angola (14,1 %), Brasil (18,1 %), Cabo Verde (6,1 %), Moçambique (24,2 %), Guiné-Bissau (18,9 %), S. Tomé e Príncipe (10,6 %), Macau (2,3 %) e Timor-Leste (14,9 %).
Afinal a ideia de aumentar as exportações para o espaço lusófono não foi inventada agora e já vem sendo concretizada desde há vários anos.
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De acordo com os dados de 2010, a expressão económica mundial da Língua Portuguesa (países em que o português é a língua oficial e comunidades portuguesas residentes noutros países) traduz-se num PIB de 1.979 mil milhões de euros (4,6 % do PIB mundial) e 442 mil milhões de euros movimentados no comércio internacional (2 % do comércio mundial), que são gerados por cerca de 254 milhões de pessoas (3,6 % da população mundial).
Estes números mostram que, embora cerca de 80 % das exportações portuguesas se destinem aos países da União Europeia e apenas cerca de 8% se destinem ao espaço económico da Lusofonia, o potencial de exportação para este grupo de países tem um significado interessante.
Numa altura em que o crescimento do Produto Nacional terá que assentar sobretudo nas exportações, o estudo revela que, entre 2006 e 2011, as nossas exportações cresceram a uma taxa de 3,5 % para o mundo e de 14,8 % para o mundo lusófono, verificando-se um significativo crescimento médio das nossas exportações para Angola (14,1 %), Brasil (18,1 %), Cabo Verde (6,1 %), Moçambique (24,2 %), Guiné-Bissau (18,9 %), S. Tomé e Príncipe (10,6 %), Macau (2,3 %) e Timor-Leste (14,9 %).
Afinal a ideia de aumentar as exportações para o espaço lusófono não foi inventada agora e já vem sendo concretizada desde há vários anos.
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domingo, 25 de março de 2012
Os motoristas milionários
Na sua edição de ontem o Correio da Manhã titulou que há “motoristas milionários no Governo”, acrescentando que há “salários de 4 mil euros por mês”.
Os motoristas são muito importantes na vida política. Conduzem bons carros, que por acaso foram pagos com os meus impostos. Transportam os nossos dirigentes. Conhecem-lhes os segredos. Adivinham-lhes as fraquezas. Ouvem-lhes os desabafos. Fazem-lhes pequenos favores. São reverentes e influentes e, ao contrário do cidadão comum, não têm limites de velocidade e podem estacionar em toda a parte. Estão sempre "em serviço" e é tudo "a bem da Nação".
São eles que dão polimento e vida às numerosas frotas de automóveis do Estado. Nos gabinetes ministeriais ou nos cafés que lhes ficam em frente, mas também em muitos outros organismos públicos, os motoristas esperam ordens, com elevado grau de prontidão. São verdadeiros operacionais engravatados.
Nenhuma entidade prescinde dos seus serviços para conduzir a viatura, abrir a porta, pegar na pasta, esperar, esperar… Isso alimenta as vaidades e o exibicionismo dessas entidades. Por vezes, os motoristas fazem alguns serviços adicionais e levam as crianças à escola e à natação ou as senhoras às compras. Quando a coisa acaba, a entidade dá-lhes um louvor por bons serviços.
Tudo isso custa dinheiro, porque para além do seu salário-base, os motoristas do Estado ainda recebem ou podem receber horas extraordinárias, ajudas de custo, facturas da alimentação, subsídio de risco, subsídio de lavagem da viatura, subsídio de vestuário e, talvez, outros subsídios que eu não conheço. E há as folgas para ir à terra! Tudo lhes é autorizado e daí resultam os exageros remuneratórios a que a notícia alude. É realmente um rico emprego, mas a culpa não é deles!
Os motoristas são muito importantes na vida política. Conduzem bons carros, que por acaso foram pagos com os meus impostos. Transportam os nossos dirigentes. Conhecem-lhes os segredos. Adivinham-lhes as fraquezas. Ouvem-lhes os desabafos. Fazem-lhes pequenos favores. São reverentes e influentes e, ao contrário do cidadão comum, não têm limites de velocidade e podem estacionar em toda a parte. Estão sempre "em serviço" e é tudo "a bem da Nação".
São eles que dão polimento e vida às numerosas frotas de automóveis do Estado. Nos gabinetes ministeriais ou nos cafés que lhes ficam em frente, mas também em muitos outros organismos públicos, os motoristas esperam ordens, com elevado grau de prontidão. São verdadeiros operacionais engravatados.
Nenhuma entidade prescinde dos seus serviços para conduzir a viatura, abrir a porta, pegar na pasta, esperar, esperar… Isso alimenta as vaidades e o exibicionismo dessas entidades. Por vezes, os motoristas fazem alguns serviços adicionais e levam as crianças à escola e à natação ou as senhoras às compras. Quando a coisa acaba, a entidade dá-lhes um louvor por bons serviços.
Tudo isso custa dinheiro, porque para além do seu salário-base, os motoristas do Estado ainda recebem ou podem receber horas extraordinárias, ajudas de custo, facturas da alimentação, subsídio de risco, subsídio de lavagem da viatura, subsídio de vestuário e, talvez, outros subsídios que eu não conheço. E há as folgas para ir à terra! Tudo lhes é autorizado e daí resultam os exageros remuneratórios a que a notícia alude. É realmente um rico emprego, mas a culpa não é deles!
quarta-feira, 21 de março de 2012
Um tempo para revisitar Óbidos
Embora estejamos a atravessar um longo período primaveril sob o ponto de vista meteorológico, só hoje realmente começa a Primavera boreal, quando ocorrer o equinócio do sol e, para nós, os dias passarem a ser maiores do que as noites.
Com a chegada da Primavera os espíritos reanimam-se e surge um renovado apelo pelas paisagens rurais, pelos campos verdejantes e floridos, pelas estradas secundárias, pelas praias desertas e pelos lugares com património, história e gastronomia, que as multidões de turistas hão-de invadir quando chegar o Verão.
Sair da cidade torna-se um imperativo e revisitar Óbidos é uma boa escolha. O seu traçado urbano medieval, as janelas e varandas das casas, as muralhas e as igrejas, os recantos e os jardins, o empedrado das suas calçadas e a limpeza das ruas são, nesta época do ano, um estímulo cultural e um verdadeiro incentivo para o visitante. Pelas paredes da antiquíssima vila, envelhecidas mas pintadas, já rebentam as trepadeiras e as buganvílias, nos vasos e nos canteiros já florescem as roseiras, as glicínias, as sardinheiras e muitas outras plantas ornamentais, que aos poucos irão transformar a vila num sugestivo jardim florido.
No sentido de aumentar a atractividade da vila, de impulsionar a sua base económica e de atrair o turismo, a autarquia tem desenvolvido um diversificado programa cultural, em que se destaca o Festival Internacional de Chocolate que já criou raízes, mas também muitas exposições, concertos e outras actividades culturais. Não sei se essas iniciativas tornam Óbidos mais atraente, porque o que de facto mais motiva o visitante, para além do seu castelo que foi escolhido como uma das sete maravilhas de Portugal, é a sua história centenária, a riqueza da sua arquitectura e a forte identidade cultural que evidencia, mais perceptíveis quando não há excursões com centenas de turistas que entopem as estreitas ruas da vila.
Agora que veio a Primavera é que é o tempo para revisitar Óbidos.
Com a chegada da Primavera os espíritos reanimam-se e surge um renovado apelo pelas paisagens rurais, pelos campos verdejantes e floridos, pelas estradas secundárias, pelas praias desertas e pelos lugares com património, história e gastronomia, que as multidões de turistas hão-de invadir quando chegar o Verão.
Sair da cidade torna-se um imperativo e revisitar Óbidos é uma boa escolha. O seu traçado urbano medieval, as janelas e varandas das casas, as muralhas e as igrejas, os recantos e os jardins, o empedrado das suas calçadas e a limpeza das ruas são, nesta época do ano, um estímulo cultural e um verdadeiro incentivo para o visitante. Pelas paredes da antiquíssima vila, envelhecidas mas pintadas, já rebentam as trepadeiras e as buganvílias, nos vasos e nos canteiros já florescem as roseiras, as glicínias, as sardinheiras e muitas outras plantas ornamentais, que aos poucos irão transformar a vila num sugestivo jardim florido.
No sentido de aumentar a atractividade da vila, de impulsionar a sua base económica e de atrair o turismo, a autarquia tem desenvolvido um diversificado programa cultural, em que se destaca o Festival Internacional de Chocolate que já criou raízes, mas também muitas exposições, concertos e outras actividades culturais. Não sei se essas iniciativas tornam Óbidos mais atraente, porque o que de facto mais motiva o visitante, para além do seu castelo que foi escolhido como uma das sete maravilhas de Portugal, é a sua história centenária, a riqueza da sua arquitectura e a forte identidade cultural que evidencia, mais perceptíveis quando não há excursões com centenas de turistas que entopem as estreitas ruas da vila.
Agora que veio a Primavera é que é o tempo para revisitar Óbidos.
terça-feira, 20 de março de 2012
Memória da Guerra Colonial
A SPA - Sociedade Portuguesa de Autores inaugurou uma exposição de grande interesse histórico e pedagógico, alusiva à passagem dos 50 anos do início da guerra colonial.
A exposição consta de vários painéis com expressivos textos, fotos, mapas e outros documentos, mostrando o que foram os 13 anos de guerra nas frentes de Angola, Guiné e Moçambique, que custaram a vida a mais de dez mil portugueses e ainda causaram dezenas de milhares de feridos e de estropiados.
Porém, a guerra colonial que resultou da intransigência salazarista, também representou o doloroso fenómeno do exílio, com muitos milhares de jovens a radicarem-se noutros países por discordarem da guerra.
A exposição também recorda a prisão do Tarrafal e a queda da Índia Portuguesa, destacando os momentos e as figuras mais marcantes da vida política portuguesa nesse período que decorreu de 1961 a 1974, bem como os grandes protagonistas do lado português e do lado da resistência anticolonial. Alguns painéis são dedicados ao modo como a guerra se reflectiu na vida cultural e artística portuguesa, ao papel da censura e da repressão, às tentativas armadas de mudança do regime salazarista e, ainda, às consequências que o conflito e o exílio tiveram na vida intelectual e científica do país.
A exposição pretende contrariar algum esquecimento da nossa história que se tem vindo a verificar nas últimas décadas e, de forma mais acentuada, nos últimos anos, constituindo um excelente exercício de memória sobre o nosso passado recente.
A exposição ficará patente nas instalações da SPA (Rua Gonçalves Crespo, 62, em Lisboa) até finais de Abril e, naturalmente, é muito recomendável.
A exposição consta de vários painéis com expressivos textos, fotos, mapas e outros documentos, mostrando o que foram os 13 anos de guerra nas frentes de Angola, Guiné e Moçambique, que custaram a vida a mais de dez mil portugueses e ainda causaram dezenas de milhares de feridos e de estropiados.
Porém, a guerra colonial que resultou da intransigência salazarista, também representou o doloroso fenómeno do exílio, com muitos milhares de jovens a radicarem-se noutros países por discordarem da guerra.
A exposição também recorda a prisão do Tarrafal e a queda da Índia Portuguesa, destacando os momentos e as figuras mais marcantes da vida política portuguesa nesse período que decorreu de 1961 a 1974, bem como os grandes protagonistas do lado português e do lado da resistência anticolonial. Alguns painéis são dedicados ao modo como a guerra se reflectiu na vida cultural e artística portuguesa, ao papel da censura e da repressão, às tentativas armadas de mudança do regime salazarista e, ainda, às consequências que o conflito e o exílio tiveram na vida intelectual e científica do país.
A exposição pretende contrariar algum esquecimento da nossa história que se tem vindo a verificar nas últimas décadas e, de forma mais acentuada, nos últimos anos, constituindo um excelente exercício de memória sobre o nosso passado recente.
A exposição ficará patente nas instalações da SPA (Rua Gonçalves Crespo, 62, em Lisboa) até finais de Abril e, naturalmente, é muito recomendável.
segunda-feira, 19 de março de 2012
R.I.P. António Leitão
O antigo atleta olímpico António Leitão, que nos Jogos Olímpicos de Los Angeles de 1984 conquistou a medalha de bronze na prova de 5.000 metros, morreu este domingo num hospital do Porto com 51 anos de idade, vitimado por uma doença rara.
Para quem praticou e aprecia a actividade desportiva, António Leitão protagonizou um momento inesquecível de grande exaltação desportiva, que todos pudemos acompanhar em directo pela televisão, primeiro com a sua sensacional corrida e, depois, com a subida da bandeira portuguesa no mastro olímpico que então era um acontecimento raro e, por isso, mais emocionante. A história regista que a final olímpica de Los Angeles foi uma das mais rápidas de sempre, em grande parte devido à acção de António Leitão, numa prova em que, com o seu dorsal 722, liderou a prova durante mais de três mil metros e em que só foi batido nos 200 metros finais. Alguns dias antes Rosa Mota conquistara a medalha de bronze na maratona feminina e, no dia seguinte, foi a vez de Carlos Lopes conquistar a medalha de ouro na maratona masculina. O historial português que regista 22 participações e a conquista de 22 medalhas olímpicas, nunca teve uma representação tão bem sucedida desportivamente, como sucedeu em 1984 em Los Angeles, onde conquistou uma medalha de ouro e duas medalhas de bronze, por intermédio de Carlos Lopes, Rosa Mota e António Leitão.
Natural de Espinho e medalhado olímpico, António Leitão continuará presente na memória dos apreciadores do desporto e, em especial, daqueles que acompanham o atletismo.
sábado, 17 de março de 2012
São trapalhadas a mais
Nos últimos tempos as trapalhadas governamentais sucedem-se a um ritmo muito preocupante, revelando algumas decisões incompreensíveis, falta de prévio estudo dos assuntos, comportamentos inaceitáveis e, ainda, uma elevada permeabilidade ao atrevimento de boys e mini-boys. Tudo isto, embrulhado numa grande arrogância discursiva. Ora, parece-me que ainda não estamos em tempo do “vale tudo”!
O regime de excepção aplicado ao BdP, à TAP, à CGD e a outros que já se perfilam no horizonte, as excepções que se verificam em relação aos limites salariais das administrações da TAP, ANA, CTT e outras, o caso do devedor que virou credor da AdP, a triste história do duplo recebimento da Lusoponte, a inadmissível cedência aos lobbies da energia sob o comando da EDP, são alguns dos casos preocupantes pois estão desalinhados com o discurso da coerência com que esta gente foi escolhida para nos governar. Porém, as surpresas continuam.
Agora temos um indivíduo que já foi apelidado de “12º ministro” e que foi escolhido para liderar a equipa que ficará com a supervisão das privatizações das participações do Estado em empresas públicas, onde se incluem a TAP, ANA e RTP, mas que, simultaneamente, aceita ser administrador de uma das maiores empresas privadas portuguesas. É preciso muita vaidade e muita ambição para alguém se sujeitar a esta bigamia entre o interesse público e o interesse privado. Se a moda pega, um dia teremos o Pingo Doce a dar emprego a muitos mais consultores e assessores do governo, aqui ou na Holanda, para onde a empresa se vai instalar.
Estão a dar cabo da ética republicana e já são trapalhadas a mais.
O regime de excepção aplicado ao BdP, à TAP, à CGD e a outros que já se perfilam no horizonte, as excepções que se verificam em relação aos limites salariais das administrações da TAP, ANA, CTT e outras, o caso do devedor que virou credor da AdP, a triste história do duplo recebimento da Lusoponte, a inadmissível cedência aos lobbies da energia sob o comando da EDP, são alguns dos casos preocupantes pois estão desalinhados com o discurso da coerência com que esta gente foi escolhida para nos governar. Porém, as surpresas continuam.
Agora temos um indivíduo que já foi apelidado de “12º ministro” e que foi escolhido para liderar a equipa que ficará com a supervisão das privatizações das participações do Estado em empresas públicas, onde se incluem a TAP, ANA e RTP, mas que, simultaneamente, aceita ser administrador de uma das maiores empresas privadas portuguesas. É preciso muita vaidade e muita ambição para alguém se sujeitar a esta bigamia entre o interesse público e o interesse privado. Se a moda pega, um dia teremos o Pingo Doce a dar emprego a muitos mais consultores e assessores do governo, aqui ou na Holanda, para onde a empresa se vai instalar.
Estão a dar cabo da ética republicana e já são trapalhadas a mais.
Um Estado dentro do Estado
No ano de 2011, quando a EDP ainda não era dominada pelos chineses, os sete membros do seu Conselho de Administração receberam 6,09 milhões de euros, um montante que, segundo revela o Correio da Manhã, dava para pagar 12.569 salários mínimos em Portugal. Só o presidente da empresa ganhou 1,04 milhões de euros em remunerações fixas e variáveis, que correspondem a cerca de 2.859 euros por dia.
É uma obscenidade. Num país que atravessa uma crise tão grave, com a população a empobrecer e com um enorme volume de desemprego, até parece que estamos em tempo de vacas gordas, com a EDP a explorar indecentemente o consumidor português para alimentar remunerações e lucros escandalosos, perante a indiferença dos nossos governantes. Na realidade a EDP é um caso lamentável de assalto ao bolso do consumidor, pois o preço que pagamos pela electricidade é superior ao preço médio da União Europeia, além de que a EDP ainda beneficia da comparticipação do Estado, através das famosas rendas.
Há dias, a EDP decidiu que os chineses irão receber 144 milhões em dividendos relativos ao seu fabuloso lucro de 1125 milhões de euros de 2011 e, agora, por causa da negociação das abusivas rendas, provocou a saída do governo do secretário de Estado da Energia. Afinal, os valentões do governo são fortes para os fracos, mas são fracos para os fortes. Os mexias e os catrogas é que mandam e a EDP é, cada vez mais, um Estado dentro do Estado.
É uma obscenidade. Num país que atravessa uma crise tão grave, com a população a empobrecer e com um enorme volume de desemprego, até parece que estamos em tempo de vacas gordas, com a EDP a explorar indecentemente o consumidor português para alimentar remunerações e lucros escandalosos, perante a indiferença dos nossos governantes. Na realidade a EDP é um caso lamentável de assalto ao bolso do consumidor, pois o preço que pagamos pela electricidade é superior ao preço médio da União Europeia, além de que a EDP ainda beneficia da comparticipação do Estado, através das famosas rendas.
Há dias, a EDP decidiu que os chineses irão receber 144 milhões em dividendos relativos ao seu fabuloso lucro de 1125 milhões de euros de 2011 e, agora, por causa da negociação das abusivas rendas, provocou a saída do governo do secretário de Estado da Energia. Afinal, os valentões do governo são fortes para os fracos, mas são fracos para os fortes. Os mexias e os catrogas é que mandam e a EDP é, cada vez mais, um Estado dentro do Estado.
sexta-feira, 16 de março de 2012
Aos sábados em Campo de Ourique
No sentido de dar uma vida diferente e mais atraente ao Mercado de Campo de Ourique, a Câmara Municipal de Lisboa decidiu que, aos sábados entre as 09.00 e as 15.00 horas, passará a haver naquele espaço um mercado paralelo de natureza cultural e solidária, em que serão apresentados produtos diversos daqueles que habitualmente lá se encontram, à mistura com as habituais alfaces e couves, rabanetes e batatas, sardinhas e carapaus.
Assim, até ao final do mês de Junho, no Mercado de Campo de Ourique, os visitantes terão no primeiro sábado de cada mês um mercado de Velharias e Antiguidades, no segundo um mercado de Artesanato, no terceiro um mercado da Solidariedade e no quarto um mercado de Livros.
Este tipo de iniciativas que se inspira nos antigos mercados populares de rua, tem atraído cada vez mais público, quer do lado da oferta (uma boa oportunidade para artistas), quer do lado da procura (uma boa oportunidade para coleccionadores). Deste modo a partir do próximo sábado, dia 17 de Março, no Mercado de Campo de Ourique podem ser encontrados trabalhos de pintura, escultura, fotografia, tapeçaria ou cerâmica. Mais uma alternativa para os lisboetas ocuparem as suas manhãs de sábado.
Assim, até ao final do mês de Junho, no Mercado de Campo de Ourique, os visitantes terão no primeiro sábado de cada mês um mercado de Velharias e Antiguidades, no segundo um mercado de Artesanato, no terceiro um mercado da Solidariedade e no quarto um mercado de Livros.
Este tipo de iniciativas que se inspira nos antigos mercados populares de rua, tem atraído cada vez mais público, quer do lado da oferta (uma boa oportunidade para artistas), quer do lado da procura (uma boa oportunidade para coleccionadores). Deste modo a partir do próximo sábado, dia 17 de Março, no Mercado de Campo de Ourique podem ser encontrados trabalhos de pintura, escultura, fotografia, tapeçaria ou cerâmica. Mais uma alternativa para os lisboetas ocuparem as suas manhãs de sábado.
quarta-feira, 14 de março de 2012
Abaixo a pança!
Num contexto de euforia económica houve milhares de famílias em Portugal que contraíram empréstimos para aquisição de casa própria e hoje haverá 140 mil que estão com processos de incumprimento por ausência de pagamento de crédito à habitação.
As razões são muito diversas e compreensíveis, mas esta situação só foi possível porque a gananciosa banca estimulou esses comportamentos económicos quando o dinheiro era barato.
Agora, quando uma família entra em incumprimento e não consegue fazer os seus pagamentos, há lugar à dação por incumprimento, isto é, à devolução da casa.
Porém, nesses casos, por efeito de várias avaliações e da eventual desvalorização do imóvel, além de ficarem sem casa, as famílias ainda ficam a dever dinheiro aos bancos que entendem que as suas casas desvalorizaram face ao valor do empréstimo pedido e, assim, a banca duplica a sua margem de lucro.
Isto é um verdadeiro assalto às famílias e à coesão da sociedade. É preciso acabar com esta situação, porque se trata de uma condenação sem prazo das famílias que estão numa circunstância crítica. É preciso legislar no sentido de que a entrega de casa salde a dívida ao banco e, por isso, espera-se que o governo e os 230 deputados tenham a sensibilidade social e a coragem para travar a renascida ganância da banca.
Por tudo isso, tem sentido recordar o Poemarma, um famoso poema de Manuel Alegre publicado em 1967 n’O Canto e as Armas:
Que o poema assalte esta desordem ordenada,
Que chegue ao banco e grite: abaixo a pança!
As razões são muito diversas e compreensíveis, mas esta situação só foi possível porque a gananciosa banca estimulou esses comportamentos económicos quando o dinheiro era barato.
Agora, quando uma família entra em incumprimento e não consegue fazer os seus pagamentos, há lugar à dação por incumprimento, isto é, à devolução da casa.
Porém, nesses casos, por efeito de várias avaliações e da eventual desvalorização do imóvel, além de ficarem sem casa, as famílias ainda ficam a dever dinheiro aos bancos que entendem que as suas casas desvalorizaram face ao valor do empréstimo pedido e, assim, a banca duplica a sua margem de lucro.
Isto é um verdadeiro assalto às famílias e à coesão da sociedade. É preciso acabar com esta situação, porque se trata de uma condenação sem prazo das famílias que estão numa circunstância crítica. É preciso legislar no sentido de que a entrega de casa salde a dívida ao banco e, por isso, espera-se que o governo e os 230 deputados tenham a sensibilidade social e a coragem para travar a renascida ganância da banca.
Por tudo isso, tem sentido recordar o Poemarma, um famoso poema de Manuel Alegre publicado em 1967 n’O Canto e as Armas:
Que o poema assalte esta desordem ordenada,
Que chegue ao banco e grite: abaixo a pança!
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